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Especialistas indicam como professores e alunos podem evitar dores no corpo.
Saúde e bem-estar são temas presentes em diferentes conteúdos escolares. Quando o assunto é postura, professores e estudantes precisam prestar atenção ao fato de permanecerem muito tempo em uma mesma posição, ainda mais durante as aulas remotas, já que, nem sempre, esse ambiente está preparado para essa finalidade.
“Às vezes, eles adotam posições que não seriam as mais adequadas, sustentadas por muito tempo: as crianças sentadas e os docentes sentados também ou em pé”, afirma a professora do curso de fisioterapia da Universidade de São Paulo (USP), Sílvia Maria Amado João.
“Uma sugestão para o educador é que ele ofereça aos alunos atividades mais lúdicas e com movimento. Então, ele pode sugerir que a criança faça algum tipo de brincadeira, mas com movimento, para que ela não tenha que ficar 3, 4 horas na frente de uma tela”, acrescenta.
Coordenadora do projeto “Coluna Feliz”, que reúne graduandos de diferentes cursos para ações em escolas da região do Butantã, em São Paulo (SP), a professora explica que os docentes costumam sofrer com dores nas costas, pescoço, braços e pernas.
Entrevistada neste podcast, a especialista traz dicas para evitar problemas de postura na hora de conduzir ou preparar as aulas. Ainda no áudio, a aluna do 4º ano de fisioterapia da USP, fala sobre a importância dos professores estimularem atividades lúdicas, mesmo que o conteúdo seja passado a distância. Para isso, o grupo criou a cartilha “Como brincar em casa?”.
“É importante lembrar dar pausas, a cada uma hora é o ideal. Algumas dessas brincadeiras podem ser feitas durante esse tempo, para evitar que as crianças fiquem um longo período na mesma posição”, ressalta.
Ines Menezes explica importância da instituição que completa 80 anos de existência.
A Cinemateca Brasileira teve origem em 1940, quando Paulo Emílio Salles Gomes, Décio de Almeida Prato e Antonio Candido de Mello e Souza fundaram o primeiro clube de cinema de São Paulo com o propósito de estudar essa arte, a partir de projeções, conferências, debates e publicações.
Ao longo de oito décadas de existência, a instituição, passou a abrigar a maior quantidade de documentação audiovisual da América Latina. “Além do acervo de filmes, temos cerca de um milhão de documentos relativos ao segmento, como cartazes, fotografias, desenhos, livros, roteiros, periódicos, certificados de censura, material de imprensa e arquivos pessoais e institucionais”, revela a preservacionista audiovisual da Cinemateca, Ines Aisengart Menezes, ouvida neste podcast.
Também entrevistado no áudio, Paulo Gabriel Galvão, que começou na programação de filmes e agora atua no setor de atendimento, ressalta que, enquanto a visitação está interrompida, por causa da pandemia do novo coronavírus (covid-19), “uma parte significativa do acervo documental e algumas coleções estão disponíveis no site do banco de conteúdos culturais”.
A quantidade de imagens em movimento e outros materiais que preservam a história do cinema nacional só não é maior em função de quatro grandes incêndios sofridos pela organização. “Em 2016, que a gente tem os números, foram 1.003 rolos, referentes a 731 títulos, com expressivo número de cinejornais”, lamenta Ines. “Os incêndios são eventos com um volume de perdas grande, mas a gente tem diversas outras com a ausência da atuação de equipe técnica e de um depósito climatizado”, complementa.
No podcast, você entende mais sobre a importância da Cinemateca Brasileira e os riscos que envolvem a preservação e o acesso ao material mantido no espaço, que fica na Vila Clementino, em São Paulo (SP).
Crédito da imagem principal: reprodução site Cinemateca
Presente na lista da Fuvest, obra de Cecília Meireles é considerada um tributo à liberdade.
As páginas da literatura brasileira estão repletas de romances em prosa dedicados a acontecimentos históricos. Já versões poéticas são bem mais raras. Uma das mais importantes é “Romanceiro da Inconfidência”, de Cecília Meireles.
