Elas com Elas

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By Grupo BandeirantesSociety & Culture
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Elas com Elas episodes

  • #90 - O que a gente faz com a raiva?
    Este episódio do Elas com Elas, o último do ano, foi uma criação coletiva, eu diria. Ele nasceu de inúmeras mensagens que recebemos ao longo de 2020. Gente que escreveu para compartilhar que estava com raiva. Por ter perdido alguém. Por estar enfrentando dificuldades financeiras. Pela forma como a pandemia de coronavírus foi e é tratada por parte das pessoas. Pela desigualdade que se escancarou. Pela recorrência da violência, especialmente contra alguns corpos. Estes foram só alguns dos assuntos que motivaram ouvintes do Elas com Elas a escreverem para contar que esse ano tá puxado... aliás, faz uns anos que tá puxado, né? Bom, mas as mensagens repetidas neste ponto fizeram pensar que essa é uma boa conversa, porque nós não somos sempre estimuladas a colocar algumas emoções pra fora, inclusive a raiva. Mas vamos lá. Esse é o começo: a raiva é uma emoção – e uma que nos acompanha com certa frequência. Pode vir de uma experiência pessoal, individual, ou coletiva. E algumas perguntas atravessaram as conversas que você vai ouvir aqui: raiva pode ser bom? Somos autorizados a sentir raiva? Dá pra controlar ou administrar a raiva? E a principal delas: o que a gente faz com a raiva?
    1 hr 23 min
  • #89 - Trabalhadoras Domésticas
    Era 17 de março de 2020 quando a primeira morte pela Covid-19 foi registrada no Rio de Janeiro. Uma trabalhadora doméstica. Com 63 anos, ela percorria mais de 100 km entre a casa em que vivia e a casa em que trabalhava e por isso passava parte da semana no trabalho. A empregadora tinha acabado de voltar da Itália, então o país com o maior número de mortes relacionadas ao coronavírus no mundo. Quando a trabalhadora apresentou os primeiros sintomas, a patroa pediu que alguém da família dela fosse buscá-la. O quadro evoluiu rapidamente e ela morreu no hospital um dia depois. Não foi um fato isolado, mas por ter sido o primeiro chamou atenção para o crescimento da vulnerabilidade de uma categoria que já garantia seus direitos com raridade e, ainda assim, com fragilidade. Uma categoria composta majoritariamente por mulheres. Majoritariamente por mulheres negras. Num universo de mais de 6 milhões de pessoas que exercem o trabalho doméstico remunerado no Brasil, 92% são mulheres – são 5 milhões e 700 mil. E delas, quase 4 milhões são pretas ou pardas. Ainda que em 2015 as empregadas domésticas tenham conquistado o respaldo legal para receber direitos que um trabalhador contratado sob o regime CLT já tinha há décadas, de cada 10 trabalhadoras, nem 3 são formalizadas. E diante do crescente número de diaristas, que hoje já são pouco mais de 40% das trabalhadoras domésticas brasileiras, o índice de informalidade tende a ser cada vez maior. Neste episódio do Elas com Elas, convidamos trabalhadoras domésticas e mulheres que pesquisam o tema sob diferentes recortes para nos ajudar a entender por que os serviços domésticos remunerados se configuram da forma como se configuram no Brasil e que impactos isso tem na vida das mulheres que atuam nesta área. Olhamos também para a forma como a pandemia de coronavírus provocou incômodos nos olhares para este trabalho e de que maneira as trabalhadoras domésticas foram impactadas pela conjuntura. O dado de que 3 milhões delas – daquele universo de 6 milhões – dependem ou dependeriam (se o tivessem conseguido) exclusivamente do auxílio emergencial para atravessar este período já dá uma pista.
