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Bia Ferreira é uma artista brasileira com uma música e mensagens politizadas, onde aborda questões essenciais, como necropolítica, cotas raciais, antirracismo, direitos das mulheres e LGBTQIAP+.
Atualmente em digressão pela Europa, a BANTUMEN aproveitou para conversar com a artista reconhecida pelas suas letras contundentes e que usa a sua arte como tecnologia de sobrevivência. A música é ferramenta para gerar identificação e incómodo, como a própria assinala, com o objetivo de desafiar o status quo e contribuir para a mudança social. Indo muito além do questionamento e da reivindicação, no seu mais novo álbum, Faminta, Bia Ferreira foca-se também nas soluções para estas questões sociais. É exatamente isso que quisemos explorar nesta entrevista, bem como conhecer o seu pensamento sobre afrofuturismo e a abordagem que adota para criar identificação e conscientização nas pessoas em relação ao racismo e à história da colonização, mesmo em ambientes onde o assunto é ignorado ou rejeitado.
A cantora Pérola é um ícone da música angolana e lusófona. Após oito anos sem lançar um álbum, Pérola está de volta aos palcos com Sincera. Em entrevista exclusiva à BANTUMEN, a cantora revela detalhes sobre este regresso aos lançamentos, a expetativa para o concerto no Capitólio, em Lisboa, e a sua vontade de partilhar a sua música com o público português.
Questionada se o Capitólio não seria um palco demasiado pequeno para a receber e aos seus fãs, Pérola explica que foi uma escolha sua e da sua equipa mas que há também o objetivo de passar por outras salas portuguesas. “Nós escolhemos o capitólio por ser a apresentação de um álbum mas, quem sabe, no futuro fazemos outras salas. Também tenho essa expectativa. Se for possível pisar outros palcos em Portugal, para mim seria ótimo. Seria ótimo porque, obviamente, acho que o sonho de qualquer artista é partilhar aquilo que tem com o maior número de pessoas possível. Portanto, se depois do Capitólio tiver convites para mais lugares ou nós próprios arriscarmos em outras salas, obviamente, que iremos fazer com o mesmo carinho, com a mesma força, com o mesmo empenho”.
A artista descreve o seu novo álbum, Sincera, como um trabalho maduro que expressa os verdadeiros sentimentos de mulheres e homens e que foi muito bem recebido pelos fãs. “Estou super feliz com esse álbum. Desde que saiu, confesso que surpreendeu-me pela positiva”, afirma. A verdade é que passaram-se oito anos (e três filhos pelo meio) desde que lançou Mais de Mim. A artista quis sobretudo voltar ao registo com que se deu a conhecer aos fãs, relembrando as letras do seu álbum de estreia e, daí, preferir apostar novamente num projeto físico. “Foi muito tempo sem ter um CD de originais. E ele foi logo aceite desde o início. O álbum foi recebido com muito amor, as pessoas começaram logo a identificarem-se com as letras, com os temas, começaram a consumir as músicas, os videoclipes ainda mais ajudaram para dar mais power. Então, tem sido um percurso positivo, tem sido um percurso bom. Estou super feliz com o que tem acontecido em torno deste álbum”, confirmou à BANTUMEN.
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Finicox esteve no MusicBox, em Lisboa, para uma noite de celebração da música negra com a curadoria da BANTUMEN.
Aproveitamos a realização do evento para falarmos pela primeira vez com o artista angolano, residente em Portugal, para conhecermos melhor o seu percurso e o que está a preparar para o futuro próximo.
Ailton Lourenço, o seu nome verdadeiro é DJ, produtor, beatmaker, compositor e DJ. A sua jornada na música começou em 2008, quando mergulhou na produção musical. Desde então, Finicox trabalhou em parceria com artistas influentes como Prodígio, Monsta, Deezy, DJ Lilocox, DJ Dadifox, entre vários outros.
