Comentário Bíblico

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  • Gênesis 15 - Deus faz um pacto com Abrão

    É natural pensar que para os homens daquela época, alguém sem filhos era uma família sem futuro. O seu nome e dos seus antepassados seria apagado da história, mas o Senhor queria mostrar a Abrão que seu futuro estava garantido por Ele mesmo, e numa cena belíssima, descreve o verso 5 logo depois das palavras que ouviu de Deus: "Então o levou para fora, e disse: Olha agora para o céu, e conta as estrelas, se as podes contar; e acrescentou-lhe: Assim será a tua descendência".


    Diante da resposta de Deus, não apenas em palavras mas em comparação com a grandeza do céu, o verso 6 descreve a reação de Abrão que será lembrada no Novo Testamento como a grande resposta da fé: "E creu Abrão no Senhor, e o Senhor imputou-lhe isto como justiça".


    Depois de o Senhor lhe mostrar as estrelas e compará-las à sua futura descendência, Deus reafirma que seu propósito permaneceu firme e que não havia tirado Abrão da casa de seu pai em vão: "Disse-lhe mais: Eu sou o Senhor, que te tirei de Ur dos caldeus, para te dar esta terra em herança" (v.7).


    Portanto, Deus estava dizendo que desde há muito o Senhor estava conduzindo a vida de Abrão, mesmo usando seu pai antes dele para sair da terra de Ur dos Caldeus e lhe dar Canaã, onde estava agora, por herança.


    Abrão não tinha mais com o que se preocupar quanto ao futuro da sua descendência e a sua herança. Deus mesmo lhe disse que ele morria em paz e em boa velhice, e que cuidaria dos seus descendentes. Talvez você também tenha dúvidas quanto ao futuro, mas a história de Abrão foi deixada para nos inspirar a crer que se somos filhos de Deus pela fé em Cristo, no tempo certo receberemos parte na herança dos salvos na Canaã celestial. Precisamos apenas crer em Deus, e isso nos será imputado por justiça. O Senhor já provou a sua parte dessa aliança conosco quando ofereceu seu próprio Filho como sacrifício, a nossa parte é crer.


    Leia Gênesis 15

    16 min
  • Gênesis 14 - Aliado do Rei dos reis

    Em Gênesis 14  temos uma guerra de quatro reis contra cinco. Quedorlaomer com três reinos submissos a ele, contra Sodoma com mais quatro reinos que se rebelaram. E é aqui que esse contexto histórico entra como uma continuação do capítulo anterior: "Tomaram também a Ló, filho do irmão de Abrão, que habitava em Sodoma, e os bens dele, e partiram" (v.12). É incrível que nem mesmo uma aliança de 5 reinos tenha conseguido o que Abrão, sozinho com pouco mais de 300 homens que nasceram na sua casa, foi capaz de fazer e assim resgatar o seu sobrinho.


    Precisamos notar que Abrão não era sequer rei para lutar contra quatro de uma vez, mas mais do que rei, ele era aliado de Deus, o Grande Rei dos reis, e foi de Deus que Abrão recebeu a promessa: "Eu farei de ti uma grande nação; abençoar-te-ei, e engrandecerei o teu nome; e tu, sê uma bênção. Abençoarei aos que te abençoarem, e amaldiçoarei àquele que te amaldiçoar" (Gn.12:2,3).


    Agora, diante dessa façanha impossível, os povos de Canaã puderam testemunhar do Deus a quem ele servia. E isso é evidenciado no próprio capítulo. Abrão aproveita para testemunhar de Deus ao rei de Sodoma: "Abrão, porém, respondeu ao rei de Sodoma: Levanto minha mão ao Senhor, o Deus Altíssimo, o Criador dos céus e da terra, jurando que não tomarei coisa alguma de tudo o que é teu, nem um fio, nem uma correia de sapato, para que não digas: Eu enriqueci a Abrão" (v.22,23).


    Abrão não queria que suas riquezas aumentassem por ter tomado o que foi saqueado do povo de Sodoma, Gomorra e dos outros reis, e não por ter recebido tudo com a bênção de Deus. Assim, esses povos tiveram a oportunidade de conhecer o Deus de Abrão, e de se arrependerem das coisas abomináveis que praticavam.


    Nos capítulo 18 e 19 teremos novas descrições dos povos de Sodoma e Gomorra, e veremos que eles não apenas não mantiveram nenhuma gratidão ao Deus de Abrão e de Ló, mas haviam proliferado sua vida de pecado a um nível insuportável; e a tal ponto, que Deus precisou intervir.


