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Jefferson Picanço, geólogo e professor do Instituto de Geociências (IG), da Unicamp, é o convidado desta edição do “Um Tema” podcast. Também integrante do Centro de Apoio Científico em Desastres (Cenacid), da Universidade Federal do Paraná (UFPR) - que reúne experts de diversas outras universidades públicas brasileiras - , ele esteve na Zona da Mata de Minas Gerais na semana passada colaborando na fase de rescaldo e apoio técnico após a tragédia que matou mais de 70 pessoas e deixou 13 mil desabrigados e desalojados.
O local enfrenta, desde 23 de fevereiro, uma situação de calamidade após registrar chuvas históricas. Os municípios de Juiz de Fora e Ubá foram os mais atingidos. Apenas em Juiz de Fora, o volume de chuva se aproximou dos 765 milímetros; superior aos 170 milímetros esperados para todo o mês. As autoridades apontaram que a Zona da Mata mineira testemunhou o seu fevereiro mais chuvoso desde o início das medições, em 1961.
São casas, prédios, espaços públicos e estabelecimentos comerciais total ou parcialmente destruídos, vias públicas ainda alagadas ou tomadas pela lama e vegetação trazida por enxurradas e deslizamentos.
O cenário de calamidade exige uma reação rápida e organizada de grupos preparados para dar esse suporte. E é aí que entram as universidades, que possuem frentes que atuam no atendimento a situações de risco, análises técnicas e planejamento. O foco está no acolhimento psicossocial, segurança e estudos técnicos de desastres.
Picanço vivenciou a situação de perto e, mais uma vez, ofereceu seus conhecimentos para “abraçar” a comunidade local. Em seu relato ao podcast, ele tratou sobre a importância dessa contribuição acadêmica e de que como ações como essa podem ajudar na redução dos impactos em novas ocorrências e na criação de políticas públicas que protejam a população e o ambiente envolvido.
Ficha Técnica
Produção e entrevista: Fábio Gallacci
Edição de áudio: Bruno Piato e Matheus Mota
Capa: Alex Calixto
Foto: Tânia Rego/Agência Brasil
Apoio: Eliane Daré – Assessoria IG – Unicamp
Coordenação geral: Patrícia Lauretti
#unicamp #chuvas #minasgerais
O grito de Carnaval vai além da folia. Movimento cultural popular que mobiliza os quatro cantos do Brasil, o clima de celebração – espontâneo e democrático pelas ruas ou dominado pelo mercado e barreiras de classe - também abre espaço para a autoafirmação, contestação e transformação.
As origens do movimento, seus sons característicos em constante desenvolvimento e as formas de expressão ricas em significados regionais contam as lutas e conquistas de um povo. Por isso, celebrar também é uma forma de resistir e existir.
Para falar sobre as outras camadas do Carnaval, o “Um Tema” podcast ouviu a professora Suzel Reily, titular de Etnomusicologia do Departamento de Música do Instituto de Artes (IA), e José Alexandre Leme Lopes Carvalho, livre docente do Departamento de Música, ambos da Unicamp.
Ficha Técnica
Produção, entrevista e texto: Fábio Gallacci
Edição de áudio: Bruno Piato
Capa: Alex Calixto
Foto de capa: Fernando Maia/Riotur
Coordenação geral: Patrícia Lauretti
#unicamp #carnaval #cultura
Em 2025, o governo federal resgatou 2.772 pessoas em situação de trabalho análogo à escravidão, um aumento de 26,8% em relação ao ano anterior. Pela primeira vez, o número de casos no meio urbano superou o do meio rural. Para analisar esse crescimento, os setores mais atingidos e os recortes sociais desse cenário, o podcast “Um Tema” convidou Marilane Teixeira, professora do Instituto de Economia (IE) da Unicamp e pesquisadora do Centro de Estudos Sindicais e de Economia do Trabalho (Cesit), vinculado ao IE. Entre outros pontos, ela analisa o trabalho escravo contemporâneo no Brasil, a fragilização de direitos, o avanço da terceirização e os desafios atuais do mundo do trabalho.
Ficha técnica
Produção: Fábio Gallacci
Entrevista: Silvio Anunciação
Gravação de áudio: Juliana Budoya
Edição de áudio: Bruno Piato
Foto: Ministério do Trabalho – PI
Arte: Alex Calixto
Coordenação: Patrícia Lauretti
O Observatório das Migrações Internacionais – órgão ligado ao Ministério do Trabalho e Previdência Social -, aponta que há 582 mil venezuelanos com residência ativa no Brasil atualmente. A informação foi divulgada no último mês de novembro e traz dados do Sistema de Registro Nacional Migratório da Polícia Federal. Mais do que números, o cenário está repleto de histórias de famílias que buscam uma vida mais estável e segura.
