Coemergência | Podcast

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Coemergência | Podcast episodes

  • #35 Pandemias no Brasil: coronavírus e desigualdades (com Buba Aguiar)
    Desde que o novo coronavírus apareceu, pela necessidade e urgência de colocar toda nossa energia coletiva para salvar o máximo de vidas, muitos aspectos de como vivíamos se revelaram claramente. As certezas sobre o que era “realista” fazer no campo econômico vieram abaixo e rapidamente muitos de nós passamos a falar da necessidade de um plano de renda básica para a população mais vulnerável. O delírio de nossa forma individualista de pensar se mostrou ainda mais evidente: só estaremos seguros se os outros estiverem precavidos e igualmente seguros. Ainda há quem ache que “a economia não pode parar”, que “o Brasil não pode parar”, como se estimular a ampliação da circulação não fosse matar um número imenso de pessoas e destruir mais ainda a própria economia. Nosso legado mal resolvido da escravidão e da ditadura, por exemplo, combinados com a exploração de um sistema econômico altamente desigual, criam um cenário em que os habitantes das periferias brasileiras estão desproporcionalmente mais expostos aos riscos do covid-19. É para refletir sobre este cenário que convidamos uma das muitas pessoas que estão com a mão na massa e lidando há tempos com as causas destes problemas estruturais. Estamos falando de Buba Aguiar, 27 anos, militante do coletivo Fala, Akari, da zona norte do RJ, e que também é patologista e estudante de ciências sociais. A Buba nos falou sobre como ela e os demais membros de seu coletivo estão agindo para combater o avanço do coronavírus nas favelas e também refletiu sobre problemas mais amplos, como o racismo estrutural, a desigualdade econômica, os problemas de saneamento básico da região. Convidamos você a ouvir o relato da Buba com o coração aberto e reconhecendo ainda mais nossa interdependência. Para saber mais e apoiar o coletivo Fala, Akari! https://pt-br.facebook.com/QuilomboAcari/ e https://www.instagram.com/coletivofalaakari/ …… Quer apoiar o Coemergência? Estamos no Apoia.se
    1 hr 22 min
  • #34 O mundo chacoalhou. E agora? (com Eduardo Amuri, Isabella Ianelli e Nathália Roberto)
    Não se fala em outra coisa: a pandemia do coronavírus é o tema unânime de todas as conversas, notícias, posts, vídeos e discussões. Não tinha como ser diferente: todos estamos acompanhando sua escala global, a magnitude com que tem impactado diferentes países e o modo como tem avançado aqui no Brasil. Aproveitando o privilégio que temos de poder parar para falar e processar o que tem acontecido, temos buscado diferentes meios de nos apoiar e de cultivar um pouco mais de estabilidade. De um lado, como trabalhar com todas as emoções que irão surgir ao longo das próximas semanas e meses? Como realmente conseguir ajudar quem está ao nosso redor? De outro, como lidar com o aspecto prático, do dinheiro, das consequências financeiras da pandemia? Como, obviamente, não temos as respostas, convidamos um time de peso para nos ajudar nessas reflexões: chamamos para a nossa lavanderia (dessa vez, virtual), as queridas Isabella Ianelli e Nathália Roberto (d’o curso das emoções e que já estiveram por aqui lá no episódio #2) e Eduardo Amuri (autor de Dinheiro Sem Medo e que oferece cursos, escreve textos e dá palestras para nos ajudar a desenvolver uma relação mais saudável com o dinheiro). Por acreditarmos que essa conversa pode realmente ser benéfica, decidimos trazê-la a vocês o quanto antes; não faria sentido esperarmos até quinta-feira, especialmente com tudo mudando tão rápido a cada dia. Que ela possa realmente trazer algum tipo de conforto para todos que ouvirem! Acreditamos muito na força da rede para nos apoiarmos nesse processo todo. A realidade está deixando mais explícito do que nunca como estamos conectados, e muitos movimentos bem bonitos têm surgido. Como disse Átila Iamarino (biólogo e pesquisador que está cobrindo a pandemia, e que pode ser encontrado em @oatila), seguiremos aqui para passarmos por isso tudo juntos. …… Quer apoiar o Coemergência? Estamos no Apoia.se
    1 hr 49 min
  • #33 Vacuidade: a natureza aberta da realidade (com Gustavo Gitti)
