Felipe Simão - Poesias

Felipe Simão - Poesias

By Felipe SimãoArtsBooks
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Felipe Simão - Poesias episodes

  • 7 - Antes de amar

    Perdi meu amor,

    antes de sentir no peito ardor

    antes de provocar com meu toque calor

    antes de encontrar nos seus braços fulgor,

    perdi meu amor antes de ter

    o que se ter

    para sentir dor

     

    Perdi meu amor,

    e o que me invade

    é a saudade do que não vivi

    daquilo que não senti,

    mas que poderia ter sentido,

    se algum houvesse nas suas desculpas

     

    Perdi meu amor,

    antes do sabor,

    antes do despudor,

    antes do meu corpo em sudor

    rolar com o seu na cama,

    antes de ouvir que ela me ama;

    perdi meu amor antes mesmo de amar,

    dentro de mim, um desejo se recusa a calar

    o beijo que nunca hei de provar

    1 min
  • 6 - Yasmin

    Com uma mentira branca

    que no bem-me-quer a pétala se arranca,

    fingi te conhecer

    para fingir te desconhecer

    se bem que não deixa de ser verdade,

    pois desde a faculdade,

    os meus olhos te conhecem,

    minhas lentes jamais te esquecem,

    sentada no outro lado da rua,

    tua pele alva, cor de lua,

    que eu queria que brilhasse,

    e iluminasse

    a minha madrugada,

    que fosse na minha escuridão alvorada,

    que de noite pudesse te amar,

    sem pensar

    em mais nada

     

    Yasmin,

    teu cheiro de jasmim,

    com meu olfato queria sentir,

    os teus sussurros na minha orelha ouvir,

    a minha pele tingir

    com teu batom cor de carmim,

    o teu sabor do desejo que arde em mim,

    queria nós dois assim,

    queria uma noite sem fim

    1 min
  • 5 - Eu te amo?

    Na minha cabeça eu te amo

    e desamo,

    fantoche duma alucinação que tolo sendo,

    de presunção estupendo,

    acredito poder controlar,

    evito pensar

    e às vezes até me esqueço da minha paixão,

    inutilmente me agarro à negação,

    não sei por que se dá a esse esforço minha mente,

    talvez seja só para que eu,

    vítima indefesa

    do amor teu,

    tenha sempre a deliciosa surpresa,

    de redescobrir o meu amor por ti

    numa inesperada hora,

    momento que percebo onde fica o aqui,

    desconfio,

    pois a paixão é vadia,

    desejo sem fio,

    e um dia

    vai embora,

    sai de casa sem deixar aviso,

    sem se importar com o prejuízo

    não se despede nem se demora,

    mas enquanto ela volta,

    enquanto me envolta,

    enquanto não se desfaz em pedaços,

    quero abrir os braços

    e brincar no paraíso

    2 min
  • 4 - Corda bamba

    Andamos pelas ruas nos esbarrando

    como se houvesse um ímã entre nós,

    somos bastante íntimos com as palavras quando estamos a

    sós,

    dois corpos que não conseguem ficar longe um do outro,

    você abusa da nossa intimidade,

    na presença de todos passa a mão na minha bunda,

    me puxa pelo braço,

    me exibe como um namorado postiço,

    a nossa relação é íngreme,

    não respeita fronteiras;

    veleja entre a amizade e a ousadia

    e já não se sabe o que é piada e o que é insinuação,

    se é amor puro ou combinado com tesão,

    a gente não sabe que passos dar nesse samba

    mas nenhum dos dois quer descer da corda bamba

    1 min
  • 3 - Eduarda

    Minha madrugada é viva

    na companhia dessa mulher altiva,

    Eduarda,

    menina carinhosa que no peito se guarda,

    criatura amável,

    admirável,

    a sua coragem de dizer

    aquilo tudo que sabe fazer;

    é mulher que se imposta,

    diz do que gosta,

    o que é gostoso,

    o que leva no seu gozo

    e que não quer esposo;

    é mulher independente

    de atitude, pra frente;

    ela é ao mesmo tempo anjinho e capeta,

    com o seu corpo de silhueta

    faz qualquer coração dar pirueta

     

