De lá para cá, a expectativa dos principais indicadores da economia brasileira sofreu alterações importantes que ajudarão o Comitê de Política Monetária (COPOM) decidir sobre os juros na primeira semana de maio.
Os funcionários do Banco Central estão em greve desde 28 de março, reivindicando um reajuste salarial de 27%, enquanto o Governo Federal tem oferecido o mesmo patamar de reajuste dos demais funcionários públicos, de 5%. Com isso, diversos relatórios importantes estão atrasados.
O relatório dessa semana, que deveria ter saído na segunda-feira, incorpora dados levantados na semana passada junto às instituições financeiras e mostra a 15ª piora seguida na inflação e uma SELIC mais alta para este ano. No campo positivo, PIB mais alto e Dólar mais baixo.
A previsão de inflação para 2022 aumentou para 7,65% em relação à anterior de 6,86%. Para 2023, também aumentou, agora para 4,00%. O teto da meta definido pelo Banco Central para este ano é de 5,0% e para 2023, ainda mais desafiador, de 4,75% e pode também não ser cumprido.
A SELIC deve fechar 2022 em 13,25%, segundo o FOCUS, não mais em 13,00%. Agora está em 11,75%, mas deve aumentar pelo menos 1 p.p. na reunião de maio, seguido por aumentos menos intensos nas reuniões seguintes, a depender de como a inflação se comporte no Brasil.
A expectativa de crescimento do PIB foi elevada de 0,5% para 0,65%, mas ainda abaixo do que o FMI preconizou na semana passada: crescimento de 0,8%. Essa melhora deve continuar nas próximas pesquisas, mas tem sido acompanhada de uma redução para 2023: 1% ao invés de 1,3%.
Como a pesquisa reflete respostas da semana passada, o Dólar diminuiu sua cotação para R$5,00, mas nessa semana isso deve se desfazer, pois nos últimos pregões já se aproximou desse patamar e deve passar, por conta da elevação mais forte de juros anunciada pelo FED nos EUA.