Vale ressaltar que, do total de 1,9 milhão de estrangeiros que moram oficialmente no País, os venezuelanos já representam 30%. Mais da metade vive em três estados: Roraima, Santa Catarina e Paraná. Além dessa jornada sem um destino certo, os migrantes venezuelanos ainda têm de enfrentar questões como a adaptação cultural, inserção no mercado de trabalho, busca por reunificação familiar e o preconceito de cidadãos brasileiros encarado no dia a dia.
O município de Pacaraima, situado no extremo Norte do Brasil, em Roraima, segue sendo o local que mais sente os reflexos de uma crise política, econômica e social que desenrola na Venezuela há mais de uma década.
Mais recentemente, no início do ano, a captura do ditador Nicolás Maduro, presidente da Venezuela, pelo governo estadunidense de Donald Trump ampliou o cenário de incertezas no país e na fronteira com o Brasil.
O professor e pesquisador gaúcho Paulo Roberto Racoski, do Instituto Federal de Roraima, é o convidado da primeira entrevista da nova temporada do “Um Tema” podcast. Filósofo, sociólogo, antropólogo e cientista político, especialista em Gestão para o Etnodesenvolvimento, ele vive há 20 anos na região próxima à tríplice fronteira. Sua entrevista foi realizada por videochamada.
Ficha técnica
Produção e entrevista: Fábio Gallacci
Edição de áudio: Bruno Piato
Arte: Alex Calixto
Foto de capa: RS/Fotospublicas
Coordenação geral: Patrícia Lauretti
#venezuela #brasil #imigrantes
O podcast “Um Tema” conversou com Ricardo Antunes, professor titular de Sociologia no Instituto de Filosofia e Ciências Humanas (IFCH), da Unicamp, sobre os impactos econômicos e principalmente sociais do avanço da tecnologia no mercado de trabalho e na vida das pessoas. Esses avanços, que no papel chegariam para facilitar as tarefas e proporcionar mais qualidade de vida estão, na prática, gerando sobrecarga e redução de postos de trabalho. O programa ainda tratou das “ondas de desemprego” e desamparo que atingem a sociedade desde a Revolução Industrial. Uma dessas ondas, de acordo com o professor, é revivida agora e pode afetar gerações.
Os robôs humanoides, como vistos em fábricas na China, vão realmente ocupar o espaço do ser humano? Os países mais pobres são os que sofrerão de forma mais contundente os impactos disso?
Ricardo Antunes tem livros publicados em 14 países e colaborou em inúmeros artigos em revistas acadêmicas e capítulos de livros na França, Inglaterra, EUA, Itália, Portugal, Holanda, Espanha, Suíça, Alemanha, Índia, China, Rússia, Hungria, Canadá, México, Argentina, Colômbia, Equador, Venezuela, Uruguai e Cuba, entre outros. Recebeu a medalha do Tribunal Superior do Trabalho (TST) e do Tribunal Regional do Trabalho (TRT) da 15ª Região. A sociologia do trabalho e a teoria social estão entre os principais assuntos de interesse do professor Antunes.
Ficha técnica
Produção e entrevista: Fábio Gallacci
Técnica e edição de áudio: Bruno Piato
Capa: Alex Calixto
Coordenação geral: Patrícia Lauretti
#unicamp #robôs #trabalho
Enquanto boa parte do público feminino tem forte engajamento em pautas progressistas e de cunho social abrangente, muitos homens seguem o caminho contrário, do conservadorismo radical e da misoginia. Essa distância se cristaliza, cada vez mais, em violência. O “palco” da internet amplifica esse território de desvalorização, desumanização e morte das mulheres. Os comportamentos distorcidos e ameaçadores – muitas vezes ocorridos dentro de casa ou de pessoas muito próximas às vítimas - têm gerado cliques, visualizações, seguidores e, claro, muito lucro.
Um fator agravante é o fato de muitos seguidores serem jovens, o que potencializa o surgimento de uma geração de intolerantes digitais. Os números comprovam o cenário. Uma em cada dez mulheres com 16 anos de idade ou mais já sofreram algum tipo de violência digital nos últimos 12 meses. O dado faz parte da Pesquisa Nacional de Violência contra a Mulher, realizada pelo Datasenado, ligado ao Senado Federal.
