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Or


Chuva
Thiago Lucarini
Nuvens melancólicas
Por que sempre choram?
Estar no alto não lhes basta?
Eu sei! Meu coração uma vez também
Esteve no alto sob a luz do amor,
Mas de falsa precipitação escureceu.
Rapidamente vi o tempo fechar
O sol nublou-se. Formou-se tempestade.
E eu disse ao tempo natural das coisas:
“Se chover, que seja chuva mansa,
pois tempestade por tempestade
trago uma dentro de mim.”
E ainda disse eu ao motivo de retenção
Das águas nos meus olhos-nuvens:
“Se for, de verdade, me deixar
saía antes de a chuva cair
das nuvens e de mim.
Dê-me a decência de chover só.
Deixe-me ser o nada líquido que criou
Permita-me escorrer, fluir para os rios,
E no seio das águas ser oceano infinito.”
Forca e Enforcado
Thiago Lucarini
Daqui de cima
Vejo tudo diferente.
Dedos apontados: sou culpado!
Inquisição moralista, impaciente.
Deposita em mim sua coroa de culpa.
Daqui de cima
Pela primeira vez encaro a vida do alto
Meu cadafalso também é libertação.
Flores nascem aos meus pés antes de eu deitar
E o horizonte é tão lindo e vasto.
Daqui de cima
Não tenho mais medo, pois no céu
Brilha o risco de uma estrela cadente.
Seria meu túmulo aberto no centro do universo?
Corda posta, laço apertado,
Na alma germinam asas.
Daqui de cima
Vejo melhor o fim. É chegada a hora, o choro é passado.
A corda sem sentimentos, fingindo ser uma amante antiga, beija o meu pescoço
No eterno enlace sem fôlego entre forca e enforcado.
Não direi que não doeu, afinal, dor é evolução.
Daqui de cima...
Daqui de cima...
Vejo lá embaixo
Um corpo pendurado...
Ele voa... Ele voa...
***
Música: https://www.purple-planet.com/
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