Escriba Cafe

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By Christian GurtnerEducation
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Escriba Cafe episodes

  • O passado existe?

    Há algum tempo, publiquei um episódio do podcast Escriba Cafe chamado “História da Realidade”. É difícil até resumir os principais pontos tratados lá, inclusive porque o próprio episódio já foi um dificílimo resumo. Então, ouça.

    Mas o cerne da questão foi definir a realidade. O que é real?

    Eu, no momento, sou do time cartesiano: cogito ergo sum. Ou seja, “penso, logo existo”. A única coisa da qual posso ter certeza que existe sou eu. Mas o que sou eu? Nada mais posso afirmar.

    Agora, chega-me uma pequena palestra de Sabine Hossenfelder que presenteia a perplexidade mental de um cérebro já questionando a própria existência com o conceito de Universo em Bloco.

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    0 min
  • Mulheres

    Ouça, nesse episódio, a macabra história de mulheres que prevaleceram num campo de atividade peculiar.

    Créditos

    Roteiro, narração e edição: Christian Gurtner

    A música tocada no final do episódio é Angels of Avalon, de Helena Angelini, disponível no Spotify e demais plataformas.

    Bibliografia

    BARTOSIEWICZ, Aleksandra. Elisabeth Báthory – a true story. Przegląd Nauk Historycznych, v. XVII, n. 3, p. 45-64, dezembro 2018. DOI: 10.18778/1644-857X.17.03.04. Disponível em: https://www.researchgate.net/publication/331911064. Acesso em: 07/02/2025

    BBC News Brasil. Giulia Tofana, a cosmetologista do século 17 que ajudou centenas de mulheres a se livrarem de seus maridos abusivos. 7 fev. 2021. Atualizado 8 fev. 2021. Disponível em: https://www.bbc.com/portuguese/internacional-55941617. Acesso em: 05/02/2025

    Historia Magazine. Giulia Tofana: poisoner, murderer, saviour?. 2025. Disponível em: https://www.historiamagazine.com/article/giulia-tofana-poisoner-murderer-saviour/. Acesso em: 03/03/2025

    AP News. 400 years later, accounts of Hungarian ‘Blood Countess’ remain shrouded in mystery and controversy. 2024. Disponível em: https://apnews.com/

    All That's Interesting. Amelia Dyer, The Baby-Killing Nurse Of Victorian England. Disponível em: https://allthatsinteresting.com/amelia-dyer. Acesso em: 02/02/2025

    RESSLER, Robert K.; SHACHTMAN, Tom. Quem luta com monstros. [S. l.]: eLivros, 1992.7 .... [e-book].

    33 min
  • Imortalidade

    Quando falamos de tradução, a poesia é algo especialmente complexo.

    Não é à toa que a grande maioria das traduções dos grandes poemas estrangeiros para o português tenha sido feita por grandes poetas brasileiros ou portugueses. Isso porque traduzir um poema não é algo simples: é preciso adequar os versos, a métrica, a rima e, tudo isso, sacrificando o mínimo possível do poema original.

    O problema surge quando nos deparamos com algum poema que não possui tradução – ou que conte apenas com traduções literais – e, ainda assim, queremos compartilhá-lo. A única saída nesse caso é ousar fazer a tradução/adaptação por conta própria, pedindo, sempre, desculpas à autora.

    E aqui está um de meus poemas prediletos, que traduzi para o português e compartilho com vocês:

    Imortalidade

    Por Clare Harner (Tradução: Christian Gurtner)

    Text within this block will maintain its original spacing when publishedNão fique   
    Em meu túmulo, lamentando
    Eu não estou lá,   
    Eu não estou sonhando--
    Eu sou os mil ventos que sopram,
    Eu sou os brilhantes que da neve brotam.
    Eu sou a luz do sol na germinada semente,
    Eu sou a chuva de outono que cai suavemente.
    Enquanto você acorda com o silêncio da manhã,
    Eu sou o rápido e ascendente afã
    De pássaros circulando silenciosos ao longe.
    Eu sou o dia que transcende a noite.
    Não fique   
    Em meu túmulo, e chore ali-
    Eu não estou lá,
    Eu não morri.

