Às vezes parece que tudo vai virar poesia,
que a inspiração se esconde em cada esquina,
pela força de compor um verso,
quem sabe até uma estrofe;
com papel e caneta à mão,
craveja na folha a mais fustigante aflição
Às vezes parece que tudo vai virar poesia,
mas a vida é feita de tédio,
com intervalos de emoção;
às vezes parece que toda rima vai virar poema,
que todo riso vai virar cena
de livro e depois de filme no cinema,
às vezes parece que não haverá dilema,
que não importa o tamanho do problema,
ou qualquer outra coisa que chateia;
cidadão livre e cada sua estória,
mas de fastio fez-se a vida,
e tudo vira palavra não dita,
mas enquanto as palavras não faltam,
a percepção não se perde,
e as estórias não deixam de acontecer,
de papel e caneta até o amanhecer,
as letras correm o papel apressadas
e nem veem a lua desaparecer,
e as horas vão nos comendo minuto a minuto sem
e mesmo quando eu me for, ela ainda estará aqui,
será um clarão no escuro,
enquanto houver alguém para conhecê-la,
no seu sentimento perpassar o momento mais duro,
a resignação de que a maior parte da vida é antoja,
presencialidade de sentido vazia,
à transcendência é um ataque,
saber que nem tudo vai virar poesia