Por muito tempo, o juro básico no Brasil, a Selic, que está em 3% ao ano, irá ficar em patamares historicamente baixo. Essa é a opinião de Luiz Fernando Figueiredo, presidente da gestora Mauá Capital. Em entrevista aos jornalistas João Borges e Gustavo Paul, o executivo defende que o Banco Central seja mais agressivo nos cortes, até atingir um número em torno de 2% ao ano. Segundo Figueiredo, ex-diretor de Política Monetária do BC, essa redução é possível devido ao que chamou de “queda brutal” na demanda, causada pela epidemia da Covid-19, o que retira a pressão inflacionária sobre a economia. De acordo com o executivo, novas quedas na Selic também irão permitir uma manutenção mais barata da dívida brasileira, o que dará mais tempo ao governo e ao Congresso para retomarem a discussão da agenda de reformas fiscais, classificada por ele como “inescapável”. Mesmo vendo instabilidade do cenário político, que gera um prêmio de risco elevado nos ativos brasileiros, Figueiredo afirma que a população hoje defende a redução do tamanho do Estado: “tenho a impressão de que o País vai se mover nessa direção”.