    Seguindo com nossa série sobre como poderíamos nos relacionar com a realidade com mais sabedoria, que começou lá no episódio #18, nosso querido amigo Gustavo Gitti está de volta para falar conosco sobre vacuidade, o fato de que nada possui uma existência ou essência inerente. Vacuidade é um conceito muito explorado e utilizado dentro da filosofia budista, mas a conversa aqui não é propriamente sobre o budismo, e sim sobre como as coisas são. Como explicam vários professores ligados às tradições contemplativas, o objetivo não é simplesmente provar que as coisas não existem, mas entender como elas existem. Essa palavra pode soar estranha aos ouvidos e totalmente desconectada da nossa vida prática, como uma forma de negação. Não que o risco não exista, porque somos especialistas em nos confundir. No entanto, como o Gustavo nos mostra, reconhecer que as coisas não existem inerentemente, mas sim em relação, amplia enormemente nossa liberdade para agir no mundo. Uma das formas pelas quais ele explicou isso foi por meio da distinção entre o “mapa” e o “território”, feita pela professora Elizabeth Mattis Namgyel no livro "A lógica da fé". Não é que haja uma realidade pronta atrás do mapa, mas sim uma multiplicidade de potencialidades que surgem inseparavelmente dos referenciais com os quais as tornamos manifestas. É nesse sentido que o território nunca corresponde ao mapa. Desta forma, podemos nos conectar mais diretamente com as experiências (o “território”), ou seja, tudo aquilo que é apreendido por qualquer um dos nossos sentidos físicos ou mentais, como sensações táteis, imagens ou sons, do que com as ideias mais abstratas que projetamos sobre as coisas (o “mapa”), congelando-as e engessando-as. E isso termina por nos dar uma grande liberdade de ação precisamente porque nos permite ver que as coisas são muito mais abertas, dinâmicas e complexas do que parecem ser à primeira vista. Olhando a partir dos nossos referenciais aqui, o papo ficou profundo e cheio de exemplos de como isso se aplica na nossa vida diária! Bom programa!…… Quer apoiar o Coemergência? Estamos no Apoia.se
    1 hr 50 min
  • #46 Felicidade e adversidade como caminho (com Henrique Lemes)
    Para nosso programa de número 46, nós temos a alegria de receber novamente o querido Henrique Lemes para falar de um obstáculo que geralmente nos atrapalha bastante assim que começamos a querer cultivar uma relação diferente com o nosso mundo interno. Ele basicamente consiste no fato de a gente achar que esse cultivo de qualidades do nosso mundo interno não inclui totalmente aquilo que usualmente chamamos de “vida”: nosso trabalho, nossa rotina, nossas relações, as situações do cotidiano e assim por diante. Essa visão se manifesta, por um lado, no fato de nos bagunçarmos quando o bicho pega, quando surge alguma crise ou alguma adversidade. Facilmente achamos que precisamos primeiro resolver essa situação para, então, voltar a praticar. Ou, podemos achar que algo é demais, que não é possível incluir aquilo no nosso caminho. “Quando tal coisa acontecer, quando eu resolver isso, quando essa situação passar, eu volto a olhar pras minhas emoções, volto a tentar cultivar uma felicidade mais genuína, volto a cultivar estabilidade, compaixão, sabedoria. Mas, agora, preciso resolver isso aqui.” Por outro lado, também podemos deixar esse cultivo e qualquer prática de lado assim que as coisas parecerem andar um jeito melhor; podemos ter a sensação de que isso tudo não é tão necessário. Vamos simplesmente seguindo aquilo que está agradável e pronto. Prática? Caminho? Quê? Mas, se não praticamos quando estamos mal e não praticarmos quando estamos bem, quando, então, vamos praticar? É exatamente nesse ponto que tocamos ao longo de toda a conversa com o Henrique, inspirados pelo texto “Transformando Felicidade e Adversidade em Caminho Espiritual”, do mestre budista Dodrupchen Jigme Tenpe Nyima. O texto parece realmente um manual para conseguirmos incluir qualquer coisa que aconteça no nosso trabalho com nosso mundo interno. Esse texto faz parte do livro “Meditação, Transformação e Ioga dos Sonhos”, último lançamento da Bodisatva, projeto colaborativo e sem fins lucrativos que busca traduzir e difundir conteúdos de sabedoria de linhagens autênticas do Budismo em língua portuguesa, e também publicar textos produzidos por mestres e praticantes budistas brasileiros. O Henrique foi um dos tradutores desse livro, juntamente com o Lama Padma Samten, a Jeanne Pilli e o Marcelo Nicolodi. Esperamos que vocês desfrutem muito da conversa, assim como nós desfrutamos! E que ela deixe lembretes para realmente aproveitarmos todos os momentos, sejam de adversidade ou felicidade, como parte do nosso caminho em busca de um bem-estar menos dependente, mais livre. Como sempre, deixamos nosso profundo agradecimento aos generosos seres humanos que seguem nos apoiando por meio do nosso Apoia.se (www.apoia.se/coemergencia).
