entre marolinhas

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By ninaArtsBooks
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entre marolinhas episodes

  • ponto por ponto, vírgula por vírgula, passo por passo.
    a chaleira está para esquentar, a água que ferve é como o sangue que bombeia no meu coração. troco de sentidos, estados, cidades, ruas e ainda continuo enxergando você. talvez seja porquê você está em todo lugar, seja nos olhos alegres de uma criança, seja no toque sutil e apaixonado de um casal, seja na minha cabeça, por todo canto daqui de casa. eu vejo tantos fantasmas por aqui desde que você se foi, e eu danço com um deles, pois ele tem o tom da sua voz e o mesmo cuidado ao dizer meu nome. queria ao menos ter lhe abraçado antes de partir. partido ficaram meus lábios, a tinta que secou, o meu coração. o peito reclama pela sua falta de ter só te visto duas vezes na vida. a verdade é que eu queria e de fato atravessaria este país até te encontrar de novo, dizer que o acaso existe e que, neste caso, eu estou perdidamente apaixonada por você seja em qual hemisfério. quem me dera não doesse ao te perder cada vez mais, ponto por ponto, vírgula por vírgula, passo por passo.
    2 min
  • uma flecha me atravessa o coração
    eu prevejo, eu sinto a tua presença, mas não mais que a tua ausência, esta que perdura por cada canto de mim. sei que tenho a mania de ser um pouco estapafúrdia, sabes que em mim sempre restou essa parte excêntrica, essa coisa de não deixar de te amar. mas já é hora, não é? tenho lido bastante sobre seguir em frente quando a gente não sabe outra direção para ir. é sobre nos agarrar na única pontinha de esperança que nos aparece. e foi no nosso amor que me segurei firme. me mantive dias sem comer ou beber, me mantive intacta, inamovível. qualquer que fosse o movimento, eu tinha medo de te perder. porque tu sempre foi quem partia primeiro, não importava quantas vezes chegou em minha casa e pediu morada no meu coração. incabível. tu não cabe mais aqui. é hora de partir de vez antes que tu quebre o meu coração em pedaços sem se preocupar em recolher parte por parte outra vez. nós dois juntos somos a ponta do precipício. já era a época em que tu deitava ao meu lado e beijava meus ombros antes de adormecer. já era a época em que dizias 'amo-te'. e agora, o que eu faço com todos os seus discos, nossas fotografias, aquele vinho barato guardado, o que se faz com toda a bagunça que se fez em meu peito? seguir em frente. um passo de cada vez, a um passo de me recair e ir atrás de ti. todavia, não seria recíproco nada que sinto. um passo para frente, três para trás. ainda piso com cuidado para ver se dá pé em todo amor que entro de cabeça. me afogo no raso, e eu não trouxe um bote salva vidas. eu estou aqui, nua, os cabelos esvoaçantes e curtos, o peito do avesso e aberto caso resolva voltar. uma flecha me atravessa o coração. é hora. não consigo mais. adeus.
    3 min
  • olha-se para o espelho, veja o encanto
    por cada canto eu enxergo um encanto. talvez meu pai tenha me ensinado, através das atitudes dele, que existe beleza em tudo que é canto. inclusive, em nós. observo o mundo como uma pequena exploradora, e, aos pouquinhos, vou desvendando na palma da mão e vou sentindo cada vez mais o quanto nós e chão somos a mesma coisa - já dizia ana caetano. estou tão grudada e vidrada em viver intensamente que acabo esquecendo de quem eu sou - que acabo esquecendo de como se vive, e acredito que essa é uma grande incógnita constante na vida da gente. estou tão desesperadamente em busca do amor que não vejo que ele está bem ali, bem debaixo do meu nariz, nas flores que compro no caminho pra casa, no sorriso desconhecido trocado, no abraço que dou em minha mãe ao acordar, na voz de sono do meu pai através do telefone. não