Elas com Elas

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By Grupo BandeirantesSociety & Culture
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Elas com Elas episodes

  • #70 - Nossos Passos Vêm de Longe
    Você já ouviu falar em Maria Firmina dos Reis? Ela é considerada a primeira romancista brasileira. Publicou Úrsula, romance abolicionista, inusual nas estantes do país, até mesmo nas dos leitores mais vorazes. Filha de uma mulher negra alforriada, e de um homem branco que não a reconheceu como filha, nasceu em São Luís, no Maranhão, em 1822. Teve uma trajetória atravessada pela educação e era uma escritora atuante, com publicações em jornais locais. Foi só em 1960 que Maria Firmina teve sua obra reconhecida. Ainda hoje, não é figura frequente nos livros, como outras mulheres e outros homens que ficaram em uma gaveta da história não aberta pela maior parte da população. Na escola, a história que aprendemos costuma girar em torno de uma narrativa única, que parte de premissas brancas e europeias para explicar o mundo. Aqui no Brasil, silenciamos parte relevante da nossa formação como país e como população. Se bobear, sabemos mais sobre a Europa do que sobre o Brasil mesmo. E o que conhecemos da construção nacional vem de fontes repetidas, de perspectivas semelhantes. Uma lei, de 2003, a de número 10.639 estabeleceu a obrigatoriedade do ensino de história da África e das culturas africana e afro-brasileira e de história indígena no currículo da educação básica, mas ainda há muito a se avançar. Frequentemente, nos esquecemos que os passos dessas populações também vêm de longe e, portanto, deixamos de lado, outras facetas da história. Neste episódio do Elas com Elas, a apresentadora Gabriela Mayer conversa com a professora da UFF, a Universidade Federal Fluminense, Ynaê Lopes do Santos, para nos ajudar a lembrar o que estamos perdendo e como isso nos empobrece como país.
    43 min
  • #69 - A pandemia e os povos indígenas
    No momento da gravação deste episódio, o cacique Aritana Yawalapiti, liderança do Alto Xingu, está internado em estado grave em uma unidade de terapia intensiva do Mato Grosso. Aos 71 anos, ele contraiu a covid-19 e foi levado às pressas a um hospital de Canarana, a 838 quilômetros de Cuiabá, depois do agravamento dos sintomas respiratórios. Como ele, outras referências indígenas, de várias etnias, se contaminaram com o coronavírus. Alguns sobreviveram, outros não. Também no dia da gravação deste episódio, foi confirmada a morte por covid-19 do cacique Domingos Venite, de 68 anos, da aldeia Sapukai, em Angra dos Reis, no Rio de Janeiro. Junto com as vidas destas lideranças, são perdidos conhecimentos específicos e ancestrais concentrados nestas figuras, que são uma espécie de guardiões dos saberes. São livros vivos.
    Em março, o Ministério da Saúde, por meio da Secretaria Especial de Saúde Indígena, a Sesai, apresentou medidas para ajudar a prevenir o contágio. 12 documentos foram elaborados com informações e orientações e destinados aos 34 Distritos Especiais de Saúde Indígena responsáveis pelo atendimento a quase 800 mil indígenas aldeados em todo o Brasil. Os indígenas que vivem nas cidades não são considerados nos dados e nas diretrizes da Sesai. E mesmo os protocolos específicos não foram suficientes.
    Dados da APIB, a Articulação dos Povos Indígenas do Brasil, mostram 137 povos afetados pela pandemia até agora. Os casos confirmados de contaminação passam de 16.800. Destes casos, ainda segundo a APIB, mais de 12.000 infecções ocorreram em territórios indígenas. E 544 mortes foram registradas nas populações indígenas. As regiões do Alto Solimões e do Alto Rio Negro são as mais afetadas. Neste episódio do Elas com Elas, vamos entrar um pouco nos impactos da pandemia de coronavírus entre a população indígena, olhando para as questões sanitárias, mas também para os aspectos e movimentos sociais e culturais. Vamos falar sobre essas figuras que são depositórios de conhecimento e vamos passar também por uma questão apontada durante as entrevistas pelas mulheres com quem conversamos: o aumento da presença de grupos evangelizadores cristãos nos territórios indígenas em meio à pandemia.
