Indígenas, quilombolas e ribeirinhos estão entre os poucos que valorizam o meio ambiente, segundo ativista
Ambientalista e ativista dos direitos indígenas, Ailton Krenak tem chamado atenção com seus livros sobre a crise da humanidade. No ano passado, já havia obtido destaque ao escrever “Ideias para adiar o fim do mundo”.
Desde que a pandemia do novo coronavírus (covid-19) começou, ele intensificou a crítica ao modo como a humanidade tem promovido a autodestruição. Neste ano já lançou dois novos títulos: “A Vida não é útil” e “O Amanhã não está à venda”.
“Esse amanhã, que as pessoas chamavam de novo normal era uma aventura insana, porque o amanhã não está à venda, não existe esse amanhã; você está dando um calote, se você vender ele, seria como você vender um produto que você não tem”, justifica.
Para Krenak, foi justamente essa chamada “normalidade” que levou a humanidade a se distanciar da natureza, devastar o planeta e aumentar desigualdades. “Tem gente que já saiu do contágio, está curtindo suas vidas, ganhando dinheiro, e tem uma sub-humanidade morrendo pelas beiradas do planeta feito inseto”.
Ailton Krenak aponta que é essa população, composta, por exemplo, pelos povos da floresta, que todos podem aprender e aspirar por um mundo diferente. Não amanhã, mas no tempo presente.
“São muito poucas as comunidades humanas que permaneceram guardando alguma reverência em relação à vida na Terra. São índios, quilombolas e outros ribeirinhos, que vivem nesses lugares consumindo o que a natureza proporciona para eles, numa vida simples.”
No áudio, o autor afirma que a humanidade é mais destrutiva do que o coronavírus. “A Covid não está matando pássaros, baleias, golfinhos… quem mata essas outras espécies todas somos nós, os humanos. Nós exterminamos as outras espécies de uma maneira voraz”, conclui.
Crédito da imagem: Adriana Moura/Divulgação