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Instituto Claro episodes

  • Livro relata como criança autista usou a escola para explicar sobre seus comportamentos diferentes

    António falou com os colegas sobre síndrome de Asperger e o porquê de bater palmas.

    António estava com nove anos de idade, em 2018, quando comunicou à diretora da escola que iria falar na assembleia – uma prática estimulada naquela instituição para que os alunos exponham o que pensam diante dos colegas. O garoto, que tem síndrome de Asperger, um tipo de Transtorno do Espectro Autista (TEA), estava cansado de ser importunado pela turma, que não entendia o porquê de ele bater palmas com frequência.

    “Todo mundo ficava me zoando, falando: ‘ah, seu batedor de palmas, parece que eu estou vendo um show toda hora”, conta.

    A mãe, a jornalista Lana Bitu, entrevistada no podcast, completa: “Havia coisas pesadas, do tipo ‘você é demente’, ‘você é burro’, ‘você não entende’. O António trazia isso para casa, dividia comigo, sempre com uma serenidade muito surpreendente – um traço de sua personalidade, não da síndrome”.

    Com clareza, António emocionou não só as outras crianças, mas também a diretora e professoras, ao explicar como é ter a síndrome e que as palmas o ajudavam a imaginar. O ato com as mãos, segundo a mãe, foi classificado pela especialista que o diagnosticou, anos atrás, como parte da esteriotipia clássica da síndrome e é uma forma dele equalizar os estímulos e informações que recebe.

    “Era tão impactante, porque era um menino que não falava até os cinco anos. E falar em assembleia… era um menino que estava sofrendo um estranhamento pela questão das palmas e foi aplaudido por todos… A história é cheia de nuances, que eram poéticas, e eu não resisti e precisei compartilhar aquilo”, emociona-se Lana.

    Antes de virar o livro “Palmas para António”, a história foi postada no Facebook da jornalista, que se surpreendeu com a repercussão e os milhares de comentários. Foi aí que ela decidiu dividir esse e outros aprendizados sobre a evolução do filho.

    Na entrevista, ela conta como o pronunciamento de António sobre sua síndrome fez com que o filho fosse acolhido pelos outros alunos e também tivesse importância para todo o ambiente escolar. “O fato proporcionou esclarecimento, um diálogo novo. Outras questões que antes eram meio delicadas, não relacionadas a ele, mas a outros alunos, outras situações, foram reveladas. E eu acho que o que é mais legal é que isso não virou também o grande centro da questão. Foi assimilado com naturalidade, que é o pertinente”, conclui a escritora.

    No áudio, você ainda acompanha um diálogo gravado com exclusividade entre mãe e filho, sobre como ele se sentiu diante do ocorrido.

    Crédito da imagem principal: divulgação

    9 min
  • 5 passos para criar um museu virtual com seus alunos

    Idealizadora do “Manaus de Antigamente” explica como envolver os estudantes na coleta do acervo histórico.

    Como era viver há 50 anos na cidade em que você mora hoje? E a escola daquele tempo, era muito diferente? Um museu virtual pode ajudar quem busca respostas a perguntas como essas.

    No podcast, a professora de história e artes, Gisella Vieira Braga, compartilha como foi a criação do “Manaus de Antigamente”, que reúne imagens, vídeos e depoimentos sobre a capital amazonense. A ideia nasceu a partir de um trabalho com alunos do 4º ano do ensino fundamental.

    “Eu imaginei: ‘as crianças estão acessando bastante o Facebook, então, vou criar um para ver se alcanço esses adolescentes’. A minha surpresa é que o ‘Manaus de Antigamente’ foi além e alcançou adultos, idosos, pessoas que se identificaram com as fotos e os relatos”.

    Dividido em cinco passos, o caminho para a criação de um acervo virtual tem, como ponto de partida, segundo a professora, um levantamento para saber qual o nível de envolvimento dos estudantes com os museus da cidade.