    Leia Gênesis 14

    13 min
  • Gênesis 13 - O altar da confiança

    Mesmo enriquecido, Abrão não se deixou levar pela riqueza para esquecer de Deus. Muito pelo contrário. Ele voltou ao mesmo altar que tinha edificado ao Senhor, e invoca o Deus que lhe prometeu guiar quando mandou sair da casa do seu pai. Ao invocar a Deus no altar, Abrão estava reafirmando sua confiança nas promessas que Deus lhe fez ao revelar o plano de salvação através da sua descendência. 


    Mas em meio a riqueza de Abrão e Ló, os pastores de um estavam entrando em conflito com os pastores do outro. Se por causa da sua abundância ambos já brigavam entre si como inimigos internos, como poderiam se defender dos inimigos externos?  Abrão dá todo o direito de Ló escolher em qual local da terra gostaria de morar. 


    Veja como o pecado funciona de forma sutil. Ló poderia ter ficado com a planície do Jordão que era fértil a ponto de lembrar o Éden. Mas aos poucos, foi armando sua tenda até que acabou indo morar em Sodoma.


    Fica aqui uma lição. Podemos obter o que desejamos com ou sem a bênção de Deus, mas o fato de conseguir o que desejamos não significa que isso nos fará felizes. Sob a bênção de Deus, podemos ter muito mais do que o pecado pode oferecer, como foi com Abrão. E o que inicialmente pode parecer uma vantagem, acaba sendo quase a nossa ruína, como foi para Ló.


    Temos uma escolha: ser como Ló, para escolher o que melhor nos parece à vista e sofrer as consequências, ou confiar que Deus sabe o melhor, erguendo o altar da confiança nEle, do começo ao fim, e herdar as suas bênçãos.


    Leia Gênesis 13

    10 min
  • Gênesis 12 - Deus apresenta o seu plano

    Em Gênesis 12, vemos o Senhor falando com um homem em específico, e fazendo uma promessa diretamente para ele. Deus apresenta a ele o propósito que tem para salvar a humanidade corrompida por meio da sua descendência. Era hora de Abrão sair do conforto que seu pai havia obtido para sua família (Hb.11:8). 


    E com a ordem, vem a promessa: "Eu farei de ti uma grande nação; abençoar-te-ei, e engrandecerei o teu nome; e tu, sê uma bênção. Abençoarei aos que te abençoarem, e amaldiçoarei àquele que te amaldiçoar; e em ti serão benditas todas as famílias da terra" (v.2,3).


    Note que não só Abrão seria abençoado, mas ele mesmo deveria ser uma bênção. E por meio da sua descendência, o Senhor alcançaria o mundo inteiro. Como disse: "em ti serão benditas todas as famílias da terra". 


    É muito importante enfatizarmos aqui que o povo de Israel, como ficaria conhecida a sua descendência, nunca foi escolhido por Deus apenas para ser uma nação exclusiva e a única a ser salva e abençoada. Não! O Senhor disse claramente a Abrão que seu propósito ao escolhê-lo era o de abençoar "todas as famílias da terra". Portanto, o chamado de Abrão foi um chamado missionário. 


    Cristo seria o grande descendente de Abrão que faria a bênção do Senhor ser levada a todas as famílias da terra. Mas apesar de seus erros, Deus estava sendo paciente com Abrão para que ele finalmente pudesse confiar a ponto de obter o título de amigo de Deus e pai da fé, assim como é paciente conosco a ponto de sermos chamados seus filhos.


    12 min
  • Gênesis 11 - A torre de Babel

    Depois de Gênesis 10 ter nos explicado a origem de todos os povos a partir dos filhos de Noé, Gênesis 11 nos diz que essa descendência chegou ao território que mais tarde ficaria conhecido como Babilônia. 


    E é ali que eles têm a ideia de edificar uma cidade, e uma torre cujo cume tocasse no céu. É importante lembrar que Deus havia ordenado à descendência de Noé que eles deveriam se espalhar sobre a terra (Gn.9:7). Esses homens queriam exatamente o oposto. Buscando fama, eles decidiram construir uma torre que chegasse até o céu, e que eles não se espalhassem sobre a terra. O céu, era uma referência ao local da habitação de Deus, e seu intento era um desafio à autoridade do Criador.


