Embora o resultado continue positivo, ficou abaixo das expectativas do mercado, que projetava um saldo mais próximo de US$ 8 bilhões. O número representa uma queda de 12,8% em relação a maio do ano passado, quando o superávit foi de US$ 8,3 bilhões. No acumulado do ano, o saldo da balança comercial é de US$ 24,4 bilhões, uma queda de 30,6% ante 2024 (US$ 35,2 bilhões).
Entre os setores da economia, o destaque ficou com a indústria de transformação, que registrou alta de 3,4% nas exportações, atingindo US$ 15,3 bilhões. Esse desempenho tem sido puxado por produtos com maior valor agregado. Em contrapartida, a indústria extrativa teve retração de 6,6%, com US$ 7,2 bilhões exportados, e o setor agropecuário recuou levemente (-0,6%), alcançando US$ 7,4 bilhões.
A soja seguiu liderando as exportações, com US$ 5,5 bilhões, embora tenha recuado 3,9% em relação a maio do ano passado, principalmente por conta da queda nos preços internacionais (-8,4%). Já o café não torrado teve desempenho expressivo, com alta de 30,5% no valor exportado, impulsionado por preços mais elevados, mesmo com redução no volume. Na indústria extrativa, óleos brutos de petróleo e minério de ferro apresentaram quedas tanto em valor quanto em preços. No setor industrial, o principal destaque foi a carne bovina, que cresceu 18,8%, enquanto produtos como açúcar, carne de frango e derivados de petróleo registraram retrações.
A Ásia manteve a liderança como principal destino das exportações brasileiras, com 43,2% de participação no total exportado, apesar de uma leve queda de 2,8% em valor. A China, principal parceiro comercial do Brasil, respondeu sozinha por 31,8% das exportações. A América do Norte também teve bom desempenho, com alta de 6,5%, impulsionada principalmente pelos EUA (11,5%). Já a América do Sul se destacou com o maior crescimento, as exportações para a região avançaram 20,4%, puxadas pelo forte desempenho do Mercosul (49,6%) e da Argentina (67,4%).
No lado das importações, o Brasil comprou US$ 22,9 bilhões em bens e serviços, sendo a maior parte composta por bens intermediários, com aumento de 8,7% (US$ 13,9 bilhões), essenciais para a indústria nacional. Chama atenção o aumento expressivo de 14,5% nas compras de bens de consumo (US$ 3,8 bilhões). Bens de capital tiveram aumento de 7,1% (US$ 3,1 bilhões) e combustíveis apresentaram uma queda relevante de 26,5% (US$ 2,1 bilhões).
A indústria de transformação liderou o crescimento nas importações, com destaque para adubos e fertilizantes químicos (25,9%), automóveis de passageiros (19,2%) e peças e acessórios automotivos (21,7%). Por outro lado, houve retrações em produtos como óleos combustíveis de petróleo (-4,8%) e válvulas e tubos termiônicos (-14,3%). A indústria extrativa apresentou queda mais acentuada, especialmente nas importações de óleos brutos de petróleo (-41,8%), afetadas por reduções tanto em volume (-27,0%) quanto em preços (-20,2%).
Em termos de origem, a Ásia ampliou sua participação nas importações brasileiras, passando de 32,4% para 36,8% do total, com China, Hong Kong e Macau respondendo por 24,2%. A Europa perdeu espaço, com sua fatia caindo de 28,4% para 25,9%, principalmente por conta da leve retração nas compras da União Europeia. Já a América do Norte manteve relativa estabilidade (19,4%), apesar do aumento no volume importado (8,7%). Em contrapartida, a América do Sul, especialmente o Mercosul e a Argentina perderam participação, respondendo por apenas 10,5% das importações brasileiras, evidenciando a perda de importância regional nas importações brasileiras.