
Sign up to save your podcasts
Or


Criar um filho pode ser uma boa medida de quantificar a vida. Segundo o levantamento do Instituto Nacional de Vendas e Trade Marketing (Invent), para a Classe A, do dia em que se tem informação da vinda do herdeiro ou herdeira até o dia em que ele sai de casa e vai viver e sustentar sua vida, o gasto é de R$ 2.086 milhões.
Para as classes mais baixas o custo cai, mas não deixa de ser salgado. A Classe C tem um gasto de R$ 407 mil e a D, R$ 53,7 mil. Ter um filho, para a maioria dos pais, não tem esta lógica como determinante. Não é calculado os gastos diários dos filhos e depois somem para ver o tamanho do rombo que se proliferam nesta vida. O amor fala mais alto. Mas, o gasto é real.
O que precisamos ter claro é que o valor da vida pode ser medido. Não podemos desprezar a existência e ver o número de pessoas que estão morrendo por causa da Covid-19 como algo irrelevante. A emoção dá o dom do peso da perda.
Contudo, se queremos ter uma percepção monetária da existência, ela também pode ser feita. Tolice considerar que a morte das pessoas ou mesmo a condição de debilitação da saúde por causa da Covid-19 não trará prejuízo a sociedade.
O custo de atendimento, os gastos com internações e as perdas que o capital humano gera com sua paralisação temporária ou morte, tem um custo maior do que o isolamento, a suspensão de atividades. Subsidiar pessoas e empresas pode ajudar neste momento.
Uma pesquisa da Robert Half com 1.500 executivos mostra que o home-office veio para ficar. Se não em sua forma plena, o híbrido deve ser uma permanência nas empresas. Algumas já se preparam para a redução de espaço e também a transformação do ambiente profissional em algo próximo ao que se tem na vida doméstica.
Depois de um ano de pandemia, a grande maioria das pessoas que estão em home-office já conseguem fazer um balanço dos benefícios e malefícios da forma de trabalho. Muito ainda se tem que adequar para que seja produtiva a nova forma de trabalho.
A relação com os parceiros de trabalho ainda tem que ser afinada. O processo de integração e avaliação de resultados tem que ter uma participação mais sensível das pessoas. Muitos descobrem que a relação presencial do trabalho gera mais incentivo e comprometimento.
Outro dado importante, empresas mais horizontais na relação se adaptam melhor. As que têm menos chefes e mais parceiros de setor e projetos têm mais produtividade no home-office. Os líderes principalmente tiveram que se reinventar e terão que repensar suas práticas neste novo modelo.
O lado frágil da questão
Nem tudo é um mar de rosas no home-office. Há obstáculos a serem superados. Um deles, segundo a pesquisa, é a adaptação à condição de trabalho. Não podemos esquecer que temos uma geração inteira migrando para um novo ambiente de trabalho. Elas conviveram muito tempo com um espaço onde se encontravam fisicamente com seus parceiros, seus líderes e aprenderam a separar nos ambientes as funções.
Logo, para muitos, não é tão fácil a adaptação. Por isso, há resistência, estresse e depressão para uma parte dos trabalhadores em home-office. Segundo dados da Robert Half, 52% dos entrevistados que estão com o trabalho remoto dizem que tiveram piora na relação e acomodação do trabalho dentro do ambiente doméstico. 32% apontam o desequilíbrio mental, 16% por falta de feedback e orientação de gestores e 10% consideram que o espaço físico, em casa, não é adequado para o trabalho.
As empresas precisam estar atentas a isso. Gerar confiança no vínculo de trabalho é outra preocupação. Quem está em home-office se torna alguém distante do espaço de pertencimento. Logo, por mais que seja apenas uma sensação, acaba por temer a facilidade do desprendimento, da ruptura.
A jornada é longa para nos adaptarmos, mas é necessária. Uma nova relação de trabalho emerge para uma parte dos trabalhadores brasileiros. Contudo, não para sua grande maioria, afinal, estamos falando de 7,9 milhões de profissionais em home-office. Lembrando que o país tem mais de 93 milhões de pessoas em atividade formal ou informal.
A humanidade já viveu muitas crises. Algumas de grandes proporções. Guerras, acidentes naturais, pragas e pandemias. A que estamos vivendo não é a primeira e não será a última. Sempre estamos comparando a pandemia do novo coronavírus com outras que ocorreram antes. Há exageros, via de regra há o que se aprender com o passado, mas ele não é resposta definitiva para o presente.