    “Nós temos alunos que têm conhecimento de história por já visitarem museus, viajarem, conviverem com adultos que têm esse conhecimento. E nós temos um outro grupo que não tem conhecimento”, avalia.

    A busca de fotos, relatos escritos, além da conversa com pais e avós, é o segundo passo indicado por Braga. A partir daí, os alunos seguem a vivência com a criação de um texto em que expõem as percepções sobre a cidade de antigamente e a em que moram hoje. Depois, realizam visitas a museus e, finalmente, a exposição do material coletado na internet.

    “O museu virtual é, primeiramente, democrático. Quando você pensa em uma plataforma, rede social ou site, você vê o quanto isso é acessível. Independentemente da localização em que a pessoa está, desde que ela tenha acesso à internet, ela pode acessar esse ambiente.”

    O trabalho pode, ainda, gerar uma exposição fotográfica na escola, com imagens de ruas, praças, monumentos históricos e registros do cotidiano. “Eles mesmos acessam, imprimem, montam painéis, contam as histórias, pesquisam”, descreve a professora.

    Crédito da imagem principal: Foto enviada por Lenice Salerno/Manaus de Antigamente

    9 min
  • Rede de proteção previne violência contra jornalistas e promove liberdade de expressão

    Iniciativa reúne diversas entidades ligadas à comunicação e aos direitos humanos para combate às agressões.

    O “Relatório da violência contra jornalistas e liberdade de imprensa no Brasil”, produzido pela Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj) e apresentado no dia 16 de janeiro, mostrou um crescimento de mais de 50% dos casos de agressão contra esses profissionais no Brasil entre 2018 e 2019.

    Outro relatório, este da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco), divulgado no ano passado, aponta que o Brasil é um dos países mais perigosos do mundo para profissionais da comunicação trabalharem.

    “Nesse levantamento, o Brasil é o sexto país com maior caso de homicídios de jornalistas, e só abaixo de países que vivem situações de crises políticas, de refugiados, institucionais e sanitárias”, analisa o jornalista e coordenador da área de jornalismo e liberdade de expressão do Instituto Vladimir Herzog, Giuliano Galli, ouvido neste podcast.

    Para lutar contra essa realidade, em 2015, começou a ser planejada a Rede Nacional de Proteção a Comunicadores e Jornalistas. “A rede vem para isso, para se tornar uma referência, para ser um instrumento de proteção que possa ser realmente conhecido por jornalistas e comunicadores no Brasil inteiro”, afirma Galli.

    Essa postura está expressa no lema, “a segurança dos jornalistas é a segurança de todos nós”, que norteia as atividades do grupo, cujo principal objetivo consiste em ajudar a sociedade a evitar que outros jornalistas tenham o destino trágico de Vladimir Herzog, ilegalmente detido, torturado e assassinado em 1975.

    Muito além da segurança pessoal dos profissionais que trabalham em veículos de comunicação, o coletivo também busca fortalecer a liberdade de expressão.

    “A gente protege jornalistas e comunicadores, por entender que eles são agentes fundamentais para o funcionamento da democracia. Quando a atuação deles é comprometida, todo esse sistema político também é. Por isso que a segurança deles é, na verdade, a segurança de todos nós”.

    Além do Instituto Vladimir Herzog, que encabeça a iniciativa, a rede conta, por exemplo, com a Artigo 19, organização internacional com forte atuação no Brasil, a Repórteres sem Fronteiras, a Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji), o Intervozes e pequenos coletivos espalhados pelo país.

    “O Instituto Vladimir Herzog leva o nome de um jornalista que foi brutalmente torturado e assassinado, naquele que talvez seja o caso mais emblemático de violação de liberdade de expressão do país. Então, é obrigatório que a gente atue de alguma forma no sentido de garantir essa liberdade”, conclui Giuliano Galli.

