Gilson Aguiar

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By Gilson AguiarEducationSelf-Improvement
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Gilson Aguiar episodes

  • Nem sempre o óbvio é a melhor saída

    Conta a história que o rei precisava escolher um ministro, precisava selecionar entre os homens considerados mais competentes do reino um que pudesse ajudá-lo a resolver os problemas que atingiam a população.

    O monarca mandou convocar todo aquele que se considerava apto, competente para o cargo. Vários intelectuais, cientistas, homens de negócios e grandes personagens de destaque do reino vieram para passar pela seleção do governante.

    O rei colocou os candidatos diante de uma porta imensa de metal, fechada. E pediu para cada um na sua vez que tentasse abrir a porta. Os candidatos usaram de todas as maneiras que podiam, uns a força, outros ficaram analisando a fechadura, olhando para ver se encontravam algum segredo que levasse a porta a se abrir.

    Depois de várias horas, apenas um último candidato sobrou, desconhecido e cego. O monarca intrigado perguntou, por que achas que pode resolver o problema que os homens mais hábeis do reino não conseguiram. Apenas porque considero que tenho que ter a oportunidade de tentar.

    O governante o colocou diante da porta e, como já tinha feito com todos os outros, pediu para que abrisse a porta. O homem cego passou a mão pela porta, sentiu com os dedos que havia algo de estranho, encostou o ouvido e percebeu, batendo suavemente na superfície de metal, um vácuo, levemente, apertou sobre a sobressaliência que revestia a parte oca. Sedendo, a trava da porta se movimentou e abriu.

    A sala que a porta selava estava repleta de tesouro, necessária para o monarca investir e salvar a vida de muitos súditos. Deixada como herança pelo pai, mas que apenas alguém de “visão” poderia abrir. O segredo seria encontrar um ser humano com este talento para salvar o reino diante da crise.

    Estamos sempre a procura de respostas para os problemas circunstanciais. Sempre olhando para o óbvio e, por isso, muitas vezes, não conseguimos encontrar a resposta. Temos, diante da contexto problemático, pouca sensibilidade de perceber os detalhes, onde pode estar a chave para nos levar a solução da crise que estamos vivendo. Também, por muitas vezes, acreditamos e apostamos nas pessoas que parecem ter as qualidades óbvias para resolver um desafio, contudo, a visão tradicional sobre tudo pode ser o limitador para enxergar o que literalmente a maioria das pessoas não vê.

    Seria isso que nos falta, ver e perceber as circunstâncias de outra forma? Quem sabe?

    3 min
  • Quanto vale uma vida?

    Em Cidade Gaúcha, no oeste do Paraná, uma criança, recém-nascida foi abandonada dentro de uma caixa de papelão. Um automóvel parou e o passageiro deixou a caixa na calçada, perde uma árvore. A polícia já investiga as imagens que captaram o momento e está a procura da mãe, se é que se pode chamar assim alguém que faz isso.

    Mas, sempre estamos prontos a condenar. Os adjetivos para este tipo de ato são inúmeros. Tolice, estupidez, crueldade, desumanidade, falta de respeito, maldade, enfim, ficaríamos aqui listando sem fim definições sobre o ato.

    Quem pratica este tipo de abono deve ser julgado e condenado, sem dúvida. Deve pagar pelo que fez, cometeu um crime, abandono de incapaz. As coisas poderiam ter terminado pior. Felizmente a criança foi encontrada por um morador e encaminhada para os cuidados do poder público.

    Nestes acontecimentos, que não são raros, há uma intenção de quem abandona. Via de regra associado ao desespero. E nestes tempos de pandemia não é incomum este sentimento. Muitos perdem a lucidez, agem pelo desespero, tomam uma atitude extrema. A incapacidade de pensar de forma lógica e lúcida desperta um ser humano deprimente e decadente, muitas vezes com um imenso desprezo a vida.

    Acontecimentos como este devem sempre ser motivo para refletirmos o que estamos fazendo com os seres humanos. A qualidade das pessoas. Que tipo de valor a vida tem. Se condenamos a mãe que descarta a própria filha, como foi este caso em Cidade Gaúcha, não podemos esquecer que há inúmeras formas de abandono, tão cruéis quanto esta.