“O romance nesse livro não se refere à prosa, como costuma ser. O título da obra ‘Romanceiro’ tem a ver com as narrativas medievais como formas populares em verso de se contar uma história”, explica o professor de literatura no curso Anglo Vestibulares e nos colégios Anglo e Waldorf Micael de São Paulo (SP), Paulo Oliveira, ouvido neste podcast.
Publicado em 1953, o exemplar está ligado a um momento em que outras obras também retomavam certos aspectos “passadistas”, como o “Auto da Compadecida” e “Morte e Vida Severina (auto de Natal pernambucano)”.
“Cecília Meireles se aproxima do gênero épico e de seu caráter narrativo, resgatando episódios ligados à Inconfidência Mineira, um movimento insurrecional que aconteceu em 1789”, diz Oliveira.
Entre os personagens históricos do período, a poeta dá ênfase especial a Tomás António Gonzaga e Tiradentes. A liberdade é o que está por trás da forma como os versos são construídos, que dialoga com a mensagem principal dos 95 poemas do livro.
Para o professor, esse é um aspecto que conversa com a atualidade. “O apreço pela liberdade é mesmo uma bandeira que deve inspirar a nossa necessidade dela, leia-se democracia, nos dias de hoje”, conclui.
Imagem: Cecília Meireles em foto do fundo documental, do Correio da Manhã (crédito: Arquivo Nacional)
Brasil é referência em pesquisas, mas falta conscientizar agricultores, segundo especialista.
A agricultura mal planejada é a principal responsável pela derrubada de florestas no Brasil, segundo o professor do departamento de ciências biológicas da Escola Superior de Agricultura (Esalq), da Universidade de São Paulo (USP), Ricardo Ribeiro Rodrigues. Para ajudar a reverter esse quadro, ele coordena pesquisas e ações do Laboratório de Ecologia e Restauração Florestal (Lerf), que existe há mais de duas décadas dentro da instituição de ensino superior.
A ideia da restauração florestal não é recuperar a mata original que estava no ambiente, mas resgatar uma formação com as mesmas características de funcionamento e diversidade da que existia naquele local.
“No passado, áreas que são de baixa aptidão agrícola foram desmatadas e, hoje, o mais adequado tecnicamente é recolocar essa floresta, porque são áreas de baixa produtividade”, explica na entrevista concedida ao podcast do Instituto Claro.
Nesse sentido, os estudos do Lerf avaliam como replantar lugares que foram indevidamente desmatados. O professor explica que o aumento da restauração traz ganhos também à própria atividade agrícola.
“E esses benefícios vão desde a questão da proteção do solo e da água, até a redução dos efeitos das mudanças climáticas, principalmente na questão da polinização.”
De acordo com Rodrigues, o Brasil é referência em estudos na área. “Hoje, não tem nenhum pesquisador no mundo que trabalhe com restauração que não reconheça a forte atuação do Brasil na área”. Por outro lado, ainda é pequena a parcela de agricultores que adotam a prática.
“O grande degradador das formações naturais sempre foi e continua sendo a agricultura, a expansão de suas fronteiras”, diz ele.
Os esforços do professor e de sua equipe são para fazer com que aumente a consciência da interdependência entre bons resultados agrícolas e restauração do ambiente. Para isso, o site do Lerf traz manuais, guias e vídeos com linguagem acessível à sociedade em geral, como o infográfico “Por que conservar e restaurar a vegetação nativa pode evitar pandemias?” (2020).
Imagem: Ricardo Ribeiro Rodrigues defende que a restauração florestal é benéfica inclusive para a agricultura (crédito: acervo pessoal)
Especialistas apresentam formatos que podem ser trabalhados no ensino fundamental I e II.
O uso de filmes com função educativa não é novidade. De acordo com a cineasta e professora Moira Toledo, entrevistada neste podcast, desde os anos 1940 já havia projetos para a utilização das temáticas de filmes atreladas a debates.
No entanto, é a partir dos anos 2000 que começam a surgir outras possibilidades, como a de o receptor se tornar também produtor de conteúdos. Com o avanço da tecnologia, a pesquisadora da área de educação audiovisual popular avalia que, hoje, a alfabetização baseada em vídeos pode assumir outros papéis na educação.