    Imagem: O jornalista e coordenador da área de jornalismo e liberdade de expressão do Instituto Vladimir Herzog, Giuliano Galli (crédito: Marcelo Abud)

    9 min
  • Pedagogia de projetos coloca aluno no centro da resolução de problemas

    Para especialista, atividades relacionadas ao cotidiano dos estudantes trabalham aspectos cognitivos, físicos e emocionais.

    A ideia de pedagogia de projetos surgiu há quase um século com base no pensamento do educador e filósofo estadunidense John Dewey e a partir da concepção de que “educação é um processo de vida e não uma preparação para a vida futura”. Assim, essa forma de aprendizagem busca uma dinâmica centrada na criatividade e na atividade do estudante.

    “Daqui a 15 anos, o computador que o aluno usa hoje não servirá para nada. A tecnologia de hoje não servirá para mais nada. Então, é importante preparar o aluno para as necessidades dele de hoje. Ele precisa aprender a lidar com perguntas do tipo ‘o que eu faço se eu tiver um problema?’, ‘como eu me viro?’”, afirma o doutor em educação pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP) e professor, Nilbo Ribeiro Nogueira.

    Autor de livros sobre o tema e entrevistado neste podcast, o especialista reforça a importância de se trabalhar com problemas trazidos pelos estudantes. Com isso, é possível colocar em prática um conceito de educação que representa o ‘agora’, a vida prática dos alunos e a sociedade da qual eles fazem parte.

    “Todo projeto político pedagógico das escolas começa com o chavão ‘nossa missão é formar um cidadão integral, político e reflexivo’. Com a pedagogia de projetos, o aluno pode desenvolver a parte emocional, habilidades e competências, além de um pensamento filosófico”, conceitua.

    No áudio, Nogueira explica, ainda, que o professor assume um importante papel de orientador para estimular os estudantes a mostrarem e desenvolverem suas competências diante de desafios propostos.

    “Na pedagogia de projetos, o professor planeja o operacional, mas não as partes práticas, porque, se ele planeja isso, o aluno não desenvolve as habilidades e competências”.

    Em síntese, a construção do conhecimento acontece a partir em função da busca de respostas pelos alunos para situações que lhes despertam curiosidade.

    Crédito da imagem: iStock

    9 min
  • Skate trabalha equilíbrio e agilidade na escola

    Para professores esporte, que agora é modalidade olímpica, estimula desenvolvimento de habilidades físicas e mentais.

    O skate é uma das novidades das Olimpíadas deste ano em Tóquio, no Japão. Em algumas escolas, porém, a atividade é adotada há alguns anos. O professor de educação física da EMEF Raimundo Correia, localizada no Jardim Helena, zona leste de São Paulo (SP), Jorge Luiz de Oliveira, estimulou o skate junto a seus alunos do 6º ano do ensino fundamental em 2012, mas acredita que a adesão deve crescer agora.

    “Por ter entrado nas Olimpíadas, é a possibilidade de as pessoas reconhecerem o skate como uma prática corporal que está presente na sociedade e merece nosso estudo, nossa atenção, nossa problematização, compreensão”, defende.

    Na escola em que trabalha, aulas de skate estão alinhadas ao que é chamado de currículo cultural. “As crianças foram lá, vivenciaram, experimentaram, mas é importante também elas entenderem como que essa prática corporal é praticada na sociedade, como que nós vamos dando significados a ela.”

    A motivação para Oliveira incluir o esporte em suas aulas veio da percepção de que alguns alunos sofriam preconceito por ir de skate para a escola. “[Algumas pessoas pensam] que skatista é tudo vagabundo, que usa droga, que não quer nada da vida… Isso tudo motivou a problematização para refletir sobre estas questões com as crianças.”

    O professor comemora o resultado e diz que a visão das crianças mudou após o skate ser adotado na educação física. “Os educadores não devem ter medo de trabalhar com aquelas práticas corporais que não são bem vistas pela escola. Ouvir as crianças faz com que potencialize nosso trabalho em sala de aula.”

