O Federal Reserve (FED, Banco Central americano) passou a sinalizar um caminho mais hawkish (contracionista) com juros mais altos em 2022. Como isso pode afetar o Brasil?
Na última reunião de 2021, o FED resolveu acelerar o tapering, ritmo de redução da compra de ativos, de US$ 15 Bilhões para US$ 30 Bilhões mensais, a partir de janeiro. Dessa forma, o FED irá deixar de comprar ativos financeiros em março, encerrando esse estímulo monetário.
Ao mesmo tempo, o FED sinalizou indiretamente que poderá aumentar os juros básicos da economia americana logo após o encerramento do tapering. Os analistas apostam agora em 3 elevações de 0,25 p.p. cada, fazendo com que os juros encerrem 2022 entre 0,75% e 1,00%.
Essa mudança irá trazer impactos significativos na conjuntura econômica internacional. Desde 15/03/20 que a taxa de juros nos EUA está em 0,25% para estimular a economia, via empregos, ganhos salariais e inflação. E isso deixou o Dólar desvalorizado em relação às demais moedas.
Agora, os títulos americanos, que detém classificação alta, vão se tornar mais atrativos aos investidores internacionais, o que deve fortalecer a moeda americana à medida que fundos de pensão bilionários passarem a migrar para esses títulos. Haverá uma valorização do Dólar.
O mundo poderá entrar em uma onda contracionista temporária até ajustar a questão inflacionária. O Banco Central da Inglaterra decidiu aumentar sua taxa de juros para 0,25% e outros países seguirão no mesmo caminho. O Brasil continuará elevando sua taxa até chegar em 12% ao ano.
Os efeitos serão sentidos nos preços das commodities minerais, agrícolas e combustíveis. Enquanto a pandemia desorganizou as cadeias produtivas e o fornecimento de insumos, o ciclo contracionista poderá ser o remédio amargo para controlar a inflação, com crescimento menor.
O Brasil será afetado duplamente, com uma SELIC muito alta e com os efeitos na queda do ritmo de crescimento mundial. O setor exportador poderá sentir o impacto do freio ou até mesmo queda nos preços internacionais das commodities exportadas, além do crédito interno mais caro.