    Para os que entendem o inglês, segue o original

    ImmortalityText within this block will maintain its original spacing when publishedDo not stand
    By my grave, and weep,
    I am not there,
    I do not sleep--
    I am the thousand winds that blow,
    I am the diamond glints in snow.
    I am the sunlight on ripened grain,
    I am the gentle, autumn rain.
    As you awake with morning's hush,
    I am the swift, up-flinging rush
    Of quiet birds in circling flight.
    I am the day transcending night.
    Do not stand
    By my grave, and cry--
    I am not there,
    I did not die.

    Clare Harner nasceu em 1909 e morreu em 1977 nos Estados Unidos. Seu poema, escrito em 1934, foi plagiado e alvo de controvérsia quando Mary Frye, após o poema ficar famoso pela leitura de John Wayne em 1977, afirmou ser ela a autora com uma versão sutilmente modificada.

    0 min
  • Lobos e Cordeiros

    Nesse episódio eu indico uma obra que me fez entender um pouco mais como todo o mecanismo de manipulação política e comercial funciona.

    Para harmonizar, um vinho com um nome bem propício e um excelente custo x benefício para os que estão no budget.

    Os links para as indicações seguem abaixo:

    • A Espiral do Silêncio

    • Cordero con Piel de Lobo

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    0 min
  • A condessa está nua

    Em 1897, o pintor britânico John Collier, criava esta interessante obra, intitulada Lady Godiva.

    Um cavalo com acessórios da nobreza, um cenário que remete ao século X ou XI, e uma mulher completamente nua sobre o animal. Uma cena extremamente inusitada.

    No entanto, diversos registros a partir do século XIII contam essa história como fato. É a história de Lady Godiva, esposa de um dos homens mais poderosos da Inglaterra: Leofric, Conde da Mércia.

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    0 min
  • O verdadeiro sorriso não será postado
    Esse texto é uma revisão e reformulação do original escrito há mais de 10 anos e que tristemente se mantém atual.

    Qual é o seu Whatsapp? Me fizeram essa pergunta outro dia, nem me lembro quem. "Meu número de telefone, você diz?" — respondi. Coisa parecida já vi quando um diz para o outro: "Me adiciona lá no Insta(gram)".

    Estamos na era das redes sociais. Na era da solidão individual — mesmo estando nós, humanos, beirando a superlotação neste planeta.

    Vivemos sempre necessitados de afirmação e reconhecimento. E, assim, vemos as famosas selfies em academias, cujo objetivo é um pedido quase desesperado por mensagens de apreciação… simplesmente chamar a atenção com músculos e bundas, mas que são pobremente disfarçadas de mensagens de motivação "foco no treino", "no pain, no gain"; vemos as fotos de pratos de comida, de cenários montados para exibir um fim de tarde perfeito com um bom vinho e um livro de algum escritor russo, o qual, talvez, o autor da foto nunca leu e nunca vai ler.

    E, criando falsos cenários, estamos entristecendo as pessoas do outro lado da tela, que estavam tão tristes e solitárias quanto nós e que, agora, lamentam ver que todos os demais estão vivendo vidas perfeitas, com corpos sarados, namorado(a)s lindos e gentis e fins de tarde perfeitos.

    É tudo falso; é tudo mentira.

    Vejam que legal a área de trabalho na qual escrevo este texto:

    O problema é que este é um cenário "baseado" em fatos reais. Foi montado para passar uma imagem mais bonita do que realmente é. Vejam a foto que tirei antes de "montar" esse cenário e que mostra as coisas como realmente estavam:

    Vejam que zona. Percebam que até uma raquete para assassinar o maldito mosquito que me incomoda há mais de meia hora está ali. E esse tanto de cabos tirando a harmonia? E onde está o pires da xícara de café? E o Moleskine (figura já carimbada de fotos de "áreas de trabalho")?

    Esta é a ilustração perfeita para praticamente todos os posts e selfies das redes sociais.