    Sedutora,

    dominadora,

    submissa,

    que a luxúria atiça,

    do prazer, afeita,

    mulher que vicia,

    mulher plena que nunca sacia,

    mulher recatada,

    mulher desvairada,

    mulher refeita,

    mulher complicada e perfeita

    1 min
  • 2 - Eva recifense

    A sua voz é doce,

    sai mansinha

    lambuzando os lábios que eu tanto quero provar;

    nos teus divinos olhos verdes quero mergulhar

    e na sua infinitude,

    o seu mundo,

    o quanto mais eu me aprofundo,

    posso cada vez mais me esquecer,

    ser um homem refeito em você,

    me tornar um semideus,

    a quem não importa nem o tempo ou o espaço,

    desfazer todo tipo de embaraço

    na quentura do teu abraço,

    desconhecer as mazelas do mundo

    ouvindo seu sotaque pernambucano sussurrando no meu

    ouvido,

    acreditar em tudo que eu duvido

     

    Ah se você fosse mais que um sonho distante, lá de

    Recife,

    desejo que me excite,

    que da minha cabeça a muito custo se dissipe,

    você não seria só detentora destes versos,

    seria dona de mim,

    uma mulher tatuada por afagos diversos e prazeres sem

    fim,

    seríamos dois amantes curiosos como Adão e Eva,

    perdidos no próprio universo,

    dois vadios no jardim,

    mas desta vez sem cobra, espada ou fogo,

    sem “Deus” e seus moralismos

    sem qualquer tipo de anjo, sejam guerreiros ou querubins

    2 min
  • 1 - Menina do bistrô

    O que será que tenho para te dizer?

    O que posso te oferecer?

    Por que decidi este poema te escrever?

    Seria amor à primeira vista

    ou apenas um ardor oportunista?

    Seria um admirador altruísta

    ou apenas a falta de pudor que há em todo artista?

     

    Qual será o sabor

    dos teus lábios, à distância tão doces?

    Queria provar esse frescor,

    queria sentir o teu calor

    e te amar no despudor,

    que ao mundo dos delírios comigo fosses,

    menina por quem perco meus olhos no bistrô

    1 min
  • 42 - 16 de fevereiro

    Essa foi a minha primeira noite sem pesadelos, em dois meses;

    a vida urbana por si só já é um risco de morte,

    a vida familiar é um emaranhado de intrigas sem solução

    dia após dia perigas na beira do abismo

    e nessa desventura,

    matura a ideia de que os idealismos são sem razão

     

    Hoje é 16 de fevereiro,

    sexta feira,

    2024,

    e a única coisa que desejo,

    no fundo do meu peito,

    é paz

    1 min
  • 41 - Vereda

    Para dizer a verdade,

    percebo que esse caminho de linhas tortas

    não me levou a lugar nenhum,

    longe ou perto dos meus sonhos,

    continuo distante da realização,

    o caminho em si não me ensinou nenhuma lição

    sou eu que devo tirar as lições das estradas que escolhi

    1 min
  • 40 - Vislumbre

    Faz um ano que cheguei;

    a mulher por quem me apaixonei

    não é mais a mesma,

    Ipanema perdeu o vislumbre;

    a Lagoa

    a praia,

    o morro Dois Irmãos,

    são retoques de uma lembrança

    que exige novas demãos

    para não esmorecer com o tempo,

    como uma pintura em afresco;

    a clausura do apartamento já não parece desperdício,

    as aves exóticas já não me inspiram mais que os

    quero-queros e os pardais

    as amendoeiras têm menos encanto que as casuarinas;

    a minha terra é feia,

    mas lá ainda é permitido se olhar nos olhos;

    eu sigo aqui,

    de pupilas perdidas,

    ando pelas ruas sem me encantar,

    observando tudo com a pachorrência cotidiana

    que percorria as vias esburacadas de Santo Amaro;

    vendedores e pedintes já não me abordam,

    sequer me notam;

    talvez tudo esteja a mesma coisa,

    eu é que mudei,

    Ipanema me ensinou a admirar exibindo a sua beleza

    mas também me ensinou a fechar os olhos para o que não convém

    2 min

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