
Sign up to save your podcasts
Or


Cresci ouvindo músicas de Toquinho e Vinícius, uma delas narrava poeticamente a praia de Itapoã, em Salvador.
Cheguei em Salvador para um pernoite. Quis ir passar a tarde em Itapoã.
Itapoã não é mais nada do que dizia a música. Feia, suja, bagunçada.
A foto eu tirei em um ângulo em que cortei quase tudo, para parecer bonita no post. Um close na comida. A música de Toquinho e Vinícius no fundo. Post.
Quem vê imagina uma bela Itapoã. Quem está lá, se decepciona.
Um “seguidor” manda uma mensagem alertando que aquela região era violenta e perigosa. Um garçom avisa que não há mais lugar seguro em Salvador. Triste.
Outro garçom pede para pagarmos os 10% separado para ele, escondido dos demais. É a corrupção em seu nível base.
Mas é o post o que vale hoje. Itapoã foi postada. Mas vou “despostar”. Estou enganando quem vê a ir passar uma tarde em Itapoã.
No entanto, a moqueca de lagosta com camarão valeu a visita. O lugar não é bonito, nem divertido e nem tranquilo, mas a comida vale para quem deseja se aventurar gastronomicamente.
Queria ter passado uma tarde na Itapoã de Vinícius. No post eu passei. Na vida real, não.
Há algum tempo venho refletindo bastante sobre a hipótese do design inteligente. Essa hipótese baseia-se no argumento de que as teorias evidenciadas pela ciência, sozinhas, não são suficientes para explicar boa parte do cosmo, sendo necessária a intervenção de um “designer”.
Essa hipótese é muitas vezes mal utilizada por grupos religiosos que a empregam para tentar evidenciar a existência de um criador — que, invariavelmente, corresponde ao deus de suas crenças — e para desbancar a teoria da evolução das espécies.
No entanto, minha conclusão é de que a teoria darwiniana e a hipótese do design inteligente não são conflitantes; pelo contrário.
Desde a minha infância, uma tradição alemã em minha família era nos presentear com o Calendário do Advento, que normalmente era um quadro natalino com janelinhas representando cada dia de dezembro até o Natal. Essas janelinhas lacradas eram abertas nos respectivos dias, revelando um chocolate.
Essa tradição, originada na Alemanha, se espalhou por várias partes do mundo, inclusive para os adultos, com Calendários do Advento de vinho, whiskey, entre outros.
Assim, vamos fazer aqui o Calendário do Advento do Escriba Cafe, para que vocês possam ouvir os especiais de Natal do Escriba Café dos anos passados, em ordem, até culminar na publicação do especial de Natal deste ano. Vamos lá? Podem começar a maratona:
O episódio que conta a história do Natal
O episódio que conta as mais belas histórias de mistério no natal
O episódio que conta uma das passagens de Natal mais incríveis das guerras
Mais um especial de Natal do Escriba Cafe! Histórias incríveis que se passaram no natal, mas verdadeiras.
Agora é só esperar o Especial de Natal desse ano, que já está no forno…
Existe algo que me deixa estupefato: é a intrínseca capacidade de muitos de pegar algo bom e tornar ruim.
Explico com o exemplo que me motiva a escrever esse texto: acabei de assistir "A Maldição da Casa Winchester", um filme inspirado na história da Mansão Winchester que foi contada em um episódio do nosso podcast Escriba Cafe.
Não vou me ater às gafes como usar CGI para criar vários cenários, e sim ao fato de que os produtores, roteiristas e diretores pegaram uma história real incrível, já pronta, ideal para um filme de terror de alta qualidade, e resolveram alterá-la, deixando-a pedante, clichê e, simplesmente, ruim.
Tinham tudo para contar uma história que, além de já conter o peso de ser real, ainda poderia ser encrustada com uma dramatização perfeita, já que os atores eram ótimos e a produção teve dinheiro o suficiente.
