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Os estudiosos são unânimes: os bairros portenhos foram – talvez ainda sejam – um dos temas preferidos da poética do tango. Mas, não qualquer bairro. Apenas os bairros pobres da cidade, situados longe do centro, em que viviam pessoas simples em casas e ruas humildes.
Homero Manzi talvez tenha sido quem mais explorou com êxito esta temática. Entre os poemas para tangos que Manzi escreveu em homenagem aos bairros portenhos, destacam-se “Barrío de tango”, de 1942, e “Sur”, de 1948, ambos com melodia de Aníbal Troilo.
Ouviremos esses 2 tangos em interpretações, respectivamente, de Susana Rinaldi e Roberto Goyeneche.
Os estudiosos são unânimes: os bairros portenhos foram – talvez ainda sejam – um dos temas preferidos da poética do tango. Mas, não qualquer bairro. Apenas os bairros pobres da cidade, situados longe do centro, em que viviam pessoas simples em casas e ruas humildes. Os bairros portenhos, quase sempre, são retratados nos tangos como a lembrança de uma vida feliz, simples e pobre, nos tempos de infância, adolescência e/ou adulto jovem, revisitados em um presente infeliz, ainda que de conforto material.
Ouviremos, de Anibal Troilo e Homero Manzi, com Susana Rinaldi, “Barrio de tango”, e, Roberto Goyeneche, “Sur”.
"Cada dia canta melhor”, este é o mote que os argentinos usam para sintetizar a expressiva qualidade da voz de Gardel, mesmo décadas depois de seu falecimento. Peço licença aos portenhos para utilizá-lo para falar da cantora peruana Susana Baca, agora não como uma metáfora, mas para expressar o que sinto, cada vez que escuto uma novidade dela.
Tal comparação me veio ao assistir o espetáculo “Cantares y decires”, do final de 2021, disponível no youtube. Ouçamos, com Susana Baca, de Máximo Bravo, “Aparición”, de Manuel Acosta Ojeda, ‘Cariño’, e, de Erasmo Diaz, “Sincera Confesión”.
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Jairo Severiano e Zuza Homem de Melo, destacados estudiosos da Música Popular Brasileira, escreveram “A canção brasileira no tempo”, obra em 3 volumes, que indica as canções que fizeram maior sucesso no Brasil em cada ano do século XX. O primeiro deles refere-se ao período entre 1900 e 1957 e ele é o nosso guia para o programa de hoje.
Centenas de canções foram mencionadas, raras delas da autoria de compositoras. Entre as poucas mencionadas nesses 58 anos, aparece o nome de Lina Pesce, conhecida por muito pouca gente.
Ouçamos as composições de Lina Pesce, com Maurício Carrilho, “Elegante”, com Morgana, “Era uma vez e, com Dolores Duran, “onde estará meu amor”.
Em 2012, o grupo chileno Inti-Illimani Histórico e a cantora peruana Eva Aylón se associaram em um espetáculo ao vivo que resultou em um belo disco. O CD de 2012 contempla uma mescla de canções de América Hispânica: Chile, Argentina, Cuba, com primazia para o Peru.
Ouçamos, com Eva Ayllón e o Inti-Illimani Histórico, de Augusto Polo Campos, “Regressa” e de Osvaldo Rodriguez, “Valparaíso”.
Inés Cuello, nascida em 1989, é uma das mais promissoras intérpretes do tango da atualidade. A despeito da juventude, ela já se apresentou em diversos palcos das Américas, da Europa e da Ásia. Já tivemos a oportunidade de ouví-la no Compasso Latino, em um programa dedicado a seu mais recente Lp, “Mi ciudad y mi gente”, de 2022. Hoje falaremos do álbum anterior a este, de 2021, intitulado “Gardel”.
Ouçamos, de Gardel e Le Pera, com Inés Cuello, “Cuando tú no estás” e “Volver”.
Se for me solicitado indicar o mais belo Lp da MPB, não terei dúvidas. Foi aquele gravado em 1968, ao vivo, no teatro João Caetano, Rio, por um grupo que incluía: Jacob do Bandolim, os conjuntos Época de Ouro e Zimbo Trio e Elizeth Cardoso.
Ouçamos as interpretações de Elizeth de “Jamais” e “Meiga presença” naquele show histórico, esta última incluindo o diálogo ocorrido entre Jacob e Elizeth ao seu final.
Há canções que ficam esquecidas na nossa memória por um longo tempo. Uma hora, sem qualquer motivo aparente, elas reaparecem. Foi o que me ocorreu com “María La O”, Zarzuela de Ernesto Lecuona.
Ouçamos de Ernesto Lecuona, com Caetano Veloso, “María La O”, e, com Marina de La Riva, “Mariposa”.
Este episódio é uma homenagem aos músicos e intérpretes que utilizaram a canção como forma de denúncia e protesto à cruel ditadura brasileira e da América Latina.
O programa de hoje conta uma história simples, raríssima e linda. É sobre dona Zulma Stroeter, que nem sei se ainda está viva. Se estiver, terá por volta de 100 anos. Uma senhora que nunca exerceu a profissão artística, mas que, em 2012, aos 86 anos, gravou seu primeiro e único disco.
É deste Cd de 2012 que selecionamos as duas faixas do programa de hoje: o bolero “Desesperadamente”, de Gabriel Ruiz e Ricardo López Méndez, cantado em dueto, com Milton Nascimento, e o samba-canção “Ponto final”, de José Maria de Abreu e Jair Amorim. Ouçamos.
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