No acumulado dos 9 primeiros meses deste ano, a arrecadação avançou 9,5%, para R$ 1,64 Trilhão. A probabilidade do Brasil ter superávit primário pela 1ª vez em 8 anos aumentou.
O resultado divulgado pela Receita Federal representa um aumento real de 4,07% na comparação com o mesmo mês do ano passado, quando a arrecadação somou R$ 159,8 Bilhões, corrigido pela inflação, que indica maior atividade econômica no ano de 2022 em relação a 2021.
Esse foi o maior valor para meses de setembro desde o início da série histórica da Receita Federal, que tem início em 1995, 28 anos. No acumulado do ano, R$ 1,64 Trilhão, também foi o maior da série histórica, mesmo com perdas na redução de impostos sobre combustíveis e do IPI.
O destaque do mês de setembro veio da arrecadação de Imposto de Renda e CSLL oriundos de empresas ligadas ao setor de commodities, como petróleo, minérios e alimentos, que tiveram preços elevados no mercado internacional, aumentando o valor de vendas, resultados e impostos.
A elevação dos juros básicos da economia, a partir da SELIC mais alta, também aumentou a arrecadação. Até setembro, o IRRF sobre Rendimentos de Capital arrecadou R$ 62,6 Bilhões, alta real de 62,8%. A elevação da massa salarial foi outro fator que contribuiu positivamente.
A boa arrecadação do governo tem ajudado as contas públicas. o Ministério da Economia estimou que as contas do governo registrarão um superávit primário de R$ 13,5 Bilhões em 2022, interrompendo uma trajetória de 8 anos com as contas no vermelho, tripé importante do Plano Real.
Em 2021, o governo registrou um déficit fiscal de R$ 35,07 Bilhões, segundo números do Tesouro Nacional. Na proposta de orçamento do ano que vem, enviada no fim de agosto ao Congresso Nacional, a estimativa de 2023 é de voltar a ter déficit com um rombo de R$ 65,9 Bilhões.
Esse é o grande desafio. Em 2023, as atividades econômicas mundial e no Brasil vão estar mais fracas, ambas por efeito dos juros mais altos para combater a inflação. Além disso, os gastos prometidos para 2023 nas campanhas presidenciais têm aumentado a expectativa de déficit.