    A saída é simples, valorizar o ser humano. Dar qualidade as pessoas para que elas entendam que não se pode agir com imediatismo quando as consequências para outras pessoas são cruéis ou coloquem em risco a vida. As gerações futuras já estão ameaçadas pelas constantes práticas de agressão. A violência doméstica é uma realidade no país.

    Melhorar os seres humanos é qualificá-los, colaborar para que deem um sentido a sua existência e respeitem a coletividade da qual dependem. Aprendam a não desprezar a condição social necessária e vital. Neste caso, planejar os atos para não colocar inocentes em uma condição que não pediram, gerar uma vida e depois abandonar.

    3 min
  • Pela educação se conhece a sociedade

    Educação tem um papel decisivo na vida das pessoas. Mas ela precisa estar próxima da realidade e do sentido de cada um.

    A educação é sempre defendida como a condição vital para o futuro. Há exagero nisso. Porém, é indiscutível o quanto a escolaridade pode ter efeitos positivos nas escolhas das pessoas. O nível de formação interfere na condução do dia a dia e gera um planejamento melhor, mais racional.

    Uma pesquisa do Radar Inteligência feita entre os dias 6 a 13 de agosto mostra o retrato da educação no Paraná durante a pandemia. Como as famílias estão se organizando e percebendo o fechamento das escolas.

    Alguns dados são curiosos. A renda e escolaridade são determinantes na melhoria do ambiente de enfrentamento da Covid-19 quando o assunto é educação. Os mais qualificados dependem menos dos avós para cuidar dos filhos. O número de quem cursa o ensino médio e superior é maior nas famílias que têm mais renda.

    Há uma percepção da redução de crianças por família e que a qualificação e ganho familiar está relacionado diretamente com este dado. O planejamento da vida precisa ser estimulado para que seja evitado a proliferação de famílias com fragilidade financeira e  que tem dificuldade no enfrentamento de um momento de crise.

    Muitos jovens de baixa renda acabam por constituir família cedo e sem qualificação profissional. O amor não sobrevive diante da crise financeira familiar. Está nas estatísticas e é bom não tirar isto de vista.

    Nas gerações em que o casamento era o destino de todos os jovens havia uma natureza da vida conjugal como condição para a própria emancipação. No caso das mulheres principalmente. Agora isto já está superado. Ou pelo menos deveria estar. A vida profissional vem em primeiro lugar. Por isso, a educação deve ser condição de formação de um cidadão melhor, habilitado a conduzir a própria vida. Na crise da pandemia esta é outra questão que está exposta e necessita ser enfrentada.

    3 min
  • Liderança Pública: a difícil tarefa de agradar a gregos e troianos

    Uma pesquisa da XP/Ipespe mede mensalmente a avaliação da população em relação aos gestores públicos durante a pandemia. Um sobe de desce constante em relação ao que as pessoas pensam dos representantes públicos que para muitas é o responsável direto pela administração dos problemas que a pandemia traz.

    Na avaliação entre julho e agosto, há uma queda do índice. 33% da população aprovam as medidas dos governadores de estado, lembrando que este número já foi 44% em abril. A rejeição em agosto é de 26% e a regularidade dos governadores é apontada por 28%.

    Nos estados o Sudeste é o campeão da queda de aprovação. Saiu de 30% em julho para 23% em agosto. Tendência também nas regiões Norte e Centro-Oeste, saindo de 35 para 30% de aprovação dos mandatários. Já no Nordeste houve um aumento de 38% para 42%, enquanto no Sul se manteve estável a aprovação em 48%.

    Vários fatores devem ser considerados. Julgar o governante envolve o momento e neste período de pandemia o contexto tem mudado muito. Por mais que a crise é uma constante, o sentimento em relação a ela é inconstante. Aquilo que no início da pandemia poderia ser considerado caótico acabou assumindo um perfil de normalidade ou tolerância.

    Os governantes incorporaram em diversos momentos a imagem de responsáveis por várias medidas. Tanto as que foram positivas e geraram resultados de alívio e melhora para segmentos da sociedade como também as que foram consideradas desastrosas e responsáveis pelo aumento do problema.