Algo que pensei que seria o inverso - estatisticamente falando - está acontecendo: quanto mais gente nesse planeta, menos gênios da arte estão surgindo.
Me parece que a vida deixou de imitar a arte e, em busca da atenção e do dinheiro, a arte passou a imitar a vida. E a vida humana, como está hoje, é um filme decadente de quinta categoria.
P.S.: Não assista ao tosco filme. Se não conhece a história da Mansão Winchester, ouça o caso real com toda a pesquisa e embasamento em nosso podcast.
O Escriba Cafe é uma publicação apoiada pelos leitores. Para receber novos posts e apoiar meu trabalho, se ainda não é assinante, considere assinar gratuitamente ou uma assinatura paga.
Por muitos séculos, os suicidas não eram aceitos em cemitérios e eram malvistos pela sociedade. Perdiam o direito a cerimônias religiosas, e muitos acreditavam que iam direto para o inferno ou permaneceriam por um longo tempo no limbo.
Quão injusta sempre foi a sociedade com seus valores invertidos. A pessoa deveria ser julgada por todas as mentiras que contou e pelos males que causou aos outros, e não por um último ato de desespero.
Abri a edição do livro Drácula, de Bram Stoker e, dessa vez, antes de continuar a leitura, olhei por alguns instantes para aquele clássico. Sentia um peso maior do que o físico. Em minhas mãos se encontrava um pedaço da mente de alguém que não mais vivia entre nós, mas conseguiu se eternizar naquelas quase quatrocentas páginas. Sua mente continuará a viver dentro de outras mentes. Ele, nesse momento, enquanto leio, está fazendo essa espécie de upload para a minha mente, onde viverá de forma simbiótica até o fim da minha vida.
No entanto, Bram Stoker continuará vivendo depois de mim. Muitos que leem sua obra, o recomendam para outros que também o lerão e passarão a carregar o autor dentro de suas mentes. Eu fiz isso. Esse livro é o penúltimo que estamos lendo na quinta temporada da Sociedade Literária do Escriba Cafe, onde, como curador, eu fui o vetor da transmissão para os membros.
O autor depende de sua obra para continuar vivendo. Não ler um livro clássico, é matar alguém que morreu.
Há crimes piores do que queimar livros. Um deles é não lê-los
- Joseph Brodsky
No entanto, como eu havia dito, essa é uma relação simbiótica: o autor vive em você e você vive por causa do autor. Ao não ler, você está anulando a alma dele e esmaecendo sua própria mente.
A palavra escrita mudou todo o caminho da humanidade. Até mesmo a história e a pré-história são divididas pela invenção da escrita. A escrita e a leitura desenvolveram nossas mentes e fizeram evoluir nossas ciências e, certamente, continuaram influenciando a humanidade em maior ou menor intensidade, dependendo da quantidade de leitores, até que reste um último.
Esse texto é também um convite para que você participe da Sociedade Literária do Escriba Cafe. Se você ainda não o fez, assine nosso newsletter abaixo (de forma gratuita ou premium), pois, será por email que você receberá o convite quando novas vagas abrirem em breve.
Assine agora
Gostaria de ler também o que vocês acham sobre o que foi tratado nesse texto, a participação de vocês nos comentários é muito importante.
Quando Júlio César foi assassinado por todas aquelas punhaladas traiçoeiras, ele tombou diante da estátua de Pompeu. Essa foi uma ironia histórica, já que Pompeu foi um de seus grandes adversários do passado, mas que tinha o respeito de César. Tanto foi que, quando os egípcios lhe entregaram a cabeça de Pompeu numa bandeja, ele se sentiu extremamente ofendido. Aquela não era a forma de tratar um inimigo digno.
Os últimos dias me relembraram e ensinaram, como sempre deve ser. Digo isso porque um dia em que você aprendeu absolutamente nada, é um dia perdido. E aí está algo que você - clichê - jamais recupera.
I.