    1 hr 18 min
  • #68 - Vidas Negras na Pandemia
    O Elas com Elas já trouxe para a mesa conversas sobre como a pandemia desvela desigualdades vividas pelo Brasil. E hoje voltamos ao tema com enfoque nas desigualdades raciais. Dizer que Vidas Negras Importam não é só um reforço contra a violência policial, mas é um lembrete de que há existências negadas, há vidas menos valorizadas. E numa sobreposição de crises como a que vivemos - uma crise sanitária, humanitária, econômica, política – isso fica gritante. Na cidade de São Paulo, a chance de sobreviver ao contrair a COVID-19 é três vezes maior em um bairro rico do que em um bairro periférico. E os moradores dessas periferias são, na maioria, pretos e pardos. Mas não é só no acesso à saúde que essa violência se evidencia e nas conversas de hoje vamos partir da pandemia e avançar, falar sobre como o racismo estrutura caminhos possíveis e caminhos impossíveis e de que forma isso se mostra agora. Repetimos, nas entrevistas, uma mesma pergunta: os momentos de crise evidenciam as desigualdades que já vivemos?
    38 min
  • #67 - Uma conversa sobre a branquitude, com Lia Vainer Schucman
    Não consigo respirar. O último apelo de George Floyd antes de ser morto por um policial nos Estados Unidos entrou na casa de cada pessoa que assistiu à cena do agente branco ajoelhado no pescoço do homem negro por oito minutos. A falta de ar, sintoma que assustou agora o mundo inteiro por causa de um vírus, já fazia parte da vida de milhões de pessoas que são tratadas de forma diferente por causa da cor da pele. O racismo entra na vida de todos nós, mas no caso das pessoas que não são brancas, ele pode terminar em morte. Enfatizar que Vidas Negras Importam é lembrar que as violências são cotidianas. Não tem a ver apenas com a segurança pública, com a polícia, mas com uma constante e enfática negação de direitos em tantas áreas.
    Os protestos, as manifestações virtuais que nasceram depois deste assassinato nos Estados Unidos ganharam força também no Brasil e parecem, desta vez, ter chamado atenção de mais brancos. Uma palavra ganhou força: o antirracismo. Ainda com confusão de significados, ainda com usos retóricos, mas acendeu uma luz a quem de fato tem a intenção de construir igualdade. Mas toda vez que trazemos o tema pra pauta, pensamos na população não-branca, discutimos o que é ser negro, o que é ser indígena... E é importante que assim seja. Mas também é importante que não seja só assim. Para uma construção antirracista, é urgente que pensemos sobre o que é ser branco. O que significa a branquitude. O que o espelho diz a nós, brancos, quando olhamos para ele. Este episódio do Elas com Elas propõe uma conversa sobre a branquitude e para isso convidou uma pesquisadora fundamental do tema para nos ajudar a entender, a psicóloga social Lia Vainer Schucman, professora da Universidade Federal de Santa Catarina.
