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Entre a segunda metade do século XIX e o início do século XX, Viena consolidou-se como um dos polos intelectuais mais dinâmicos da Europa. A capital do Império Austro-Húngaro reunia uma elite cultural que, em meio às tensões políticas e sociais, produziu algumas das ideias mais influentes da modernidade. O ambiente cosmopolita, marcado pela convivência de diferentes tradições linguísticas e culturais, favoreceu debates intensos sobre ciência, filosofia, arte e identidade. Nos cafés vienenses, como o Café Central, escritores, cientistas e artistas se encontravam para discutir projetos e teorias que moldariam o século seguinte. Na filosofia, nomes como Ludwig Wittgenstein e Karl Popper revolucionaram a reflexão sobre linguagem e ciência, enquanto Ernst Mach influenciava diretamente o pensamento de Einstein. Na psicanálise, Sigmund Freud inaugurava uma nova compreensão da mente humana, desafiando convenções morais e científicas. No campo das artes, a Secessão de Viena, liderada por Gustav Klimt, rompeu com o academicismo e abriu caminho para a estética moderna, acompanhada por Egon Schiele e Oskar Kokoschka. Na literatura, Arthur Schnitzler e Hugo von Hofmannsthal exploraram os dilemas da subjetividade e da crise cultural. A música também foi transformada: Gustav Mahler expandiu a forma sinfônica e Arnold Schoenberg introduziu a técnica dodecafônica, redefinindo os limites da composição. Esse florescimento intelectual, contudo, convivia com a instabilidade política e social do império, que se desintegrou após a Primeira Guerra Mundial. A anexação da Áustria pelo regime nazista em 1938 intensificou a perseguição a intelectuais, especialmente judeus, levando muitos ao exílio. Apesar disso, o legado vienense permaneceu duradouro: suas contribuições em filosofia, ciência, arte e música continuam a influenciar debates contemporâneos sobre racionalidade, estética e subjetividade. Viena, nesse período, foi não apenas uma cidade, mas um verdadeiro laboratório cultural da modernidade.
Este podcast é um convite para refletir sobre o impacto da psicanálise na formação de nossa identidade cultural e intelectual. Se você se interessa por filosofia, psicologia ou simplesmente deseja mergulhar em histórias que revelam a complexidade da psique humana, este é o lugar certo. Vamos revisitar momentos históricos, desde a chegada das primeiras ideias freudianas até a consolidação de escolas e instituições que moldaram o pensamento psicanalítico nacional. Mais do que uma narrativa cronológica, buscamos compreender como a psicanálise dialogou com a filosofia, com a política e com os dilemas sociais de cada época.Inscreva-se, ative o sininho e acompanhe conosco as Histórias da Psicanálise no Brasil.
O episódio “Memórias e Esquecimentos em Psicanálise” do Podcast de Filosofia e Psicanálise explora de forma aprofundada a tensão entre lembrar e esquecer, articulando a história dos conceitos filosóficos com os mecanismos de defesa descritos pela psicanálise. Na filosofia, desde Platão, a memória foi pensada como uma espécie de “armazenamento” da alma, enquanto Aristóteles a vinculava à experiência sensível e à imaginação. Séculos depois, Santo Agostinho refletiu sobre a memória como interioridade e como lugar da verdade espiritual. Já na modernidade, Descartes e Locke destacaram a memória como função da consciência e da identidade pessoal, e Nietzsche problematizou o excesso de memória como peso cultural, contrapondo-o ao esquecimento criativo. Heidegger e Derrida, por sua vez, trouxeram leituras que enfatizam a memória como abertura temporal e como escrita, sempre marcada por ausência e diferença.Na psicanálise, Freud revolucionou o tema ao mostrar que lembrar e esquecer não são processos neutros, mas atravessados pelo inconsciente. O esquecimento pode ser efeito do recalque, mecanismo de defesa que mantém conteúdos dolorosos fora da consciência, mas que retorna em sintomas, sonhos e atos falhos. Outros mecanismos de defesa, como a negação, a formação reativa e a racionalização, também operam na relação entre memória e esquecimento, revelando como o sujeito lida com experiências traumáticas. Lacan, retomando Freud, enfatizou que a memória não é um arquivo estático, mas uma construção simbólica, sempre mediada pela linguagem e pelo desejo. O esquecimento, nesse sentido, não é falha, mas parte constitutiva da estrutura psíquica: o sujeito se constitui justamente naquilo que não pode ser plenamente lembrado.O podcast mostra que a clínica psicanalítica é o espaço privilegiado para trabalhar essa dialética. O paciente traz lembranças fragmentadas, narrativas incompletas e esquecimentos significativos, e o analista escuta não apenas o que é dito, mas também o que é silenciado. A filosofia ajuda a compreender o estatuto da memória como verdade interpretativa, enquanto a psicanálise revela que o esquecimento é ativo, uma defesa e, ao mesmo tempo, uma condição para novas elaborações. Em síntese, o episódio destaca que memória e esquecimento não são opostos, mas forças complementares que estruturam a subjetividade, e que a psicanálise, em diálogo com a filosofia, oferece uma leitura singular dessa tensão, fundamental para pensar tanto a clínica quanto a cultura contemporânea.
