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EDITORIAL 09/10/2020 - O poder municipal deve ser encarado como uma arena importante da luta de classes em suas múltiplas manifestações: também aí, afirmar os interesses da classe trabalhadora e oprimida significa, necessariamente, combater os interesses da burguesia. Garantir o acesso universal à habitação implica corroer as bases do capital imobiliário, oferecer saúde e educação gratuitas e de qualidade implica reduzir o mercado potencial para os empresários desse setor e assim sucessivamente. A cidade que queremos é a cidade para a maioria trabalhadora, e não para a minoria exploradora dominante. Implementar tais medidas no interior de uma sociedade capitalista, entretanto, não constitui tarefa simples. Para além da mobilização das próprias forças burguesas em prol de seus interesses, o Estado, também em nível municipal, é dotado de diversos mecanismos que buscam limitar o alcance das transformações possíveis.
A pergunta chave dessas eleições municipais está no embate entre o bolsonarismo e o anti-bolsonarismo. O resultado geral fortalecerá a extrema-direita neofascista, que está à frente do governo federal, ou representará uma derrota para Jair Bolsonaro? Três grandes forças políticas protagonizarão essa disputa: a extrema-direita, organizada em diversas alternativas, mas hegemonizada pela família Bolsonaro; a direita tradicional, dividida em um grande número de partidos, mas liderada pelo PSDB e DEM; e a esquerda, representada sobretudo pelo PSOL, PT e PCdoB.
EDITORIAL 24/09/2020 - A catástrofe ambiental em curso no Pantanal, com as terríveis queimadas que devastam a fauna e a flora de um dos mais importantes biomas brasileiros, infelizmente não é apenas um desastre natural. É, antes de tudo, o resultado direto da política anti-ambiental do governo Jair Bolsonaro, tal como se passa também com a devastação da Amazônia. Somente nos primeiros 14 dias de setembro de 2020, os focos de queimada na Amazônia já superam os registros de todo o mês de setembro de 2019.
EDITORIAL 22/09/2020 - É preciso uma resposta anticapitalista à ameaça da fome. Os índices de inflação recentemente divulgados pelo IBGE escancararam uma realidade que se acumulava ao longo dos últimos meses: enquanto o índice geral de preços ao consumidor teve aumento de 2,44% nos últimos 12 meses, os alimentos subiram 11,39%. Apenas nesse ano, os alimentos já encareceram 6,10%. A inflação para as famílias mais pobres, em agosto, teve alta de 0,38%, enquanto a faixa de renda mais alta registrou deflação de 0,10%, segundo o IPEA. Evidentemente, os maiores afetados por essa situação são os setores mais pauperizados da classe trabalhadora, em especial, os negros, mulheres e LGBTs. Cotidianamente, são esses que comprometem a maior fatia do orçamento doméstico com a compra de alimentos. Esse cenário resulta tanto do pleno funcionamento da dinâmica produtiva capitalista, quanto das escolhas políticas do governo Bolsonaro.
Apresentamos mais um instigante encontro com Iná Camargo Costa, no qual conversamos sobre a resistência cultural negra no Brasil. Nesse podcast tratamos da centralidade da questão racial na formação histórica e cultural do Brasil, assim como sua importância em uma leitura marxista sobre a sociedade. A religiosidade de matriz africana como resistência; o Teatro Experimental do Negro e a importância de Abdias Nascimento e outros intelectuais negros; a apropriação por parte da indústria cultural de tais expressões culturais, como o samba, o carnaval e o axé music; esses são alguns dos caminhos de nossa conversa. Confira!
"Na trincheira com Iná” é uma série de entrevistas com a professora Iná Camargo Costa, referência para os que se interessam por Cultura, Arte e Política. Pesquisadora do teatro brasileiro e do teatro épico de Brecht, Iná é professora aposentada da USP, autora de diversos livros e militante da cultura produzida pela classe trabalhadora.
EDITORIAL 26/08/2020 - Há uma nova conjuntura política no país. O governo Bolsonaro se fortaleceu, interrompendo o processo de desgaste iniciado após a chegada da pandemia no Brasil, em meados de março. Compreender os fatores responsáveis pelo aumento da popularidade do governo e atenuação da crise política e institucional, no contexto de uma grave crise sanitária e econômica, é chave para identificar tendências e contradições da presente realidade política e social; e também para formular uma política marxista adequada à nova conjuntura.