    A relação entre a abertura e fechamento do comércio, indústria e prestação de serviços talvez tenha sido o ponto mais delicado. A pressão de alguns setores foram aumentando na medida em que os prejuízos se acumularam. O represamento econômico ganhou contornos de insuportabilidade.

    Contudo é difícil julgar um governante em tempos de crise. Ela corre ao sabor do momento e poucos tem critérios lúcidos para avaliar a intensidade dos problemas que ocorrem na cidade, estado ou país. O sentimento que temos está ligado diretamente aos efeitos que recebemos do problema. Os que estão à nossa volta e aqueles que conhecemos se transformam em medida. Neste país o imediato é mais impactante do que a reflexão ponderada de médio e longo prazo.

    Por mais que a crise sempre mostre o bom e mau das pessoas, o envolvimento direto das pessoas com a tensão que ela provoca acaba por dificultar uma análise lúcida. Possivelmente, mais tarde, quando pudermos avaliar com mais precisão o prejuízo, às ações e os efeitos por ela provocado, teremos critérios mais precisos. Ainda estamos no “olho do furacão”.

    As pesquisas feitas neste momento colaboram para podermos mais tarde medir as reações da sociedade a condução do poder público. Mas, não é um resultado final e sentencial. Prematura considerar isso. As eleições municipais, por exemplo, acontecem em outubro. Até lá, mesmo estando o evento “logo ali”, muita coisa pode mudar. Tempos de crise tem destas coisas.

    3 min
  • Líder não é quem você pensa

    Há uma idolatria por lideranças de grande prestígio. O sonho de grande parte de quem busca sucesso na vida profissional é chegar a liderança. Ter o poder, o mando. Se considera que ao atingir esta condição se terá prestígio. Os que estão subordinados lançaram um olhar de admiração.

    A liderança é uma construção das relações diárias. Ela é sentida e respeita pela capacidade de fazer diferença e nossas vidas. É alimentada pela constante realização nossa em convivência com o líder. Ele, o comando, é resultado mais que imposição. E se a imposição é condição determinante de sua sobrevivência, esta, com certeza, ser curta.

    Os admirados senhores do poder não são os principais responsáveis pela superação de nossos limites. A condição de sucesso está mais nas mãos dos líderes imediatos. Aqueles que são feitos na ação necessária para se resolver e se buscar atingir um objetivo. O nosso envolvimento com as pessoas ao nosso lado é o local onde a liderança desperta.

    A condição de liderança é pouco trabalhada na perspectiva dos líderes diários, das nossas relações mais comuns. Quase não se entende como a construção de um convívio onde estabelecemos nossos interesses pessoais perpassa por uma liderança eficaz.

    Um bom exemplo é a formação que tivemos no ambiente doméstico. Perceba como há neste lugar lideranças inspiradoras para o bem ou o mal. Onde os exemplos praticados no dia a dia podem consolidar uma perspectiva, uma intenção, um valor, uma crença, para uma vida inteira. Estes são líderes que marcam nossa vida e de forma decisiva contribuiu para o nosso destino.

    Por isso, liderança é algo sério. Deve ser levada a sério. Não pode ser apenas respeitada por imposição. Deve ser uma construção que se paute na convivência, no respeito criado pela eficiência e na colaboração. Que nós aprendamos a valorizar o líder que está a nossa volta em nós mesmos. Não porque tem a autoridade delegada, mas porque conquista o respeito pela convivência e construção conjunta de soluções que atendem a maioria e se possível todos.

    3 min
  • Crise muda as pessoas, mas depende de quem estamos falando

    Não sou fã da tese de que todo mundo muda para melhor diante da crise. Que ela é um ambiente de mudança, isto não se pode duvidar. Contudo, a forma como cada um encara esta hora de tensão faz toda a diferença.

    Para algumas pessoas há uma revolta infantil e uma transferência de culpa por não poder mais viver o que vivia antes, por ter perdido a condição que a crise levou. Uma busca incessante de transferir a responsabilidade. Isso não ajuda nem a pessoa e, muito menos, quem está a sua volta.

    Os que geram esperança no amanhã são os que amadurecem e sabem que os problemas que vivemos precisam de respostas duradouras, permanentes, com ações mais assertivas. Aqueles que de alguma forma se preparam para superar o hoje e acrescentam qualidades para os problemas que podem ocorrer no futuro.

