Cemitério dos Infinitos

Cemitério dos Infinitos

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Cemitério dos Infinitos episodes

  • Poesia 22 - Adeus ao Sol

    Adeus ao Sol

    Thiago Lucarini


    Quando as últimas palavras foram ditas

    Todas as cores saíram de mim,

    Pois era um adeus, e todo adeus é

    Naturalmente sem cor, pois não bebe da alegria.

    Palavra fria, feita de distância não escolhida e saudade.

    De dentro ressoa o eco

    De um mundo já passado,

    Intocável e imutável,

    Mas, quente, por nele existirem

    Velhos sorrisos doados

    Em tempos de inabalável Sol.

    ***

    Música: https://www.purple-planet.com/

    1 min
  • Poesia 21 - Mar de Aral

    Mar de Aral

    Thiago Lucarini


    Lágrimas destituídas do sal

    São águas quaisquer sob o Sol

    Alheias ao que de mim

    Faz parte daquele eu fulcral.

    Meus olhos secos de sorrisos

    São como o mar de Aral,

    Roubado de si, transposto, tóxico,

    Desértico e salino de feições e afeições.

    Sou mar, morto.

    1 min
  • Poesia 20 - Futuro de cinzas

    Futuro de cinzas

    Thiago Lucarini


    Perdi tanto de mim

    Que bem poderia ser outro.

    Há tanto passado

    Há tanto deixado

    E nada feito sagrado.

    A quem me achar, aviso:

    Continuo me desfazendo

    Na marcha insidiosa do dia

    E na calma velada da noite.

    Sorrateiro e incansável

    Reconstruo e adio brevemente

    Meu inevitável futuro de cinzas.

    1 min
  • Poesia 19 - Vida de cão

    Vida de cão

    Thiago Lucarini


    Sem orgulho

    E de barriga vazia

    Eu te procuro

    Como um cão

    Atrás de restos de comida.

    Sou cão que sabe dos riscos

    Da vida descartada e vencida

    Mas que prefere a disenteria,

    A morrer de solidão.

    1 min
  • Poesia 18 - Tromba d'água

    Tromba d’água

    Thiago Lucarini


    Quando as nuvens brigam

    Há conhecida tempestade.

    Eu quando brigo

    Há silêncio, pois

    Abrigo no invisível de mim

    Meus raios e trovões,

    Toda água não dita.

    E assim, aos poucos

    Vou escurecendo.

    Sem mudança de tempo.

    Uma vez que ainda não aprendi

    A chover sem me desfazer.

    1 min
  • Poesia 17 - Resquícios de afogamentos

    Resquícios de afogamentos

    Thiago Lucarini


    Cercado, eu flutuo

    Mesmo em águas rasas.

    Por toda parte há resquícios

    De severos afogamentos,

    Por isso, não mais me arrisco

    Nas intenções das profundezas.

    Na ilusão vagueio, flutuo

    Querendo não sentir,

    Mas terrivelmente eu sei

    Que mesmo na superfície,

    Na menor das coisas,

    Ainda posso perder o ar.

    1 min
  • Poesia 16 - Pactos rompidos

    Pactos rompidos

    Thiago Lucarini


    Sou assombrado por ausências.

    Olho para lugares

    Onde deveriam estar sensações,

    Mas só encontro fantasmas,

    Arrepios e o vazio nas mãos.

    Sou cheio de pactos rompidos

    E é horrível que não se possa

    Exorcizar tantas ausências

    Com um pouco de nada.

    1 min
  • Poesia 15 - Lázaros

    Lázaros

    Thiago Lucarini


    Minta pra mim enquanto é tempo,

    Talvez assim, eu acredite

    Que de alguma forma divina

    Nós possamos continuar

    Frente a um milagre inesperado

    Além de algumas sensações esquecidas,

    De algumas emoções secas e vazias,

    De um coração que já não bate.

    Minta pra mim, e talvez, eu creia

    Na vida após a morte.

    Minta pra mim

    E assim, nós seremos Lázaros.

    1 min
  • Poesia 14 - Celas

    Celas

    Thiago Lucarini


    Tenho tantas celas dentro de mim

    Que me fiz prisão sem perceber,

    E agora, quando olho para fora

    Já não sei como ser livre.

    Toda grandeza me assusta,

    E se, por acaso, acho

    A chave da minha liberdade

    Eu a jogo fora.

    1 min
  • Poesia 13 - Newton

    Newton

    Thiago Lucarini


    Relativo ao meu sofrer

    Orbitar é cair nunca seguir

    Maior gravidade é não ter.

    Proporcional ao tamanho dos corações que amam

    (o meu inchado de ausência sem centro)

    E inversamente ao quadrado da distância entre nós

    (pois quem ama distorce o outro pra melhor)

    Orbito no campo da vasta ilusão

    Caindo sempre rumo a sua direção

    (encontrando maior força de repulsão)

    Meu amor é física experimental sem luz

    (a consciência de um pecado sem liberdade só solidão)

    Guiado por tempos viciosos em espaços restritos

    Gerado por infinitos erros de uma vida sem ciência.

    1 min

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Um podcast de poesias melancólicas e de somenos, dificilmente, você achará aqui um amor correspondido. Eu falo muito de laços perdidos, esperanças nunca alcançadas, fantasmas do passado, traumas. O Cemitério dos Infinitos é o meu autorretrato lírico, desbotado. Todas as obras poéticas apresentadas são originais de Thiago Lucarini.