percebo, estou cega pela tentativa de provar que sou uma boa pessoa a cada segundo que passa e isso me deixa exausta. me assusta o fato de que há uma vida inteira diante dos meus olhos e que a todo instante eu tenho uma nova onda para pular ou atravessar de cabeça. porque, se não te atravessa o peito, é difícil reconhecer a vida nos ensinando nas minúcias do dia a dia. tem um mar salgado nos meus olhos, e não deixo ninguém chegar perto por medo de alguém se afogar. mas é tudo ao contrário, eu que me afogo em mim mesma. talvez eu devesse chamar um bote salva vidas, sinalizar com fumaça aos céus de que eu preciso de ajuda. urgentemente preciso de ajuda. porque insistir em caminhar sozinha nesse labirinto que sou talvez não tenha sido uma boa ideia - lindo mesmo é a gente dar as mãos e apesar dos pesares, não ter medo de encarar o próprio eu. lindo mesmo é a gente se amar, por mais distante que esteja e inconstante seja. lindo mesmo é a gente entender que nem tudo vai estar sub controle, e está tudo bem. nem sempre caberá conchas do mar nas mãos o suficiente, nem sempre estaremos certos se queremos mesmo mergulhar de cabeça na próxima onda que vem. nem sempre estaremos seguros de que nosso coração está bem, e está tudo bem também, eu acho. olha-se para o espelho, veja o encanto.
    3 min
  • flores de abril
    a constância é difícil
    para quem mantém a distância
    entre alguém que foi
    e alguém que será
    as flores de abril se abrem
    quando você resolve passar
    elas então resolvem dançar
    uma forma delas de amar
    todas as suas minúcias
    eu prometi admirar
    guardar
    amar
    mas tu foste antes que eu pudesse
    dizer "eu te amo, eu te quero aqui",
    mas será mesmo que era necessário eu dizer
    se todas as vezes eu te acolhi
    e mostrei, através do silêncio,
    que te amava e que tudo dentro de mim
    fazia festa, fazia barulho só de te ver chegar
    eu escrevo cartas a você à mão
    te envio e espero que leia
    que descubra que entre as entrelinhas que
    eu nada sou além de mulher frágil, vulnerável,
    assustada e com medo de se apaixonar
    o imprevisível me conforta
    o desconhecido me instiga
    eu entrego meu coração fácil demais
    por isso eu passo uns bons bocados
    tentando trazê-lo à vida outra vez
    eu mergulho no raso
    sem nenhuma previsão de volta
    eu me afogo em minhas lágrimas
    e meu peito arde, ele é maior
    do que o mar da bahia
    ele clama para eu parar, respirar, notar o
    que está à minha frente, todavia, não
    consigo ver, estou com as lentes erradas
    aquelas que fogem da realidade
    como alguém poderia me amar
    se nem eu mesma consigo?
    2 min
  • até o fim do fim
    eu vivo em uma boemia constante
    e percebo que ainda te amo bastante
    eu não fui o suficiente para te fazer ficar
    tenho um frágil coração e superar
    um amor igual ao seu, amor, eu não
    sei se aguento
    eu procuro acalento
    eu procuro colo
    eu procuro por você
    em todo lugar que fomos
    em que nos amamos
    grande parte de você
    anda junto comigo
    no peito
    o coração arde quando te vê na estação
    nossos olhares se cruzam, mas você
    desvia primeiro e eu já te perco de vista
    em meio à multidão
    um dia já fomos isso, multidão
    hoje eu lido com os dias de solidão
    esperando sua ligação
    uma explicação
    mas a única lição que aprendi
    foi saber deixar ir quem a gente ama
    então, amor, pode ir de mim
    quero te ver feliz
    foi tudo tão bom enquanto durou
    e lhe digo com lágrimas nos olhos:
    de longe, amar-te irei, até o fim do fim.
    2 min

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tenho certas conjunturas presas na garganta, e eu as escrevo, outras vezes, declamo o que existe de tão bonito nesse mundo.