Uma das crises que marcaram a história humana foi a Peste Negra (1346 a 1353), que assolou a Europa e levou a vida de um terço da população. Ela fez parte dos acontecimentos que ficaram conhecidos como crise do Século XIV.
Diante do desconhecimento do que provoca a morte, a também chamada Peste Bubônica, fazia crescer bulbos nas axilas e na virilha. Com a morte do infectado ocorrendo dias depois. Para parte considerável da população, tudo não passava de um castigo de Deus ou o próprio fim do mundo.
Em meio a medidas contraditórias, algumas assertivas e outras que pioravam a situação, os líderes locais tentavam conter a doença. Em muitos casos, os que eram infectados ficavam isolados em suas casas, com todos da família. O que aumentava a contaminação.
Monarcas tiveram preocupação com a higiene e levaram a ações mais coerentes, a limpeza das cidades. Isto porque a doença era transmitida por uma pulga que se alojava no pêlo dos ratos. Eles chegaram à Europa nos porões dos navios, junto com as mercadorias trazidas do oriente.
Na crise instalada e o desespero da população, há outra praga que sempre está presente, a “praga humana”. Diante do caos emerge os interesses mórbidos e a miopia de quem usa do momento de desordem para acertar contas com seus desafetos, expressar sua pobreza humana.
Logo, o radicalismo não é de hoje. Acompanha a falta de bom senso há muito tempo. As falas descabidas e agressões desmedidas que estamos assistindo são expressões dos ambientes onde o descontrole pessoal e pobreza espiritual aflora.
Me diga com que tu andas e te direi que és. Você já deve ter ouvido esta frase. E aquela, “quem desdenha quer”, Já ouviu? A primeira tem quem diga que está na Bíblia, mas não está não. Porém, há nela conselhos de que devemos cuidar com quem andamos e convivemos.
Lembrei-me de outra frase, “Quem anda com os porcos, acaba comendo farelo”. Realmente as nossas companhias falam muito de nós. Por isso, o chamado título da amizade que se distribui a torta e a direita nas redes sociais nada mais é do que a superficialidade de uma relação embalada com “papel de presente”.
Somos tão superficiais como os amigos que estabelecemos e podemos descartá-los, cancelá-los. O dedo que deleta também pode ser deletado.
Porém, não se esqueça, toda sentença dada fala mais de quem julga do que de quem é julgado. Em alguns casos, as sentenças vem de quem menos se espera. O que mais assistimos hoje são os julgamentos, as críticas, as condenações. O radicalismo é quase sempre fruto de uma vingança pessoal misturada com o tema da relevância social. Um umbigo ganha tamanha importância para medir o mundo inteiro.
Por isso, tome cuidado com o que fala, olhe com quem você anda e aprenda quem você é. Descubra que seus valores são seus e que você pode não ser a melhor medida para todas as coisas. Antes de julgar, julgue a você mesmo. Quem sabe você não é merecedor da sentença que tanto distribui.
Entramos em pânico. A pandemia atinge índices alarmantes. O que fazer? Trágio. Contudo, é cômico. Se pensarmos que os poderes públicos agem no escuro. Tomam decisões sem certezas e apenas com especulações. Não sabemos com exatidão o número de contaminados. Não temos noção clara de onde ocorre o maior contágio.
Por outro lado, nossa formação é pouco dada à ciência. O conhecimento científico nunca foi a “nossa praia”. A academia é uma continuidade dos martírios da escola. Aprendemos a barganhar as situações e não a conhecer os problemas.
Para complementar nossa forma de enfrentar a pandemia, o Estado assume o papel de inimigo quando nos atrapalha em nossos interesses. E por muitas vezes ele nos atrapalha mesmo. A manutenção do poder é menos representativa em nossa história, autoritária e mais especulativa.
Nós gostamos das benesses do poder e aproveitamos de la quando podemos, só não nos acostumamos a construir a autoridade como possibilidade coletiva. Não participamos das decisões e nos irritamos com decisões tomadas.
Estamos tropeçando no nosso passado. Nas práticas que sempre dominaram nossas vidas e que a um custo elevado, nos traz traumas e nos faz pensar o verdadeiro sentido do que produzimos e praticamos. O que nos irrita no país hoje, é o perfil de nossas escolhas que acabam por prejudicar nossos interesses quando necessitamos do que não temos.