Com um EP acabado de lançar, Neutro, o estilo de Finicox abrange uma ampla gama de géneros, como Afrobeat, Afrohouse, Deephouse e Amapiano, enquanto ainda honra as suas raízes no Kuduro e Rap, géneros nos quais começou a produzir.
Durante a entrevista, Finicox descreveu-se como um artista capaz de criar tanto batida (o subgénero lisboeta do Afro House) quanto Afro House. Questionado sobre as diferenças entre os dois estilos, para ele, as batidas representam a essência musical do “gueto” em Portugal, com mais percussão e ritmo, enquanto o Afro House traz elementos melódicos à sua sonoridade.
Nas suas criações, Finicox valoriza a importância de manter as raízes presentes na sua arte, mesmo enquanto continua a evoluir e inovar.
Ao falar sobre o seu percurso, o artista revelou que nasceu em Angola, mas mudou-se para Portugal aos três anos de idade. Aos 18 decidiu voltar para Angola, onde teve uma experiência transformadora. Finicox descreveu a musicalidade do Afro House em Luanda como algo completamente diferente daquilo que se faz e ouve em Portugal. Essa estadia de sete anos proporcionou-lhe uma nova perspetiva sobre o género, o que se reflete nas suas produções.
Finicox sente também que voltou para Portugal mais concentrado, focado e determinado. “Porque estando lá, apercebi-me que é difícil, que a vida é mesmo muito, muito difícil, e se eu tiver a oportunidade e a possibilidade de crescer na Europa… Graças a Deus. Pensei: “Se um dia eu tiver que voltar para Portugal, tenho que voltar de uma forma totalmente diferente, tenho que aproveitar mesmo cada dia, aproveitar este dom, este sonho que tenho e continuar a ser humilde“.
É já esta quinta-feira que o MusicBox, em Lisboa, receberá uma festa de música eletrónica afro curada pela BANTUMEN. Entre os artistas convidados, destaca-se Pafronta, DJ e produtor de 19 anos, com raízes cabo-verdianas.
Pafronta começou a sua jornada na música aos 13 anos, em 2017, quando o pai comprou-lhe um computador. Inspirado pelos tios que usavam o programa Virtual DJ para mixar músicas, Pafronta também decidiu experimentar. Aprendeu a manejar o programa rapidamente e começou a criar as suas próprias mixagens. Mesmo sem uma mesa de mixagem adequada, Pafronta não deixou isso impedi-lo de partilhar a sua música com o mundo. Lançou o seu primeiro mix em apenas duas semanas e ficou surpreso com a resposta positiva, acumulando ali 50 mil visualizações. Essa conquista inicial foi um impulso para se lançar a sério e continuar a explorar o seu talento.
Quando questionado sobre qual é o estilo musical que mais toca, Pafronta identifica-se principalmente com o Afro House. Embora toque diversos estilos, é no Afro House que encontra a sua verdadeira paixão e expressão artística. No entanto, também é reconhecido pelo seu trabalho no Funaná e Cotxi Po, dois géneros de música cabo-verdianos que o enchem de orgulho.
Ao longo de sua jornada, Pafronta foi influenciado por artistas como DJ Barata e Jayson Chayzz, que o inspiraram a explorar o seu próprio estilo e a desenvolver a sua identidade musical única.
O mundo do skate está a preparar-se para o aguardado WST Street Skateboarding Rome 2023, que arranca já este domingo, 18, e termina no dia 25. Entre os competidores, destaca-se Zenildo Guilherme, o primeiro skater angolano a concorrer para uma Olimpíada. Determinado a colocar Angola em destaque no cenário internacional, Guilherme quer conquistar o primeiro lugar entre os atletas africanos.
O evento em Roma é uma etapa crucial para os skaters que aspiram a participar dos Jogos Olímpicos de 2024, em Paris. O renomado skatepark Parco di Colle Oppio, localizado na capital italiana, receberá os melhores atletas do mundo, incluindo as estrelas olímpicas Horigome Yuto, Rayssa Leal e Nyjah Huston.