“É possível você utilizar o vídeo não como um fim em si mesmo, mas como um processo que gera muitos resultados interessantes para a escola e que, inclusive, pode abordar problemas que esse ambiente tem e que são crônicos e dificílimos de se abordar normalmente, como questões ligadas ao comportamento dos alunos”, defende.
Esse olhar renovado sobre a alfabetização audiovisual busca maneiras criativas do uso do vídeo por parte dos professores. No áudio, Toledo traz atividades que costumam atrair as crianças e que são simples de serem realizadas, inclusive em casa. Entre elas, a técnica de stop motion – animação quadro a quadro –, que pode ser proposta para estudantes a partir do fundamental I.
Também no podcast, o cineasta, curador e criador do Festival do Minuto, Marcelo Masagão, traz um exemplo de como o stop motion pode ser feito pelas crianças. Masagão e Toledo promovem um curso gratuito sobre alfabetização audiovisual no YouTube e destacam o vídeo com duração de um minuto como outro formato muito adotado na educação básica.
“Ele é muito interessante pra trabalhar dentro da pandemia, especialmente sobre a própria temática da quarentena, não no sentido de fazer vídeos sobre isso, mas lidando com a própria limitação dela”, reforça Toledo, que, na entrevista, traz um exemplo e faz a audiodescrição do vídeo de um minuto “Minha Vida de Cachorro”.
Crédito da imagem principal: Minuto Escola
Livro escrito no pós-guerra utiliza versos clássicos e traz temática pessimista.
A obra “Claro Enigma”, lançada há 65 anos, é a nova leitura exigida para o vestibular da Fuvest. Nela, o leitor encontrará um Carlos Drummond de Andrade desiludido, cansado de seu tempo. O livro foi escrito no período pós-segunda guerra, evento que sepultou as promessas de desenvolvimento e as conquistas prometidas pela modernidade.
De acordo com o professor de Literatura Brasileira da FFLCH-USP, Alcides Villaça, a obra traz “uma poesia de muita melancolia, de alta consciência e que soa como uma espécie de apagamento do tempo”. Há um desligamento da fase modernista: “é uma maneira de se desvencilhar do tempo histórico e entrar numa espécie de latitude cósmica, onde a poesia é incomunicável, onde o eu já não tem remédio e onde o mundo também não tem conserto”.
Na obra, Drummond está mais filosófico e reflexivo, aborda temas como a ausência, a vida e o amor. Para versar sobre aflições da alma, recorre a uma escrita rebuscada, que havia sido deixada de lado pela geração modernista, da qual fez parte. “Ele vai aos sonetos, aos decassílabos heroicos, a poemas de um corte camoniano, como ‘A Máquina do Mundo’”. A linguagem se sofistica.
No áudio, o professor Villaça aborda o contexto em que o livro está inserido na obra do poeta itabirano e lê uma das poesias de “Claro Enigma”: “Um boi vê os homens”.
Drummond já era o autor preferido de Alcides Villaça antes mesmo de chegar à universidade. Mas foi a partir do estudo no mestrado que o poeta entrou de vez na vida de Alcides. Nunca mais ele deixou de dar cursos sobre o autor e sua obra. Sobre ele, escreveu o livro “Passos de Drummond”.
Créditos: as músicas utilizadas no áudio, por ordem de entrada, são “Onde Deus possa me ouvir” (Vander Lee) com Gal Costa, “Perguntas em forma de cavalo marinho” (Drummond) com Belchior e “Cantilena Prévia” (Drummond) com Reynaldo Bessa.
Autor Pepetela ressalta importância do contato com raízes do Brasil por meio do romance.
Pepetela é o pseudônimo do angolano Artur Carlos Maurício Pestana dos Santos e significa pestana em uma das línguas africanas de Angola. Ele é o autor de “Mayombe”, obra que passa a integrar o conjunto de leituras obrigatórias para os candidatos ao vestibular da Fuvest.
