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Eu e Meu não passam de um conceito. O que posso reclamar como verdadeiramente meu? Eu sou o corpo? Este corpo que não é o mesmo de há apenas alguns atrás atrás, todo ele constituído por células novas... Serei eu a energia que anima o corpo, o prana? Mas essa energia flui constantemente entre mim e o Universo... Serei eu as emoções?
Quando eu reconheço o desenho inteligente por trás do funcionamento de tudo, do universo físico, energético, emocional, eu relaxo e deixo de carregar o peso do eu e do meu... descubro em mim uma serenidade.
O meu corpo, a minha respiração e a minha mente estão conectados com o Universo, relacionam-se com o Universo e fazem parte dele. As leis que governam o funcionamento do universo físico reflectem-se no funcionamento do meu próprio corpo e o mesmo em relação às leis que governam o funcionamento do praia, a energia vital presente no Universo e em mim através da respiração. O mesmo aplica-se à minha mente que é regida pelas mesmas leis presentes na mente cósmica e que governam o funcionamento do mundo das emoções, pensamentos, reacções...
Eu não estou deslocada, fora de ordem, eu estou em Ordem e a essa Ordem maior que tudo gere chamamos de Ísvara ou inteligência.
Eu olho para as minhas emoções e consigo acolhê-las porque sei que estão em Ordem.
O que é estar presente? O presente tem duração?
Nesta meditação descobrimos a eternidade do presente quando estamos connosco, presentes no corpo, na respiração, objectivos em relação ao mundo e às pessoas. Estar presente é perceber que nenhum pensamento ou emoção que possa surgir não desloca o presente mas acontece nele, e embora, pensamentos, emoções, recordações, aconteçam no presente, ele é livre delas e permanece imaculado. Este presente é sempre um, imóvel, livre de qualquer modificação. Este presente, que é sempre, sou eu.
Mantemos a prática dos primeiros passos e acrescentamos JAPA, a repetição mental de um mantra, que servirá de alimento para trabalhar a atenção na mente. Observamos a repetição, presentes no som, percebemos a distracção quando surge um pensamento diferente e, sem julgamento, voltamos ao mantra, com o treino, vamos começar a perceber o espaço de silêncio que existe antes do mantra e depois do mantra. Vamos perceber também o mesmo silêncio durante o mantra e descobrir que na base está esse silêncio imutável e constante.
Desse espaço de permanente silêncio, vemos que tudo no Universo muda, os pensamentos mudam, as emoções mudam, o aspecto das formas muda, mas que existe algo que permanece. Apesar da agitação da mente eu sou a paz.
Existem alguns passos que servem de base à construção de um terreno fértil sobre o qual plantar a prática da nossa meditação. No início, seguir estes passos torna-se uma meditação em si mesmo e podemos estar algumas semanas, ou meses, só a familiarizarmo-nos com esta capacidade de sentar e encontrar conforto e silêncio, para permanecer alguns momentos.
Começamos pela escolha de um local adequado e de uma posição confortável.
Percorremos e relaxamos o corpo.
Trazemos objectividade para o momento aceitando a natureza e o Universo tal como são e transpondo depois essa mesma objectividade para as pessoas à nossa volta, aceitando-as de igual modo.
Levamos a atenção para a respiração e para a sensação do tacto, testemunhando-as.
Olhamos para a nossa própria mente e testemunhamos a partir da base de silêncio que somos!
Este é o podcast de meditação da Casa Ganapati. Uma viagem sonora que te convida a introduzir o hábito da meditação no teu dia-a-dia, como forma de reconhecer e lidar com a tua mente, o instrumento que te permite lidar contigo e com o mundo todos os dias!
Nesta introdução ficarás a conhecer um pouco do que é a meditação dentro da Tradição Védica, a nossa, e a proposta deste podcast.
Esperamos que gostes!
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