Revolta da Vacina (1904) é um bom exemplo
Se gosta de comparar a pandemia que estamos vivendo com a da Gripe Espanhola (1918). Eu prefiro comparar com a Revolta da Vacina. O levante popular contra a vacinação para combater a varíola. Por sinal, a doença já era uma velha conhecida da população brasileira. Assolava o país desde sua fundação.
Oswaldo Cruz, sanitarista e secretário de Saúde do Rio de Janeiro, defendia a obrigatoriedade de vacinação. Defendeu a votação pelo Congresso Nacional de uma lei que tornava obrigatória a imunização. Sob pena de impedir contratos de trabalho, matrículas escolares e, até mesmo, casamentos no civil.
A população se revoltou e a vacinação passou a ser vista pela maioria como uma estratégia do governo para matar a população pobre, principal alvo da campanha de imunização. Os boatos também consideravam que a vacina, fabricada a partir de substâncias extraídas de vacas doentes, faria com que a população começasse a ter “cara bovina”.
Nada de estranho do que temos hoje. Onde impera a dificuldade de entendimento do problema que estamos vivendo. Não, temos noção do mal que nos assola. No limite do conhecimento, parco, razo, fazemos deduções absurdas e distorcemos significativamente a realidade. Agimos mal por causa disso.
Por isso, tropeçamos em velhas práticas com meios modernos. Se antes, a ideia de extermínio coletivo através da vacinação na revolta de 1904 era propagada no boca a boca, hoje, com as redes sociais e a eficiência dos meios de comunicação, a mentira, o “fake” vai cada vez mais longe.
Por isso, a Covid-19 ainda é muito desconhecida em sua capacidade de contaminação e característica de infecção e comprometimento. Não temos muito claro como ela age dentro do organismo. Porém, a forma como lidamos com ela não é novidade. Já fizemos isso antes.
“Atento” à minha volta, vejo os objetos que me cercam, sou capaz de entender de onde eles vem? Sua fabricação e quantas pessoas estão envolvidas para que cada coisa que me cerca exista? A resposta para a grande maioria das coisas é não.
Max Weber, pensador alemão do final do Século XIX e início do Século XX considerava que na sociedade de mercado e no crescimento da produção em escala, com a divisão do trabalho e a racionalidade produtiva, o não saber a origem do que me rodeia é natural.
Contudo, saber que a ciência e a tecnologia são elementos fundamentais na produção da nossa vida, ter a racionalidade como condutora de nossos atos, são condições eficientes para a vida em sociedade. Porém, a razão não é um fator estimulante para nossa conduta. Não faço só por ser o certo, tenho que ter um sentimento por ser assertivo.
E, talvez, aí esteja o problema ou o centro da questão, a grande parte não conhece nada a sua volta, não tem racionalidade e o sentido de viver é fundado em um imediatismo ansioso. Este não é um mal só do Brasil. O mundo agoniza por falta de sentido. A pandemia apenas deixa isso mais claro.
Não conseguimos olhar muito longe, recebemos notícias de algo que vai além de onde moramos, não entendemos o que está à nossa volta. Fazemos parte de um mundo com influência de atos e reações globais e a grande maioria dos passivos ouvintes, destas informações distantes e próximas, não saem do lugar.
Nossa vida imediata nos cobra a manutenção do comportamento, hábitos e vícios. A vida complexa de coisas que não entendemos nos domina. Este mundo imenso que me traz notícias de longe e me fala do que é importante no meu dia a dia se perde sem significado.
Em meio a tudo isso, uma ironia, o ansioso, deseja movimento, quer sair. E, ironicamente, na sua vida de repetições e limites constantes, mal sai do lugar.
Muitas vezes os vitoriosos não têm o direito de se vangloriar. O mérito é do derrotado. O fracasso da competição elege um vencedor e não a eficiência do vencedor é o argumento principal para justificar a vitória.
Você já deve ter ouvido a paródia de que se pede para o candidato dar um passo para frente e o que acontece é que todos, menos um, dão um passo para trás. Quando isso acontece, o resultado não é o melhor, mas o distraído comum se elege em um momento que se precisa de coragem e eficiência.
Agora estão todos vendo emergir a velha opção. O ex-presidente Lula voltou. Uma parte da população considera que se fez justiça, outra parte considera que existe um bandido a solta, outra se sente perdida e pensa que há alguma coisa errada.
Se Lula está de volta e conseguiu sua vitória jurídica, foi uma conquista do ex-presidente ou o fracasso dos seus oponentes?
O que devemos lamentar não é a velha política, mas os erros de quem diz que faria a nova. Retrocedemos. E mais uma vez, mais do mesmo. Tanto que o velho voltou.