    Por ter Deus confundido a linguagem dos homens em Sinear, explica o verso 9: "Por isso se chamou o seu nome Babel". A palavra Babel ou Babilônia, significa confusão, e a partir de Gênesis 11 até o livro de Apocalipse, Babilônia se tornará um importante símbolo do intento humano em desafio contra Deus. Nas Escrituras, Babilônia representa o reino do homem contra o reino de Deus.


    Muitas vezes a misericórdia de Deus intervém sobre a humanidade a fim de conter o avanço da maldade. E nas profecias mais importantes da Bíblia para os últimos dias, Babilônia reaparece como sendo esse reino humano que desafia o reino de Deus, mas será desfeito para que no lugar da confusão humana, o Criador devolva a ordem de paz para a qual criou o homem. Gênesis 11 nos mostra que o intento do homem contra Deus não prosperará.


    8 min
  • Gênesis 10 - A origem dos povos

    Gênesis 10 é um capítulo muito importante para compreendermos a origem de todos os povos pelo meio dos quais transitará Abraão e o povo de Israel. Muitos deles se tornariam inimigos do povo de Deus e já habitavam Canaã quando Israel foi libertado do Egito. É para entendermos suas origens que Moisés deixou registrada a árvore genealógica de Noé, de quem a terra foi novamente povoada depois do dilúvio.


    Sabe-se que os três filhos de Noé, Sem, Cam e Jafé, mudaram-se com suas famílias para regiões distintas. Jafé mudou-se na direção de onde hoje é a Europa. Cam foi habitar ao sul do Mar Mediterrâneo beirando sua costa em direção à África. Já Sem, deu origem aos povos semitas, que se espalharam ao lado da costa do Mar Mediterrâneo, vizinhos a Canaã.


    Em Gênesis 10 também vemos que foi de Canaã a origem dos vários povos cananeus. De forma geral, os filhos de Cam formaram muitos povos iníquos que se esqueceram do Senhor, criando muitas diferentes divindades no lugar de Deus. 


    Ninrode, seu descendente, por exemplo, também foi o fundador de Babel, uma das cidades mais desenvolvidas do mundo antigo, e que no futuro se tornaria Babilônia. Uma das cidades mais citadas na Bíblia e que de Gênesis a Apocalipse será adotada pelos autores bíblicos como um símbolo geral da rebelião humana contra Deus. E é justamente Babilônia o centro da controvérsia que veremos no próximo capítulo.


    Leia Gênesis 10


    7 min
  • Gênesis 9 - O arco da aliança

    Agora que a Terra estava de novo propícia para ser habitada depois do dilúvio, o Senhor dá a Noé e sua família as mesmas instruções que deu a Adão e Eva assim que foram criados. O relato dos versos 1 a 7 de Gênesis 9 é um paralelo gêmeo ao relato de Gênesis 1:28 a 30, e possuem a mesma estrutura textual.


    A primeira ordem de Deus dada a família de Noé é exatamente a mesma dada a Adão e Eva (compare Gn.9:1; Cf. Gn.1:28). Mas enquanto que para o primeiro casal Deus disse que eles dominassem sobre todos os animais, no sentido de governá-los, à Noé e sua família, por causa do pecado, foi dito que seu domínio seria estabelecido pelo medo (v.2).


    Na sequência, Deus diz à Adão e Eva que eles deveriam se alimentar de vegetais (Gn.1:29). Mas para Noé e seus filhos, foi necessário mudar sua base alimentar para incluir a carne (Gn.9:3,4). Foi também pensando nisso que que entrariam na arca sete pares de animais limpos, mas apenas um par de animais imundos.


    Depois que Noé ofereceu um sacrifício em holocausto, Deus decidiu em seu coração não mais trazer dilúvio para destruir a terra, e agora o Senhor expõe sua decisão para Noé e sua família, e lhes dá o arco-íris como um sinal eterno que nunca mais destruiria a terra com dilúvio.


    No futuro, outros profetas como Ezequiel (Ez 1:28) veriam um arco-íris a circundar o trono de Deus, e é provavelmente imbuído deste mesmo sentido que os profetas contemplam esse sinal como demonstração da misericórdia e do amor do Senhor, um sinal eterno nas nuvens.


    10 min
  • Gênesis 8 - Lembrou-se Deus

    Em Gênesis 8 encontramos o relato de quando as águas do dilúvio finalmente secaram, e Noé e sua família puderam sair da arca em segurança. E uma coisa que a Palavra de Deus deixa bem claro, é que nada relacionado ao dilúvio ocorreu por eventos naturais. Tanto o próprio dilúvio em si quanto às suas águas secarem, tudo foi por ação do poder direto do Senhor. 