As eliminatórias contarão com a participação dos 27 melhores, que avançarão para as quartas de final. Posteriormente, os cinco skaters pré-classificados juntar-se-ão à competição. Nas finais masculinas e femininas, que ocorrerão no domingo, 25, apenas oito skaters competirão pelo título.
A BANTUMEN teve a oportunidade de entrevistar Zenildo Guilherme, que partilhou as suas perspectivas e objetivos para o WST Street Skateboarding Rome 2023. O skater angolano expressou a sua determinação em classificar-se para os Jogos Olímpicos, destacando a importância do treino e da consistência das suas performances.
“Estou a faze tudo o que posso para isso. (…) Quero estar entre os melhores e chegar às finais”. O skater ressaltou a importância do evento em Roma como uma oportunidade de colocar Angola no mapa do skate mundial.
Ao ser questionado sobre sua experiência anterior no Dubai, Guilherme partilhou: “No Dubai, éramos oito países africanos. Angola foi o primeiro país a abrir a pista, o que, para o meu estado de espírito, foi ótimo”. Ali, o seu objetivo era estar entre os três melhores atletas africanos para conquistar a vaga em Roma. Agora, é garantir o primeiro lugar e representar Angola nos Jogos Olímpicos.
Fábio Jorge Januário, mais conhecido como Fábio Krayze, é um talentoso bailarino profissional e professor que conquistou o seu espaço nos palcos portugueses. Nascido nos Combatentes, em Luanda (Angola), zona eternizada na música por nomes como o kudurista Bruno M, mudou-se para terras lusas aos 14 anos e, desde então, tem deixado a sua marca na cena artística.
A trajetória de Krayze começou a ganhar destaque em 2015, quando participou no programa “Achas que sabes Dançar”. A sua habilidade e paixão pela dança impressionaram o público e o programa acabou por abrir-lhe portas para novas oportunidades. No ano seguinte, também fez parte do elenco do programa televisivo “Portugal Tem Talento”.
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A pandemia e a paternidade ofereceram-nos um @slowj_oficial diferente. Deixou-se de maus hábitos (ou pelo menos de alguns), faz exercício, inscreveu-se em aulas de canto e consulta um psicólogo. Está numa corrida contra o tempo para criar a melhor versão do João Coelho, o homem, e do Slow J, o artista. A prova, vamos ouvi-la no próximo álbum, a ser lançado este ano. Conversámos com o artista sobre esta sua nova forma de se observar, ser e criar, da música Portuguesa e os seus filtros e de como pensa a sua internacionalização.
“Estou a permitir-me apostar em mim próprio e a dar-me a possibilidade de ir mais longe”, diz-nos. O objetivo é olhar para o físico, mente e espírito e perceber toda a sua potencialidade e alcançá-la.
Não é possível falar desta nova fase de Slow J sem falarmos da sua base, porque é dela também que parte a sua descoberta enquanto músico.
Numa família que partilha mais do que uma cultura, é natural pensar-se que os seus rebentos beberão dessas raízes de forma fluída. Nem sempre assim é. Slow J, cuja discografia cria uma convivência sonora espontânea entre as sonoridades contemporâneas populares de Portugal e de Angola, não cresceu a ouvir as kizombas, kilapangas ou os sembas. O pai, a parte angolana, relegou a passagem de testemunho cultural – que no seio familiar é indissociável do divertimento – para segundo plano, em benefício das responsabilidades. “Ele sempre foi um gajo bué presente. Sempre esteve bué lá connosco, mas muito ligado ao trabalho – pelo menos, associo-o assim à minha leitura dele – e pouco ao divertimento, ao sair à noite, à festa e à musica. Inclusive, o [facto de] eu ter começado a minha carreira fê-lo reconectar-se com a música que ele gostava de ouvir quando era puto e reconectar-se com o prazer de ouvir música”, explicou-nos.