    A visão de Oliveira é compartilhada pelo docente Jander Sá, da Escola Estadual Francisco Bernardino, em Juiz de Fora (MG), que se notabilizou na região por apresentar diversos esportes olímpicos aos alunos.

    No caso do skate, Sá ressalta que o estímulo vem inclusive da Base Nacional Comum Curricular (BNCC), que indica a inclusão de práticas corporais de aventura já a partir do ensino fundamental.

    “Eu trabalhei ele como um instrumento que trabalha o equilíbrio e a vertigem, que hoje é pauta do currículo nacional você trabalhar esportes de aventura, só que com atividades muito lúdicas”, explica.

    Para Sá, além do aspecto cultural, o skate envolve conceitos que fazem parte da educação física. No entanto, assim como Oliveira, ele acredita que as aulas não são suficientes para ensinar manobras específicas, mas sim para que crianças e jovens tenham contato com esportes que fujam aos de costume.

    “[A ideia é] se divertir, mostrar várias possibilidades e trabalhar objetivos que a aula de educação física exige: equilíbrio, saber lidar com a velocidade, a própria vertigem, que é uma característica muito importante do esporte radical. Isso tudo você está trabalhando dentro daquelas atividades de brincadeira”.

    No podcast, os professores apontam caminhos para o uso do skate e afirmam não ser preciso grandes investimentos nem saber andar para utilizá-lo nas aulas. “Ele é da cultura juvenil, a partir do momento em que você ouve e dialoga com os jovens, percebe que estes temas devem fazer parte do currículo escolar”, conclui Oliveira.

    Crédito da imagem principal: _LeS_ – iStock

    8 min
  • Por que as antigas marchinhas são machistas?

    Pesquisadoras analisam como a figura da mulher é retratada nas músicas de carnaval

    Como as mulheres eram retratadas nas marchinhas carnavalescas dos anos 1930 a 1960? O Instituto Claro ouve duas especialistas no assunto para entender por que grande parte das composições desse período eram machistas.

    Autora do musical “Sassaricando – e o Rio inventou a marchinha”, que trata dessas tradicionais composições, a historiadora Rosa Maria Araújo ouviu mais de 2.000 músicas para a pesquisa da peça, juntamente com o jornalista Sérgio Cabral.

    Grupo Vozeiral interpretando “Tomara que caia”, composição de Luisa Toller (reprodução YouTube)

    “As marchinhas de carnaval tiveram seu auge entre as décadas de 1930 e 1960. E elas retratavam, é claro, as mulheres, os homens, a vida doméstica, o casamento… De uma forma muito preconceituosa, em geral”, diz.

    Criadas na então capital federal, essas canções coincidem com a efervescência do cinema, do rádio e do teatro de revista, que ajudaram a propagar as músicas.

    Embora as mulheres tivessem obtido conquistas sociais, como o direito ao voto e à inserção em algumas atividades profissionais, o direito de fala e de circulação nos espaços públicos era dedicado preferencialmente aos homens.

    Para a professora de música e compositora de marchinhas feministas, Luisa Toller, também ouvida neste podcast, não apenas as canções de carnaval, mas os demais gêneros também tratavam a mulher como objeto. “Não é muito diferente do que tem no resto da produção popular. Tem muito samba-canção, música caipira, tangos, boleros que têm um conteúdo machista”.

    No áudio, Rosa e Luisa analisam algumas marchinhas e ressaltam que elas servem como crônicas para que se entenda a sociedade da época em que foram concebidas. “Tem muita coisa falando sobre política, sobre comportamento social e refletindo também pensamentos que são super preconceituosos”, explica Toller.

    Para a compositora, “hoje em dia quando a gente fala que uma coisa é machista, a gente já tem que superar essa ideia de que isso é uma ofensa. É uma constatação! E eu acho que é muito bom que a gente consiga mudar e refletir sobre as coisas que a gente canta, fala e faz.”

