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É só mais uma segunda, como tantas outras. De novo acordei atrasado e reclamando da vida. Depois de uma noite mal dormida, implorei por mais 5 minutos de sono, em vão.
A caminho do trabalho todos parecem sonolentos. O tráfego por aqui nunca flui. As crianças, e suas mochilas pesadas, arrastam-se em direção à escola. O céu é cinza, o vento é gelado, hoje nada me fará sorrir.
Apesar de tardar, o sol brilhou por volta das 9. As nuvens dispersaram, o céu azulejou. Em meio a relatórios, projetos e uma pilha de metas não batidas, um chá acalenta o corpo e alma. Respiro fundo. O peito aperta. Todos perceberam, hoje não estou pra conversa. Hoje o dia é só meu e da saudade sua.
Seguir adiante sem você não estava nos planos. O cruzamento das nossas vidas também não. Acidentes. Todos eles deixam traumas. Todos eles encerram e iniciam ciclos. A experiência deveria estar a meu favor. Só que dessa vez não estou sabendo lidar.
Resolvi parar de mentir. A fuga perdera o sentido. À noite sua voz é ensurdecedora. Sozinho tua lembrança me acompanha. Caminho em passos lentos demais pra conseguir escapar. Nem sei se quero. Paro, olho pra trás, meço a distância e te espero. Mais uma vez, te espero! Como sempre, te espero! Como não deveria, te espero! E você sempre me alcança, me invade e me destrói.
É só mais uma segunda, como tantas outras, sem você aqui.
Paulo Curió
Amor bom é amor Einstein, amor Newton não!
Amor Isaac Newton é um amor acelerado, mais precisamente 9,80665 m/s²(ao nível do mar). Amor que só acelera acumula muita energia cinética, e energia acumulada ao menor impacto pode causar uma explosão de alguns megatons.
Amor bom é amor Einstein, amor Tesla não!
Amor Nikola Tesla vive em um campo eletromagnético, amor energizado, é preciso seguir as mais rígidas normas de segurança para se aproximar. Um amor assim é movido por uma fonte de energia externa, e amor pra mim, vem de dentro.
Amor bom é amor Einstein, amor Hawking não!
Amor Stephen Hawking vai de encontro ao buraco negro. Amor Hawking é paradoxo. Amor onde tudo se perde e nada se transforma, e amor que não renova, amor que não renasce, realmente merece ser esquecido em um buraco negro.
Amor bom é amor Albert Einstein!
Amor Einstein é relativo. Amor que curva o tempo e o espaço. Se as palavras possuem peso específico, o que dizer dos sentimentos que são expressos por elas. Quanto maior o peso, maior a gravidade e assim o tempo acelera. -Você sentiu o tempo voar quando está ao lado da pessoa amada?
Para o observador estático o tempo é diferente, ele não faz parte do seu campo gravitacional, o tempo se arrasta. Frequentemente, quando se está amando, ouvimos – Já tem esse tempo todo que vocês estão juntos? Ou, - Mas já vão casar? – Para os pobres mortais, os que ainda não viveram o amor, o tempo é Newtoniano.
Einstein comprovou que ao se aproximar da velocidade da luz o tempo deixa de existir. Então é muito simples, você deposita seus sentimentos, os mais sinceros, os de maior peso específico, tudo em um mesmo ponto material, isso aumentará a densidade, a aceleração do tempo, atinge a velocidade da luz, e pronto, imortalidade! Se o amor verdadeiro é realmente eterno, ele deve ser vivido à velocidade da luz.
Mas cuidado ao perder seus sentimentos, diminuindo a gravidade, o tempo desacelera, a convivência torna-se um fardo, a vida à dois arrasta-se por eras.
Amor bom é amor Einstein! Porque amor não é uma ciência exata, amor é relatividade!
Paulo Curió
Ainda bem que o amor morre, seria ilógico pensar de outra maneira. Nada pode ser infinito, nem mesmo o tempo, que dirá o amor. Para que algo seja infinito é necessário que não tenha tido um início. Esse é um grande paradoxo da mente humana, imaginar que o tempo teve um começo e terá um fim. Se o amor humano está vinculado ao tempo, logo, também findará. Enquanto você compra uma roupa nova para ser seu recém-nascido amor, tenho em meu guarda-roupas um traje especial para o seu funeral.
Perdoem-me os românticos!
Paulo Curió
De tempos em tempos as pessoas insistem em reaparecer. Tenho a impressão que não traçamos rotas, mas sim, órbitas. Orbitar não significa andar em círculos estáticos. Orbitar não é permanecer no mesmo lugar. O universo, como um todo, está em movimento.
Assim como os astros, cada pessoa tem sua órbita. Alguns são como a Lua e levam apenas 24 horas para cumprirem seu ciclo em torno da Terra. Outros como Júpiter, que leva 11,86 anos terráqueos para orbitar o Sol. Cada um reaparece ao seu tempo, do seu jeito, com sua nova bagagem.
