Felipe Simão - Poesias

Felipe Simão - Poesias

By Felipe SimãoArtsBooks
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Felipe Simão - Poesias episodes

  • 7 - Sereia

    Preciso mergulhar,

    me perder na imensidão do mar,

    mas o medo me impede de pular do cais;

    dizei-me vós,

    ó virgem proibida,

    sereia tingida

    de corais

    em todos os mares conhecida;

    dizei-me, minha sereia, o que eu seria?

    O que me espera na curva da baía?

    Quando chegará o momento

    do fim meu tormento?

    Quando terei um amor que dura mais que um dia?

    Um amor que não se deixa carcomer pela maresia;

    eu tive um sonho e nele você me dizia

    a verdade que nunca pude ver,

    eu conseguia,

    conseguia enxergar o sol depois da nuvem escura

    vencia a paúra

    e começava a viver

    2 min
  • 6 - Água

    És na minha boca o mel,

    duas línguas se encontrando no céu,

    uma estória marcada no botaréu,

    que sustenta minhas paredes;

    és a água que mata minha sede,

    que me alaga,

    que lava a minha dor,

    afoga toda mágoa

    e me hidrata de amor

    1 min
  • 5 - Mi sonrisa

    Es con esta sonrisa que me gusta verme,

    porque pasados todos estos años,

    pudo comprender que antes no me amaba,

    al menos no por entero,

    por el todo,

    y no se puede amar a sí mismo de otra manera,

    no tengas miedo de aquello que en ti encuentras,

    a final de cuentas,

    somos todos un conjunto indisociable de características,

    las más altruistas,

    las más individualistas,

    que se juzguen malas o buenas,

    son piedras que, sin distinción,

    se ponen lado a lado,

    surtidamiente, a cima y abajo

     

    Yo no soy solo un pedazo,

    soy un hombre constituido;

    la luna también tiene su mitad oscura

    y aún no deja de brillar,

    no puedo dejar que mi lado sombrío

    oculte mis emociones,

    tome cuenta de mi alma

    y no me dé vacaciones,

    apague mi sonrisa,

    y que esta sonrisa deje de iluminar otros corazones

    2 min
  • 4 - A porta

    Na minha casa há uma porta que eu não posso abrir,

    por onde saiu um amor

    para que não mais pudesse encontrá-lo,

    fechou a porta à chave,

    fechou a cadeado;

    um amor de ciúmes enredado,

    desenganado fugiu,

    e eu fiquei como um gato miando para um inseto

    pousado no inalcançável teto;

    desilusão,

    disparate;

    caso essa paixão

    um dia me mate,

    antes de ir

    quero ver o que tem atrás dessa porta,

    uma vez a vida morta,

    eu só quero é sorrir

    1 min
  • 3 - Pablo Escobar

    Necesito huir de este mundo,

    partir para un universo que sea mío,

    que sea creado por mí,

    en que yo sea su dios

    y este mundo se hará

    con mi pasión,

    con mi sabiduría,

    con mis sueños,

    mis deseos,

    pero también,

    con mi rabia,

    mi mal humor,

    mis hipocresías

     

    Ya que estoy condenado a vivir solo,

    a morir solo,

    mi único lujo se transformaría

    en ser dueño de mi propio universo,

    de mi propia cárcel

    como Pablo Escobar,

    comandar a mi sueños

    como Neptuno controla el mar

    1 min
  • 2 - Castelo de gelo

    Construí uma fortaleza dentro de mim,

    com muros de pedra que parecem não ter fim,

    canhões,

    trombetas

    e flechas,

    guardas com sabres de marfim

    não há espiões,

    julietas,

    ou brechas

    e os disparos não são de festim

     

