Olá, pesquisadoras e pesquisadores desse nosso Brasil! Estamos em mais um episódio da nossa da terceira temporada do Elas Pesquisam, viemos trazer um debate super importante para nós, que somos cearenses e produzimos conteúdo e ciência fora do chamado “eixo sul-sudeste”. Glória Anzaldúa, feminista chicana, no texto “Consciência Mestiça” afirma que as pessoas que são mestiças possuem uma consciência de fronteira. Elas aprendem a equilibrar as culturas, tem uma personalidade plural. Segundo ela, “En unas pocas centúrias, o futuro pertencerá à mestiza. Porque o futuro depende da quebra de paradigmas, depende da combinação de duas ou mais culturas. Criando um novo myhtos – ou seja, uma mudança na forma como nos vemos e nas formas como nos comportamos -, la mestiza cria uma nova consciência” (ANZALDÚA, 2019, p. 326). Concordamos com essa perspectiva, e por isso, pensamos que, não somente os olhares e as vozes vindas de fora do que é chamado “centro do saber/poder” precisam ser ouvidas, como são elas mesmas potentes de transformação da sociedade. A entrevistada sabe o valor da nossa memória e cultura coletivas para construir um futuro possível no Brasil. Em quatro temporadas do podcast Calumbi, apresentou aos seus ouvintes, a cultura da Bahia, de uma forma mais ampla, do que a vista de acordo com os olhos sudestinos. E na quarta temporada do podcast Calumbi vem destacando as “Sertanejas Pesquisadoras”, o que, para nós do Elas Pesquisam, torna essa entrevista mais instigante, porque todes que estão dispostos a partilhar pesquisas de mulheres são mais do que bem-vindes no nosso podcast, são quase sócios. Assim, para começar logo esse papo, adiantamos que a entrevistada de hoje, além de produtora cultural e podcaster, também constrói, como uma das diretoras interinas, a Rede Nordestina de Podcasts, da qual fazemos parte com muito orgulho. Hoje nossa conversa é com a podcaster e produtora cultural Adriana Santana.