De Pernas pro Ar. A Escola do Mundo ao Avesso

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De Pernas pro Ar. A Escola do Mundo ao Avesso episodes

  • #202 Felipe Sussekind. O Jaguar como signo de vida e morte

    O jaguar como signo de vida e morte. Felipe Sussekind

    Revista Brasileira de Psicanálise · Volume 52, n. 1, 85- · 2018.

    Há uma associação direta, em diferentes contextos socioculturais, entre

    o jaguar (ou onça-pintada) e a energia transformadora ligada aos ciclos da vida.

    Aspectos afetivos, cognitivos e simbólicos do felino articulam-se a configurações

    indígenas da vida e da morte, assim como ao ciclo das chuvas e à fertilidade. O

    pensamento conservacionista moderno, quando abordado nos termos de uma mi-

    toprática, pode revelar associações semelhantes. Com base nessa premissa, este

    artigo explora diferentes configurações possíveis de vida e morte. A referência são

    os processos intrinsecamente relacionados da extinção de espécies animais e da ex-

    tinção de povos e culturas, a partir dos quais procuro refletir sobre a possibilidade

    de uma mitologia comparada envolvendo sistemas cosmológicos distintos.

    51 min
  • #199 “A Viagem à Casa das Onças”: Narrativas sobre experiências extraordinárias

    LANGDON, Jean. “A Viagem à Casa das Onças”: Narrativas sobre experiências extraordinárias.

    Revista de Antropologia, São Paulo, USP, 2013, v. 56 no 2.


    A performance das narrativas entre os índios Siona manifestam

    a função estética, apontada por Richard Bauman e outros, por meio da

    recriação da experiência das viagens xamânicas e da transformação de per-

    spectiva que faz parte dos ritos com o uso do enteógeno yajé (ayahuasca).

    Nestas viagens, a perspectiva cotidiana é substituída por uma outra, que

    permite à plateia conhecer os seres que habitam o mundo invisível revelado

    nas visões. Ademais, as performances têm o importante papel de transmitir

    o conhecimento xamânico. A literatura oral dramatiza experiências de en-

    contros ou viagens no mundo invisível, sejam estas ligadas ou não ao uso

    de enteógenos e aos sonhos. Através dos mecanismos poéticos, essas narra-

    tivas transmitem conhecimento ao indexar as relações entre o cotidiano e

    as regiões ocultas. Assim, elas criam expectativas na plateia a respeito das

    experiências extraordinárias com os espíritos e dão pistas de como entender

    e preparar-se para a mudança de perspectiva que caracteriza os encontros

    com o lado oculto. No intuito de explorar a relação entre a experiência ex-

    traordinária, performance e perspectiva, este trabalho analisa uma narrativa

    relatada por vários Siona sobre a época de sua juventude e aprendizagem

    xamânica – “A viagem à Casa das Onças”. Nesta, o jovem é convidado pelo

    mestre-xamã para visitar a casa das onças, onde elas aparecem na forma de

    humanos, em festas onde elas convidam o jovem para descansar numa rede

    nova, enquanto o mestre-xamã orienta o que o jovem está vendo. Esta via-

    gem ao lado oculto não acontece durante o ritual sob a influência do yajé,

    mas na manhã seguinte, quando o novato está de volta à aldeia. A análise

    aponta para as estratégias que permitem à narrativa em performance criar

    experiências, transmitindo conhecimento xamânico e informando sobre a

    troca de perspectivas e o poder xamânico.

    1 hr 27 min
  • #198 Sobre o DSM e suas conveniências medicamentosas

    Sobre a proliferação induzida de distúrbios mentais e medicalização no Brasil

    Controvérsias sobre o uso do DSM para diagnósticos de transtornos mentais. FERNANDA MARTINHAGO & SANDRA CAPONI.

    O número de diagnósticos de transtornos mentais cresceu significativamente em paralelo à disseminação das edições do Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM). Neste contexto, desenvolvemos este ensaio com a finalidade de compreender o uso do DSM como instrumento para fundamentar os diagnósticos de transtornos mentais. Para embasar o presente estudo, lançou-se mão de publicações científicas de autores que discutiram as edições do DSM, assim como as classificações psiquiátricas. Constatamos que há controvérsias em relação ao Manual, as quais descrevemos por um lado como conveniências e, por outro, como críticas. Há lugares em que esta lógica do DSM é conveniente, uma vez que gera benefícios a diversos setores, como seguros de saúde e indústria farmacêutica. As principais críticas ao DSM ressaltam o fato de o Manual transformar o sofrimento psíquico em patologias de cunho cerebral.

    TEMA LIVRE • Physis 29 (02) • 2019 • https://doi.org/10.1590/S0103-73312019290213

    1 hr 4 min

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