A iniciativa de incluir obras de autores africanos, de língua portuguesa, atende à expectativa de que os jovens brasileiros conheçam a história e a cultura do continente e responde à Lei 10639/03, que torna obrigatório o ensino de história e cultura africanas nas escolas. Outra obra, Terra Sonâmbula do moçambicano Mia Couto, também foi escolhida para o vestibular da Unicamp.
“A juventude do Brasil, por meio da literatura, passa a ter contato com nosso continente, particularmente essas regiões que enviaram tanta gente para aí e, nesse sentido, vai compreender melhor problemas que talvez ainda existam no Brasil”, afirma Pepetela.
A obra, escrita entre 1970 e 1971, quando Pepetela participava da guerra pela libertação de seu país, permite refletir a África de ontem e de hoje. “Mayombe” mergulha fundo na organização dos combatentes do Movimento Popular de Libertação de Angola (MPLA), contra o domínio português, e traz à tona suas dúvidas, contradições, medos e convicções. Na trama, os bravos guerrilheiros lutam no interior da densa floresta tropical de Mayombe, na província de Cabinda, e confrontam-se não só com as tropas coloniais, mas com as diferenças culturais e sociais existentes entre os combatentes, que buscam superá-las por uma Angola unificada e livre.
No livro, Pepetela relata sua própria experiência, mas vai além, buscando compreender a motivação dos guerrilheiros para estarem naquela floresta, sofrendo o que sofreram.
Nascido em 29 de outubro de 1941, desde 1982 o autor se dedica somente à literatura, com uma obra de teor crítico em relação à história de Angola pós- independência. Pelo conjunto da obra, Pepetela recebeu, em 1997, o Prêmio Camões, considerado o mais importante prêmio concedido aos autores de língua portuguesa.
Créditos: as músicas utilizadas no áudio, por ordem de entrada, são “Dilaje”, com Urbano de Castro (de fundo, no início e final do podcast), “País Novo”, com Matias Damásio, “Mwangolé”, com David Zé, “Monagambé”, com Rui Mingas.
Educadores indicam conteúdos e atividades online sobre o médico e cientista brasileiro.
O nome do médico Oswaldo Cruz (1872-1917) está associado ao enfrentamento de epidemias que marcaram o Brasil na passagem do século XIX para o século XX. Para ampliar o saber em torno do cientista, neste podcast, o Instituto Claro convidou educadores com diferentes pontos de vista a respeito de Cruz, para trazerem dicas de atividades que podem ser feitas em casa, com alunos da educação básica.
A historiadora e pesquisadora em saúde pública da Fundação Oswaldo Cruz (FioCruz), Ana Luce Girão, explica a importância de se tratar esse conteúdo. “A gente vive um momento de um certo negacionismo em relação à ciência. Conhecer a obra de um cientista como ele é fundamental.”
O chefe do “Museu da Vida”, da FioCruz, Alessandro Franco Batista, destaca diversas atividades educativas que foram adaptadas para o online. Entre elas, o e-book “Nos Trilhos da Ciência” sobre a doença de Chagas, a possibilidade de professores e alunos fazerem um tour virtual pelo castelo mourisco – prédio símbolo da instituição desenhado pelo próprio sanitarista –, e de assistirem a vídeos com experiências de ciências no canal do “Museu da Vida”, no YouTube.
O áudio também traz um relato da professora e diretora da Secretaria Municipal de Mauá (SP), Herlen Cristina Pires, que utilizou o Almanaque histórico “Oswaldo Cruz – o médico do Brasil” e o Guia do professor em uma atividade que envolve diferentes disciplinas do ensino fundamental II. O tema escolhido foi a culinária francesa abordada usando uma passagem de quando o médico viveu em Paris.
Por meio dos diferentes conteúdos, o estudante vai perceber que “Oswaldo Cruz viveu e atuou em um momento de grandes mudanças na ciência, possibilitando não só criar remédios, como vacinas, para uma série de doenças que antes eram fatais”, aponta Girão.
Crédito da imagem principal: Arquivo Nacional
Fundadora do Instituto É Possível Sonhar explica que maioria dos casos é cometida por familiares.
