Historicamente, o maior número de casos de febre maculosa no país é registrado no Estado de São Paulo. Campinas e Piracicaba são os principais focos na área rural e bairros como Interlagos, na capital, e cidades como Santo André e São Bernardo do Campo, na região metropolitana, também registram transmissão da doença. No interior, no entanto, o carrapato mais comum é o estrela. Os hospedeiros são capivaras e cavalos. Na área urbana há outras espécies de carrapatos que transmitem a bactéria a partir de animais domésticos, como cães e aves.
Os insetos podem ficar dias na pele por serem bem pequenos e difíceis de identificar, alerta o professor do departamento de infectologia da faculdade de medicina da Unesp, Gabriel Berg de Almeida. Portanto, a orientação é fazer uma busca ativa do carrapato após contato com natureza. A transmissão da febre maculosa ocorre quando o carrapato permanece mais de seis horas preso ao corpo. A orientação é evitar o contato excessivo com animais, vestir calça e calçado no contato com a natureza, especialmente nas áreas de surto. Também pode-se usar repelentes específicos para carrapatos. Os sintomas, como febre, dor de cabeça intensa, náuseas, vômitos, diarreia, dor abdominal, dor muscular constante, inchaço e vermelhidão aparecem até seis dias do contato e podem ser confundidas com outras doenças. O especialista orienta que, ao procurar o médico, o paciente informe seu histórico de deslocamento. Apesar da alta letalidade, o tratamento com antibiótico é eficaz.
De 2007 a 2021, foram notificados 36.497 casos de febre maculosa no Brasil, dos quais 7% foram confirmados e 32,8% destes evoluíram para o óbito. Os dados são de boletim epidemiológico do Ministério da Saúde, que aponta uma média de 2.433 casos suspeitos notificados por ano, sendo 2009 e 2019 os anos de menor e maior número de notificações, respectivamente. No estado de São Paulo, por exemplo, foram registrados 62 casos e 47 mortes pela infecção em 2022, uma taxa de letalidade de quase 75%.
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