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Promessas de que você será diferente, a pregação de que sua mente pode ser transformadora é só ter autoconvencimento. Você já deve ter se deparado com os vendedores de ilusão. Os discursos constantes de que pode-se resolver a vida estando convencido de que ela está resolvida.
Quando era mais jovem ainda me lembro dos inúmeros desenhos animados dos super-heróis que tinham poderes extraordinários e podiam resolver situações impossíveis. Um herói contra oito ou nove bandidos malfeitores que são vencidos de forma improvável. Mas, quem pode deter o ser humano de que infantilizado acredita ter superpoderes?
Criança, eu considerava que o super-herói era uma brincadeira gostosa de ilusão. A infância tem destas coisas, a gente pode imaginar por ainda não entender a complexidade das coisas. Logo, a inocência da pouca vida perdoa enxergar o que não existe. E quando se é adulto não deveríamos parar de brincar de super-heróis?
A infantilidade continua, a fase adulta não chega. Agora se pode adiar a maturidade pelo peso de ter que encarar a vida como ela é. Parte considerável dos falsos amadurecidos de hoje despencaram em choro e uma paralisia diante da realidade. Que pena. O que nos reserva o futuro diante disso?
Para piorar, a venda da ilusão. Os manuais de encarar a vida como brincadeira de criança continuam a solta. O manual da infantilidade está espalhado e tem vários autores. Cursos que terminam, e você pode acreditar, com os formandos no jardim de infância da autoajuda vestidos de super-heróis.
Tomados pelo sentimento do chamado “empoderamento” da ilusão, eles agem, falam, se auto intitulam como capazes de tudo. Vão caminhando às cegas, levam tombos por não enxergarem as pedras no caminho, mas parecem não acordar. Se destroem, perdem o que tem e nem sabem o que perderam. A realidade não perdoa quem vive sonhando.
Não tenho nada contra sonhar, isto nos move. O caminho até o sonho requer racionalidade e responsabilidade de compreender o que nos separa do que queremos. Assim que superamos limites, olhando o que somos e superando as dificuldades com atos coerentes diante de uma realidade da qual somos cientes.
As pessoas devem ser orientadas a entender a realidade. Seres humanos têm o poder de conhecer pela dúvida, entender pela consciência das capacidades e deficiências. Ser melhor é saber no que temos que melhorar. Na lógica de Platão há uma verdade, o conhecimento e a consciência sobre a verdade é um parto doloroso. Porém, ao final, se dá luz à vida.
Devemos aprender isso e não voltarmos à infância e brincar com coisa séria, o que muita gente tem feito e pago um preço caro quando se depara com a realidade.
Você já deve ter ouvido falar em sair da “zona de conforto”. Isto acontece quando estamos acostumados às mesmas práticas e perdemos a condição de reproduzi-las. Ainda mais aquelas que nos “agradam” e nos acomodam. Dois sintomas fatais para quem deseja mudança.
O disruptivo vai de encontro aos que romperam com a “zona de conforto” e foram além. O que costumamos chamar de inovação. O necessário feito de forma diferente e a novidade que vai além do que que é necessário.
Vamos explicar melhor isso. Quantos não perderam o emprego durante a pandemia? Por consequência estas pessoas perderam sua zona de conforto. A reprodução do confortável e cômodo se rompeu. Nesta horas que se torna vital ou fatal a forma como vamos responder ao problema que nos atinge.
Alguns apenas reagem, buscando no desespero uma forma de sobreviver, o chamado vale tudo. Já, outros, se elevam e tentam observar o contexto e a condição que vivem. Diante disso, agem de forma mais resolutiva, diria que inteligente. Os mais eficazes são os criativos.
Aqui é que estão os disruptivos, os que usam desta criatividade, de forma eficiente, para responder a um problema e ter sucesso no mercado. Crescer onde tudo indicava que se iria perecer.
Em muitos casos, mercados carentes podem ser uma oportunidade para se ser emergente. Um ambiente com inúmeras demandas é um campo fértil para elaborar e agir com resoluções. Na zona de conforto raramente criamos, apenas reproduzimos e lamentamos o porquê não se faz diferente.
O ponto de partida de ser disruptivo, inovador e criativo é ter ciência e consciência do que está a sua volta, como se diz na Antropologia, fazer do familiar um estranho e do estranho um familiar. Olha de forma diferente e atenta o que está à nossa volta. Perceber e reconhecer o que não se reconhecia antes. As ideias de mudança sempre nascem daquilo que estamos observando, analisando e entendendo de forma diferente.