As órbitas são regidas pela lei da gravitação, uma lei que mantem o universo unido, agindo em todos os objetos por causa das suas massas. As pessoas reaparecem pela intensidade de atração que tem por nós. Você não pode interferir em uma lei universal, gostando ou não, se houver atração, elas voltarão. Sorria e aceite.
Não é adeus, é até a próxima órbita! (Ainda bem)
Paulo Curió
Esse fim de semana recebi uma mensagem, nela havia a foto de uma carta escrita há mais de doze anos. Essa carta nunca chegou em minhas mãos, mas a pessoa que a escreveu soube guardá-la com carinho. Fiquei incrédulo ao lê-la, demos algumas risadas do que estava escrito. Como é bom rever algumas situações quando se está mais maduro.
No desenrolar da conversa recebo outra imagem, a imagem de um cartão, a mensagem que a acompanhava dizia - Passei boa parte da minha vida acreditando no que estava escrito aqui. Este cartão tem um valor imenso pra mim! - Confesso que não me recordava do que estava escrito no cartão, então pedi uma foto, e claro, era uma jura de amor. Fiquei alguns segundos digerindo minha mensagem de doze anos atrás, mais uma vez rimos, mas agora era diferente, naquele momento soube que seria uma longa noite de reflexão.
Uma vez li que o amor é um sentimento único, o que muda é a maneira que o manifestamos para as pessoas, mas o amor é um só. Como nem só de teorias vive o homem, aprendi que o amor é único, mas não imutável. Ele se transforma, e nossa maneira de manifestá-lo também. A dona do cartão, e da jura de amor, ainda é uma pessoa muito importante em minha vida, talvez a amizade mais pura e sincera que tive a honra de conquistar. Alguém que conhece e reconhece meus defeitos, mas ama-me mesmo assim. Que se faz presente mesmo distante, que se faz forte mesmo quando sua vida está desmoronando, afim de estender a mão para me socorrer. Nosso amor mudou, mudou pra muito melhor, somos amigos!
Ela não se tornou a mulher da minha vida, mas algo ainda mais importante, ela é uma das pessoas da minha vida! Alguém que serei eternamente apaixonado, dona de um pedaço enorme do meu coração, do meu carinho e da minha admiração. Nunca terminamos uma conversa sem dizer - Te amo muito! - e nunca deixamos de expressar o quanto nossa relação é especial. Acredito que este pequeno cuidado fortaleça nossos laços, por que amor a gente planta, cultiva e assim, só assim, a gente colhe!
Paulo Curió
Você me abraça e desliza a mão em minha barba. Seu toque é leve, me domina. Lá fora a chuva intimida - Não quero levantar - você sussurra enquanto enrosca teu corpo no meu e me prende em teu abraço.
Sou eu quem te aquece. Sou teu cobertor. Sou teu abrigo.
Nossas mãos entrelaçadas. Nossos pés se acarinhando. "Xêro", dengo e cafuné. Pequenas demonstrações matinais de afeto. Te aperto a quase sufocar - espera aqui, hoje trarei o café na cama.
Nada como o amor pra começar bem o dia.
Paulo Curió
"Mais um ano se passou, e nem sequer ouvi falar seu nome..." era o que dizia a canção no rádio - recordei-me de você. Há muito sobraram apenas vestígios do amor que sentimos um dia. Numa era digital, onde parece impossível se esconder, decidimos nunca mais termos contato, foi assim, com uma sentença de morte, que nosso amor chegou ao fim. Matamos nosso amor de morte matada!
Tínhamos poucos amigos em comum, mas, mesmo eles, sempre respeitaram a lei do silêncio. Todos sabiam (sabem e jamais esquecerão) que não conseguiria lidar com a pronúncia do seu nome em voz alta. Ainda hoje, mesmo sozinho, temo dizê-lo.
Meu trajeto para o trabalho continua o mesmo, passo todos os dias em frente ao seu antigo apartamento. É sempre o mesmo ritual. Espicho o olhar para sua janela, na esperança de enxergar qualquer vulto do nosso passado. Imagino o portão se abrindo e simulo como seria o ataque cardíaco ao revê-la.
Algumas (muitas) vezes, recordo do dia que nos encontramos no cruzamento, na esquina da sua casa. Você atravessava a rua apressada, atrasada como sempre, vestia uma calça branca, um casaco de meia estação, mangas ¾, com listras em vários tons de cinza, sobre uma blusa preta, básica, de alcinha, desacelerei e disse – “Não há beleza no mundo que me encante mais do que a sua”.
Acredito que amores nascem como estrelas. Somos gases e poeira soltos por aí, dispersos, quando a gravidade nos atrai, fundimos nossos átomos e logo emanamos calor, ganhamos vida própria. As estrelas (e os amores) nascem, mais ou menos, num mesmo padrão, a diferença é como elas(es) morrem.