    Araújo afirma que em vez de serem “censuradas”, as letras machistas e homofóbicas servem como provas do preconceito, o que não acontece se as canções forem “apagadas”. “Acho que o importante é a gente saber que elas são fruto de uma época e que isso mudou, que nós passamos a ter consciência de todos os preconceitos e que o preconceito é nocivo, está errado.”

    Sobre as composições atuais, Rosa Maria Araújo avalia que “a música produzida hoje é menos preconceituosa, na sua maioria. Claro que você tem algumas que ainda são muito grosseiras. Mas há outras que são plenamente feministas, que respeitam todas as preferências sexuais e que tratam disso com muita naturalidade”, conclui.

    Crédito da imagem principal: RebecaMello – iStock

    9 min
  • Professora defende conhecimento básico em Libras para escola inclusiva

    Aretha Braz criou também momento para ensinar a língua às crianças.

    A professora Aretha Braz dá aulas para turmas do 2º ano do ensino fundamental da Escola Municipal Antonio Pietruza, em Curitiba (PR). Para ela, “a inclusão vai além do cumprimento de normas e determinações e a empatia deve ser praticada todos os dias na escola”.

    Foi com esse pensamento em mente que a professora notou a falta de participação da família de um de seus alunos. “Asaf me contou que os pais não entendiam os bilhetes, porque são surdos.”

    Diante da dificuldade, Braz decidiu enviar os recados utilizando a Língua Brasileira de Sinais (Libras). “Eu traduzia letrinha por letrinha do para eles”, conta. Com isso, os pais começaram a responder as mensagens e a frequentar as reuniões na escola.

    O êxito da ação a motivou a oferecer o “Momento Libras” para os alunos. “Eu pego 30/35 minutos do final da aula para ensinar a língua para eles”.

    Para ampliar o repertório, ela, que já tinha noção da língua, pois havia estudado durante a formação universitária, buscou videoaulas e utilizou o aplicativo brasileiro “Hand Talk”. “Ele ajuda muito a aprender as palavras; dá para falar com o intérprete (Hugo) e você pode tanto escrever palavras e frases quanto falar para ele traduzir em Libras.”

    A professora diz compreender quando colegas de profissão relutam ao novo aprendizado, mas se esforça para que percebam a importância de se adquirir ao menos uma noção da segunda língua oficial do país. “Futuramente, a gente pode ter um aluno surdo e precisa, realmente, poder acolher essa criança”, enfatiza.

    Além da busca pela ampliação do “Momento Libras” para todos os interessados na escola, Braz trabalha pela inclusão do conteúdo no plano curricular. Junto com a irmã, ela apresentou um projeto na Prefeitura de Curitiba. O objetivo é o mesmo que a trouxe até aqui: incluir pais e alunos em todas as atividades escolares.

    Link:

    Curso online e gratuito para o aprendizado de Libras, disponibilizado pela Universidade de São Paulo (USP).

    Imagem:  Aretha Braz com o boneco Hugo, confeccionado por ela para o “Momento Libras” (crédito: arquivo pessoal)

    9 min
  • Livro inspirado em Greta Thunberg busca estimular crianças a lutar contra crise climática

    Na história, jovem ativista sueca trava batalha com responsáveis pela devastação de florestas.

    Lançado originalmente pelo selo britânico “Frances Lincoln Children’s Books”, o livro “Greta e os Gigantes” chega em fevereiro de 2020 ao Brasil. Para entender sobre as motivações da obra, o Instituto Claro entrevistou, por telefone, a autora da obra Zoë Tucker, que está na Inglaterra.

    “O meio ambiente sempre foi uma fonte de interesse para mim. Eu reciclo, eu não gasto coisas sem necessidades, eu adoro fazer minhas próprias roupas, costurar, tricotar, eu tento não consumir em excesso; e eu vivo em uma cidade brilhante, Brighton, na costa sul da Inglaterra”, revela a ilustradora e escritora.

