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Or


Não sei se você já teve a sensação
de encontrar uma paixão antiga depois de muitos anos,
quando o tempo passa,
o amor fica parecendo uma catapora,
não se sabe explicar por que veio,
nem como foi embora
Sete minutos pro metrô chegar!
Puta que pariu!
Ahhhhhh...
Ah, vambora,
como que o tempo passa devagar!
A culpa é minha,
eu que sempre tô atrasado,
acho que quando eu for bem velho e tiver perto da morte,
eu vou me arrepender de todos os momentos em que eu quis que o tempo passasse mais rápido
Quando você chega à faculdade,
descobre que nada do que você aprendeu na escola serve;
quando você à vida propriamente dita,
descobre que nada do que você aprendeu na faculdade serve
Rir é como voar,
a realidade por alguns segundos se abandona,
pelos defeitos que a piada abona
Rir é como mastigar
um pedaço de alívio
Eu não falo mais das minhas dores,
porque pra mim já deu,
se a mágoa continua,
deixo que lateje muda,
não existe nenhum mérito, nenhuma vantagem em sofrer
mas não há por que falar,
não me importo que me chamem de fraco,
é só que não quero ruminar,
faço do silêncio uma lâmina cortante,
para estancar o meu sofrimento
Na terra onde nasceu,
onde viu o avô
onde quando
onde a tudo podia pertencer
Pelas ruas da metrópole
viu passado se perder,
ao voltar para casa,
casa não podia ser
Do anjo viu a asa
voar e se perder,
após um seco gole
pôs-se a dizer
“Nada disso aqui é meu,
nada aqui pode crescer,
a inocência do
o sonho perdeu a hora de nascer
Não preciso que ninguém me diga mais nada!
Eu me cansei dessa palhaçada!
Perdi toda a ingenuidade que tinha...
Todo mundo já sabe de tudo
e é por isso que nos debates fico mudo;
se for pra ficar com a arrogância dos outros,
eu prefiro a minha,
o meu caminho eu mesmo ilumino,
se errar é humano,
eu sou divino
Sou fruto da heresia,
acidente social,
banho de ironia
e não sei ser banal;
com o que parece absurdo flerto,
um sonho absorto enxerto,
não posso me “corrigir”,
sei que ódio desperto,
mas não consigo me reprimir;
minha verdadeira alma, liberto
irritantes, meus questionamentos ateus,
ignoro as manias de tradições mortas
sou a caligrafia de “Deus”,
quando escreve sobre linhas tortas,
nunca me concerto,
por “polêmicas” sempre marcado,
coberto;
sou e serei todo errado,
Você pensou que eu fosse alguém,
eu sou só o pedaço
dum homem que se partiu
e não morreu
Se o escuro fosse um fragmento de papel roxo
e os seus lábios fossem traços de giz branco,
inebriantes, tomassem conta da minha boca
e me impedissem de ser tão franco,
tão cruel comigo mesmo,
quem sabe eu fosse mais do que um sopro pode carregar
Se a minha cama fosse o fundo do poço
e você fosse a minha corda,
talvez seria menos difícil levantar todas as manhãs;
mas por que você quer erguer essa carcaça quase morta?
Com tantos apartamentos,
por que bater à minha porta?
Se eu fosse mais que um amontoado caótico de gelo,
você poderia mergulhar em mim,
nadar sem ter bordas,
e não se preocupar com o fim
Se eu ainda tivesse as minhas asas de anjo,
fosse feliz como quando eu era criança
e tinha um redemoinho no cabelo,
eu saciaria seu desejo voar,
quiçá teria contigo um filho
que não gosta de posar para fotos
Se eu não fosse um miserável
te amaria profundamente
e não tentaria me afastar de ti,
te mandar embora;
se não fosse mais que pó,
agora
estaríamos juntos,
entrelaçados num abraço nu
que só se desmancharia no sol nascente,
um daqueles com os mais bonitos raios
que não iluminam uma sessão de fotos no Instagram;
seríamos o instante
desentercedido de passado ou futuro,
seríamos na infinitude momentânea,
a pura sensação de viver
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