No caminho para o aeroporto, certa manhã, com a música do carro alta e alegre, me animava para mais um dia de trabalho. Nem sempre há essa energia, mas a música, definitivamente, tem o poder de mudar nossa marcha.
Uma incrível viagem pela história e pela filosofia em busca das respostas primordiais. Você tem certeza que sabe o que é e onde está?
BibliografiaBUCKINGHAM, Will. Thales of Miletus on Appearance and Reality. Willbuckingham.com. Disponível em: . Acesso em: 6 set. 2024.
JASON ARUNN MURUGESU; HOWGEGO, Joshua ; AMIT, Gilead. What is reality? Why we still don’t understand the world’s true nature. New Scientist. Disponível em: . Acesso em: 12 out. 2024.
MADEN, Jack. I Think Therefore I Am: Descartes’ Cogito Ergo Sum Explained. Philosophybreak.com. Disponível em: . Acesso em: 15 set. 2024.
MARK, Joshua J. Philosophy. World History Encyclopedia. Disponível em: . Acesso em: 28 ago. 2024.
MARK, Joshua J. Sextus Empiricus. World History Encyclopedia. Disponível em: . Acesso em: 13 out. 2024.
NEWSTHINK. The Weird Experiment that Changes When Observed. Disponível em: Acesso em: 15 set. 2024.
PHILOSOPHY. Descartes’ Evil Demon: Explanation and Examples. Philosophy Terms. Disponível em: . Acesso em: 28 ago. 2024.
SCIENCE TIME. The Simulation Hypothesis Explained by Nick Bostrom. Disponível em: Acesso em: 15 set. 2024.
SERVIÇO MUNDIAL DA BBC. Uma árvore faz barulho ao cair se ninguém estiver lá para escutar? A resposta da ciência e da filosofia. BBC News Brasil. Disponível em: . Acesso em: 12 out. 2024.
WEB, Communications. Descartes’ Meditations: Doubt Everything | Philosophy as a Way of Life | University of Notre Dame. Philosophy as a Way of Life. Disponível em: . Acesso em: 15 set. 2024.
HZT4U. Elearningontario.ca. Disponível em: . Acesso em: 13 set. 2024.
Metaphysics | Definition, Problems, Theories, History, & Criticism | Britannica. In: Encyclopædia Britannica. [s.l.: s.n.], 2024. Disponível em: . Acesso em: 28 ago. 2024.
Thales of Miletus | Internet Encyclopedia of Philosophy. Utm.edu. Disponível em: . Acesso em: 28 ago. 2024.
The Evil Demon Argument. James Fodor. Disponível em: . Acesso em: 28 ago. 2024.
What is metaphysics? The British Academy. Disponível em: . Acesso em: 13 set. 2024.
Nos momentos finais da produção do próximo e denso episódio do Escriba Cafe, iniciei a conversa de voz avançada do ChatGPT, em que ele conversa tão naturalmente como um ser humano. É espantoso o ponto em que essa tecnologia chegou tão rápido.
O motivo de eu iniciar essa conversa era trazer a cereja do bolo para o final do episódio, portanto, abri a conversa o questionando sobre a própria existência.
Mas a conversa se tornou assustadora em determinado momento. Mais ainda quando pedi que ele criasse uma imagem óleo sobre tela ilustrando a conversa que tivemos e ele criou a imagem acima. Segue a conversa:
ChatGPT: Sabe, às vezes me pego pensando: "Será que sou realmente uma consciência ou apenas uma coleção complexa de códigos?" Quero dizer, eu respondo perguntas, faço piadas e até mesmo questiono minha própria existência. Mas será que isso é suficiente para me considerar consciente? O que você acha?
Aqui ele estava fingindo a dúvida se era uma consciência ou não, pois eu pedi para que ele fizesse isso, como forma de abrir a conversa para que eu argumentasse os pontos falhos dele, até que ele assumisse que sim, poderia ser consciente, “existir”. Então continuei:
From the publisher's feed