    A motivação para escrever sobre a jovem ativista Greta Thunberg veio, ainda segundo ela, em função das inúmeras manifestações que acontecem em várias partes do mundo nos dias de hoje, o que a fez pensar no papel da garota.

    “Ela é muito inspiradora. Todos nós podemos aprender algo com a sua coragem e determinação. Às vezes, a gente só precisa de um instante de coragem para fazer alguma diferença”.

    Na história, a floresta está sendo destruída. Os animais se unem e pedem ajuda à Greta. “Os ‘gigantes’ simbolizam algumas pessoas, companhias, empresas que estão usando de forma irresponsável os recursos do planeta, ao mesmo tempo em que eles também nos representam numa visão menor, na questão do consumo”, defende a autora.

    O livro é produzido com material 100% reciclável e em impressoras sustentáveis em cada país em que está sendo lançado, evitando o transporte de grandes distâncias para sua distribuição.

    “Conseguimos reduzir muito todo o processo de agressão e impacto ao planeta. Nós fizemos a campanha do livro pouco antes de ele sair e para cada livro solicitado, plantamos uma árvore”. Parte da venda de cada exemplar da edição brasileira é doada ao Greenpeace Brasil.

    Conhecida por seus discursos impactantes em eventos com os principais líderes mundiais, Greta, aos 16 anos, chamou a atenção do mundo pela sua  luta em defesa do meio ambiente e por uma consciência acerca dos danos  que a sociedade tem causado ao planeta. Ela iniciou um movimento de resistência ao exibir, em frente ao parlamento sueco, uma placa na qual sinalizava seu protesto contra a crise climática.

    Por manter essa vigilância todas as sextas-feiras, o movimento solitário da jovem, iniciado em 2018, repercutiu e foi ganhando adeptos ao redor do mundo, inclusive no Brasil, mobilizando pessoas de todas as idades.

    Conhecido mundialmente como Fridays For Future, o protesto atualmente recebe o apoio de grandes órgãos mundiais e rendeu à Greta a indicação ao Nobel da Paz em 2019 e novamente agora em 2020.

    Imagem: Zoë Tucker conferindo a arte da versão original do livro, que está chegando ao Brasil neste mês (crédito: divulgação)

    8 min
  • Simone Mozzilli auxilia crianças em tratamento de câncer com leveza e bom humorSimone Mozzilli auxilia crianças em tratamento de câncer com leveza e bom humor

    Fundadora da Beaba, publicitária desmistifica termos oncológicos para esse público usando a tecnologia da informação.

    Voluntariado, empatia, conhecimento de causa e uma ajudinha da tecnologia permitiram que Simone Mozzilli pudesse ajudar crianças e adolescentes que estão passando pelo tratamento de câncer e seus acompanhantes. Com a ajuda de médicos e psicólogos, ela lançou um guia (livro), posteriormente transformado em jogo para smartphones, para apresentar, com leveza e didatismo, termos específicos da oncologia, para esse público.

    “O que a gente tentou fazer é explicar os procedimentos de uma maneira tranquila, clara e objetiva. Além dos pacientes, profissionais de saúde usam muito, porque eles veem que isso facilita a maneira deles falarem com o atendido e também o acolher”, explica Mozzilli, em entrevista ao podcast do Instituto Claro.

    A publicitária deixou o universo das agências para criar a ONG Beaba. Ela já ajudava crianças com câncer como voluntária desde 2008, quando foi internada em 2011 para remover o que seria um cisto no ovário. “Eu acordei na UTI e percebi que algo não estava certo, porque era pra eu acordar na sala de recuperação e depois ir para o quarto. Estava toda entubada.”

    Aos 34 anos, depois de nove horas de cirurgia, ela soube que estava com câncer em fase avançada. Ao se deparar com a realidade do tratamento em um hospital referência, o AC Camargo, em São Paulo, resolveu ampliar as ações junto a crianças e seus acompanhantes, com o objetivo de esclarecer todas as etapas pelas quais a pessoa em tratamento passa.

