Terça-feira, 17 de setembro de 2019
Estação de Notícias - CBN Amazônia
Um estudo realizado pela Psicóloga Rosani Stachiw do PGCA sob a orientação do prof. Emanuel Maia Eng. Agrônomo da UNIR de Rolim de Moura e a professora psicóloga Rosa Cristina Monteiro UFRRJ com objetivo de investigar o uso de agrotóxicos na Zona da Mata Rondoniense e Região do Rio Machado, constatou que os agrotóxicos podem causar doenças como ansiedade e depressão.
A pesquisa foi realizada com 80 trabalhadores rurais de ambos os sexos, entre 25 a 65 anos de idade. Estes teriam que estar utilizando ou ter utilizado algum tipo de agrotóxico.
Constatou-se que 86% das propriedades utilizam agrotóxicos da classe 1 e 2 que são aqueles extremamente tóxicos ou altamente tóxicos, dentre estes o Glifosato - reconhecidamente causador de várias doenças. 8% destes agricultores apresentaram depressão em algum nível e 11% apresentaram algum nível de ansiedade. Ou seja, quase 20% destes agricultores entrevistados foram diagnósticos com depressão ou ansiedade. Muitas destas pessoas não tinham conhecimento dos sintomas da ansiedade e depressão, além de haver um estigma em relação a depressão - é necessário quebrar esse padrão porque as pessoas não vão atrás de tratamento.
Quimicamente falando o cerebro produz hormônios de prazer e bem-estar... E as doses pequenas, porém diárias acumuladas no organismo ao longo dos anos, podem causar alterações na produção destes hormônios e causar sintomas de ansiedade e depressão, que acabam não sendo indicados como causadores destas patologias.
Estes trabalhadores estão na área rural a mais de 30 anos, sem conhecimento dos riscos e da importância do uso de EPI.
Muitos dos sintomas da ansiedade e depressão são confundidos com outras doenças (dor de cabeça, palpitação, alteração no apetite e no sono), e como não conhecem ansiedade e depressão, tratam de forma equivocada.
O estudo concluiu que o uso inadequado de agrotóxicos tem causas diretas com a ansiedade e depressão destes trabalhadores rurais, e que podem ser negligenciadas devido aos estigmas e desconhecimento destas doenças junto aos trabalhadores.
Como a sustentabilidade não é apenas ambiente e economico, mas também o bem estar social, achei importante abordar este tema, e dizer o quanto é importante que as campanhas como o setembro amarelo, cheguem também às comunidades rurais, para que sejam atendidos e evitem assim que estas doenças acarretem em outras consequencias como o suicídio.
O debate sobre os agrotóxicos é um tema que vem sendo bastante discutido a nível técnico e político, e é objeto de propostas contraditórias em análise pela Câmara dos Deputados: o Projeto de Lei 6299/02, que facilita a liberação de novos agrotóxicos e renomeia as substâncias como pesticidas; e o Projeto de Lei 6670/16, que estabelece a Política Nacional de Redução de Agrotóxicos.