    No alto da torre

    fico distante de tudo,

    não me alcança a ruindade,

    os insultos não me ferem,

    os elogios não me envaidecem,

    os caçadores ainda me perseguem,

    mas logo me esquecem,

    não me alcançam:

    a falsidade,

    a inveja,

    o ciúme,

    não me alcança a bondade,

    amor,

    ternura

    e ombridade

    não chegam ao cume,

    longe dos tormentos

    numa vida sem saliva e sem sabor

    faço dos meus imparáveis pensamentos,

    um ninho

    não me alcançam as pessoas,

    eu moro sozinho,

    não me atinge o calor

    e eu morro sozinho,

    pois o frio me congela

    e não há vapor

    2 min
  • 1 - Meu pequeno mundo

    Entre as paredes do meu quarto

    eu vejo o mundo por inteiro,

    o seu relevo,

    as suas marcas,

    as suas cores,

    suas línguas,

    seu passado,

    seu presente

    e prevejo seu futuro

     

    Entre as paredes do meu quarto

    eu decido os rumos do destino

    seja da humanidade

    ou da minha vida;

    entre as paredes do meu quarto

    eu conheço a verdade não lida;

    entre as paredes do meu quarto

    eu escrevo,

    eu me descrevo,

    declamo,

    eu me amo,

    eu me odeio,

    enlouqueço

    e me esqueço,

    canto,

    danço,

    fico nu,

    entre as paredes do meu quarto

    sou um espetáculo sem plateia,

    sou piada sem riso,

    orgasmo sem gemido,

    filosofia sem discípulo

    livro sem leitor,

    sou bondade,

    maldade

    e dor,

    sou estória sem personagem,

    sou miragem,

    real e absurdo,

    sou aquele que penso e que existo,

    sou aquele de quem nunca desisto,

    aquele que me permito

     

    Entre as paredes do meu quarto,

    no silêncio que sou,

    posso me ouvir,

    profiro nomes de homens e mulheres,

    amo,

    desamo,

    traço paixões,

    traço os contornos das minhas imaginações;

    entre as paredes do meu quarto,

    eu me agito,

    eu grito,

    suspiro,

    eu tremo,

    eu treino,

    canso,

    descanso,

    alcanço

    e sozinho

     

    Entre as paredes do meu quarto

    eu penso

    e esqueço de viver

    2 min
  • 10 - Corpo entorpecente

    Não quero guaraná,

    não quero café,

    não quero coca-cola,

    nem adianta vir com chocolate,

    não quero doce,

    não quero rapé,

    não quero cocaína,

    pois me perco na instante infinitude do orgasmo,

    eu me desfaço no espasmo,

    eu me descompasso

    e pareço um astronauta perdido no espaço,

    o meu corpo é meu entorpecente

    meu desejo é fugaz

    e despedaça todos os meus ais

    1 min
  • 9 - Pais e seus Renatos

    Parece um grande fetiche,

    mas é só sexo ruim,

    talvez uma madrugada em São Paulo,

    o nosso cansaço mental nasce de discussões hipotéticas,

    tamanha é a nossa solidão,

    visceral

    vício

    de querer a resposta certa para a discussão que perdemos


    Faz muito tempo que não sonho

    da última vez nem me lembro,

    acho que nunca aconteceu,

    era uma mania dos meu pais,

    eles tinham lágrimas exatas

    sonhos bem definidos,

    decepções tão acertadas

    elas já estão acostumados e por isso não pensam no divórcio,

    nem no amor-próprio, nem nisso,

    os filhos vieram e os sonhos se foram,

    o eterno ciclo de “dar um jeito”,

    mas se a minha ambição fosse tão forte

    quanto os desejos que eles tinham,

    eu me levantaria dessa cama

    e correria a cidade inteira,

    faz tempo que não

    penso em nada, perdi a criatividade,

    faz tanto tempo que fui são, que nem posso me declarar doente,

    eu sempre fui ausente e por isso ela agora tá com outro

    ele não tinha amor, mas abriu os braços,

    ofereceu abrigo e proteção

     

    É tanta inércia que eu nem sinto a minha dor,

    eu poderia listar uma série de substantivos

    que não fazem muito sentido, mas rimam,

    me limito a dizer que ela tava certa,

    lá em casa tem um poço

    e a água tem gosto de merda

    2 min
  • 8 - Cride

    Tudo ao meu redor o celular captura,

    eu não vivo a realidade, só a disruptura

    nada dura

    mais que trinta segundos

    e nem um segundo a mais

    Ô Cride, fala pra mãe

    é que o Tik Tok me deixou burro demais

    1 min

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