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Or


Preciso mergulhar,
me perder na imensidão do mar,
mas o medo me impede de pular do cais;
dizei-me vós,
ó virgem proibida,
sereia tingida
de corais
em todos os mares conhecida;
dizei-me, minha sereia, o que eu seria?
O que me espera na curva da baía?
Quando chegará o momento
do fim meu tormento?
Quando terei um amor que dura mais que um dia?
Um amor que não se deixa carcomer pela maresia;
eu tive um sonho e nele você me dizia
a verdade que nunca pude ver,
eu conseguia,
conseguia enxergar o sol depois da nuvem escura
vencia a paúra
És na minha boca o mel,
duas línguas se encontrando no céu,
uma estória marcada no botaréu,
que sustenta minhas paredes;
és a água que mata minha sede,
que me alaga,
que lava a minha dor,
afoga toda mágoa
e me hidrata de amor
Es con esta sonrisa que me gusta verme,
porque pasados todos estos años,
pudo comprender que antes no me amaba,
al menos no por entero,
por el todo,
y no se puede amar a sí mismo de otra manera,
no tengas miedo de aquello que en ti encuentras,
a final de cuentas,
somos todos un conjunto indisociable de características,
las más altruistas,
las más individualistas,
que se juzguen malas o buenas,
son piedras que, sin distinción,
se ponen lado a lado,
surtidamiente, a cima y abajo
Yo no soy solo un pedazo,
soy un hombre constituido;
la luna también tiene su mitad oscura
y aún no deja de brillar,
no puedo dejar que mi lado sombrío
oculte mis emociones,
tome cuenta de mi alma
y no me dé vacaciones,
apague mi sonrisa,
Na minha casa há uma porta que eu não posso abrir,
por onde saiu um amor
para que não mais pudesse encontrá-lo,
fechou a porta à chave,
fechou a cadeado;
um amor de ciúmes enredado,
desenganado fugiu,
e eu fiquei como um gato miando para um inseto
pousado no inalcançável teto;
desilusão,
disparate;
caso essa paixão
um dia me mate,
antes de ir
quero ver o que tem atrás dessa porta,
uma vez a vida morta,
Necesito huir de este mundo,
partir para un universo que sea mío,
que sea creado por mí,
en que yo sea su dios
y este mundo se hará
con mi pasión,
con mi sabiduría,
con mis sueños,
mis deseos,
pero también,
con mi rabia,
mi mal humor,
mis hipocresías
Ya que estoy condenado a vivir solo,
a morir solo,
mi único lujo se transformaría
en ser dueño de mi propio universo,
de mi propia cárcel
como Pablo Escobar,
comandar a mi sueños
Construí uma fortaleza dentro de mim,
com muros de pedra que parecem não ter fim,
canhões,
trombetas
e flechas,
guardas com sabres de marfim
não há espiões,
julietas,
ou brechas
e os disparos não são de festim
No alto da torre
fico distante de tudo,
não me alcança a ruindade,
os insultos não me ferem,
os elogios não me envaidecem,
os caçadores ainda me perseguem,
mas logo me esquecem,
não me alcançam:
a falsidade,
a inveja,
o ciúme,
não me alcança a bondade,
amor,
ternura
e ombridade
não chegam ao cume,
longe dos tormentos
numa vida sem saliva e sem sabor
faço dos meus imparáveis pensamentos,
um ninho
não me alcançam as pessoas,
eu moro sozinho,
não me atinge o calor
e eu morro sozinho,
pois o frio me congela
Entre as paredes do meu quarto
eu vejo o mundo por inteiro,
o seu relevo,
as suas marcas,
as suas cores,
suas línguas,
seu passado,
seu presente
e prevejo seu futuro
Entre as paredes do meu quarto
eu decido os rumos do destino
seja da humanidade
ou da minha vida;
entre as paredes do meu quarto
eu conheço a verdade não lida;
entre as paredes do meu quarto
eu escrevo,
eu me descrevo,
declamo,
eu me amo,
eu me odeio,
enlouqueço
e me esqueço,
canto,
danço,
fico nu,
entre as paredes do meu quarto
sou um espetáculo sem plateia,
sou piada sem riso,
orgasmo sem gemido,
filosofia sem discípulo
livro sem leitor,
sou bondade,
maldade
e dor,
sou estória sem personagem,
sou miragem,
real e absurdo,
sou aquele que penso e que existo,
sou aquele de quem nunca desisto,
aquele que me permito
Entre as paredes do meu quarto,
no silêncio que sou,
posso me ouvir,
profiro nomes de homens e mulheres,
amo,
desamo,
traço paixões,
traço os contornos das minhas imaginações;
entre as paredes do meu quarto,
eu me agito,
eu grito,
suspiro,
eu tremo,
eu treino,
canso,
descanso,
alcanço
e sozinho
Entre as paredes do meu quarto
eu penso
e esqueço de viver
Não quero guaraná,
não quero café,
não quero coca-cola,
nem adianta vir com chocolate,
não quero doce,
não quero rapé,
não quero cocaína,
pois me perco na instante infinitude do orgasmo,
eu me desfaço no espasmo,
eu me descompasso
e pareço um astronauta perdido no espaço,
o meu corpo é meu entorpecente
meu desejo é fugaz
e despedaça todos os meus ais
Parece um grande fetiche,
mas é só sexo ruim,
talvez uma madrugada em São Paulo,
o nosso cansaço mental nasce de discussões hipotéticas,
tamanha é a nossa solidão,
visceral
vício
de querer a resposta certa para a discussão que perdemos
Faz muito tempo que não sonho
da última vez nem me lembro,
acho que nunca aconteceu,
era uma mania dos meu pais,
eles tinham lágrimas exatas
sonhos bem definidos,
decepções tão acertadas
elas já estão acostumados e por isso não pensam no divórcio,
nem no amor-próprio, nem nisso,
os filhos vieram e os sonhos se foram,
o eterno ciclo de “dar um jeito”,
mas se a minha ambição fosse tão forte
quanto os desejos que eles tinham,
eu me levantaria dessa cama
e correria a cidade inteira,
faz tempo que não
faz tanto tempo que fui são, que nem posso me declarar doente,
eu sempre fui ausente e por isso ela agora tá com outro
ele não tinha amor, mas abriu os braços,
ofereceu abrigo e proteção
É tanta inércia que eu nem sinto a minha dor,
eu poderia listar uma série de substantivos
que não fazem muito sentido, mas rimam,
me limito a dizer que ela tava certa,
lá em casa tem um poço
Tudo ao meu redor o celular captura,
eu não vivo a realidade, só a disruptura
nada dura
mais que trinta segundos
e nem um segundo a mais
Ô Cride, fala pra mãe
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