No EP36, estreou o quadro "Segue o Fio" e o assunto começou no cinema: a primeira cinebiografia ficcional do Brasil — o filme do Bolsonaro, ainda sem nome definido (Dark Horse? Pangaré Noturno? Pangaré Sombrio?), que provavelmente nem estreia porque ignoraram os trâmites da Ancine.
A produção é uma framboesa de ouro garantida: roteiro escrito por um americano que recebeu links do Brasil Paralelo como se fossem notícia verdadeira, peruca de baile de carnaval num orçamento de 163 milhões, e a página um do roteiro vazado descrevendo o personagem como "alto, bonito, sorriso fácil, raciocínio rápido, fogoso e engraçado". A produtora se chama G.O.U.P. — leia em voz alta. Tudo remete a golpe.
Tem ainda a carreira televisiva completa de Mário Frias destrinchada — de Malhação a rei de novela bíblica com nome de antibiótico — e a fonte do dinheiro: Daniel Vorcaro, do Banco Master, preso pelo maior escândalo financeiro do país, que bancou mais de 90% do filme.
No segundo bloco, a tese mais urgente do ano: como os evangélicos estão adaptando a festa junina à própria realidade. A Festa do Não João (ou Seu João, pra não responsabilizarem o Seu João da esquina), com milho ungido, Pé de Varão (não é moleque, é homem), feito com "Amén-doim", sanduíche de Carne de Eva, buraco santificado, Correio Edificante e pescaria com varão: "cai, cai varão, aqui na redenção".
Ninguém resolve nada. Todo mundo ri muito. Leiam em voz alta, por favor.
Ex-Ex-Tricô é apresentado por Alessandra Siedschlag, Clara Averbuck e Lipe Basilio.