    1 hr 30 min
  • #32 Educando corações e mentes (com Valentin Conde)
    Uma das nossas maiores alegrias aqui no Coemergência é poder trazer convidados que nos ajudam a sonhar novos mundos, em várias áreas. Já que “não há um mundo pronto lá fora”, mudar o nosso olhar e expandir o que entendemos como possível é o primeiro passo. Partindo dessa ideia, no episódio de hoje, vamos falar sobre educação. Seja pelo atual momento político do país (com os inúmeros cortes nas verbas, os problemas de gestão nas pastas relacionadas ao tema, as propostas de militarização das escolas, etc.), seja pelas insuficiências do nosso modelo educacional padrão, estamos realmente precisando nos nutrir de visões mais amplas e positivas. Para limpar e trazer brilho aos nossos olhos, convidamos o querido Valentin Conde [@valenconde], pedagogo formado pela PUC-SP, assistente de gestão executiva na Tibet House Brasil, professor no Instituto Sidarda  e idealizador do Projeto Presença, que visa tornar a cultura escolar e as políticas de educação mais contemplativas e compassivas. O referencial por trás desse projeto é o SEE Learning (Social, Emotional and Ethical Learning ou Aprendizado Social, Emocional e Ético), programa educacional desenvolvido pela Universidade de Emory em parceria com o Dalai Lama que, como ele mesmo diz, busca promover e estimular uma educação de corações e mentes. Bonito, né? A gente também achou. A partir de sua própria experiência como professor e pedagogo, Valentin nos conduziu por reflexões sobre o que significa integrar a cultura contemplativa no ambiente escolar, o papel dos professores e das escolas, a importância de criarmos bons encontros, a necessidade de lembrarmos de nossa natureza humana compartilhada e da interdependência, o porquê de as escolas que seguem o modelo tradicional não estarem dando conta dos nossos desafios atuais, os diferenciais de programas educacionais que buscam abordar os aspectos socioemocionais e éticos e muito mais. Se você quer se encantar pela energia do Valentin e se empolgar com a quantidade de movimentos bonitos que já estão acontecendo para reinventar o que entendemos como escola ou educação, vem ouvir. Só relaxar e apertar o play.…… Quer apoiar o Coemergência? Estamos no Apoia.se
    1 hr 50 min
  • #31 Vida além dos muros (com Christian Dunker)
    Tivemos a alegria de receber na nossa lavanderia essa figura super simpática e aberta que é o Christian Dunker. Psicanalista, pesquisador, escritor, o Dunker conversou com a gente sobre uma constelação de temas ligados à tendência contemporânea de viver ao redor de muros, literais e simbólicos, e sobre a possibilidade de derrubá-los. Ao refletir sobre nossa relação com as tecnologias contemporâneas, sobre escuta, sobre humor, sobre o papel da psicanálise e de outras formas de "cuidado de si", e outras coisas mais, Dunker nos lembrou da importância de viver para além dos confins estreitos de nossas identidades. Sem isso, é muito difícil encontrar e escutar o outro, e o resultado é uma vida empobrecida, ensimesmada. Bom, essas são as linhas gerais. Tem várias outras riquezas específicas nesse papo, como reflexões sobre a possibilidade de "qualificar nossa experiência" e o importante lembrete: "precisamos voltar a estudar!", não sozinhos mas em grupo. Se surgiu aí uma vontade de se juntar à gente, dê o play e ‘bora derrubar uns muros! …… Quer apoiar o Coemergência? Estamos no Apoia.se
    1 hr 12 min
  • #30 Meditação na roda (com Coemergência)
