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Grupo Arauto episodes

  • Jesus acalma a tempestade

    Gostaria de refletir com vocês sobre uma passagem bíblica que eu gosto muito que fala sobre a tempestade acalmada. (Mateus 14, 12-33).

    Todos nós passamos por grandes tempestades na vida e muitas nos apanham de surpresa. Nesse caso, os discípulos entraram no barco por ordem de Jesus. E, mesmo obedecendo, foram atingidos por uma forte tempestade. Durante toda aquela noite eles remaram, mas o barco estava no meio do perigo, ameaçando naufragar. E no momento mais angustiante, quando as esperanças estavam se esvaindo, as forças exauridas, acabadas, Jesus apareceu para se encontrar com eles.

    “Coragem Sou Eu. Não tenham medo”. É interessante ver que antes de acalmar o mar, Jesus acalmou os discípulos. Porque a tempestade que estava dentro deles era maior do que a que estava fora deles. Isto significa que, às vezes, o maior problema que enfrentamos não são as circunstâncias que nos cercam, mas o sentimento que nutrimos na alma. Não adianta acalmar o mar, sem acalmar o coração. Não adianta acalmar as circunstâncias sem acalmar os sentimentos. Quando o Senhor vem ao nosso encontro, é isso que Ele faz.

    O problema que você está vivendo pode ser o caminho de acesso que Jesus encontra para chegar à sua vida. Quando Ele vem andando sobre o mar, diz: “aquilo que aflige vocês, que ameaça, desperta medo, que conspira contra vocês, está literalmente debaixo dos meus pés. Eu tenho o total controle de tudo”.

    Eu não sei o que aflige a sua alma nesta hora, mas, posso lhe garantir: o Senhor sabe, e o melhor, Ele é infinitamente maior que seus problemas; e ainda, seus problemas estão todos debaixo dos pés d’Ele.

    Pedro, vendo Jesus, cheio de entusiasmo, pede para ir até Ele andando sobre as águas. Pula do barco e começa a caminhar, mas, tendo medo começa a afundar. Só que foi neste momento de fraqueza de Pedro, que Jesus o toma pela mão e o socorre.

    Quem sabe você está sendo tragado pelas “águas” das dificuldades, mas lembre que Jesus vem para estender a mão àquele que está afundando. Como Ele levantou Pedro, Ele quer hoje levantar você.

    Depois que Jesus tira você do “mar” feroz, Ele acalma a tempestade e as circunstâncias. O Senhor traz a bonança para a sua vida e para a sua alma. A tempestade não vai durar a vida inteira. O choro pode durar uma noite, mas a alegria vem pela manhã, como diz o salmista.

    Se você está vivendo um problema muito grande, saiba que em breve virá a bonança maior ainda. Porque quando o vale é muito profundo, é sinal de que ali está o começo de uma grande montanha. A bonança virá. O Senhor vem ao seu encontro para acalmar o “vendaval” da sua vida.

    Um segredo é olhar sempre e fixamente para o Senhor. Em tudo recorrer a Ele, pois quando tiramos os olhos d’Ele, nos desviando daquilo que é a vontade divina, aí sim, afundamos.

    Que o Senhor abençoe nossos propósitos e o desejo de permanecermos na sua vontade que é sempre o melhor para nós!


    Autora: Ana Néri

    5 min
  • Não é terminando com a vida que a dor acaba

    Um jovem de 16 anos escreveu para o escritor Fabricio Carpinejar dizendo não querer mais viver. Se sente desajeitado perante a vida e não-amado pelas pessoas ao seu redor. Neste setembro amarelo, vamos repercutir a resposta dada pelo escritor.

    “Querido leitor,

    Não aguenta mais a sua vida, e pensa em se matar.

    Em primeiro lugar, a adolescência é uma encrenca, há a crença de que é a melhor época de nossa trajetória, e que não podemos jogá-la fora. A adolescência não é tão boa quanto os adultos dizem.

    A segunda ilusão é não enxergar nada pela frente, a não ser a falta de lugar no mundo.