    Os adultos se destacam das crianças mimadas e dos irresponsáveis por estes atos. Destes que teremos uma qualidade social onde um “novo normal” trará um ambiente como terreno fértil para a civilidade e oportunidades de talento. Mais do que nunca este é o momento de nos apegarmos a qualificação profissional e pessoal.

    Não é o radicalismo extremo que vai se instalar. O abandono de tudo, mas a mudança do que for necessário. Exatamente o que precisamos. O planejamento para fazer alterações pensadas tem que ter a participação do maior número de pessoas possíveis. Fazer da colaboração uma forma de ensinar e aprender. Reconhecer nossos limites, no que somos bons e no que temos que melhorar.

    Logo, não há complexidade na estratégia, mesmo que existe uma diversidade e inúmeras variáveis no problema. Nossa postura conta, e muito, para uma solução. O diálogo de forma racional e entendendo a interdependência da vida social devem ser verdades absolutas para que tudo ocorra da maneira melhor, se não para todos, para a maioria dos envolvidos.

    3 min
  • Personalismo não resolve crise

    Agora estamos a espera de uma vacina que venha da cabo de um vírus que se mostra mais resistente do que parecia. O novo coronavírus está resistindo e retomando ciclos de contaminação pelo mundo. O que demonstra que somente a vacinação em massa poderá nos afastar de um ambiente de crise. Teremos que aprender a conviver com a doença.

    Nesta corrida pela imunização há vários laboratórios no mundo todo trabalhando. Porém, muitos governantes querem ser os anunciadores da solução final. Os russos já anunciaram a sua vacina e querem imunizar ainda este mês parte de sua população. No Paraná, o governo quer pegar carona na descoberta russa e importar vacinas para iniciar a vacinação.

    A comunidade científica e médica internacional considera que ainda é cedo para falar em solução final. Não há comprovações da eficácia e dos seus efeitos colaterais. Os russos negam os riscos e reafirmam a eficiência. No Brasil, a Anvisa não quer autorizar a importação do produto sem que seja demonstrada sua eficácia.

    Como a desgraça é palanque do oportunismo. Temos que buscar uma solução, isto é fato. Mas não temos que nos precipitar e usar da ansiedade coletiva para destacar os feitos nacionalistas ou personalistas. Trump continua insistindo na cloroquina, por mais que já se tenha comprovação de sua ineficácia. A demagogia ganha da ciência por insistência. Presidentes, governantes, assumem retóricas desafiadoras da realidade e mesmo as negam.

    A solução necessária virá com a colaboração internacional. Não há dúvida. Da mesma forma que o vírus rompeu fronteiras e demonstração a relação de dependência que existe entre todos nós, será de todos a busca por uma solução também. Na proporção que cabe e compete a cada um. Por isso, não podemos eleger heróis, nem salvadores, temos que construção a solução com nossas ações e não ficarmos à espera de um milagre.

    3 min
  • Novos tempos ou velhas intenções no "novo normal"

    É conversa cotidiana. Com todo mundo que você bate um papo, espero que mantendo o distanciamento social, muitos por aplicativos, falam da experiência inédita de estar vivendo novos desafios destes tempos de pandemia. A maioria são as rupturas que nos incomodam. Não podemos mais fazer o que fazíamos antes. Nem faremos mais. O mesmo homem não se banha no mesmo rio. O rio muda e o ser humano também. Isto é de Heráclito.

    Agora a vida se alterou e nossa personalidade se apresenta mais nítida. O que tomávamos como certeza há um tempo atrás agora virou incerteza. Estamos jogados na impossibilidade de fazer com que o costumeiro retorne e com dificuldade de encarar o que temos pela frente. Isto é normal, diante do novo. Por isso, alguns falam do tal “novo normal”.

    Quantos não tiveram que encarar, e tem, momentos difíceis nesta pandemia. Um desemprego. Tanto para quem o anuncia como para quem ele é anunciado. Demitir alguém que se tem trabalhando em uma empresa, que pai ou mãe de família, que sabe-se da dificuldade que vai enfrentar sem o trabalho não é tarefa fácil. Aquele que é desligado de uma empresa sofre, e muito.