Quando era pequeno, na porta da cozinha tinha fixado um calendário. A foto que o ilustrava era de Jesus Cristo, loiro e de olhos azuis. Ele era a estética perfeita ocidental, mas na escola aprendia que o estereótipo do homem do oriente médio, principalmente um palestino, era bem longe daquilo. Mas, o que importa não é a aparência se na essência Cristo era o máximo.
Claro que depois descobri que aquele cristo tinha sido feito à imagem e semelhança dos sonhos de quem o idealizou. Sua aparência ocidentalizada era mais uma intenção do que a expressão da realidade.
Descobri também que várias imagens que povoavam os livros de história eram fantasias construídas. A pintura dos bandeirantes, D. Pedro I proclamando a independência, enforcamento de Tiradentes e inúmeras outras seguiam a mesma tendência do Cristo na parede da minha infância. Pura propaganda estética.
Um dia imaginei que a ilusão estética fosse um mal. Que iria acabar. Acreditava que em determinado momento, a maturidade passaria a demonstrar que não podemos nos deixar levar pela aparência, devemos entender a essência. A partir daí o valor das pessoas e lugares podem ser analisados, interpretados e valorizados com mais coerência. Me enganei.
O tempo passou e as pessoas passaram a amar cada vez mais a ilusão. A imagem que um dia vi no calendário na cozinha e as inúmeras nos livros de história se multiplicaram. Com a internet e as páginas sociais percebi que todos amam fugir da realidade e desejar profundamente negar a verdade sobre si mesmos.
Logo, vivemos a "disfunção simbólica”, ou seja, tudo o que se vê não é. A realidade se fantasia e foge das nossas vistas. Saber como as pessoas são e o que realmente é o que se está vendo virou uma obra exaustante. Uma regra que contraria o que aprendi desde criança.
Cansativo e antiquado a idolatria a tecnologia como um diferencial das pessoas. Elas não melhoram por causa de inovações técnicas. Ninguém muda porque usa terno ou camiseta, pode ficar mais apresentável com a primeira vestimenta, até aparentar respeito. Contudo não é garantia de melhora de caráter.
Agora, a idolatria a tecnologia, como todos os méritos que tem para facilitar nossa vida e criar novas possibilidades, se torna um fim em si mesmo. Técnica é meio. O desenvolvimento de plataformas de comunicação, por exemplo, não fará o conteúdo do que é comunicado algo mais qualitativo.
Logo, não se iluda com as ofertas tecnológicas e a abundância de meios que estão sendo disponibilizados como solução. Elas podem nos dar imensas possibilidades, podem abranger conteúdos e acesso a fontes de informação. Há maneiras de obter diagnósticos, organizar ações e avaliar medidas, mas não há como melhorar os conteúdos com meios técnicos.
Seres humanos de má qualidade continuaram com ela, tendo tecnologia ou não. Pior, quando se dá aparatos técnicos ao um idiota você o potencializa, permite que a idiotice vá mais longe. Tecnologia para um mente limitada é dar uma arma para um ensandecido. Ampliamos um problema.
Em outro momento quero tocar em um tema ligado a tecnologia na atualidade, a oferta da facilitação. Oferecer um ambiente de aparentemente merecimento para quem se quer sabe bem onde está. Mas, esta é outra história.
A pandemia mudou o ambiente educacional. Alterou as condições de estudo e os meios que eles se processam. Alunos ligaram seus aplicativos em equipamentos eletrônicos como smartphones, tablets e computadores. Passaram a utilizar a internet para o ensino, um desejo de quem via os filhos mergulhados em conteúdos desvinculados à formação educacional.
Entrar em uma rede social, acessar conteúdos na rede mundial de computadores sempre esteve associado entre crianças e adolescentes a conteúdos pouco qualitativos. No lugar onde mais se mente e calunia-se um ser humano, raro achar algo útil. Mesmo tendo muito.
A educação avançou significativamente no mundo digital. Acelerou um processo que poderia se dar em cinco anos em um ou dois. Acompanhar algo tão rápido não é tarefa fácil e é preciso estar preparado. Quem estava?
As instituições de ensino estão se organizando para a retomada da educação especial. Algumas, percebem que não haverá mais o retorno ao modelo que existia antes da pandemia. O chamado ensino híbrido, a conciliação entre a educação a distância e presencial. O que não é uma tarefa fácil.
Um dos modelos bem sucedidos do chamado ensino híbrido é a HyFlex, híbrido flexível. Proposta que algumas instituições devem adotar. O modelo não é novo, iniciou sua formação nos Estados Unidos, na Universidade de São Francisco, em 2005. Em um curso de mestrado sobre tecnologia e educação.