Esta conversa surgiu durante uma entrevista, há cerca de um mês, pouco depois de o artista ter-se estreado no palco da Colors x Studios, com “Grandeza”. Para quem não está familiarizado com a sua arte, o jornal português…
Gerson Marta é um artista cujo nome e reputação advém de uma importante genealogia musical espalha por Cabo Verde, Guiné-Bissau e Angola, além de ser, em nome próprio, uma das principais agulhas magnéticas do sucesso da produção de músicas de diferentes artistas lusófonos.
Cantor, compositor e produtor luso-angolano residente em Portugal, Gerson conta com mais de 20 anos de carreira e, no seu percurso, já trabalhou em palcos e estúdios com artistas como One Love Family, Wet Bed Gang, SYRO, Oquestrada, Anselmo Ralph, Paulo Flores, Djodje, Tito Paris, Paulino Vieira, entre muitos outros.
Atualmente, está em estúdio a preparar o seu álbum de estreia e no mês passado enviou para as plataformas de streaming duas amostras do que podemos esperar desse álbum: “Who Are You”, um pop totalmente cantado em inglês, e “Num Pouco Desse Bem-Estar”, uma faixa em português com um instrumental bem lo-fi, com videoclipe gravado em pleno inverno do leste europeu.
A dualidade entre o Gerson Marta que faz trabalhos com outros artistas e o que faz trabalhos para si próprio é enorme. Quem pesquisa pela sua discografia nas plataformas de streaming encontra 4 faixas, a maioria cantadas em inglês. No entanto, Gerson como produtor e compositor que assina a faixa “Bela”, de Djodje, ou “Fim do Mundo”, com Anselmo Ralph, mostram um outro lado e sonoridade deste artista que já tem o seu nome escrito na história da música PALOP.
Eddie Pipocas esteve à conversa com Gerson Marta para meter a conversa em dia e descobrir todos os detalhes sobre o processo de construção do seu primeiro álbum de originais.
Nesta conserva de cerca de uma hora, disponível na íntegra no soundcloud, Spotify, Apple Podcast e YouTube, o artista explica os tentáculos familiares com o sobrenome Marta, as nuances da sua carreira, assim as duas novas faixas promocionais do seu primeiro projeto oficial.
Há cinco anos, Papillon lançava o seu primeiro álbum, Deepak Looper – com a produção exclusiva de Slow J – e que o artista descrevia como um “filme intrinsecamente perfeito que faz refletir”, sem etiquetas nem categorizações. Em novembro do ano passado, chegou-nos aos ouvidos “Jony Driver”, o segundo álbum, que nasceu da necessidade de entender o presente através do passado, para que o futuro siga em direção a uma melhor versão de si mesmo.
Com as agendas sempre preenchidas e o tempo curto, conseguimos-nos sentar com Rui Pereira aka Papillon, não só para perceber um pouco deste último projeto, mas também para fazer uma retrospetiva da sua vida nos últimos anos.
Não é justo catalogar Papillon apenas como rapper. Além de músico, é um storyteller e faz dobragens de filmes animados. E a lista não há de ficar por aqui, porque ainda não se sente realizado. “O Deepak e Jony Driver são passos, cada disco é um passo, e acho que até chegar a essa realização, vou tentar desfrutar do processo, é um bocado por aí”, explica.
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Finalmente conseguimos chegar ao Valete, dias antes do inesperado EP ser disponibilizado nas plataformas de streaming, o novo Aperitivo do rapper que “cortou a cabeça do meu rei”.
Estivemos à conversa por 50 minutos, falámos de tudo menos do Aperitivo, uma vez que também fui apanhado de surpresa com o anúncio do projeto nas redes sociais. Resta-me conferir que este EP não foi tão desejado como esta conversa, adiada por vários anos e agora possível porque a assessoria de imprensa do rapper marcou a entrevista no final do ano passado.
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