Os assassinatos de mulheres também resultam numa orfandade trágica. Anualmente, cerca de 2,5 mil crianças e adolescentes perdem as mães devido ao feminicídio no Brasil, de acordo com o Fórum Brasileiro de Segurança Pública, ligado à Câmara dos Deputados, em Brasília.
Como se não bastasse ser um alvo diário do ódio masculino, a mulher – principalmente preta e pobre - ainda tem contra ela a falta de acesso à moradia, saúde, emprego e autonomia financeira. Esses são fatores que colocam as mulheres em total condição de vulnerabilidade.
As leis contra os criminosos e assassinos existem e são rigorosas, mas a eficácia de sua aplicação é questionável. A grande quantidade de vítimas de feminicídios que tinham em mãos medidas protetivas ou restritivas contra seus parceiros é apenas um das feridas abertas dessa realidade.
Para tratar do assunto, o “Um Tema” podcast convida a professora Anna Christina Bentes, coordenadora do Núcleo de Estudos de Gênero – Pagu, ligado à Unicamp e que tem suas atividades ligadas a questões sociais, econômicas, antropológicas, históricas e políticas.
Ficha técnica
Produção: Patrícia Lauretti e Fábio Gallacci
Apresentação: Thaís Pimenta e Fábio Gallacci
Técnica e edição: Bruno Piato
Capa: Alex Calixto
Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil
Coordenação geral: Patrícia Lauretti
#unicamp #mulher #violência
Todos os dias, o mundo testemunha uma batalha que faz milhares de vítimas. No Brasil, os acidentes de trânsito somam, em média, 30 mil vidas perdidas todos os anos. Outras 200 mil pessoas ficam com invalidez permanente. O cenário mostra que de 20 milhões de brasileiros são impactados anualmente por esses eventos. A maioria das mortes é de homens jovens, sendo 60% deles motociclistas, que se arriscam nas ruas trabalhando com entregas em um formato de trabalho que eleva os riscos ainda mais.
Seja nas áreas urbanas ou estrada é preciso discutir o comportamento humano quando se está diante de um volante. Respeitos aos pedestres, ciclistas e, logicamente, não misturar direção com álcool são comportamentos básicos que muitos insistem em ignorar. O resultado, muitas vezes, é trágico.
Além de destruir famílias e histórias, os acidentes também são um ponto que afeta duramente o sistema de saúde pública e a economia. De acordo com dados do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), com base em números do Departamento de Informação e Informática do Sistema Único de Saúde, o Datasus, apenas em 2024, o Brasil gastou R$ 449 milhões com internações de vítimas de acidentes de trânsito.
Sobre essas questões, e muitos exemplos de como um comportamento mais adequado no trânsito pode trazer segurança, desenvolvimento e até dinheiro no bolso, esta edição de “Um Tema” podcast recebe o professor, engenheiro e especialista em questões ligadas ao tráfego, Creso Peixoto. Ele é doutor em Transportes pela Faculdade de Engenharia Civil, Arquitetura e Urbanismo da Universidade Estadual de Campinas da Unicamp.
Ficha técnica:
Produção e entrevista: Fábio Gallacci
Edição: Bruno Piato
Técnica: Matheus Mota
Capa: Paulo Cavalheri
Coordenação geral: Patrícia Lauretti
#unicamp #transito #acidentes
Na madrugada de 23 de outubro de 1969, o então estudante Carlos Lobão foi levado por militares à sede da chamada Operação Bandeirantes (Oban), na Zona Sul da cidade de São Paulo. Acordou com uma arma na cabeça. Era o primeiro ato de truculência que enfrentaria pelos próximos quatros anos de sua vida.
Na delegacia, foi espancado e recebeu choques elétricos em diferentes partes do corpo – muitos enquanto estava pendurado em um instrumento de tortura conhecido como “pau de arara”.
Anos depois, já formado, o geólogo Lobão foi um dos pioneiros do Instituto de Geociências (IG) da Unicamp, onde ingressou como aluno de mestrado em 1978. Ele ainda foi o primeiro geólogo do Brasil a se tornar mestre e também doutor em educação. Na academia, dedicou-se a investigar a interface entre ensino e geociências, em uma época na qual não havia pesquisas sobre essa temática na América Latina.
Hoje docente aposentado da universidade, Lobão acredita que o espaço de democracia vivido nas últimas décadas no Brasil representa, na verdade, um movimento de recuo dos militares e que a tortura persiste, agora, contra a população marginalizada em geral. Para ele, que sofreu na pele as consequências de um regime repressivo, é preciso o constante fortalecimento das organizações populares para que o passado não retorne. “A elite brasileira é escravocrata desde sempre. A ditadura se retirou a contragosto, se autoanistiou”, diz ele.