Há uma estratégia que envolve alunos, professores e gestão educacional. Um investimento das instituições e qualificação de professores. Orientações e monitoramento dos alunos para que mantenham suas atividades em novas plataformas. Um processo que exige planejamento para ser implantada.
A questão é, quantos estão preparados para isso?
Os idealizadores do projeto colocam que os desafios para a implantação em uma instituição educacional é a falta de estrutura da instituição, onde se pretende implementar o ensino HyFlex. Outro ponto, os professores em grande parte não estão preparados para esta mudança, assim como, os alunos também têm dificuldade de lidar com este novo ambiente integrado, presencial e a distância.
Um dos pontos que chama a atenção no processo de implantação é o comportamento do aluno. Como ele vai reagir à mudança? Há quem considere que o ensino presencial será totalmente abandonado com o tempo. Os mais trágicos acreditam no aumento do abandono escolar, ou seja uma evasão maior dos alunos.
O que não se pode deixar de perceber é que para instituições públicas e alunos de baixa renda o desafio é ainda maior. O país tem uma exclusão digital que vai nos custar cada vez mais caro e pode ser um fosso imenso condenando o futuro de muitas crianças, adolescentes e jovens.
Porém, que a mudança veio para ficar, veio. Não se pode negar seus efeitos. Não teremos mais a mesma educação que tínhamos antes da pandemia.
A democracia é o pior governo, com exceção de todos as demais formas. Esta afirmação é atribuída a Winston Churchill. O ex-primeiro ministro britânico que dirigiu seu país em um dos piores momentos da história, a Segunda Guerra Mundial (1939 a 1945) tem sua razão. A questão mais difícil da democracia e sua maior beleza repousa na escolha. A liberdade pesa.
O peso é proporcional a consciência das escolhas que fazemos e a responsabilidade que temos em cada escolha feita. Ao fazermos uma opção, abraçamos com ela todas as consequências. Porque as escolhas têm consequências.
Os melhores seres humanos e os que se adaptam melhor a esta forma de governo, são aqueles que têm ciência da consequência das suas escolhas. Conhecem o ambiente e as relações onde as escolhas são feitas. Logo, a liberdade não é para qualquer um.
Não podemos deixar de admitir que a responsabilidade pela liberdade repousa na maturidade e consciência da função que se exerce. Expressamos nossos valores e capacidade nos atos. Nossa precariedade também fica evidente.
Se abominamos nossas escolhas na democracia, se criticamos o escolhido, logo, estamos diante do resultado de nossos atos, da obra que ajudamos a construir. Ao ofender aquele que governa e lhe apontar todos os problemas de conduta, estamos apontando o dedo para nós mesmos e de forma democrática e amarga estamos diante de nossos limites. Por isso, muitos preferem que alguém escolha por ele. Um ato infantil para quem não suporta a liberdade ou tem suas consequências.
Uma crise tem que ser superada. Mas o potencial de reação é de cada um. Nem todos têm a mesma condição diante do mesmo problema. Saber superar a crise gera um diferencial fundamental para que as coisas passem mais rápido. Seja na vida pessoal ou profissional, seja nas ações de uma liderança pública ou privada à frente de um problema.
Contar com pessoas mais qualificadas geram soluções mais rápidas. Estar em um ambiente onde o planejamento é uma prática, por exemplo, é um bom sinal. Atos pensados para superar um problema objetivo. Algo raro na nossa cultura.
O acaso sempre foi a aposta da maioria dos brasileiros, deixar que a vida corra e que um dia atrás do outros nos traga uma resposta. A espera de um milagre que raramente ocorre. Porém, não se assume a culpa do que não se fez e se transfere a responsabilidade para o destino, a falta de investimento do poder público, assumir a responsabilidade de não ter se preparado jamais.
Temos que assumir as rédeas da vida em nossas mãos. Não adianta considerar que o contexto nos condena se nosso ato não registra a luta pela mudança. Se temos que mudar há que se agir. Todo o comportamento no sentido contrário a situação que enfrentamos fará um efeito, por menor que seja. Logo, haverá oportunidades. Ficar inerte de nada vale, apenas apoiamos o fluxo das coisas que tanto condenamos, verbalmente.
Deixe com seus atos o registro de suas defesas, o que você realmente deseja. Marque com seu comportamento a sua posição. Mais do que palavras, a ação demonstra nossos valores e a capacidade de lutar por eles.
Problemas, todos tem. Você já deve ter ouvido esta frase. O que diferencia as pessoas diante dos obstáculos? A forma como elas lidam com os impasses e suas diferentes proporções.
Temos em regra aqueles que fogem do problema. Desviam a rota de colisão e tentam, de todas as maneiras, gerar uma “ilusão” de que não existe com o que se preocupar.