A série Na trincheira com Iná divulga a primeira entrevista com a professora que é referência para os que se interessam por Cultura, Arte e Política. Pesquisadora do teatro brasileiro e do teatro épico de Brecht, Iná Camargo Costa é professora aposentada da USP, autora de diversos artigos e livros e militante da cultura produzida pela classe trabalhadora.
O tema do podcast de abertura de Na trincheira com Iná é dos mais instigantes: Marxismo Cultural, tema que é enfrentado com coragem e precisão. Na entrevista, Iná Camargo Costa fala de seu mais recente livro: Dialética do Marxismo Cultural. O livro
é um Manifesto Comunista da Cultura, em tempos de fascismo. Tal como Marx e Engels, que escreveram, em 1848, um fantástico panfleto combatendo acusações e tornando público o projeto político comunista, definindo o comunismo em seus próprios termos, Iná é precisa em indicar a origem do termo Marxismo Cultural, a caracterização formulada por nossos inimigos e porque devemos reivindicar o termo como distintivo daqueles que veem o mundo através da lente da luta de classes. Com Trotsky, Iná nos alerta que o fascismo só prospera em situações em que a classe trabalhadora está desarmada em todos os sentidos e nos instiga a apresentar as nossas armas diante da guerra ideológica em curso.
Fica o convite à escuta dessa nossa conversa.
Realização: Kênia Miranda, José Rodrigues e Alexandre Velden.
EDITORIAL 10/08/2020 - Atendendo aos apelos do empresariado, sedentos de lucro, e curvando-se a Bolsonaro, sedento de sangue, governadores e prefeitos retomam a circulação de pessoas e as atividades comerciais. A quota diária de sacrifício de seres humanos é o “novo normal”. Dessa maneira, atingimos, desde junho, um platô macabro que parece sem fim. Do alto da montanha de corpos, brada-se que “há leitos de UTIs disponíveis” destinados para todos que sofrerão os sintomas graves da doença. O objetivo principal, portanto, já não é mais salvar vidas do maior número possível de pessoas (o que só pode ser feito com isolamento social eficaz e testagem em massa), mas sim administrar as milhares de mortes sem que isso afete as atividades empresariais. No atual ritmo, chegaremos a 200 mil óbitos oficiais em meados de outubro. O cinismo e a degradação moral nas cúpulas governantes e da grande burguesia atingiram níveis de sordidez incalculáveis.
EDITORIAL 05/08/2020 - Reforma Tributária de Paulo Guedes beneficia banqueiros e não muda estrutura que penaliza os trabalhadores. Não importa qual parâmetro utilizar para contar a desigualdade social, o Brasil sempre figurará entre os mais desiguais do mundo. No Brasil, quanto mais dinheiro você tiver menos imposto você paga. Segundo pesquisa publicada pelo Ipea, os 10% mais ricos no país pagam um total de tributos de 21% se comparada a sua renda, enquanto que os 10% mais pobres pagam o equivalente a 32%. Por isto é fundamental que lutemos por uma Reforma Tributária progressiva, que seja solidária. É necessário tributar mais a alta renda, com aumentos de alíquotas no imposto de renda para os mais ricos e aumento da isenção na base da pirâmide. É necessário voltar a cobrar imposto de renda sobre dividendos. É urgente regulamentar a taxação sobre grandes fortunas e aumentar a tributação sobre heranças. E, por fim, criar uma taxação emergencial para bancos, a fim de financiarmos o combate à pandemia.
EDITORIAL 25/07/2020 - Vinte e cinco de julho é o dia latino-americano e caribenho da Mulher Negra. No Brasil, desde 2014, nessa data se comemora também o Dia Nacional Tereza de Benguela. Tereza, a rainha, viveu no século XVIII no Vale do Guaporé, no atual estado de Mato Grosso. Fez jus à linhagem de mulheres negras que protagonizaram a luta pela liberdade no período da escravização. Teresa de Benguela liderou o Quilombo de Quariterê, que resistiu da década de 1730 ao final do século e era reconhecido por abrigar negros e indígenas, relembrando a necessária relação de irmandade entre o povo negro e indígena no Brasil. Mas qual a importância de um dia específico para as mulheres negras? A resposta se encontra na permanente exclusão delas do acesso à sobrevivência digna no Brasil e em todas partes do mundo. Mas ao falarmos sobre essas mulheres, nos referimos também a uma potência histórica na organização da resistência social e na resiliência do povo brasileiro, que conformam um expressivo arcabouço de estratégias políticas na luta pela vida da maioria da população em nosso país.
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