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O racismo resulta de um sistema de opressão que perdura há 500 anos e, por isso, é estrutural no Brasil. Pessoas brancas não são mortas por serem brancas, nem seguidas por seguranças em lojas, como acontece com as negras. Esses são alguns dos exemplos e argumentos apresentados pela pesquisadora em relações raciais, Kelly Quirino, para demonstrar que o racismo é estrutural e que não faz sentido falar em ‘racismo reverso’ . Ela foi ouvida pelo Instituto Claro neste podcast.
“Até hoje as pessoas negras têm os piores indicadores socioeconômicos, não estão representadas nos espaços de poder, morrem por serem negras. O segurança de um mercado ou de uma loja persegue pessoas negras pela cor da pele”, lamenta.
No áudio, Quirino fala ainda sobre situações que comprovam o racismo. “A gente tem até hoje uma estrutura escravagista que é o quarto da empregada. A mulher negra é colocada no papel de doméstica. Ela cuida da criança branca, da família branca, da casa da família branca, enquanto dos filhos dela não têm quem cuide”.
A pesquisadora conclui que não ser racista é insuficiente para mudar esse estado de coisas. É fundamental que a luta antirracista vá além dos movimentos negros. “O dia que eu conseguir ver as pessoas brancas saindo na rua porque um menino negro foi assassinado como o menino João Pedro, na casa dele, na Baixada Fluminense, logo depois do George Floyd, eu vou acreditar, realmente, num projeto de país”.
Personagens femininas são destaque e foram escolhidas para falar da vida na roça
Disponível em versão digital para download gratuito, o livro “Roça é vida” é resultado de um empenho coletivo proposto pelo Grupo de Trabalho da Roça, que tem o objetivo de demonstrar a importância do sistema agrícola tradicional quilombola. A publicação está no ar desde agosto.
“É um sistema que abrange várias coisas que a gente tem dentro do território quilombola, que é a nossa vida em si, como alimentação saudável e a preservação do meio ambiente”, afirma um dos autores do livro e agricultor tradicional do quilombo de Ivaporonduva, Laudessandro Marinho da Silva, ouvido no podcast.
Estruturado para ser trabalhado com crianças nos primeiros anos do ensino fundamental, a obra utiliza como personagens a Tradição, a Fartura, a Experiência, o Êxodo, a Continuação, o Território, a Luta, a Resistência e a Esperança. As escolhas não são por acaso.
“Começa com nomes femininos: a Tradição, a Experiência e a Fartura. É uma composição da importância da mulher quilombola no território. São personagens intergeracionais e a Fartura é a grande narradora do livro, justamente para contrapor essa ideia de miserabilidade, que às vezes as pessoas têm em relação aos territórios quilombolas”, defende a doutora em educação, professora e escritora, Viviane Marinho Luiz, que também está neste podcast.
"Os conhecimentos quilombolas revelam uma visão de mundo voltada para o social e em consonância com a garantia de direitos tanto para seu grupo social como para a própria natureza que dele faz parte”, escreve o grupo de autores na apresentação do livro.
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Ambientalista e ativista dos direitos indígenas, Ailton Krenak tem chamado atenção com seus livros sobre a crise da humanidade. No ano passado, já havia obtido destaque ao escrever “Ideias para adiar o fim do mundo”.
Desde que a pandemia do novo coronavírus (covid-19) começou, ele intensificou a crítica ao modo como a humanidade tem promovido a autodestruição. Neste ano já lançou dois novos títulos: “A Vida não é útil” e “O Amanhã não está à venda”.
“Esse amanhã, que as pessoas chamavam de novo normal era uma aventura insana, porque o amanhã não está à venda, não existe esse amanhã; você está dando um calote, se você vender ele, seria como você vender um produto que você não tem”, justifica.
Para Krenak, foi justamente essa chamada “normalidade” que levou a humanidade a se distanciar da natureza, devastar o planeta e aumentar desigualdades. “Tem gente que já saiu do contágio, está curtindo suas vidas, ganhando dinheiro, e tem uma sub-humanidade morrendo pelas beiradas do planeta feito inseto”.
Ailton Krenak aponta que é essa população, composta, por exemplo, pelos povos da floresta, que todos podem aprender e aspirar por um mundo diferente. Não amanhã, mas no tempo presente.
“São muito poucas as comunidades humanas que permaneceram guardando alguma reverência em relação à vida na Terra. São índios, quilombolas e outros ribeirinhos, que vivem nesses lugares consumindo o que a natureza proporciona para eles, numa vida simples.”
No áudio, o autor afirma que a humanidade é mais destrutiva do que o coronavírus. “A Covid não está matando pássaros, baleias, golfinhos… quem mata essas outras espécies todas somos nós, os humanos. Nós exterminamos as outras espécies de uma maneira voraz”, conclui.
Crédito da imagem: Adriana Moura/Divulgação
Especialista explica consequências do ensino online e dá orientações para cuidar da saúde vocal
A pandemia causada pelo novo coronavírus (covid-19) modificou as atividades de docentes devido à necessidade de distanciamento social. Levando em conta a já alta demanda vocal desses profissionais, o Laboratório de Investigação Fonoaudiológica em Voz (Lif Voz), da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP), está investigando os impactos dessas adaptações na voz dos professores.
Por meio do questionário online “Covid-19: impacto do período de distanciamento social na voz do professor”, o intuito é propor orientações que ajudem a diminuir os possíveis prejuízos trazidos pelas necessidades advindas das aulas online.
“Todos tivemos que nos adaptar muito rapidamente e perdemos algumas referências ambientais e de contato visual e auditivo, que acabam impactando na comunicação”, afirma a professora da universidade, responsável pela área de voz, do curso de fonoaudiologia, Katia Nemr, entrevistada nesse podcast.
No áudio, a pesquisadora explica as consequências desse fato de muitos estudantes entrarem sem câmera e sem áudio nas aulas remotas, entre outros fatores. “Sem essa referência dos alunos, é como se você estivesse dando aula com a luz apagada. Isso, de fato, faz com que, muitas vezes, você eleve o tom de voz, sem necessidade. E nós temos um outro agravante nesse momento remoto, que é o uso de fones. Muitas pessoas, com o fone de ouvido, falam numa intensidade mais alta”.
Ela também antecipa orientações que foram pensadas para auxiliar professores, a partir dos dados preliminares da pesquisa, que ainda pode ser respondida. Essas dicas estão sendo transformadas em material informativo sobre cuidados com a voz para ser compartilhado com os participantes do estudo e nas redes sociais do Lif Voz.
Crédito da imagem: zubada – iStock (com edição de arte)
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