O Brasil tem números alarmantes de violência infantil. Como a maior parte dos casos é cometida por familiares, o problema se agrava durante o isolamento social das famílias, ocasionado pela pandemia do novo coronavírus (covid-19). É o que pontua a psicóloga e fundadora do Instituto É Possível Sonhar, que acolhe crianças que sofrem agressões físicas, emocionais e sexuais, Daniela Generoso.
Segundo dados do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), divulgados em setembro de 2019, o país tem o maior número de mortes de crianças e adolescentes do mundo.
“Além dos índices, também posso falar do Instituto, porque estamos recebendo denúncias diretamente. E, em um único dia, foram 74 relatos. De crianças e adolescentes mandando mensagem pra gente.”
Um relatório da organização não governamental (ONG) World Vision, divulgado em maio de 2020, também reforça os números. Ele estima que até 85 milhões de crianças e adolescentes, entre 2 e 17 anos, poderão se somar às vítimas de violência física, emocional e sexual até agosto, em todo o planeta, por causa da quarentena. No caso do Brasil, a projeção é de um aumento de 18% no volume de denúncias de violência doméstica.
Entrevistada neste podcast, Generoso – que foi vítima desse tipo de agressão quando pequena, chegou a fugir de casa e morar na rua, até encontrar apoio e superar o trauma – comenta que, agora, a criança está mais tempo com o agressor e não tem ninguém para protegê-la. “Quem eram as pessoas que nos ajudavam muito nesse processo? As tias da escola, as professoras. Uma vez que a gente não tem mais esse contato, fica muito difícil para a criança pedir ajuda.”
No áudio, ela conta quais são os tipos de agressão mais comuns, o que pode revelar o comportamento perigoso de um adulto e como a criança pode ser protegida dessa situação.
Além de atender esse público por indicação dos conselhos tutelares e do Ministério Público, o Instituto É Possível Sonhar também oferece auxílio gratuito online. O contato pode ser feito nas redes sociais ou via e-mail.
Vítimas ou testemunhas de violações de direitos infantis, como violência física ou sexual, podem denunciar anonimamente pelo Disque 100.
Crédito da imagem principal: stevanovicigor – iStock
Novidade na lista da Unicamp, texto está em domínio público.
“O Marinheiro” é uma das novidades da lista da Unicamp. Trata-se do único texto teatral de Fernando Pessoa (1888-1935) publicado em vida. No entanto, o professor e coautor do material de português do Sistema Anglo, Eduardo Calbucci, entrevistado neste podcast, faz uma ressalva. “Quando criava os heterônimos, ele comparava isso com uma experiência teatral. A obra de Pessoa se vale de elementos teatrais, ainda que não seja propriamente teatro”.
Em “O Marinheiro”, três mulheres conversam sobre suas existências. A cena se passa em um velório, em que uma delas comenta sobre um sonho com a figura desse profissional. “Tem esse marinheiro sonhando com o mundo ideal e parece que há uma fusão de planos entre o que elas estão dizendo e o que elas estão sonhando.”
Em um espaço atemporal, as três veladoras, como o texto se refere a elas, passam a noite entre sonhos, acontecimentos e imaginação. “Há o momento em que o marinheiro descobre que o que ele tinha imaginado era muito mais real do que o que tinha vivido. As três vivem exatamente o mesmo conflito.”
Para o professor, a peça promove uma fusão de planos narrativos. Isto dá a sensação de que as personagens, tal qual o marinheiro do sonho, também não sabem se o que elas estão vivendo é realidade ou fruto da imaginação.
Escrita em 1913, o texto tem traços do simbolismo, movimento literário que surge como reação ao materialismo e ao cientificismo que imperavam nas artes desde o final do século 19. Calbucci ressalta que “a obra transcende essa base simbolista e chega a dialogar com as vanguardas europeias”. Além disso, é um drama estático. “É muito mais uma obra de movimentação interna do que de movimentação externa”, conclui.
Imagem: Montagem da peça feita pelo grupo Mirateatro, com direção de Nanci de Freitas (crédito: divulgação/Ana Clara Souza).
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