    Você não aguenta mais o seu sofrimento, quer terminá-lo, porém confunde o sentimento com a própria vida. Não são a mesma coisa. Não é terminando com a vida que acaba com a dor.

    Repara somente no problema (está dentro dele), e vem um ímpeto de resolver tudo acabando com tudo. Mas a angústia não é tudo, é parte do todo, uma pequena parte.

    Ao atacar um inimigo, o seu presente ofendido, atingirá o seu passado e o seu futuro inocentes.

    Sei que gostaria de se sentir mais amado, mais festejado, mas a morte não vai torná-lo importante.

    Morte nenhuma produz redenção. É sem graça mesmo.

    Você superestima a despedida como uma saída. Não é uma ponte, é ir de um vazio velho para um novo vazio.

    Não se recrimine pelo pensamento mórbido, é uma fantasia comum: nos enxergamos no caixão, imaginando colegas chorando por nós, pedindo perdão. Colocamos em cena, no nosso velório, os inimigos e desafetos inconsoláveis.

    Qualquer um já elaborou essa construção de se observar morto. É um desejo de vingança, de fazer os outros sofrerem o que já sofremos.

    Acreditamos que o nosso sofrimento é único. Por isso, a represália. Achamos que somos a exceção, que ninguém é capaz de antever o que estamos passando, que só acontece conosco.

    Mas não, todos sofrem parecido, com semelhanças inacreditáveis. Não existe exclusividade.

    Fale de sua dor e descobrirá que tem tanta gente igual, procurando um jeito de se acomodar na existência, de encontrar um caminho, de ser ouvido, de deitar nas palavras sem doer.

    Não se abrindo, o desespero aumenta. Desabafando, ele diminui. É uma mágica.

    Agradeço sua cartinha. Em sua idade também acreditava que não restava nenhuma opção. Vai passar, é uma fase ruim provisória, confie em mim, temos um casamento lindo, dois filhos corajosos e escrevemos tentando ajudar pessoas como nós: intensas.

    Abraço"

    Fabrício Carpinejar

    5 min
  • Cuidem dos seus idosos

    Minha sogra, Dona Onilda, tem Alzheimer. Nem sempre é tranquilo. Nem sempre é leve. Nem sempre é com paciência. Aos 83 anos, seus diálogos se resumem aos mesmos assuntos. O dia e o céu, a hora do banho, a dor de barriga. Ela fala sobre algo e, logo em seguida, esquece. Então retoma o mesmo comentário. Ela também desenvolveu a mania de ir incontáveis vezes ao banheiro. Consome, em média, 24 rolos de papel higiênico por semana. Mesmo que não faça nada, ela gasta metros e metros porque tem a sensação de que precisa se limpar. No início, para toda a família, lidar com esta nova Onilda foi desafiador e angustiante.

    Hoje, após deixar meus filhos no colégio, durante o percurso para casa, em 12 minutos ela comentou sobre o dia e o céu 13 vezes. Resolvi gravar e postar esta conversa porque sei que neste momento há muitos de nós convivendo com idosos. E preciso dizer: eles não tem culpa. Compreender que a condição da minha sogra está fora do alcance dela me trouxe o centramento necessário para enxergar além da superfície. Ela me ensina todas as vezes em que está lá em casa a como desenvolver a minha humanidade diante dos desafios que a velhice e suas limitações apresentam. Porque ser um bom ser humano diante da maré mansa não te faz realmente bom. É na hora do "vamos ver" que a gente pode de verdade perceber como estão nossa empatia e compaixão. Cuidem dos seus idosos. E digo mais: cuidem-se também. Todos os cuidadores precisam de doses de cuidado. 

    Parte de nós chegará aos 83 anos um dia. Como gostaremos de ser tratados? Não adianta brigar com a realidade. Talvez seja mais suave, para você que cuida e para o idoso cuidado, que tudo seja conduzido com mais aceitação, leveza e sorrisos.

    Viviane Rolemberg

    3 min

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