    Dando sequência à roda de conversas sobre yoga, desta vez fizemos uma conversa sobre nossa experiência com a prática de meditação e como ela se integra com as nossas vidas até o momento. Como tentamos deixar claro na conversa, "meditação" é um termo que se refere a um conjunto muito amplo de práticas, que podem ser feitas no contexto de muitos caminhos diferentes. Na tradição budista, com a qual somos um pouco mais familiarizados, a meditação é parte de um caminho desenhado para revelar as qualidades mais profundas de nossa mente, que já estão sempre presentes. Nesse caminho, práticas formais de meditação (sobretudo aquelas que buscam desenvolver concentração, ou "samadhi") são antecedidas pela fundação da ética (a maneira pela qual nos relacionamos com o mundo) e culminam com um refinamento da sabedoria. Assim, no nosso papo, buscamos conversar um pouco sobre como a prática da meditação, qualquer que seja a técnica aplicada, é inseparável do contexto no qual ela é feita. Dependendo de qual é a nossa motivação, meditar produzirá diferentes resultados. Falamos também das diferenças entre as práticas: aquelas que buscam ampliar relaxamento e concentração; as práticas do coração, com as quais reconhecemos a inseparabilidade entre nós e todos os seres; as maneiras pelas quais é possível estar presente com as sensações de maneira mais direta no cotidiano; as formas pelas quais podemos acolher sensações aflitivas e utilizá-las para gerar compaixão e sabedoria; e refletimos sobre o papel da visão na prática. É uma conversa pé no chão. Obviamente, não somos nem estamos emulando mestres com realização, e se a conversa te estimular a entrar em contato com eles e elas, em quaisquer que sejam suas tradições, terá valido muito a pena. Mas, mais humildemente, é nosso desejo que todas as pessoas possam refinar sua escuta interna, sua escuta externa, sua escuta da inseparabilidade entre dentro e fora. Se você também vê valor nisso, puxa uma cadeira - ou um zafu - e vem escutar a gente! …… Quer apoiar o Coemergência? Estamos no Apoia.se
    1 hr 24 min
  • #29 Yoga na roda (com Andressa Sampaio, Carolina Bernardes e Jonathan Batista e Mariana Paz)
    Para o primeiro episódio de 2020 escolhemos falar sobre um tema que tem muita relação com o que já abordamos em episódios anteriores e que acreditamos ser importante para a vida. Falamos muito sobre a mente e sobre práticas de treinamento e cultivo da mente. Mas entendemos que exercitar corpo e mente são duas coisas que andam juntas. Por isso, o episódio de hoje é sobre a prática de yoga. Para falar sobre pontos que acreditamos serem relevantes acerca do yoga, convidamos Andressa Sampaio, Carolina Bernardes e Jonathan Batista e Mariana Paz, todos professores e praticantes que nos inspiram e que realmente vivem o que ensinam. E o resultado foi uma conversa ampla e generosa. A gente já sabe que não dá pra não cuidar do nosso corpo e também que a vida às vezes não facilita. Mas já que no início do ano a gente se propõe a mudanças, talvez esse seja um momento ótimo para conhecer algo novo. Para você que está nessa busca, vale muito a pena ouvir. Para você que não está muito motivado, quem sabe não surge um brilho no olho? Aperte o play e vem com a gente....Quer apoiar o Coemergência? Estamos no Apoia.se
    1 hr 29 min
  • #28 Mindfulness no cuidado de si (com Erika Leonardo de Souza)
    Neste último episódio de 2019, para nos aprofundarmos nas práticas de autocuidado levantadas no programa #27 (especialmente em contextos de grande dor e sofrimento), convidamos nossa amiga Erika Leonardo de Souza para falar sobre como as técnicas de mindfulness vem sendo utilizadas na área da saúde mental e como podemos tirar proveito dessas técnicas para lidar melhor com as nossas mentes.⠀Erika é psicóloga clínica, doutora em ciências pela Faculdade de Medicina da USP e Pós Doutoranda no Hospital Israelita Albert Einstein. Neste ano de 2019, ela organizou, no Senac, em São Paulo, o I Encontro Nacional de Compaixão, evento que reuniu representantes de diferentes protocolos e metodologias para apresentar como é possível cultivar a compaixão por si e pelos outros. Como se não bastasse, ela também é uma Trained Teacher do Programa Mindful Self-Compassion, ou MSC, e está terminando a formação como professora de Mindfulness e Compaixão para a saúde – Respira Vida Breathworks. Erika nos ajudou, de uma maneira incrivelmente clara e didática, a percorrer por esses diferentes programas e esclareceu como podemos incorporar os fundamentos deles no nosso cotidiano. Foi uma verdadeira aula! A partir deste episódio, vocês vão ver