    37 min
  • #66 - Divórcio
    Um divórcio para cada três casamentos. Estes são os números brasileiros, segundo o IBGE. Em 2018, foram 385.246 divórcios registrados no país – a maioria, mais de 306 mil, concluídos por via judicial. Vale mencionar que divórcios e casamentos têm feito curvas contrárias no gráfico: enquanto a quantidade de uniões diminuiu 2,3% entre 2016 e 2017, a taxa de separações aumentou 8,3% no mesmo período. Divórcio é uma realidade recente, foi legalizado em 1977 no Brasil. Antes disso, havia o desquite, que acabava com os deveres conjugais e terminava com a sociedade conjugal, permitindo a divisão de bens, mas ninguém do casal poderia recomeçar ao lado de outra pessoa formalmente. Foram várias etapas até que a indissolubilidade do casamento, que chegou a ser preceito constitucional, ficasse para trás. E o que vem depois da separação? Hoje, superadas as dificuldades legais, como ficam os obstáculos culturais, sociais, emocionais? Este episódio está à moda antiga, com as convidadas reunidas na mesa; foi gravado antes da pandemia e só iria ao ar depois que atravessássemos este período. Mas diante do crescimento dos rompimentos na quarentena, resolvemos trazer a conversa agora mesmo. A plataforma Divórcio Consensual, que une advogados a pessoas que querem terminar a relação, aponta crescimento de 30% nas solicitações entre março e maio na comparação com o trimestre anterior. O Google também registrou um boom em pesquisas do tipo: “como dar entrada em um divórcio”. Vamos falar sobre isso no Elas com Elas de hoje, que recebe a advogada especialista em direito de família Charmila Rodrigues, a executiva de RH Patrícia Santos, fundadora da EmpregueAfro, e a psicanalista Belinda Mandelbaum, professora de psicologia social da USP e coordenadora do Laboratório da Família, Relações de Gênero e Sexualidade.
    1 hr 5 min
  • #65 - Diversidade Sexual
    Junho é o mês do orgulho LGBTQI+. Em 28 de junho de 1969, a truculência das batidas policiais recorrentes ao Stonewall Inn, bar em Nova York que era ponto de encontro da comunidade LGBT, encontrou forte resistência. Um grupo de pessoas reuniu-se ao redor do bar para impedir que a polícia levasse os detidos. E a resposta policial foi mais repressão. O evento foi o estopim para uma série de manifestações de luta pela liberdade que ocorreram nos dias seguintes. Um ano depois, 1970, os Estados Unidos sediaram, no próprio 28 de junho, a primeira parada formal, previamente organizada, do orgulho LGBT. Apesar de trazermos esse tema mais uma vez à mesa agora, vale dizer que toda hora é hora para falar de diversidade sexual. Aliás, se o calendário for pautar o debate, tem datas o ano inteiro a serem lembradas: 29 de agosto, por exemplo, é Dia Nacional da Visibilidade Lésbica, 23 de setembro, da Visibilidade Bissexual, 31 de março, da Visibilidade Trans...
    A luta pela visibilidade guia os debates, que ainda precisam falar recorrentemente de violência e da falta de acesso efetivo a direitos. O Elas com Elas traz hoje à mesa três mulheres para nos ajudarem a pensar sobre a diversidade sexual e a luz que se joga sobre ela hoje no Brasil. Nossa ideia não é, de nenhuma maneira, esgotar o tema, nem mesmo as letras da sigla. Mas abrir uma porta para o reconhecimento das tantas lutas e das tantas histórias que os rótulos que atribuímos ao mundo escondem.
    1 hr 7 min
  • #64 - Reconhecendo privilégios
    Não precisava de pandemia para saber o quanto é desigual a nossa sociedade. Mas os tempos correntes estapearam as desigualdades na nossa cara. Ficaram claríssimas! O sétimo lugar de país mais desigual do mundo que o Brasil ocupa, levando em consideração os parâmetros do coeficiente de gini, que mede desigualdade e distribuição de renda, ganhou concretude: na forma de acesso, de proteção, de escolha. Acesso porque as estatísticas deixaram claro que o vírus não escolhe destino, mas um tratamento de qualidade faz diferença na sobrevida – em capitais como São Paulo, os bairros ricos registraram os maiores números de casos; e alguns bairros pobres, com índices muito menores, se igualaram em mortes. Proteção porque nem mesmo a casa virou lugar de segurança quando a medida fundamental é o isolamento e tem muita gente que não pode se isolar da família com quem divide um único cômodo ou uma casa pequena. Escolha porque enquanto nós, da classe média, decidimos ficar em casa – e foi uma escolha acertada, muita gente não teve essa opção: ou os patrões não liberaram, ou a necessidade de colocar comida na mesa falou mais alto. E aí voltamos a discutir o que já estava na pauta de uma bolha: os nossos privilégios. Reconhecê-los ficou mais fácil desde o início da pandemia e é sobre isso que falamos hoje no Elas com Elas.
