tão consumido pelo rancor que ficou mais leve que o ar;
Ressecado por dentro como se só bebesse água do mar,
às portas do Paraíso negado,
e pelas nuvens ousava velejar;
uma sombra de céu desimportante;
mesmo sem vida, não estava necrosado,
mesmo nu, não estava despido,
tinha flechas de paixão e não era desejado,
tinha charme e não era aprumado,
tinha voz e não era ouvido,
por todos os cantos atacado,
tinha fama e era desconhecido,
tinha cama e não satisfazia a libido,
era divertido de tão sério,
enigmático de tão pouco misterioso,
tinha boca e não beijava,
um sexo que a outro não colava;
sozinho de homens e mulheres,
ficou com a companhia das nuvens,
tornou-se amante da chuva
e se sentia orgulhoso de ouvir seus trovões,
e deixava sua pele morta virar coral
É uma fragata que não rouba peixes, mas pedaços de azul,
a cada pontada de maior vigor,
indelével, vai sobrevoando como um esquilo voador,
tentando fugir da própria dor