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Estou presente, e este estar presente acontece se eu reconheço a existência de uma inteligência, na manifestação, uma ordem em tudo.
Quando eu reconheço a ordem, uma ordem inteligente, que eu vislumbro e aprecio quando olho para a natureza, eu sei que o universo não conspira contra mim.
O mundo “ não se uniu para me tramar” como diz a canção, não está contra mim.
Eu deixo de lado mais esse papel que às vezes assumimos para nós mesmos de vítima e reconheço que, a mesma inteligência que mantém tudo no devido lugar, guia o funcionamento do meu próprio corpo, o funcionamento da mente, e tudo aquilo que eu faço e que posso fazer é aprender sobre o funcionamento do corpo e da mente para poder usá-los mais adequadamente.
Eu observo o pensamento, ele é um objecto, eu o observador , o pensamento o objecto observado, seja ele de desejo, raiva, preocupação, lembrança, raciocínio, todos são objectos observados por mim. Quando eu sou capaz de ver isto cria-se uma pequena distância entre eu e o pensamento, eu vejo que o pensamento é um objecto e eu aquele que observa, testemunha dos objectos. Testemunha na forma de presença e consciência.
A consciência acolhe o fluxo de pensamentos, sem ela não há pensamento, eu sou a consciência que ilumina o pensamento, que o revela, que é a base para o fluxo de pensamentos.
A meditação é uma prática diária, o momento reservado para estar comigo mesmo, mas para começar é necessário que a mente esteja disponível para esse momento.
Mesmo que a meditação seja guiada, quem faz a meditação sou eu, se eu não estou disponível para este momento, ninguém poderá fazê-lo, por melhor que possa ser o guia ou a meditação guiada.
Quando sento para meditar sozinho, nem sempre me vejo sozinho. Algumas pessoas vivem dentro e fora de mim. Algumas pessoas enraivecem-me. Algumas datas que marcam determinado acontecimento, enraivecem-me, o mundo externo faz-me responder de forma além do meu controlo.
Quando vemos a natureza, o céu estrelado, o bailado das aves, o florir das árvores, não existe insatisfação ou queixa interna. Eles não fazem nada para nos satisfazer, mas o ser essencial e satisfeito que somos aparece porque não queremos que nada do que vemos no momento seja diferente do que é.
Nesta meditação recordamos os básicos, descortinamos as dificuldades e ajudamos a criar soluções para quem começa a meditar e se vê confrontado com o seu próprio silêncio. Lidar com o corpo e aprender a relaxar, com o fluxo de pensamentos e aprender a largar, abraçar e acolher a presença silenciosa que somos isso é a base da meditação.
Ao cumprir o meu propósito e ao descobrir uma satisfação e um amor por mim mesma, naturalmente sem esforço algum eu abro mão da tristeza, da depressão ou da sensação de estar fora do lugar, quanto mais eu aprecio a minha contribuição no mundo e me sinto valorizada por isso, mais sem esforço algum eu abro mão da menos valia, da dúvida sobre o meu próprio valor.
"The Guru is not someone great but someone who shows you the greatness in you.” À luz desta frase do Swami Dayananda, olhamos para nós e reconhecemos uma grandeza, uma apreciação pela pessoa que sou.
Uma grandeza que não tem o sentido de comparação com ninguém, eu não sou maior ou melhor do que ninguém eu sou grande por natureza. A minha natureza de pertença faz com que eu tenha o tamanho do Universo, eu tenho todo o Universo em mim.
Não há como me sentir pequena, separada ou alienada, mas ainda assim, muitos de nós sentem-se exactamente assim. É nessa altura que eu procuro um professor, um guia, alguém que possa dissipar a confusão, levantar o véu para que eu possa ver.
Neste episódio a voz está no masculino ;)
No silêncio eu encontro-me. O silêncio não é um enorme vazio mas um espelho da paz que sou eu.
Meditar não é uma tentativa de controlar a mente para que esta passe a ter apenas pensamentos e tranquilidade e alegria, meditar permite-nos sim conhecer melhor a natureza da mente e, a partir desse entendimento, abrir a possibilidade de apreciarmos o imutável e livre que somos, apesar da dualidade da mente e do Universo. A esse momento de clareza e visão em que temos a percepção não dual da consciência sempre presente que somos chamamos de samadhi, esse é o objectivo da meditação.
Esta é uma sessão um pouco diferente. Usamos a respiração como uma ferramenta para trazer para a mente algumas características de uma mente meditativa: foco, tranquilidade e introspecção.
Fazemos juntos o nādī śodhana, que consiste em respirar alternadamente e com ritmo por cada uma das narinas, e que é feito na Índia antes de muitos rituais e da própria meditação, como uma forma de purificação interna que nos prepara para o vem a seguir. Para além deste propósito, o pranayama tem um efeito evidente e imediato no sistema nervoso e há vários estudos científicos que comprovam esta relação directa entre respiração -sistema nervoso.
Eu guio alguns ciclos de nādī śodhana pranayama para que possam acompanhar sem tensão depois, tendo aprendido, poderão praticá-lo ao vosso próprio ritmo antes de iniciarem uma meditação, sobretudo naqueles dias em que se sentem mais agitados.
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