Instituto Claro

Instituto Claro

By Instituto ClaroEducation
Download on the App Store

Instituto Claro episodes

  • “A Falência”, de 1901, evidencia problemas de desigualdade social e violência contra a mulher

    Obra exigida no vestibular da Unicamp retrata uma sociedade patriarcal que encontra eco na atualidade.

    O livro “A Falência”, de Júlia Lopes de Almeida, foi lançado em 1901 e é considerado um marco da transição entre as literaturas dos séculos 19 e 20. “Existe um incômodo histórico da autora, porque, em muitos livros pregressos, ‘Ana Karenina’, ‘Madame Bovary’, ‘Primo Basílio’, os casos extraconjugais levam a mulher à morte”, avalia o professor de literatura do Cursinho da Poli, Murilo Gonçalves.

    Na obra, que o entrevistado classifica como parte do realismo / naturalismo, o desfecho busca combater essa visão da sociedade patriarcal. “Nesse livro (…), o caso extraconjugal faz com que ela persevere na vida. O marido acaba morrendo, eles perdem tudo e ela segue trabalhando”, conta Gonçalves, referindo-se à personagem Camila, que, após a morte do marido, torna-se professora, com a missão de alfabetizar outras meninas.

    Ao propor essa revisão em relação a temas como adultério, e também à escravidão, a autora faz um balanço do que ocorrera até então e, como se denota pelo título “A Falência”, aponta problemas. “A gente tem um país que aboliu a escravidão e continua sendo, em alguma medida, extremamente racista e com grande dificuldade de aceitar a abolição. Então, percebemos essa ideia de dificuldades de emancipação de certos grupos: os negros e as mulheres, que são duas bandeiras que aparecem com muita força no livro”, resume o professor.

    No áudio, Murilo Gonçalves lê um trecho do livro e explica sobre a importância de Júlia Lopes de Almeida (1862-1934) para a literatura brasileira, desde os primeiros anos da República até a morte da autora. Neste que foi o seu quarto romance, há uma reprodução da sociedade do período, que evidencia problemas econômicos, morais e étnicos ainda não resolvidos nos dias de hoje.

    Imagem:  Murilo Gonçalves destaca as questões de gênero e racismo abordadas no livro “A Falência” (crédito: Marcelo Abud)

    11 min
  • Livraria Africanidades promove valorização de escritoras negras e feministas

    Criação do espaço físico e virtual foi motivada pela falta de representatividade.

    Empreendedora e bibliotecária, Ketty Valêncio é proprietária da Africanidades. Com loja virtual e espaço cultural na zona norte de São Paulo, ela define a livraria como uma forma de “promover o resgate e a valorização das identidades negras brasileiras e africanas, por meio dos livros e da cultura”.

    Entrevistada neste podcast, Valêncio revela que essa missão tem a ver com a própria história dela na infância e adolescência. “Na escola, não me enxergava nos livros exigidos e, por isso, achava que não era uma leitora, que eu não gostava de ler, porque não me via na literatura, esta que é imposta, clássica.”

    A pesquisadora se considera uma ativista. “Com a Africanidades, busco estimular a reflexão e quebrar os preconceitos de uma sociedade que ainda hoje é racista, misógina e classista”, orgulha-se.

    A livraria reúne títulos que vão de obras infantis a livros de arte, passando por escritoras fundamentais, como Alice Walker, Angela Davis, Jarid Arraes e Maria Firmino. “O acervo é principalmente formado por autoras negras e feministas. No site, temos títulos que dificilmente são encontrados nas grandes magazines ou livrarias online.”

    A entrevistada é também uma das idealizadoras do projeto  “Mulheres de Palavra: um retrato de mulheres do rap de SP”. A trilha sonora do podcast foi escolhida por ela própria. “Primeira vez que eu ouvi uma música estilo rap foi algo muito impactante, porque eu via uma narração da minha história. Aí também inicia o ‘lance’ da literatura”, justifica.