    Depois que as águas secaram e eles puderam sair, o Senhor lhes dá as mesmas ordens que foram dadas na criação do mundo, a Adão e Eva. Era como se a Terra estivesse recebendo de Deus uma segunda chance, para fazer diferente de tudo o que aconteceu com os pré-diluvianos (Gn.6:5).


    E Noé recomeça a história da Terra "edificando um altar ao Senhor" (v.20). E ali, mantendo o símbolo da redenção que o próprio Deus deu a Adão e Eva no dia em que pecaram, Noé ofereceu, dos animais limpos, sacrifícios de "holocaustos sobre o altar" (v.21).


    É assim que Pedro associa a Volta de Cristo como o fim do mundo como foi no dilúvio (2.Pe.3). Pedro entendeu que o que aconteceu no dilúvio voltaria a acontecer antes do fim na volta de Cristo. Um dilúvio de fogo está para vir sobre o mundo tão certamente com o dilúvio de águas nos dias de Noé. Nossa comunhão com Cristo é nossa arca, e todos quanto quiserem poderão se abrigar e estarem seguros. Conhecer a história do dilúvio, é entender o convite de misericórdia de Deus para fazermos parte dos que estarão nos novos céus e nova terra, onde habita a justiça (2.Pe.3:13).


    12 min
  • Gênesis 7 - O Dilúvio

    Gênesis já havia dito que no meio da corrupção generalizada da época, Deus encontrou em Noé alguém que andava em Sua presença. O chamado de Noé e sua família é um prenúncio da preparação para nós e nossa família, como alertou Jesus em Mateus 24. Para que no meio dessa geração corrompida, o Senhor nos preserve do dilúvio de destruição que virá na Volta de Jesus para os perdidos, como explica 2 Pedro 3.


    Além de Noé e sua família, Deus ordenou a entrada de sete pares de animais limpos e um par de animais imundos, e não apenas um par, porque como veremos depois que as águas do dilúvio secarem, devido a escassez de alimento para Noé e sua família, e eles precisariam se alimentar também dos animais limpos.


    O dilúvio é mencionado por Jesus em Mateus 24 e por Pedro em 2 Pedro 3 como um evento real, e não como algo simbólico como muitos possam crer. De fato, para os autores do Novo Testamento, o relato de Gênesis é um relato literal, e isso inclui o dilúvio.


    Durante todo o período de construção da arca e com a ida sobrenatural dos animais em pares para se abrigarem ali, todos os que viram tiveram a oportunidade de se arrepender, mas ignorando as advertências, dedicavam-se a uma vida de prazeres sem consciência. Diz Jesus que "eles nada perceberam, até que veio o dilúvio e os levou a todos".


    As águas ainda cobriram a terra pelos próximos 150 dias, até que o Senhor interveio para permitir que a vida voltasse ao planeta através de Noé e sua família, e é o que veremos no próximo capítulo.


    11 min
  • Gênesis 6 - Ele andava com Deus

    Gênesis 5 terminou seu relato com a época da vida de Noé e o nascimento dos seus três filhos. E é na época deles que Gênesis 6 relata o estado da humanidade para nos dar o plano de fundo que explica o que viria a seguir.


    Como resultado, diz Gênesis: "Viu o Senhor que era grande a maldade do homem na terra, e que toda a imaginação dos pensamentos de seu coração era má continuamente" (v.5). E é também nesse contexto que vemos já decretado pelo Senhor que era necessário trazer um fim à multiplicação de tanta maldade.


    Ao ver tamanho mal sobre a terra, Gênesis 6 nos traz uma das afirmações mais tristes de toda a Bíblia: "Viu o Senhor que era grande a maldade do homem na terra, e que toda a imaginação dos pensamentos de seu coração era má continuamente. Então arrependeu-se o Senhor de haver feito o homem na terra, e isso lhe pesou no coração" (v.5,6). 


    No meio de uma geração totalmente corrompida, encontramos de Noé o seguinte relato: "Era homem justo e perfeito em suas gerações, e andava com Deus" (v.9). Esse final explica por que Noé era um homem justo e íntegro entre as pessoas da sua época que tinham "toda inclinação dos pensamentos de seus corações continuamente para o mal". Como bem resume Gênesis 6, assim como seu tataravô Enoque: "Noé andava com Deus".


    No meio da nossa geração corrompida, nós precisamos ser como Noé, e nossa casa como a arca. Andando com Deus num mundo que afunda, mas preservados pela promessa da sua misericórdia.


    13 min

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