Carlos Lobão é o convidado desta edição do Um Tema podcast.
Ficha técnica
Produção e entrevista: Fábio Gallacci
Edição de áudio: Bruno Piato e Matheus Mota
Técnica: Rafaela Oliveira
Coordenação geral: Patrícia Lauretti
O Uruguai é o primeiro país da América Latina a aprovar a chamada “morte digna” por lei. Vale ressaltar que no Equador e no Colômbia a eutanásia também foi despenalizada, mas por decisões de suas Supremas Cortes, ou seja, de forma judicial.
Os pretendentes precisam ser maiores de 18 anos de idade, estarem psicologicamente aptos e diagnosticados com doenças incuráveis e/ou irreversíveis. Dores intoleráveis ou quadro de grave deterioração que comprometa por completo a sua qualidade de vida também são situações que se encaixam na lei uruguaia. A solicitação deve ser feita de forma pessoal e por escrito, com a avaliação de dois médicos, o que acompanha o paciente e outro independente. Caso haja divergência, uma junta de médicos será composta para analisar o caso.
No Brasil, a eutanásia – ou morte assistida - é considerada crime e é enquadrada como homicídio, mesmo com a vontade do paciente. A legislação brasileira não permite a antecipação da morte, mas reconhece e permite a prática da ortotanásia, que é a suspensão de tratamentos fúteis ou o uso de cuidados paliativos para aliviar o sofrimento de pacientes terminais.
Para tratar de um assunto ainda encoberto por tabus, desinformação e questões éticas, o “Um Tema” podcast recebe a médica Daniele Sacardo, professora da Faculdade de Ciências Médicas (FCM), no Departamento de Saúde Coletiva, Área de Ética e Saúde, da Unicamp.
“Falar sobre a morte ainda segue sendo muito difícil na nossa cultura por questões de valores que dizem respeito à moralidade e religião. No senso comum parece que, falar da morte, serva para atraí-la. É um assunto que ninguém se sente confortável para abordar”, afirma a médica.
Ficha técnica
Produção e entrevista: Fábio Gallacci
Edição de áudio: Bruno Piato
Capa: Paulo Cavalheri
Coordenação geral: Patrícia Lauretti
A megaoperação que reuniu diversas forças de Segurança Pública realizada nos complexos do Alemão e da Penha, na cidade do Rio de Janeiro, no final de outubro, resultando em 121 mortos – sendo quatro policiais-, motivou um importante debate. Qual seria a forma mais eficaz de combater – e desarticular – as ramificações do crime organizado?
A necessidade de encontrar alternativas para que o Estado diminua o poder bélico e econômico, além da influência social e política, de facções criminosas como o Comando Vermelho e o Primeiro Comando da Capital (PCC) pautou discussões pelo Brasil nos últimos dias.
Para ampliar a análise sobre esse cenário, o “Um Tema” podcast convidou Rodrigo Alberto Toledo, professor da Pós-graduação Interdisciplinar da Unicamp e pesquisador vinculado ao Laboratório de Estudos do Setor Público (Lesp), da Faculdade de Ciências Aplicadas (FCA), também da universidade. Além disso, Toledo também é mestre em Sociologia, doutor em Ciências Sociais e pós-doutor em Ciências Humanas e Sociais Aplicadas. Ele ainda desenvolve pesquisas sobre teorias sociológicas, desigualdades sociais, vulnerabilidade, espoliação urbana, processo de planejamento urbano e metodologias participativas na formulação de políticas públicas.
“A pesquisa e a inteligência baseadas em dados são fundamentais, e mais eficazes, para que haja um desmantelamento do crime organizado. Mais do que o fuzil, que não produz diagnóstico. Já a pesquisa, sim”, afirma o professor. “A academia pode atuar ao lado dos governos para produzir dados confiáveis - sociológicos e econômicos - para se chegar à engrenagem do crime organizado. É possível analisar as políticas públicas em curso e apontar possíveis correções, distinguindo o que funciona e o que não serve”, acrescenta Toledo.
Ficha técnica
Produção e entrevista: Fábio Gallacci
Edição de áudio: Bruno Piato
Capa: Alex Calixto
Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil
Apoio: Cris Kämpf – Assessoria FCA
Coordenação geral: Patrícia Lauretti
#unicamp #crimeorganizado #segurança
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