    Crédito: As músicas utilizadas de fundo neste episódio foram extraídas do trabalho Hip Hop Instrumentals mix by Bassment FM, disponibilizado sob a licença “Creative Commons”.

    Imagem: Ketty Valêncio na entrada da livraria e espaço cultural Africanidades, mantidos por ela (crédito: Marcelo Abud)

    10 min
  • Em “O Espelho”, Machado de Assis usa o objeto para filosofar sobre a alma humana

    O conto “O Espelho” foi publicado no jornal Gazeta de Notícias em setembro de 1882 e, posteriormente, passou a integrar a coletânea “Papéis Avulsos”. Nela, Machado de Assis faz, pela primeira vez, uma experiência com narrativas curtas em tom mais realista. “Ele utiliza uma perspectiva mais crítica, irônica e pessimista, iniciada com ‘Memórias Póstumas de Brás Cubas’, um ano antes”, avalia o professor de literatura do Cursinho da Poli, Cláudio Caus, entrevistado nesta edição do podcast “Livro Aberto”.

    O contexto da época era de profunda transformação no Brasil. No início da década de 1880, o movimento abolicionista ganhava força e o país também se encaminhava para o fim da monarquia. Segundo Caus, “o conto, além de expressar a universalidade característica dos realistas, também tem como pano de fundo este contexto histórico-cultural brasileiro”.

    O objeto destacado desde o título faz referência a um espelho que remonta à época de Dom João VI. Embora imponente, com moldura em ouro e madrepérola, já é uma estrutura corroída, desgastada pelo tempo. “É como se o autor quisesse mostrar que a sociedade brasileira, principalmente a elite, ainda se apegava a uma tradição, um certo conservadorismo.”

    Segundo o professor, a narrativa é uma espécie de conto de tese, em que a ideia é elaborada, dissertada, e algumas perspectivas são apresentadas a respeito dela. No texto, quatro ou cinco cavalheiros debatem questões cientificistas, ligadas à filosofia positivista, determinista, evolucionista, entre outras que estavam em evidência. João Jacobina, personagem central de “O Espelho”, num primeiro momento hesita em participar dessa discussão.

    “Ele evita, porque acredita que a discussão acaba gerando mal entendido, indisposição, então ele prefere se abster”, ressalta Caus. No entanto, ele aceita falar, desde não haja réplica nem opinião contrária à sua exposição.

    A conversa envereda por uma experiência concreta relatada por Jacobina ao grupo e envolve a natureza da alma humana. Ele basicamente defende a teoria que o ser humano tem duas almas, não uma. “O Machado, que era sabidamente ateu, como normalmente são esses cientificistas, já levanta uma dúvida em relação à nossa cultura que é bastante católica, judaico-cristã e que defende a existência de uma alma apenas.”

    “Ele conta que, quando tinha 25 anos, era de família humilde, pobre e acabou conseguindo o cargo de alferes, uma espécie de oficial. Isso despertou a admiração de boa parte dos amigos e da família, que até doaram para ele a farda, mas, ao mesmo tempo, também a inveja de outros”. Ao analisar o discurso do protagonista, de acordo com o professor, fica claro que ele se perde em uma vida de aparência e a imagem no espelho reflete a alma externa, não o que realmente é, mas o que deseja que as pessoas vejam nele.

    Para Caus, essa imagem abre a possibilidade de um link com o que acontece hoje, em especial, nas redes sociais. “Crianças e jovens estão expostos a um bombardeio de fotos, de lugares, de pessoas, em imagens e posts devidamente filtrados, selecionados. Isso faz com que eles acreditem que não são perfeitos como essas pessoas e nem têm uma vida tão interessante, sem parar pra pensar que ninguém vive literalmente aquilo, eles apenas mostram o que acham que a sociedade quer deles ou como eles querem ser aceitos”, finaliza.