O podcast Casos Clínicos em Psicanálise I – Filosofia e Psicanálise explora a relação entre teoria e prática clínica, mostrando como a psicanálise se articula com a filosofia para compreender o sujeito contemporâneo. A proposta é discutir casos clínicos não apenas como relatos de atendimento, mas como experiências que revelam a complexidade da escuta e da interpretação. A psicanálise, desde Freud, sempre se apoiou em casos paradigmáticos para construir conceitos, e o podcast retoma essa tradição ao examinar situações clínicas à luz de questões filosóficas como desejo, linguagem, ética e subjetividade. O diálogo entre filosofia e psicanálise permite ampliar a compreensão dos sintomas, deslocando-os de uma visão médica para uma leitura simbólica e existencial. Ao abordar casos, o podcast enfatiza a singularidade de cada sujeito, evitando generalizações e destacando o papel da transferência e do inconsciente. Além disso, busca mostrar como a clínica se insere em contextos sociais e culturais, refletindo sobre os desafios atuais da prática psicanalítica. Em síntese, trata-se de um espaço de reflexão que une rigor conceitual e experiência clínica, oferecendo ao público uma visão crítica e aprofundada da psicanálise como prática viva e em constante diálogo com a filosofia.
A formação de analista no Brasil, discutida em podcast de Filosofia & Psicanálise, aborda a complexa articulação entre teoria, prática clínica e ética. Ressalta a importância da escuta, da supervisão e da análise pessoal, além das tensões institucionais e culturais que moldam o percurso. O processo exige rigor, reflexão crítica e compromisso com a singularidade do sujeito.
O podcast “A formação de analista na escola de Lacan” explora o percurso do analista segundo a psicanálise lacaniana, destacando a importância da experiência clínica, da análise pessoal e da supervisão. Aborda o papel da Escola de Lacan como espaço de transmissão e elaboração teórica, enfatizando que a formação não é linear, mas marcada por rupturas, desejo e responsabilidade ética na prática.
Neste episódio Daniel conversa com Camila Padovani sobre o casamento de Freud com Martha.
Conversa com Isadora Petry, autora do livro "Afetos em mosaico: para uma fisipsicologia da decadência em Nietzsche"Décadence na Filosofia de NietzscheIsadora Petry aborda o conceito de décadence, grafado majoritariamente em francês, inserindo o fenômeno da decadência no contexto da filosofia madura de Friedrich Nietzsche. O foco está na reconstituição histórico-genealógica da ascensão do niilismo europeu, possibilitando uma análise profunda das figuras do niilismo e sua função estratégica na crítica da cultura de Nietzsche.
Epigenética: determina absolutamente nossas capacidades e comportamento? Podemos saber do que vamos a adoecer? Podemos saber quais são os nossos talentos? A genética diz quais são nossos problemas psíquicos, nossos traumas e nossos medos? Com Taiza Stumpp.
O trabalho, em sua realização, exige boa dose de investimento libidinal. O que justificaria colocar o trabalho em um campo de ambivalência, de constante mal-estar, mas que possibilita ao homem experienciar sentimentos de realização ou de sofrimento, de sentido ou de adoecimento. Sendo assim, o neoliberalismo atuaria na precarização dos laços, na despolitização do indivíduo e na instituição de um “supereu” que impõe uma forma de gozo restrita à produção, consumo, performance e individualismo. Assim podemos pensar a redução da noção de felicidade, liberdade e sentido a partir de uma lógica do capital, produzindo formas de mal-estar e sofrimento no individuo e suas relações de trabalho. Com Will MacCormick.
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