Uau! Este longo episódio do Clube das Lobas é também o mais profundo, rico e simbólico. Esta parte do #1 é onde podemos encontrar a melhor tradução do significado de "arquétipo da Mulher Selvagem" e de "arquétipo da vida-morte-vida". Estamos falando de algo morto que renasce de uma mulher, La Loba, que canta sobre os ossos de algo que morreu na nossa psique. Clarissa Pinkola Estés assemelha La Loba ao Cristo e a Isis em suas funções de trazer à vida algo ou alguém que está no mundos dos mortos. Este é o trabalho da Psicanálise: recolher ossos, curar, trazer à vida algo perdido. O espaço entre o mundo da vida e da morte, o inconsciente, que pode ser, para Jung, o coletivo, é o lugar de La Loba. É lá que nos encontramos com ela quando estamos perdidas, enlutadas, feridas, mortas no sentido metafórico. É neste deserto entre os mundos que ressuscitaremos através de um processo de autoconhecimento, que pode ser acessado pela oração, pela psicanálise, pela terapia, pela arte (pintura, escultura, dança, canto, escrita...) pelo tarô, pelo I Ching... como nos diz Clarissa Pinkola Estés. Para ter acesso a isto é preciso atravessar os "501 Km" de deserto em busca da "flor vermelha" do cacto. Em busca de quem somos, de quem nos tornaremos sempre após nossas mortes simbólicas, após La Loba ter cantado sobre nossos ossos.