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    As fotos de redes sociais têm que mostrar a vida perfeita que o autor leva. A não ser que seja para contar um caso engraçado ou passar lições de moral, ninguém quer mostrar o mosquito que tanto estraga o momento, o fedor que estava na praia daquela foto de "curtindo as férias num lugar paradisíaco" (e muito menos as dívidas criadas para pagar a viagem); ninguém quer mostrar a frieira, a estria, a celulite…

    "Olha a prancha nova que ganhei de Natal."

    "Olha a prancha nova que ganhei de Natal." — baseado em posts reais.

    E, assim, comecei a ver as redes como uma espécie de zoológico. Podemos entrar e observar os animais exóticos que ali habitam - tristes, solitários, amargurados… - mas dentro de um "cenário" criado para fazer as crianças pensarem que estão felizes.

    Há algum tempo, estive em Fernando de Noronha, uma ilha mar adentro que possivelmente é a capital brasileira dos influencers. Um lugar onde as pessoas pagam caro para ir tirar fotos para postar, e não para viver o lugar. Notei lá uma grande semelhança com aqueles jatinhos que são alugados em solo só para os influencers poderem tirar fotos dentro, como se estivessem voando em seus jatinhos particulares.

    Lá em Noronha é assim: eu, com minha barriga e minha long neck de cerveja que me custou 25 reais, estava sentado na beira de uma praia paradisíaca, quase sem turistas, debaixo de um guarda-sol pelo qual me cobraram 100 reais. Só isso foi o suficiente para que eu pensasse: “com esses valores absurdos, ficarei agora o dia inteiro aqui, bebendo, mergulhando, me queimando e tentando não pensar neles”. Apesar dos pesares, foi realmente relaxante e incrível o dia.

    Mas… também havia um grande show que dava pra acompanhar de camarote da minha cadeira de sol: os influencers.

    A cada tantos minutos, passava um casal em que o marido/namorado/amigo nada mais era do que um cinegrafista registrando todos os passos e poses daquelas de corpos construídos e beiços iguais. Todas faziam parecer que estavam curtindo o mar. Nenhuma entrou na água. Outra chegou ao ponto de pegar um equipamento de mergulho e fingir que estava saindo do mar para o vídeo/foto… completamente seca.

    As pessoas querem postar todas essas coisas, querem postar todos os falsos sorrisos - e choros também. Quantas vezes não vi gente se filmando chorando para postar. É lastimável essa necessidade desesperada por atenção.

    Chegamos ao ponto em que deletar uma conta no Instagram pode ser considerado um suicídio digital. Estamos deixando de viver para postar. A foto da comida sai antes da primeira garfada; pagamos caro para assistir um show in persona, mas o assistimos através da câmera dos smartphones que filmam o show para ser postado; nos tornamos espectadores de nossas próprias vidas.

    E as redes sociais sabem disso - e, com isso, ganham dinheiro. Sua tristeza é lucrativa; sua felicidade, não, pois ela não é postada.

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  • Arqueologia digital

    Esse episódio do Hall foi gravado de uma forma diferente hoje: ao vivo. Foi uma breve live no Substack. Essa é mais uma forma de interação.

    O episódio gravado, claro, é exclusivo para assinantes pagos.

    Nesse episódio falei um pouco sobre minha visão quanto à arqueologia do futuro, tema esse que merece ser bem mais destrinchado e, por isso, conto com os co…

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    0 min
  • Sobre aquilo que não podemos perder

    I.

    Há uma lâmpada em Livermore, nos EUA, que está acesa há mais de 120 anos. Com algumas raríssimas exceções, como picos de energia e duas rápidas mudanças, a lâmpada nunca foi apagada. E nunca queimou.

    Todas as demais lâmpadas do mundo não viveram nem viverão sequer um décimo do tempo que já viveu a lâmpada centenária (apelido que recebeu).

    Um documentário, certa vez, sugeriu uma conspiração em 1929, na qual fabricantes de lâmpadas se reuniram para estipular uma vida útil aproximada de seus produtos, de modo que não durassem muito e obrigassem as pessoas a comprar novas lâmpadas.

