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Or


Criações
são constantes construções
cravadas na utopia
no felizardo dia, aniversário,
sai da crica a criança que cria universos perfeitos,
onde não há crime
nem quem queira ser cruel
Criar uma canção,
mais belo louvor,
em que a dor não tem começo
nem tem fim o amor
Construções
são sonhos que acorrentamos no baú,
escondido no porão mais profundo
que sacoleja na ansiedade sublime de explodir
Meus dedos são ocos
de tantos socos que
os meus dedos são
como são ocas as
os meus dedos são
como ocas são as
os meus dedos são
como é o oco tudo
meus dedos são
como é o oco o meu
que não admite ser
outra coisa além de
um amontoado de
eu sou oco e não me
ser oco é destino
do homem que nega o
A sua beleza é natural,
a natura que dura no brilho do seu olhar
naturaliza a beleza
que a natureza já não pode mais mostrar;
quando ficamos sozinhos,
na nossa cama,
de todo jeito inflama,
o amor se faz torrencial;
na mimosidade dos carinhos,
penteando os seus cachos com o nariz
eu que tudo sabia, me torno aprendiz
na melodia dos afagos, fico a pensar
no quanto de defeito que há
no obsessivo perfeito que o homem tenta recriar
devastando tudo;
num pigarro bruto,
o pássaro mudo não consegue chiar
o esfacelamento das conchas do mar
morreu sem conseguir avisar,
tossindo fumaça de gasolina
e nesse caos apocalíptico
você é a luz que me fascina,
a esperança que me contamina nessa terra de penitência,
o mundo se perdeu da própria essência,
mas a delicadeza dos seus gestos
me faz esquecer a crise global
a minha própria crise existencial,
a prescrição dos manifestos,
o meu senso crítico;
a nossa paixão toma conta do ar
Eu acredito que não estou apaixonado por você
mas
vis à vis
tête à tête
nós dois no chão da quitinete
tudo muda e o meu mundo gira entorno do seu ser
mesmo que você não queira ser
minha namorada
mesmo que essa história seja
uma réplica do roteiro de “Vidas passadas”
mesmo que esse amor seja
uma tiririca que brotou entre as ruínas
é inegável a magia de olhar no fundo das suas retinas
Às vezes a execução desmantela a inspiração
o pensamento singelo
que desenha um lindo castelo
nas curvas da massa
a emoção que o coração não pulsa,
a mente inventa;
o desespero se compulsa
quando os sentidos percebem
o que realidade não sustenta;
os olhos devem
um brilho de luz à memória;
o nerd esquisito
sente no coração o sopro do apito
e mas a ansiedade mais alto começa palpitar,
em vão repete a mesma história,
a incansável vergonha de amar
No oriente,
terra nascente
No horizonte,
o sol
No ventre,
a civilização
Nas frestas das janelas,
o vento soprou primeiro
No oco das flautas,
o sopro encontrou o som
No oco das armas,
a pólvora encontrou a explosão,
No oco dos cachimbos,
o ópio encontrou a combustão
Eu corro,
corro,
mais de mil léguas percorro,
porém continuo deitado
desatino fadado
nunca consigo alcançar o dragão
Preciso voltar pra minha cidade,
preciso visitar as minhas promessas descumpridas
Hoje eu vi o meu reflexo na vitrine de uma loja e me assustei,
tudo parecia tão diferente mesmo sendo igual,
eu me tornei algo que nunca imaginei que iria virar
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