    Link:

    O conto “O Espelho”, de Machado de Assis, pode ser encontrado na coletânea “Papéis Avulsos”.

    Créditos:

    “Sampa” (Caetano Veloso); “Cinco Companheiros”, (Pixinguinha, Benedito Lacerda); “Além do espelho” (João Nogueira); “Índios” (Renato Russo), com Pitty; e “Capítu” (Luiz Tatit), com Zélia Duncan. A música de fundo é composta por Reynaldo Bessa.

    Imagem: Claudio Caus diante de ilustração de Dorinho Bastos, na biblioteca da Eca, na USP (crédito: Marcelo Abud)

    12 min
  • Jovens ativistas ganham voz na luta pela proteção dos direitos das gerações futuras

    Para professor da USP, essa militância é forma de praticar a chamada justiça intergeracional.

    Greta Thunberg, de 16 anos, chamou a atenção do mundo no final de setembro, ao participar da Cúpula do Clima da Organização das Nações Unidas (ONU). A sueca foi convidada, juntamente com outras 15 crianças e adolescentes, para formalizar uma reclamação contra crises ambientais em cinco países, entre eles o Brasil.

    No grupo também havia duas brasileiras: Catarina Lorenzo, surfista de 12 anos, e Paloma Costa, 27, ativista ambiental, coordenadora do Grupo de Trabalho (GT) do Engajamundo e assessora do Instituto Socioambiental (ISA), entrevistada neste podcast.

    Costa discursou na abertura do evento realizado às vésperas da Assembleia Geral da ONU. “Acredito que a grande vitória foi toda essa visibilidade e, agora, a obrigação que todo mundo tem sentido em colocar a gente nesses espaços. A gente chegou e não vai se calar”, afirma a recém-formada em direito na Universidade de Brasília (UnB).

    Quando crianças e jovens exigem das autoridades atitudes concretas contra a crise climática estão praticando uma das máximas da chamada justiça intergeracional, explica o professor do Departamento de Filosofia e Teoria Geral do Direito da Universidade de São Paulo (USP), Eduardo Bittar, também ouvido nesta edição.

    “Ao cobrarem líderes mundiais, elas estão demonstrando que o mundo adulto se acomodou, se acovardou, se despediu de seus deveres. Por isso, elas têm, sim, coerência entre a atitude de vida e luta pública”, justifica ele, mostrando que esses jovens ativistas possuem, acima de tudo, autoridade moral e política para cobrar atitudes mais amplas em prol do desenvolvimento sustentável.

    No áudio, os entrevistados citam a convergência que há entre direito ambiental e desenvolvimento sustentável, conversam sobre equidade entre gerações para que se protejam os direitos das gerações futuras; e tratam da necessidade de que limites sejam respeitados, a fim de que todos usufruam de um meio ambiente ecologicamente equilibrado e saudável.

    Links:

    Assista ao documentário “O Amanhã é hoje”, sobre o cotidiano de brasileiros impactados pelas mudanças climáticas
    Veja o discurso de Paloma Costa na abertura da Cúpula do Clima da ONU, em setembro de 2019

    Imagem:  Paloma ao lado de Greta, durante a abertura da Cúpula pelo Clima na ONU (crédito: arquivo pessoal)

    11 min
  • “História do Cerco de Lisboa”: livro exigido pela Unicamp mistura fato histórico à ficção

    Para professora, obra de Saramago pode suscitar debate sobre fake news

    Lançado no final dos anos 1980, “História do cerco de Lisboa” faz parte da série de romances históricos do escritor português José Saramago, que inclui outros títulos conhecidos, como “Memorial do Convento” e “A jangada de Pedra”. O fato histórico em questão aconteceu em 1147.

    “[O livro] É um elogio ao papel do escritor, a partir de um pensamento de Aristóteles, que dizia ‘a história é o que foi, a literatura, o que poderia ter sido”, explica a professora de redação do Cursinho da Poli, Eva Albuquerque, ouvida pelo Instituto Claro neste podcast.