    2 hr 11 min
  • #88 - Aprender a escutar
    Pode parecer um detalhe semântico, inclusive usamos as duas palavras como sinônimos em tantas situações. Mas o próprio dicionário sugere que pode ter uma nuance aí, ainda que o sinônimo valha, sim. Ouvir e escutar, você acha, são a mesma coisa? É que a definição de ouvir está focada na percepção do som, no uso do sentido audição. A definição de escutar está focada na consciência do que se está ouvindo, na atenção dada àquilo que se ouve. Eu fiquei pensando sobre essa diferença de palavras depois das entrevistas deste episódio, então nas perguntas eu escorrego as vezes e uso ouvir e escutar como a mesma coisa mesmo. E tudo bem se você continuar a usar os verbos como semelhantes. Mas aqui a conversa vai focar na escuta, no sentido da percepção de sentido, da atenção ao dito e ao não dito. Porque quando a gente realmente está envolvido na conversa, no encontro, tem disso, né? O silêncio também está incluído na escuta. A ideia deste episódio nasceu da recorrência de uma sugestão por aqui. Em várias entrevistas, muitas vezes, as mulheres que ouvimos, debatendo temas diversos, falam em escutar como forma de acolher. Como forma de se conectar. Como forma de entender a si e o outro. E aí fiquei encucada: será que dá para aprender a escutar? Isso se ensina? E como a gente aprende? Porque, convenhamos, não é missão fácil, né? Bom, eu listaria aqui a disponibilidade para se relacionar, o que inclui a disposição de ser vulnerável e de chegar aos encontros de peito aberto, como um bom ponto de partida – ainda que nada simples. Mas as mulheres que se sentam à mesa com a gente dão outras tantas pistas valiosas.
    1 hr 19 min
  • #87 - Representatividade na Política
    Não foi só o número de candidaturas registradas. Em 2020, o número de mulheres eleitas também cresceu. Os resultados finais ainda serão consolidados com o segundo turno para a prefeitura, mas os dados das câmaras municipais já indicam uma participação feminina, em média, além da cota de 30% reservada pelos partidos. Desde 2019, e portanto pela primeira vez nesta eleição, 30% dos fundos eleitoral e partidário também deveriam ser destinados às mulheres. Na propaganda eleitoral gratuita no rádio e na televisão, o mesmo percentual de tempo deveria ser aplicado a elas e os partidos passaram a ser obrigados a fazer a divulgação das candidaturas femininas também. A lei contribuiu para transpor alguns dos obstáculos que as mulheres encontravam recorrentemente ao tentar participar do processo democrático partidário eleitoral. Mas há outros tantos elementos que ainda precisam ser vencidos. E que dificultam não só a candidatura e a eleição de mulheres, mas também a de outros grupos ainda sub-representados, como das pessoas negras, dos indígenas e da comunidade LGBTQIA+. Numa democracia representativa, quem nos representa? Há mais de 50% de brasileiras mulheres; há mais de 50% de brasileiros negros. No entanto, ainda que a eleição municipal de 2020 tenha feito história com a abertura de caminho para a representação de alguns grupos, ainda falta muito para a tal da equidade. Em especial em cargos executivos, para os quais os gargalos são ainda mais brutos. O que os dados do primeiro turno nos dizem é que pouco mais de 12% das prefeituras serão ocupadas por mulheres a partir de 2021, pouca mudança em relação a 2016, quando eram 11,5%. Olhando para o total de candidaturas, para prefeituras e para a vereança, a Justiça Eleitoral diz que as mulheres representaram 33,6% do total de 557.389 opções. Nos últimos três pleitos, o índice nunca tinha superado 32%. O Elas com Elas de hoje traz a representatividade na política para o debate e te convida a pensar quem você quer que te represente e como você gostaria de ser representada.
    1 hr 33 min
  • #86 - Afrofuturismo
    Seguir em frente sem deixar de olhar para o passado. Especular sobre o futuro e repensar o presente. Este episódio do Elas com Elas passa por aí. O movimento afrofuturista é o nosso assunto. Para além da estética e da cultura, ele constrói política. Não vou me arriscar a definí-lo, porque eu esbarraria em um simplismo que não cabe. Aliás, você vai ver que esta pergunta, esta tentativa de definir o que é o afrofuturismo se repete, assim como se repetem as perguntas a respeito do futuro e pra onde ele aponta, a partir dessa perspectiva em que as pessoas negras são colocadas como protagonistas e o encontro entre ancestralidade e tecnologia leva a novas narrativas. Aqui na descrição, deixei alguns dos links que usei na pesquisa para as conversas que você vai ouvir. Escolhi aqueles de referências que também foram citados pelas entrevistadas de hoje.
