Os itens mais desejados pelos brasileiros na Black Friday são justamente os que têm maior carga tributária: eletrônicos e eletrodomésticos. Como são industrializados ou importados, sua tributação chega aos 72%.
Dentre os produtos mais desejados estão videogames, smartphones e tablets. A tributação fica em torno de 72,18%, 68,76% e 59,35%, respectivamente, segundo o IBPT. Na média, os produtos industrializados apresentam carga tributária acima dos 50%, segundo levantamentos da CNI.
A carga tributária é maior quanto mais supérfluos forem os produtos, como smartphones e videogames. O imposto de importação também é altíssimo, deixando os produtos muito caros, mais ainda há a cobrança de IPI e PIS/COFINS a nível federal e o ICMS a nível estadual.
Isso é muito diferente dos EUA, onde a Black Friday foi criada, que tem apenas um Sales Tax na venda do produto e o imposto é no valor agregado. Dessa forma, por lá, os descontos da Black Friday são realmente expressivos, já que os produtos industrializados não têm muita carga.
No Brasil, o Playstation 5, que custa R$ 6 Mil, cairia para R$ 1,6 Mil caso o imposto fosse retirado. O Iphone 13 passaria de R$ 9,2 Mil para R$ 2,8 Mil. Não se engane, a Black Friday brasileira só serve para impulsionar vendas em novembro, sem margem para grandes descontos.
O que mudaria isso seria a Reforma Tributária, que colocaria a carga tributária para baixo e somente na agregação de valor dos produtos. Com isso, os produtos industrializados ficariam mais competitivos e o Brasil poderia abrir mais suas fronteiras para os produtos importados.
O Governo termina sendo quem mais fica feliz na Black Friday, pois os brasileiros vão às compras, dentro do que podem comprar, ajudando na arrecadação. Infelizmente, o consumo poderia ser maior, caso a tributação caísse, o que ajudaria a gerar mais produção, empregos e renda.