    Na trama, Raimundo Benvindo Silva é um humilde revisor de textos. Ao trabalhar em uma obra sobre o cerco de Lisboa, comete, propositalmente, um erro. “Se há fatos reais que não entraram na história e outros entraram, às vezes, nem tão verdadeiros, é a literatura que pode corrigir isso”, resume a entrevistada sobre a ideia de Saramago.

    Como revisor de livros, ele acrescenta a palavra “não” a uma frase e, desta forma, altera o fato histórico que revela o apoio dos cruzados aos portugueses. Diante da descoberta do erro, a editora acrescenta uma errata.

    O fato de Raimundo ser respeitado, faz com que, em vez de o demitir, a editora contrate uma mulher, Maria Sara, para supervisionar seu trabalho. Ela tenta entender a causa daquele erro e acaba estimulando a reescrita do episódio atrelado à história de Portugal. Enquanto o personagem reescreve os acontecimentos, acaba também iniciando um relacionamento amoroso com ela.

    “Ele vai fazer agora com muito cuidado a verdade dele, corrigindo aquele livro que foi feito e mudando completamente a história.”

    De acordo com a professora, a escolha deste livro em vestibulares pode gerar discussões para temas bem atuais, como as fake news. “Essa discussão para a Unicamp pode ser muito interessante: uma notícia da internet, na minha rede social, nos jornais… eu não vou sair compartilhando por aí, porque eu preciso ir atrás da verdade. Por que que eu não vou atrás? Dá mais trabalho, mas eu vou ter que pesquisar se é verdadeiro ou não pra eu compartilhar, porque é o verdadeiro que tem que prevalecer”, define Albuquerque.

    Imagem: Professora Eva Albuquerque, do Cursinho da Poli, em São Paulo (crédito: Marcelo Abud)

    13 min
  • EJA: modalidade de ensino pode resgatar cidadania de brasileiros que estão à margem da sociedade

    Segundo IBGE, em 2018, Brasil ainda tinha 11,3 milhões de analfabetos.

    O Brasil tem 11 milhões de pessoas de 15 anos ou mais que não sabem ler, segundo dados de 2018 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Fora da idade escolar, elas podem encontrar na Educação de Jovens e Adultos (EJA) uma nova oportunidade de estudar. Porém, a parcela que busca essa modalidade de ensino ainda é pequena.

    Recém lançada, a série “Segunda Chamada”, da TV Globo, promove o debate sobre a precariedade que esse formato tem enfrentado diante de cortes e dificuldades. Na contramão desses problemas, está o Colégio Santa Cruz em Alto de Pinheiros, na capital paulista (SP), que oferece turmas de EJA gratuitamente no horário noturno há 45 anos.

    Segundo o diretor do período noturno da instituição, Fernando Frochtengarten, que você ouve no podcast, “70% dos alunos são nordestinos, vindos de áreas rurais, que não tiveram acesso à escola em seu lugar de origem. Muitos deles trabalham em serviços domésticos. Além disso, temos também um grande contingente de desempregados no momento”.

    Ele afirma ainda que tem sido notado um aumento de jovens, com até 25 anos, que abandonaram os estudos numa outra condição. “São pessoas que nasceram na cidade de São Paulo, majoritariamente filhos de migrantes, que não tiveram condição de permanecer na escola pública.”

    Em busca de autoestima, jovens e adultos tem o objetivo de aprender a desempenhar formas de oralidade adequadas aos espaços que frequentam, além da preocupação com a elevação da escolaridade, que pode proporcionar uma melhoria de trabalho e renda.

