O resultado teve queda de 7,9% em relação a 2024, quando o saldo havia sido de US$ 74,2 bilhões. Em dezembro, o país registrou superávit de US$ 9,6 bilhões, avanço de 107,8% na comparação com dezembro de 2024, quando o saldo positivo havia sido de US$ 4,6 bilhões. Trata-se do maior superávit para o mês desde o início da série histórica, em 1997, mas não suficiente para reverter a queda no acumulado do ano.
O resultado anual foi sustentado por níveis recordes tanto de exportações quanto de importações. As exportações somaram US$ 348,7 bilhões em 2025, com alta de 3,5% na comparação anual, atingindo o maior valor da série histórica. Já as importações cresceram em ritmo ainda mais intenso, avançando 6,7% e totalizando US$ 280,4 bilhões, também em nível recorde, provocando a queda no saldo da balança comercial. Com isso, a corrente de comércio alcançou US$ 629,1 bilhões, com crescimento de 4,9% frente a 2024.
Entre os produtos exportados no ano, o óleo bruto de petróleo manteve a liderança, com vendas de US$ 44,7 bilhões, apesar de uma leve queda de 0,7% em relação a 2024. A soja também seguiu como um dos principais itens da pauta exportadora, alcançando US$ 43,5 bilhões, com crescimento de 1,4%. Do ponto de vista setorial, a indústria de transformação continuou sendo o principal motor das exportações, respondendo por US$ 188,7 bilhões (3,8%), enquanto a agropecuária (7,1%) se destacou pelo ritmo mais forte de crescimento, totalizando US$ 77,6 bilhões. Já a indústria extrativa somou US$ 80,4 bilhões, apresentando recuo de 0,7% frente ao ano anterior.
No recorte por parceiros comerciais, a China manteve-se como principal destino das exportações brasileiras, com US$ 100,02 bilhões em 2025, crescimento de 6,0%. A União Europeia apareceu em seguida, com US$ 49,81 bilhões e alta de 3,2%. Já as vendas para os EUA recuaram 6,6%, totalizando US$ 37,72 bilhões, enquanto as exportações para a Argentina apresentaram forte expansão, de 31,4%, alcançando US$ 18,11 bilhões.
Do lado das importações, os óleos combustíveis lideraram entre os principais itens adquiridos pelo Brasil, com US$ 15,52 bilhões em 2025, crescimento de 2,3%. Adubos e fertilizantes também tiveram destaque, somando US$ 15,47 bilhões, com avanço expressivo de 14,1% em relação a 2024. Por setor de atividade econômica, a indústria de transformação concentrou a maior parte das importações, totalizando US$ 259,8 bilhões, alta de 8,6%. A indústria extrativa registrou queda significativa, de 21,2%, com US$ 12,83 bilhões, enquanto as importações da agropecuária atingiram US$ 6,02 bilhões, crescimento de 6,4%.
Em termos de origem das importações, a China liderou as vendas ao Brasil em 2025, com US$ 70,93 bilhões, aumento de 11,5%. A União Europeia aparece logo atrás, com US$ 50,29 bilhões e crescimento de 6,4%. Os EUA venderam US$ 45,25 bilhões ao mercado brasileiro, alta de 11,3%, enquanto a Argentina registrou queda de 4,7%, totalizando US$ 12,94 bilhões.
O desempenho das exportações brasileiras para os EUA foi impactado diretamente pelo aumento das tarifas imposto pelo governo Trump. Em 2025, a participação dos EUA no total exportado pelo Brasil caiu para 10,8%, o menor patamar desde 2020. Apenas em dezembro, as exportações brasileiras destinadas ao mercado americano somaram US$ 3,4 bilhões, com queda de 7,2% na comparação anual. Enquanto isso, a concentração na China como destino aumentou, trazendo ainda mais preocupações.
As tarifas definidas por Trump encareceram significativamente as exportações brasileiras para o mercado americano e contribuíram para a retração observada ao longo do ano. Em novembro, no entanto, o governo dos EUA anunciou a redução das tarifas de importação sobre alguns produtos específicos, como carne bovina, café, tomate e banana, o que amenizou parcialmente os efeitos do tarifaço, mas não foi suficiente para reverter a queda no fluxo comercial entre os dois países.