que iniciamos uma nova tradição, a de agradecer nominalmente alguns dos queridos mecenas e patrocinadores deste podcast que, por meio do seu apoio concreto e material, nos dizem que este trabalho é importante para quem ouve e serve como combustível para fazermos muito mais no ano que vem. Novas ideias borbulham por aqui e fazemos votos de que possamos honrar todo esse incentivo. Muito obrigado a vocês que, ao longo deste ano, nos apoiaram destas formas, mas de todas as outras também. Aproveitando essa experiência de fim de ciclo que os finais de ano trazem, que possamos renovar nossos votos mais significativos. Que busquemos a felicidade genuína! Que possamos nos libertar do sofrimento e de suas causas. E que nos aproximemos cada vez mais dos caminhos que vão nos levar nessa direção. Em 2020, seguiremos juntos nessa jornada (se a impermanência assim permitir, é claro). Mas, antes disso, bora pro papo! Aperte o play e vem com a gente. ..... Quer apoiar o Coemergência? Estamos no http://www.apoia.se/coemergencia.
    1 hr 59 min
  • #27 A urgência da luta feminista e antirracista (com Cris Guterres)
    Falar sobre a condição de ser mulher e negra no Brasil é urgente. Longe de ser uma questão de um grupo específico, é uma questão que diz respeito à todos, independente do gênero, da raça, da classe social.  Trouxemos essa discussão para nossa lavanderia e convidamos a querida Cris Guterres, jornalista, empreendedora, feminista, negra e podcaster, no Meteora Podcast, para nos apresentar a importância da luta feminista e antirracista para alcançarmos uma sociedade mais justa e igualitária. Cris nos alertou o quanto as mulheres negras ainda lutam para serem reconhecidas em sua humanidade e quanto isso é fundamental para avançarmos enquanto sociedade. A conversa foi potente, atravessada por trocas, desconfortos, dores, indignação, descobertas, risos e esperança. Além Cris, participaram do papo as amigas Andressa Sampaio e Hilda de Paula. A conversa mexeu com a gente e, provavelmente, vai balançar você. Afinal, se, de um lado, partimos do pressuposto que o Samsara não tem solução, que há potência no silêncio, que é preciso relaxar em meio ao caos, que não há um mundo pronto lá fora nem uma essência inerente dentro de nós, do outro lado, há seres que experimentam sofrimentos seletivos pelo simples fato de serem mulheres e por serem mulheres negras. Esses seres sofrem pelo silenciamento imposto. Esses serem sofrem pelo caos provocado pelo sexismo e racismo. Esses seres sofrem porque há um mundo lá fora estruturado que permite que a cada 4 minutos uma mulher seja agredida no país. Que permite que cerca de 150 mulheres e meninas sejam violentadas sexualmente por dia. Que permite que, apesar do número de assassinatos de mulheres brancas ter reduzido cerca de 9% entre 2003 e 2013, esse índice aumentou 54% quando se trata de mulheres negras. Que permite que o rendimento de pessoas brancas seja 74% superior aos das pessoas negras. Que permite que mulheres negras recebam 44% do que um homem branco recebe. Se a realidade surge na relação entre mundo interno e externo, quais realidades são possíveis para quem, desde que nasceu, é considerada pela sociedade como sendo um ser humano incompleto, menor, inferior? Não estamos aqui para solidificar essas identidades, nem muito menos solidificar sofrimentos. Mas se você, assim como nós, não concorda com a violência e desigualdades provocadas pelo sexismo e racismo, esse programa é pra você. Se, por algum motivo, você não entrou em contato ou não reconheceu isso acontecendo, esse programa também é pra você! Como nos alerta Angela Davis: “Numa sociedade racista, não basta não ser racista. É necessário ser antirracista.” O papo foi beeeeemmmm profundo. Puxe uma almofada e vem com a gente!⠀
    1 hr 59 min

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A proposta do Coemergência é explorar temas importantes da nossa sociedade e da vida cotidiana, sempre à luz da relação entre os nossos mundos interno e externo. Partimos do princípio de que a maneira…