    O Futuro é Preto - https://www.youtube.com/watch?v=b912jgriot8
    Mostra Afrofuturismo - http://www.mostraafrofuturismo.com.br/
    Alma Preta conversa com Kênia Freitas - https://www.youtube.com/watch?v=p4Pg-pfb9C8
    Álbum The Futuristic Sounds of Sun Ra - https://www.youtube.com/watch?v=kG5f2w-K5jo
    Álbum Atlantis Sun Ra and Arkestra - https://www.youtube.com/watch?v=x5dIkFmafx4
    Sun Ra Montreux (1976) - https://www.youtube.com/watch?v=k341z3dsXy4
    Octavia Butler - https://www.youtube.com/watch?v=rV6vRGQQ45I
    Entrevista – Octavia Butler - https://www.youtube.com/watch?v=KG68v0RGHsY
    1 hr 12 min
  • #85 - Pessoas Desaparecidas
    79.275. Este foi o número de pessoas que desapareceram no Brasil em 2019. Os casos registrados, claro. O dado é do mais recente Anuário de Segurança Pública, feito pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública. Mas, como você vai ouvir neste episódio, também há desaparecimentos que não são registrados. Por desconhecimento. Pela falta de entendimento de que se trate de um desaparecimento. E até por barreiras encontradas ao tentar o apoio das autoridades. São pessoas de várias idades, com vários perfis e que somem por motivos diferentes. Violência, tráfico de pessoas, tráfico de órgãos, conflitos familiares, transtornos mentais são algumas das justificativas conhecidas para quando alguém desaparece. Mas independentemente do motivo, o impacto é semelhante. 79.275. É o número de famílias que, só em 2019, passaram a conviver com uma ausência. Um luto prolongado pela despedida não feita e pela incerteza do que aconteceu. Neste episódio do Elas com Elas, falamos sobre as pessoas desaparecidas no Brasil, tentando entender como isso afeta núcleos sociais e mostrando os vazios que existem sobre o tema: um vazio de política pública, um vazio de informação, um vazio de integração de dados, de buscas e de respostas.
    E-mail de contato com o Plid (Programa de Localização e Identificação de Desaparecidos) do Ministério Público de São Paulo: [email protected]
    http://www.mpsp.mp.br/portal/page/portal/plid
    https://www.icrc.org/pt/pessoasdesaparecidas-brasil
    www.cicv.org.br
    www.caminhodevolta.fm.usp.br
    1 hr 14 min
  • #84 - Violência sexual e cultura do estupro
    Aviso: as discussões deste episódio passam por situações de violência sexual que podem ser gatilho para algumas pessoas. Não há descrições de situações de violência, mas há questionamentos sobre a naturalização delas. E é justamente esta naturalização que está no centro do debate No Elas com Elas. Você consegue responder por que alguns crimes geram menos indignação do que outros? Nesta espécie de ranking social do intolerável, o estupro está longe do topo. Pelo contrário, ele está no rol de violências relativizadas, justificadas, toleradas, até. Quem estupra é sempre um outro distante, alguém que tem um desvio, um louco. Não tem a nada a ver comigo. Será? Se estamos todos imersos, desde pequenos, em uma cultura que suaviza a violação dos corpos das mulheres - de algumas mulheres até mais do que outras, que faz piada com o assédio, que ensina que homens e mulheres são diferentes nos direitos, será mesmo que podemos nos distanciar da violência? Tudo isso está nas conversas deste episódio. Você vai notar que a pergunta “o que é a cultura do estupro” aparece várias vezes nas entrevistas. As definições das mulheres que conversaram com o Elas com Elas são complementares e ajudam a definir o caldo cultural e social que faz com que a naturalização da violência sexual seja parte de quem somos coletivamente.
    1 hr 7 min
  • #83 - Vamos conversar sobre depressão?
