A pandemia e a paternidade ofereceram-nos um @slowj_oficial diferente. Deixou-se de maus hábitos (ou pelo menos de alguns), faz exercício, inscreveu-se em aulas de canto e consulta um psicólogo. Está numa corrida contra o tempo para criar a melhor versão do João Coelho, o homem, e do Slow J, o artista. A prova, vamos ouvi-la no próximo álbum, a ser lançado este ano. Conversámos com o artista sobre esta sua nova forma de se observar, ser e criar, da música Portuguesa e os seus filtros e de como pensa a sua internacionalização.
“Estou a permitir-me apostar em mim próprio e a dar-me a possibilidade de ir mais longe”, diz-nos. O objetivo é olhar para o físico, mente e espírito e perceber toda a sua potencialidade e alcançá-la.
Não é possível falar desta nova fase de Slow J sem falarmos da sua base, porque é dela também que parte a sua descoberta enquanto músico.
Numa família que partilha mais do que uma cultura, é natural pensar-se que os seus rebentos beberão dessas raízes de forma fluída. Nem sempre assim é. Slow J, cuja discografia cria uma convivência sonora espontânea entre as sonoridades contemporâneas populares de Portugal e de Angola, não cresceu a ouvir as kizombas, kilapangas ou os sembas. O pai, a parte angolana, relegou a passagem de testemunho cultural – que no seio familiar é indissociável do divertimento – para segundo plano, em benefício das responsabilidades. “Ele sempre foi um gajo bué presente. Sempre esteve bué lá connosco, mas muito ligado ao trabalho – pelo menos, associo-o assim à minha leitura dele – e pouco ao divertimento, ao sair à noite, à festa e à musica. Inclusive, o [facto de] eu ter começado a minha carreira fê-lo reconectar-se com a música que ele gostava de ouvir quando era puto e reconectar-se com o prazer de ouvir música”, explicou-nos.
Esta conversa surgiu durante uma entrevista, há cerca de um mês, pouco depois de o artista ter-se estreado no palco da Colors x Studios, com “Grandeza”. Para quem não está familiarizado com a sua arte, o jornal português…