Cemitério dos Infinitos

Cemitério dos Infinitos

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Cemitério dos Infinitos episodes

  • Poesia 02 - Chuva

    Chuva

    Thiago Lucarini


    Nuvens melancólicas

    Por que sempre choram?

    Estar no alto não lhes basta?

    Eu sei! Meu coração uma vez também

    Esteve no alto sob a luz do amor,

    Mas de falsa precipitação escureceu.

    Rapidamente vi o tempo fechar

    O sol nublou-se. Formou-se tempestade.

    E eu disse ao tempo natural das coisas:

    “Se chover, que seja chuva mansa,

    pois tempestade por tempestade

    trago uma dentro de mim.”

    E ainda disse eu ao motivo de retenção

    Das águas nos meus olhos-nuvens:

    “Se for, de verdade, me deixar

    saía antes de a chuva cair

    das nuvens e de mim.

    Dê-me a decência de chover só.

    Deixe-me ser o nada líquido que criou

    Permita-me escorrer, fluir para os rios,

    E no seio das águas ser oceano infinito.”

    2 min
  • Poesia 01 - Forca e Enforcado

    Forca e Enforcado

    Thiago Lucarini


    Daqui de cima

    Vejo tudo diferente.

    Dedos apontados: sou culpado!

    Inquisição moralista, impaciente.

    Deposita em mim sua coroa de culpa.

    Daqui de cima

    Pela primeira vez encaro a vida do alto

    Meu cadafalso também é libertação.

    Flores nascem aos meus pés antes de eu deitar

    E o horizonte é tão lindo e vasto.

    Daqui de cima

    Não tenho mais medo, pois no céu

    Brilha o risco de uma estrela cadente.

    Seria meu túmulo aberto no centro do universo?

    Corda posta, laço apertado,

    Na alma germinam asas.

    Daqui de cima

    Vejo melhor o fim. É chegada a hora, o choro é passado.

    A corda sem sentimentos, fingindo ser uma amante antiga, beija o meu pescoço

    No eterno enlace sem fôlego entre forca e enforcado.

    Não direi que não doeu, afinal, dor é evolução.

    Daqui de cima...

    Daqui de cima...

    Vejo lá embaixo

    Um corpo pendurado...

    Ele voa... Ele voa...

    ***

    Música: https://www.purple-planet.com/

    3 min

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Um podcast de poesias melancólicas e de somenos, dificilmente, você achará aqui um amor correspondido. Eu falo muito de laços perdidos, esperanças nunca alcançadas, fantasmas do passado, traumas. O Cemitério dos Infinitos é o meu autorretrato lírico, desbotado. Todas as obras poéticas apresentadas são originais de Thiago Lucarini.