A morte de uma estrela é fundamental para a continuação do ciclo da vida no universo, as explosões cataclísmicas causadas, espalham pelo cosmos elementos fundamentais para o surgimento de novos planetas, estrelas e amores. Gosto de pensar que esse foi o objetivo da morte do nosso amor, espalhar pelo mundo matéria prima para o nascimento de novos amores. Já que o nosso, depois de muito expandir, contraiu-se, tornando-se uma anã branca, expulsando suas camadas externas, mantendo, no centro apenas o cadáver do que um dia foi um astro luminoso.
Nosso amor está nas folhas das árvores, na seiva dos troncos, na firmeza das raízes. Paira sobre os campos, nutre a vida, verdeja horizontes, azuleja os céus. É ar que se respira. É pão que alimenta. É vento que espalha sementes. São flores, pássaros, insetos, flora e fauna. É vida que finda e ressurge. É ciclo infinito.
Vejo, por aí, casais rindo o nosso riso. Beijando os nossos beijos. Jurando as nossas juras. Amando o nosso amor. Herdeiros de um amor nascido nos berçários estelares e morto no egoísmo humano.
Paulo Curió
Ela só queria dar. Não era dia de carinho, romance, sedução. Repito: Ela só queria dar! Pegou seu primeiro vestido, nem lingerie se fez necessário. Não se maquiou, não se penteou, não passou creme no corpo. Quando o tesão chama, melhor se apressar.
Ao chegar tocou a campainha sem parar. Assustei. Enquanto espiava pela janela, com medo do que estaria no portão, ouço um grito, quase desesperado - Abre logo essa merda -. Passou por mim como um furacão. Não disse boa tarde. Não perguntou como estava. Apenas bateu com a mão em meu peito, me entregou um preservativo e disse - Tira a roupa, endurece esse pau, põe a camisinha e vamos trepar até desidratar - como negar?!
Atirou-se na cama. O vestido já estava pelo chão. Mal me aproximei e fui atacado. Segurou meu pescoço, tentando dominar a situação e montou. Minhas mãos deslizavam entre suas ancas frenéticas e os seios endurecidos, que saltavam-me os olhos e aguavam-me a boca. De tanto desejo, rapidamente gozou. Instantaneamente como subiu, desceu. Se atirou ao me lado e ainda ofegante avistou minha estante - Já sei! Leia pra mim - na primeira prateleira o velho Buk se oferecia safadamente pra ocasião.
Entrelaçou-me em suas coxas, sua vulva reagia a cada verso. Os pelos ouriçados deslizavam em minha pele, o clitóris úmido, quente, me lambuzava. As unhas tornaram-se garras. Os dentes, presas. Me arranha. Me morde. Me chupa. Pegou meu saco com firmeza e com a língua vagarosamente rondou a virilha. Arrancou-me da mão o livro. O velho Buk agora fazia companhia ao vestido - Sua voz me excita - disse - Dessa vez vamos gozar junto!
Paulo Curió
Sempre que alguém parte, parece que é você. Na verdade, sempre que alguém chega tenho a esperança que seja você. Minha vontade é tua, a saudade também. No começo procurei por ti em todos os lugares, com o tempo passei a procurar em todas as pessoas, todos os amores. Ninguém beija teu beijo. Ninguém ama teu amor. Ninguém satisfaz. Ninguém completa. Ninguém!
É foda quando você tem a certeza que já viveu ao lado da pessoa mais espetacular do mundo e desperdiçou. Não acredito que a gente ame apenas uma vez, bem pelo contrário, mas você consegue destruir até mesmo minhas certezas.
Sei onde você mora. Sei seu telefone. Sei onde te encontrar. Não tenho coragem. Ao te ver pediria desculpas? Roubaria um beijo? Te diria o quanto te amo através de um abraço? Não saberia nem por onde começar. Te comeria com os olhos, isso certamente. Te admirar sempre foi a melhor parte do dia. Você deitava ao meu lado, me envolvia em teus braços. Nos sentíamos em paz, protegidos, cuidando um do outro, assim, agarrados.
Com a leveza do toque da ponta dos dedos, contornava o desenho dos teus lábios. Com as costas da mão, acariciava teu rosto. Repentinamente inalava o perfume dos teus cabelos - Quantas noites em claro passei admirando a beleza tua - Tua boca na minha. Minha pele na tua. Nossas vidas numa mesma direção.
Eu sei onde te encontrar, mas não me atrevo.
Repara bem no que eu não digo - disse Leminski, batendo como um martelo em minha cabeça. Repara bem no bem-querer, que é seu, mas que guardo em mim. Repara bem nos beijos que não aconteceram. Repara bem nos olhares que não cruzamos. Nas mãos que não tocamos. Nas pernas que não entrelaçamos. Nos quadris que não selamos. Nos orgasmos que nos privamos. Repara bem nas palavras que não proferi. Repara, mas repara bem, que jamais te amarei, enquanto, em mim, não despertares poesia.
Paulo Curió
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