    Porém, não será para sempre. Vamos sobreviver. Não há desespero quando se sabe que nada chega ao fim por causa disso. Nossa vida não pode se resumir no momento. Por mais difícil que ele seja. Nossa existência tem que ter um sentido. isto é que conta. Na busca de realizá-lo é que temos que nos apegar. E aqui vai um conselho, não construa o sentido de sua vida em coisas materiais.

    É muito pobre e podre saber que temos que depender das coisas para poder existir. Uma coisa é a necessidade de sobrevivência. De buscarmos uma fonte que nos garanta a sobrevivência. Esta é a dignidade mínima. A outra e a ilusão da materialidade como princípio e fim do porque estamos aqui, na relação com os outros, na vida que constituímos. Este tipo de apego pode piorar muito a situação.

    Logo, aprenda a encarar que as coisas mudaram e vieram para ficar. Nada será como antes, você também não. E como você pretende reagir a isso? De que maneira quer sair deste ambiente? Deseja sair com mais maturidade e leveza no sentido da vida? Ou pretende se apegar a frustração da ausência da materialidade que consome a maioria das pessoas e não leva a lugar algum? Faça sua escolha e viva melhor.

    3 min
  • Educação: um fosso entre nós

    A discussão agora é sobre o retorno ou não para as salas de aula. Como ele deve ocorrer? Quais séries deveriam retornar? Em algumas cidades brasileiras o retorno já acontece. Em outras se admite que a volta a sala de aula só deve ocorrer no ano que vem. Contudo, muitos estão angustiados com a ausência das escolas na vida de estudantes. A pergunta é quem e por que?

    Realmente há uma lacuna que a educação deixou, um apagão. Mesmo que retorne às aulas a perda que estes tempos de pandemia trouxe é irreparável no curto prazo. Ainda vamos viver com as consequências da ruptura por muitos anos. Há muitas lições a ser tirada desta experiência. Isto não se pode esquecer para que não sejam permanentes os prejuízos.

    Há um fosso estrutural entre as pessoas que agora ficou cada vez mais claro. Os que têm e os que não tem acesso a tecnologia e podem se apegar a ela para resolver os seus problemas é uma destes divisores de água. Outro é a condição de se proteger do vírus. De ter garantias pessoas para romper o cotidiano de trabalho e se refazer profissionalmente.

    Para apontar mais questões podemos falar dos meios de deslocamento, tão falada mobilidade urbana, acesso a saúde e as condições em que as escolas eram antes e vão ser depois da pandemia, por exemplo. Diante desta questão do retorno às aulas esta última questão me parece relevante.

    Para se ter o retorno às aulas há que se fazer uma mudança significativa nos espaços escolares. Reduzir o número de alunos em sala, ter espaços de higienização, controle sobre saída e entrada dos alunos, evitar aglomeração, restringir o acesso a espaços como bibliotecas e laboratórios. Restringir e fiscalizar a produção e comercialização de alimentos dentro do ambiente escolar com rigor. Monitorar a saúde dos alunos intensa e extensamente. Não só dentro do ambiente escolar, mas fora dele. Quem pode atender a tudo isso? Quais escolas, principalmente as públicas, estão preparadas para isso?

    Há os que defendem que o retorno às aulas deve ser para todos igual. Não se pode privilegiar uma instituição com melhor estrutura daquela que não tem, o fosso que separa a sociedade vai aumentar ainda mais. A questão é, até quando vamos nivelar por baixo? Por que temos que rebaixar a qualidade das coisas para que ninguém se sinta excluído?

    Volto a repetir, os problemas com os quais nos deparamos hoje eles já existiam, apenas ficaram mais expostos. Temos que acelerar na mesma proporção as soluções. Elas ainda são as mesmas, dar qualidade na formação dos seres humanos, investir em tecnologia e estrutura para acabar com esta distância entre as pessoas. Valorizar os pessoas para não ter um capital humano de baixa qualidade e de difícil operacionalidade quando a crise chega.

    Fosso já existia, cavamos um pouco mais, ficou mais fundo, e podemos enterrar nele o nosso futuro se não soubermos lidar com o problema. Ações necessárias para reduzir as exclusões já deveriam ter sido feitas antes. Agora elas necessitam de atos imediatos. É hora de fazer a escola se modernizar

    3 min

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