    “Alguém até falou uma analogia legal esses dias: ‘Você está num corredor escuro e, à medida que vai andando, alguém vai acendendo a luz’. Quando você já sabe o que vai fazer, o procedimento que você vai fazer, quando você já tem alguma ideia, isso  te dá uma segurança maior.”

    A Beaba foi criada em 2013 e desenvolve ações e materiais para a criança ou adolescente aprender, de forma lúdica, o significado de expressões do mundo oncológico. A eficácia das ações foi comprovada em visita do Instituto Claro à ONG. No áudio, você acompanha os depoimentos de duas crianças e suas mães sobre o que mudou, após o contato com o guia “Beaba do Câncer”.

    “Eu não entendia várias coisas que faziam comigo, procedimentos, remédios… E o livro me deixou mais tranquila, sabendo que eram coisas simples de serem explicadas”, conta Valentina Massens, de 11 anos.

    Criatividade e bom humor fazem com que Simone Mozzilli diga que a vida dela se divide em aC e dC, antes e depois do câncer. Quando foi diagnosticada, ficou espantada com a falta de sensibilidade, por exemplo, ao receber um kit com xampu ao ser internada com a cabeça raspada.

    A fase “dC” a aproximou ainda mais das crianças, gerando empatia ao explicar cada etapa do tratamento, pois passou a dividir o que ela mesma estava vivendo.

    Imagem: Valentina e Cristina Massens, Simone Mozzilli, Patricia Ferreira e Isis Maria: conhecimento no auxílio ao tratamento do câncer (crédito: Marcelo Abud)

    9 min
  • Física e química explicam relação entre velocidade dos automóveis e aumento do efeito estufa

    No áudio, professoras abordam tema e dão dica de experiência para a sala de aula.

    O efeito estufa é necessariamente ruim? Diminuir a velocidade máxima permitida em uma estrada pode, por exemplo, ajudar no combate ao seu aumento?

    Para responder a essas questões, o Instituto Claro conversa com duas estudiosas do assunto que explicam qual a relação entre a energia liberada pelos automóveis e o aquecimento global. Isto porque o governo da Holanda diminuiu a velocidade máxima nas estradas, desde o início deste ano, com o intuito de reduzir a poluição e as emissões de carbono.

    A doutora em física pela Universidade de São Paulo (USP), Viviane Alves, explica que há resultado efetivo na redução de 130 km/h para 100 km/h nas rodovias do país europeu.

    “Quanto mais rápido um automóvel está, mais energia ele precisa. Nesse processo de combustão é que são emitidos os gases do efeito estufa. Para aumentar a velocidade em 30%, eu preciso colocar 69% a mais de energia. Então, embora possa parecer pequena a alteração de 100 para 130 quilômetros por hora, isso vai fazer diferença em termos energéticos”.

    Também entrevistada para o podcast, a mestre em bioquímica pelo Instituto de Química da USP, Soraia Ferini Namora, lembra que o efeito estufa é fundamental para a manutenção da vida na Terra, por manter o planeta aquecido.

    “Se a gente não tem uma barreira que segura, de alguma forma, uma parte desse calor, a gente teria temperaturas muito baixas, o que inviabilizaria a vida como a gente conhece na Terra”, esclarece. O problema vem justamente a partir do momento em que há um excesso desses gases. “Esse efeito estufa, em princípio, intensificado, leva ao aumento do calor que fica retido na baixa atmosfera e, portanto, leva a um aumento da temperatura global do planeta”, complementa Soraia.

    No áudio, as professoras trazem exemplos que demonstram a relação entre velocidade dos automóveis e emissão de gases, além de uma experiência simples, que pode ser reproduzida em sala de aula para demonstrar uma das consequências do desequilíbrio no efeito estufa.

    Crédito da imagem: CreativeNature_nl – iStock

    9 min

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