Problemas se acumulam e podem se tornar uma bola de neve. Ficar desatentos e ignorá-los, com o tempo, os levam a se tornar uma bola de neve e mais difíceis de se enfrentar. Ficam maior do que nossa capacidade de controlar. Pior, pode nos atropelar.
Contudo não podemos apenas reagir aos problemas. Por mais que, de certa forma, não estamos ignorando. Reações, em especial emotivas, demonstram que somos sensíveis ao que acontece e pouco cientes do que está acontecendo. Não contextualizamos e percebemos de forma ampla os fatores que envolve a questão que nos angustia.
Por fim, a melhor saída é resolver. Enfrentar de maneira inteligente para dar um fim ao que nos limita sem colocar em risco as condições que nos sustentam. Como diz o outro, não perder a cabeça por pouca coisa.
Resolver de forma inteligente é perceber que um problema que enfrentamos pode ser causa ou consequência. Ser o núcleo, a raiz de outras angústias, ou apenas um reflexo de um problema maior. E aí repousa a inteligência para resolver as coisas.
Em determinados lugares onde impera a visão estreita, toda e qualquer diferença é tratada como opositora, antagonismo, um inimigo a ser combatido. A busca de considerarmos que tudo aquilo que não se encaixa na nossa visão de “normalidade” deve ser exterminado facilita a condução da vida de quem deseja permanecer o mesmo ao longo do tempo.
O que assistimos com Donald Trump nos Estados Unidos da América é isso. Mesmo na democracia considerada a mais tradicional do mundo, um momento de insensatez ocorre. Ninguém imaginava com tanto radicalismo. Os defensores de Trump que invadiram o Capitólio demonstraram que estavam dispostos a tudo em nome de seu líder.
Quando uma pessoa se eleva acima das instituições o que está ameaçado é o nosso próprio convívio como sociedade civilizada. A sociedade fundada no direito e no respeito à liberdade ganha o perfil de um embate que pode levar a uma guerra civil.
O presidente norte-americano incentivou a ação extrema, viu o ato de violência ocorrer e quatro pessoas morreram. Após o estrago feito, o líder alucinado vem a público, arrependido, pede desculpas e reconhece a vitória de seu adversário nas urnas, Joe Biden. A diminuição do “mito” é a demonstração do preço de se estabelecer a verdade sobre um perfil alucinado como o de Trump.
O preço que se paga para que tenhamos dimensão de com quem estamos lidando é, em muitos casos, caro. Se tivéssemos um pouco mais de bom senso, poderíamos evitar muitos prejuízos.
Colocamos em risco o que nos custou caro construir.
Manifestantes, apoiadores de Trump, nos EUA tomam o Capitólio e fazem uma manifestação contra o resultado das eleições que deram vitória a Joe Biden, o democrata. Pela primeira vez na história os norte-americanos protagonizaram fatos sociais típicos da Venezuela.
Trump tem mais relação com Hugo Chávez e Nicolás Maduro do que se imagina. Negar o resultado das urnas é uma demonstração disso. Considerar que há sempre um complô para derrubá-lo que envolve a mídia e opositores radicais também. Estamos falando da mesma coisa que se intitula em lados diferentes, o radicalismo.
E quem poderia pensar, os norte-americanos viveram dias de “repúblicas de bananas”.
Porém, o que justifica isso? A proliferação da idiotice é a melhor resposta. Os otários estão se multiplicando à nossa volta. A democracia tende a ser um regime onde a imbecilidade tem direitos e acesso a manifestação. O que não é ruim, necessário e saudável. Contudo, dar ouvidos ao extremismo coloca em risco garantias de respeito e dignidade que respeita a própria ameaça.
Vivemos em uma sociedade em que a falta de consciência sobre a complexidade social e a pouca maturidade mental de respeito à convivência coletiva gera atitudes infantis por adultos frustrados. Há crianças de avançada idade que não aceitam a realidade e se apegam a sua ilusão como consciência.
Temos que aceitar que a atualidade tem fabricado idiotas. E não é uma questão ideológica, estamos longe de vivermos uma proposta de sociedade e governo que divide extremos. O que estamos assistindo é o ser humano mais baixo, torpe, ignorante, desprezível e míope se transformar em líder e ser considerado a melhor resposta para os nossos mais graves problemas.
Amo a liberdade e a considero fundamental. Sou um apaixonado pela democracia e a defendo com unhas e dentes. Contudo, não posso negar que a qualidade dos seres humanos e a postura de alguns líderes demonstram o quão o desrespeito às leis e a perda da dignidade pode chegar.
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