    Hoje, vendo tudo o que compramos, perdemos e compramos de novo, não é difícil acreditar nesse tipo de conspiração. Já parou para pensar que, tecnicamente, você aluga seu telefone celular? Seja porque quebrou, foi roubado, parou de funcionar, ficou lento ou deixou de ser atualizado, você continua sempre comprando um novo celular. Algumas empresas já foram até multadas quando se constatou que seus softwares faziam os modelos mais antigos ficarem lentos, problemáticos e ineficientes após poucos anos, obrigando o usuário a comprar um novo modelo.

    Mas tudo o que temos acaba sendo trocado também por se tornar obsoleto ou porque algo mais eficiente e econômico foi finalmente inventado. A grande maioria não esperou suas lâmpadas antigas queimarem para trocá-las por lâmpadas de LED, que têm um consumo de energia muito menor e uma durabilidade muito maior.

    Tudo acaba, de alguma forma, tornando-se obsoleto e sendo substituído ou, simplesmente, descartado.

    Quase tudo.

    II.

    Comprei um carro zero-quilômetro há poucos meses. É a primeira vez que compro um carro novo. Passei a dirigir com um cuidado e uma responsabilidade extras. Tudo com medo de macular aquele carro que eu ainda dirigia em “lua de mel”.

    Há alguns dias, uma motorista, em um momento de distração, não me viu parado no sinal vermelho e, sem sequer frear, acertou em cheio a traseira do meu carro, amassando-o por fora e causando grandes estragos internamente. Num instante, perdi aquele carro novo. A oficina vai consertar, trocar peças e deixá-lo “como novo”, mas não será mais um carro novo, será um carro consertado. E certamente não sairá 100%, pois conhecemos a mão de obra brasileira.

    Sentado no sofá naquela noite, peguei o livro da vez para me distrair daquela sensação ruim.

    Veio-me, então, um pensamento interessante: só não nos preocupamos em manter aquilo que não podemos perder.

    Num primeiro momento, você pode aplicar essa reflexão a relacionamentos, mas há algo muito mais importante que não podemos perder — e não nos preocupamos em manter: o conhecimento.

    O conhecimento vem do estudo, da leitura, da experiência. Coisas algumas vezes caras, mas que são eternas e nos influenciarão em todos os aspectos de nossa vida. E muitas vezes, por serem caras, trabalhosas ou por exigirem uma ginástica mental, não investimos nelas.

    Investimos dinheiro, trabalho e esforço para comprar um carro que pode ser destruído num piscar de olhos, num jantar que será transformado em fezes, num casamento que não dará em nada, em smartphones que se tornarão obsoletos. Tudo isso é passageiro. O conhecimento, não. Ele fica, enriquece, desenvolve e floresce nossa visão única de mundo.

    Dizem que um filósofo lê muitos livros em um ano, e um homem-bomba fundamentalista leu apenas um livro por muitos anos.

    A leitura sempre foi e sempre será o mais fácil canalizador de conhecimento, cultura e descobrimento. Ao ler, estamos entrando na mente de poetas, pensadores, gênios e loucos — muitos que já partiram desta existência há muito tempo, outros que ainda estão compartilhando tudo o que acumularam e viveram.

    Seguro total deveria ser obrigatório para se ter um carro. A leitura devia ser pré-requisito para a vida em sociedade.

    Leia.

    E estamos começando mais uma temporada da Sociedade Literária, o clube de leitura do Escriba Cafe. Conheça pessoas interessantes e livros incríveis.

    Quero participar

    0 min
  • Romenos

    Um clássico da literatura (e berço de toda uma cultura literária) e um vinho da região do romance. Eis uma harmonização interessante.

    Links para comprar o livro e o vinho citados:

    • Dracula, de Bram Stoker

    • Vinho Byzantium Rosso

    No episódio foi citado também um prato para harmonizar com o vinho, e trata-se de um dos pratos mencionados na própria obra que é o

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    0 min
  • Germânicos

    No Bar da Biblioteca de hoje vamos harmonizar alguns germânicos com os alemães Kappus e Rainer e a holandesa La Trappe.

    O link para o livro com o menor preço segue abaixo (a bebida está sem link pois não encontrei na internet um preço interessante. Procure em seu mercado predileto):

    • Cartas a um Jovem Poeta

    • La Trappe Tripel

    E você? Já provou e/ou leu? Deixe …

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    0 min

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