O desenvolvimento sustentável de um estado não se faz com improvisos ou políticas de curto prazo focadas exclusivamente no próximo ciclo eleitoral. Ele exige uma visão de longo prazo, embasada em dados, planejamento e eficiência. Foi com essa premissa que, através da CEDES Consultoria e Planejamento, coordenei a construção do Plano Estratégico Pernambuco 2035. Este documento consolida estudos técnicos, levantamentos de dados e entrevistas para propor um modelo integrado capaz de transformar as vantagens competitivas de Pernambuco — como nossa matriz de energia limpa, nosso forte polo tecnológico e o bônus demográfico — em um novo ciclo de prosperidade, alcançando do Litoral ao Sertão.
Para que Pernambuco eleve sua produtividade e combata as severas assimetrias regionais, o documento traça 14 rotas estratégicas de desenvolvimento, organizadas em um encadeamento lógico de políticas públicas:
• Visão de Futuro: Competitividade Territorial, Inovação e Atração de Investimentos (Rota 1).
• Pessoas: Educação (Rota 2) e Demografia (Rota 3).
• Infraestrutura: Infraestrutura Logística (Rota 4); Infraestrutura Hídrica (Rota 5); Infraestrutura Energética (Rota 6); e Infraestrutura Digital (Rota 7).
• Território: Planejamento e Desenvolvimento Urbano (Rota 8).
• Desenvolvimento Social: Saúde (Rota 9); Segurança Pública (Rota 10); Cultura, Diversidade e Desenvolvimento Humano (Rota 11); e, Inclusão Produtiva e Programas Sociais (Rota 12).
• Ambiente de Negócios e Capacidade do Estado: Reforma Tributária e Ambiente de Negócios (Rota 13) e Modernização do Estado (Rota 14).
A lógica dessa estrutura é muito clara: cada um desses eixos prepara as condições essenciais para a etapa seguinte. Na prática da economia real, não é possível atrair grandes empresas e novos empreendimentos globais (Rota 1) sem formar capital humano qualificado e adaptado às novas tecnologias (Rota 2), ou sem garantir segurança hídrica e logística eficiente para o escoamento da produção (Rotas 4 e 5).
O Brasil e Pernambuco vivem a janela crítica de encerramento do bônus demográfico. Se não integrarmos imediatamente a nossa infraestrutura digital, as demandas da transição energética e o nosso ecossistema de inovação, perderemos a chance histórica de reter nossa juventude em empregos formais de alto valor agregado. Mais do que isso, o crescimento real de Pernambuco depende da interiorização das oportunidades, destravando o enorme potencial econômico ainda subaproveitado no Agreste e no Sertão.
Para que isso se torne realidade, Pernambuco necessita urgentemente assumir o papel de um "Estado catalisador": um ente moderno, capaz de planejar estrategicamente, regular com eficiência, estruturar Parcerias Público-Privadas (PPPs) robustas e mobilizar investimentos sem inchar a máquina pública. O século XXI será liderado pelas regiões que souberem transformar conhecimento em riqueza e cidades em plataformas de produtividade.
O Plano PE 2035 é um mapa técnico claro para essa travessia. Substituir a atual fragmentação de ações isoladas por um verdadeiro projeto de Estado integrado é o único caminho para construirmos um Pernambuco mais competitivo, inovador e justo para as próximas gerações.