Risco de recessão, eleições, arrefecimento do preço das commodities, juros nos EUA subindo e gastos no Brasil em alta. Essas são forças atuais que se contrapõem ao aumento da SELIC, derrubando o valor do Real.
Para os economistas é difícil comentar sobre o câmbio e para que direção ele tenderá a seguir. Em geral, quando as pessoas descobrem eu sou um economista, perguntam logo qual será a cotação do Dólar no final do ano. E é muito difícil prever, pois são muitas variáveis envolvidas.
O início de ano foi bastante positivo para o Real, que chegou a ter uma cotação próxima de R$ 4,60 em relação ao Dólar, por conta dos preços das commodities estarem aquecidos, do mercado ter virado os olhos para o Brasil com a invasão russa à Ucrânia e do aumento da SELIC.
O cenário mudou. O FED finalmente decidiu que a inflação não é transitória e resolveu aumentar os juros para combatê-la. Com isso, os títulos americanos ficaram mais convidativos, atraindo investidores internacionais. O risco de recessão aumentou com essa medida contracionista.
O risco de recessão empurrou investidores para mercados mais seguros e antecipou a queda nos preços das commodities, principalmente minerais, como minério de ferro, e o próprio petróleo, impactando nos preços das ações de empresas exportadoras brasileiras e na balança comercial.
Aliado a essas forças, é importante lembrar que estamos a menos de 90 dias das eleições presidenciais e o ambiente de incertezas subiu consideravelmente, pressionando o câmbio, como ocorre em todas as eleições presidenciais, pois não se sabe o rumo da economia em 2023.
Na última semana, as moedas dos países em desenvolvimento tiveram desvalorização em relação ao Dólar, mas aqui no Brasil o impacto tem sido maior devido ao aumento de gastos projetados até dezembro, que pode contribuir para manter a inflação em um patamar alto, fator negativo.
É esperado que o fator político exerça a maior das forças nos próximos meses, pois a incerteza é a pior inimiga do Real. Talvez, um posicionamento mais alinhado com o mercado por parte do candidato da oposição, que está na frente das pesquisas, pudesse ajudar a amenizar.