    A vida virada de ponta cabeça. Mudanças bruscas, inesperadas e nem sempre desejadas. As consequências que vieram da pandemia fizeram aumentar o adoecimento mental da população mundial. Um estudo realizado pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro e publicado na revista The Lancet mostrou um aumento de 90% nos casos de depressão entre os meses de março e abril deste ano. No mesmo período, o número de pessoas que relataram sintomas como crise de ansiedade e estresse agudo mais que dobrou. Neste episódio, vamos focar na depressão, que já era um problema de saúde pública no Brasil antes da pandemia de coronavírus. A Organização Mundial da Saúde aponta que o Brasil é o país mais deprimido da América Latina. Enquanto a média global é de 4,4% da população com depressão, aqui este índice chega a 5,8%. São mais de 12 milhões de pessoas doentes. O problema é subdiagnosticado e o tema ainda afasta as pessoas da busca por ajuda. O Elas com Elas de hoje explica o que é esta doença e discute como o atual momento pode amplificar as questões de saúde mental. Além disso, trazemos à mesa uma conversa sobre o papel do Sistema Único de Saúde na prevenção e no tratamento da depressão.
    1 hr 6 min
  • #82 - Quando o hobby vira negócio
    Vou pedir licença pra começar com uma frase batidona. Mas é que você já deve ter ouvido isso por aí e ela tá no centro da nossa discussão de hoje: “trabalhe em algo que você realmente goste, e você nunca precisará trabalhar na vida”. Já ouviu? Bom, o que eu pergunto é: será mesmo? Quando um hobby vira um negócio, o prazer continua ali. Transformar uma atividade que pode ser quase terapêutica em uma obrigação, um compromisso, ainda que um compromisso motivador, muda o jeito de olhar para ela? O Sebrae tem até uma sessão de dicas para empreendedores que fazem essa virada: transformam hobby em negócios. E uma das primeiras pontuações é justamente pensar se a satisfação vai continuar te acompanhando quando seu hobby... bom, não for mais um hobby. É que, por definição, o hobby é uma atividade exercida exclusivamente por lazer, como passatempo. Mas tem bastante gente partindo dele para ganhar um dinheirinho. Dados também do Sebrae apontam que 48% dos microempreendedores individuais fizeram de seus hobbys um trabalho e atuam em casa mesmo. Neste episódio do Elas com Elas, a gente conversa com mulheres que trazem reflexões diversas para a mesa. Não só sobre quando o hobby vira negócio, mas também sobre as novas visões que passaram a ter sobre a vida pessoal e profissional a partir desta transformação. Além de saber se o trabalho continua mesmo sendo prazeroso por estar relacionado a um hobby, perguntei também a elas o que acontece com o lugar do prazer descompromissado. Elas desenvolveram um novo hobby depois disso? Vem com a gente!
    59 min
  • #81 - O que é sucesso?
    Um resultado favorável, feliz. Um êxito. É assim que o dicionário define sucesso. Se você jogar no Google, ele vai atribuir o sentido a um contexto de negócios, de trabalho. Contemporâneo, ele, né? Alinhado ao nosso tempo. Porque é por aí mesmo que passa o ideal de sucesso de muita gente, pelo campo profissional. Mas sucesso é isso? Ou é só isso? Este episódio do Elas com Elas é um pouco diferente e traz várias mulheres à mesa, numa tentativa de construção coletiva. Além de pesquisadoras que podem nos ajudar com reflexões, convidamos mulheres – algumas da redação da BandNews FM e outras sem ligação com este trabalho – para responderem esta pergunta: o que é sucesso para você? E você, já pensou sobre isso? Qual é o sucesso que você almeja? Ou melhor, como é este sucesso? Na conversa, passamos pela construção individual, subjetiva, mas também pelas construções coletivas, sociais do conceito e do ideal de sucesso.
    49 min

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O podcast Elas com Elas, da BandNews FM, é um programa semanal que reúne mulheres para debater temas diversos. Um espaço aberto para o diálogo e para discutir vários assuntos sob a perspectiva de quem…