Na manhã de 18 de dezembro de 2021, o sol batia sobre o relvado e as bancadas do Marques da Silva. Dezenas de pessoas reuniam-se então no topo norte - umas junto à baliza, outras sobre a relva, algumas entre os pilares que marcam o lugar habitual dos FANS 1921.
A technada que saía de uma coluna portátil pautava o ritmo de trabalho, mas os preparativos eram já parte da festa. É que estávamos na véspera de um Ovarense-Lamas, o que fala por si, mas era também a véspera do centenário da Associação Desportiva Ovarense.
O peso da data arrastara até ali a claque – ou o grupo de amigos, se preferirem - para os últimos ensaios com uma tarja gigante, qual carta de amor de 25 metros, carregada em fila indiana desde a Caixinha de Fósforos, e pronta a desvelar na tarde do dia seguinte.
Só que nada disso se conquistou de um dia para o outro. Se puxarmos a fita dez anos atrás, os FANS numeravam uma dúzia, e num dia bom. A faixa improvisada chegava para deixar de sobreaviso as populações de Rocas do Vouga ou de Mamarrosa, para quem a grupeta que arrancara do Tulipa Negra mais parecia a Gate 7 a invadir-lhes a freguesia. Melhor do que ninguém, adivinhavam já o que aí vinha.
Neste episódio, celebramos o primeiro número redondo, e percorremos histórias, cânticos, e até as dores de crescimento dos FANS 1921. Numa altura em que a distrital de Aveiro rebenta pelas costuras com investimentos megalómanos e clubes-empresa a aterrar no nosso concelho, separamos o trigo do joio, na voz de quem, há longos e atribulados dez anos, vai mantendo intacta a paixão de criança.
Na capa, fotografia do blog Sempre Ovarense. Design por Marta Dias, como habitual.