    48 min
  • #63 - Impacto financeiro da pandemia nas mulheres
    A “Síntese de Indicadores Sociais 2019”, do IBGE, apontou que as mulheres estão desocupadas em maior proporção, têm menores rendimentos e estão mais sujeitas à informalidade que os homens. Em 2018, de acordo com o levantamento, enquanto a taxa de participação dos homens no mercado de trabalho foi de 72%, a das mulheres foi de 52,9%. Apesar de terem uma formação educacional melhor, maiores índices de conclusão do ensino superior, elas enfrentam barreiras para acessar o mercado formal. O acúmulo de funções, a sobrecarga social e a discriminação são alguns deles. Em um momento em que quem está na informalidade sente com mais peso os impactos do mundo virando de ponta cabeça, as mulheres também carregam mais essa nas costas. Neste episódio do Elas com Elas, falamos sobre o impacto financeira da pandemia na vida de mulheres. Você vai ouvir três entrevistas: a primeira com uma economista que traça um panorama da vida financeira das mulheres; a segunda, com uma trabalhadora informal, mãe solo, que está penando para colocar comida na mesa; e por fim a conversa com uma empreendedora que emprega outras tantas mulheres no negócio dela formalmente e está se reinventando para fechar as contas e manter a equipe.
    47 min
  • #62 - Mulheres na ciência: medicamentos e vacinas
    Mais uma vez o Elas com Elas convida a ciência para chegar mais perto. Neste episódio com o objetivo de entender o caminho de desenvolvimento dos medicamentos e das vacinas, tão ansiados por nós todos neste momento. A elaboração e o desenvolvimento de tratamentos, para os quais antes só olhávamos de esguelha, agora acompanhamos mais de perto, tentando conhecer etapas, saber detalhes dos testes, entender como tudo isso pode ser acelerado. O Elas com Elas propõe conhecer um pouco mais os ritos científicos. Primeiro, numa conversa sobre a ciência e sobre os medicamentos, para que fique claro as etapas que talvez estejamos querendo saltar em meio à pandemia. Depois, uma entrevista sobre as vacinas, para entender como elas são desenvolvidas e como elas atuam como fator de proteção social. Em comum, as duas conversas nos mostram os caminhos para o desenvolvimento científico, para a evolução das abordagens da saúde e para a cooperação entre a ciência e todas as áreas que a aplicam.
    46 min
  • #61 - A pandemia e as mulheres da periferia
    Mais de 13 milhões de pessoas vivem abaixo da linha da pobreza no Brasil. Isso significa dizer que elas sobrevivem com uma renda média de até R$ 420 mensais. Abaixo da linha da pobreza estão também 63% das casas comandadas por mulheres negras com filhos de até 14 anos. E a pandemia chega de forma diferente à vida delas. Uma das entrevistadas de hoje do Elas com Elas disse bem: não estamos todos no mesmo barco. Podemos até estar no mesmo mar, mas uns cruzam a tempestade de iate e outros agarrados a um tronco. No episódio de hoje, conversamos com mulheres de regiões periféricas do Brasil para entender como as mudanças provocadas pelo coronavírus têm afetado a vida delas. O que mudou na rotina, nos planos, quais são as novas preocupações e como elas têm atravessado este momento.
    34 min

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O podcast Elas com Elas, da BandNews FM, é um programa semanal que reúne mulheres para debater temas diversos. Um espaço aberto para o diálogo e para discutir vários assuntos sob a perspectiva de quem…