Quando assumi o desafio de fazer a coluna sobre sustentabilidade, pensei incialmente em trazer aos nossos ouvintes informações a respeito de como podemos agir de forma sustentável, mudar hábitos, e alternativas sobre a questão.
Porém, está sendo difícil tapar os olhos para tantos retrocessos que envolve um dos pilares de sustentação deste importante conceito, que envolve nosso futuro, que são as questões ambientais. É por isso que tenho insistido em falar sobre este tema.
Trabalho com isso a mais de 15 anos, com fiscalização, monitoramento, desenvolvimento de projetos e pesquisador nesta área. Algumas notícias têm nos surpreendido constantemente, é como se a cada semana fossemos bombardeados com informações impossíveis de serem apoiadas.
Impossível concordar por exemplo, de que o Ibama avisa, mediante nota, antecipadamente que fará operações contra desmatamento em determinada região da Amazônia, informação que até o ano passado, eram mantidas em sigilo, para que não atrapalhassem os resultados das operações – Nota publicada no dia 24 de maio, ultima sexta-feira.
Justamente na semana em que o Imazon divulgou que em 2019, houve aumento no desmatamento em 54% em relação a janeiro de 2018, algo assustador.
Como se não bastasse, tramita no congresso nacional um projeto de lei, que visa mudanças no código florestal brasileiro, em especial no que diz respeito a existência de reserva legal nas propriedades rurais. A reserva legal, é a obrigação que todo proprietário de terra tem, em manter uma parte de sua propriedade coberta com floresta nativa, algo essencial para o equilíbrio do ambiente.
A lei florestal no Brasil, foi reformulada e amplamente discutida ao longo de 5 anos, e foi aprovada e sancionada em 2012.
A Lei florestal, tem uma série de mecanismos voltados a proteção e uso sustentável das florestas, reconhecendo sua importância para agricultura brasileira, um dos grandes propulsores de nossa economia.
Boa parte das lideranças do agronegócio reconhecem que mexer no código florestal é um retrocesso, pois muda nossa imagem mundial, em relação a responsabilidade socioambiental, pois temos assumindo compromissos que abrem portas para mercados internacionais em um mundo que a cada dia tem mais e mais engajamento das pessoas neste aspecto, além do mais a proposta acaba punindo quem respeitou, respeita e compreende a importância da lei florestal.
A grande pergunta que deixamos para reflexão de nossos ouvintes é: A quem interessa tais mudanças?
Para mim, tais mudanças não interessam ao Brasil nem aos brasileiros.