Respeitar os outros, considerar que não se sabe tudo e defender a dignidade alheia, não é abrir mão de seus próprios direitos. Para muitos, aqueles que respeitam os que não são respeitados são considerados otários.
Quantos que tratam como otários os que perdoam e respeitam os que humilham. Consideram-se fracos os que suportam situações humilhantes para defender o que acreditam. Nos tempos de radicalismo, qualquer busca de convivência sem imposição é sinal de submissão.
Pode parecer ridículo, mas grande parte dos que agridem são agredidos. Pessoas que têm falta de convicção e aprenderam que só tem valor os que expõem suas virtudes. Não percebem que virtuoso é o que não necessita anunciá-las pois os mais atentos percebem a riqueza de caráter e respeito pela simples convivência.
Não nascemos sabendo. Somos permanentemente incompletos. A verdade não é construída pela particularidade de um indivíduo. Ninguém em si detém a resposta para todas as coisas. Há o aprendizado constante e nos outros muito do que não sabemos. Logo, sou apenas uma parte da realidade que cerca. No humilde a dúvida é companhia constante mais que a certeza.
Contudo, se idolatra senhores da verdade. Nos apaixonamos pela estética afirmativa da resposta. Somos iludidos pela aparência do sucesso e consideramos que conquistas se resumem na materialidade do troféu. Esquecemos que se compra o símbolo da glória e se conquista a condição que glorifica a conduta do humilde.
No mundo recheado de aparências virtuosas, não se tem critério para perceber, reconhecer e valorizar a verdadeira virtude.
Para isso há um nome, puxa-saco. Aquele que sempre concorda e apoia a decisão do seu líder, por mais alucinada e desproporcional que ela seja. Na busca de atender aos seus interesses pessoais e descomprometida com a função da empresa, da instituição onde estão, seja pública ou privada.
O puxa-saco é um problema, mas visto por muitos chefes como solução. Temendo punição, buscando destaque, eliminando os concorrentes lúcidos, ele concorda e defende a ideia mais absurda e alimenta a cegueira de quem está à frente das pessoas.
Temos que aprender a conviver com posturas contrárias, criar um ambiente onde as pessoas participem e possam colocar ideias e análises nem sempre convergentes. Exatamente na oposição, críticas e contrariedades podem surgir soluções. Sempre lembrando que toda a crítica deve ser acompanhada de uma proposta de solução.
O dia que eliminarmos os puxa-sacos, vamos ter corporações e ações mais educativas, conscientes. Vamos aprender e ensinar. Ter a confiança de que a vida dentro dos ambientes de trabalho e convivência é um aprendizado. Crescer e aprender que não sabemos tudo e que nos outros há respostas e juntos elas são mais assertivas.
A vida é agora. Uma frase comum e que encanta muita gente. Vivemos para satisfazer o imediato, raramente se pensa nas consequências de nossos atos e o quanto o gosto do presente pode ser um desgosto com o tempo.
A exaltação do que está à nossa volta como “solução final” de consumo é constante. O apelo para realizar o mais ínfimo desejo nos atormenta o tempo todo. O prazer de se ter uma sensação intensa de prazer, por mais que de curta duração vale mais que a construção lenta e constante de uma estabilidade emocional.
Uma pesquisa da gestora de recursos, a BlacRock, mostra que 61% dos brasileiros têm como prioridade a qualidade de vida hoje. Em segundo lugar, com 55%, ficou a preocupação com a qualidade das férias e em terceiro, com 48%, manter o padrão de vida ao longo do tempo.
Não por acaso, sofremos em tempo de pandemia e temos um alto índice de ansiedade. Estamos jogando no imediato e desejamos respostas que venham agora. Nos colocamos no desespero do tempo curto e esquecemos que soluções duradouras são construções de longa data. Solidez se faz com o tempo.
Nosso problema com o presente é não ter percebido quando o passado já foi a condição de construir o que estamos vivendo hoje. Assim será com o futuro que se faz a cada dia. Estamos nuca constante, construindo o depois e na busca do que há de vir.
A racionalização da vida tem que considerar sua formação histórica. Simplificando, pensar o presente implica em entender o que já fizemos ao longo do tempo. Se nos conhecêssemos melhor, saberíamos agir com mais racionalidade diante do que pretendemos manter e mudar.
O presente é o tempo importante, mas ele é a contínua condição do passado que se constrói a cada segundo e o presente que se desmancha a todo o momento.
From the publisher's feed