    Enquanto as políticas públicas têm deixado a EJA de lado – no início de 2019 foi extinta a Secadi, que era responsável por essa área no Ministério da Educação (MEC) –, a instituição oferece ainda transporte (atualmente a maior parte dos alunos vêm de bairros mais distantes), lanche e tem parcerias com advogados e psicanalistas para os estudantes que precisam. A turma é formada, inclusive, por alguns motoristas e empregados domésticos das famílias dos alunos que frequentam o local durante o dia.

    “A gente tem um contingente de pessoas que, potencialmente, poderiam participar da Educação de Jovens e Adultos: são 70 milhões de brasileiros que não terminaram o ensino médio. Desse grupo, segundo a Pnad 2018, 55 milhões não terminaram sequer o fundamental, são quase 11 milhões e meio de analfabetos”, revela Frochtengarten.

    De acordo com o diretor, essa parcela da população é formada por pessoas que estão às margens dos processos formativos. Sem direito à educação, deixam de ter também direito ao trabalho, à saúde e acabam não participando da vida do país.

    A reportagem do Instituto Claro ouviu também o professor de ciências, Felipe Bandoni, que dá aulas para crianças e também no curso noturno do colégio. “Essa ‘mudança na vida’ é muito mais imediataimediata na EJA e muito mais revolucionária para esses alunos do que para os pequenos”, defende.

    Créditos:

    Os trechos de músicas utilizados no podcast, por ordem de entrada, são: “Canão foi tão bom” (Sabotage); “Sr. Presidente” (Projota / Tom Leite), com Projota; e “Me deixa falar” (Paula Toller e George Israel). As trilhas instrumentais são compostas e tocadas por Reynaldo Bessa.

    11 min
  • “Sermões de Quarta-feira de Cinza” provoca reflexão sobre morte como cerne da consciência humana

    Obra com textos do padre Antonio Vieira é a única dissertativa-argumentativa da lista da Unicamp

    Escritos no século 17 pelo jesuíta português Antonio Vieira (1608 – 1697), os três sermões de Quarta-Feira de Cinza – produzidos para pregações nessa data – tratam da morte como cerne da consciência cristã. Desta forma, ao gerar temor, o fim da vida orienta as práticas da existência humana.

    “O primeiro texto traz como tema bíblico a frase que Deus teria dito a Adão, quando expulsou Adão e Eva do paraíso: ‘Memento, homo, quia pulvis es et in pulverem reverteris’ – em português: Lembre-se, homem, que és pó e em pó te reverterás. A partir dessa passagem, ele tenta provar que o homem, além de se tornar pó, já é pó”, explica o professor de literatura do Cursinho da Poli, Frederico Barbosa, entrevistado no áudio.

    “No terceiro sermão, Vieira quer provar que a morte termina com os sofrimentos, angústias e misérias da vida. Mas ela só pode ser positiva, só pode ser um bem, se a nossa existência for digna, se a gente fizer por merecer a vida eterna no paraíso”, analisa.

    A reunião desses três sermões traz argumentos relativos à eternidade, à hora da morte e às misérias da vida e dos vivos. “Das publicações indicadas para o vestibular da Unicamp, você tem romance, poema, conto, peças de teatro, mas textos dissertativo-argumentativos só nos sermões de Quarta-feira de Cinza”. A argumentação proposta por Vieira é a dialética entre o temor e a consolação.

    Link:

    Vestibular: 9 podcasts para entender os livros da Fuvest

    Créditos:

    A música utilizada de fundo no podcast é “Nisi Dominus – Cum Dederit”, de Antonio Vivaldi. A dramatização é feita pelo ator português Luís Miguel Cintra, que viveu o Padre Antonio Vieira no cinema.

    12 min
  • Alunos refugiados ou imigrantes encontram acolhida em escolas públicas

    Mesmo sem orientações estabelecidas, comunidade escolar tem demonstrado sensibilidade ao receber essas crianças

    O lançamento do livro “Eu estou aqui”, na livraria da Vila, na última quinta-feira (3/10), contou com a presença de pessoas de diferentes nacionalidades. Elas estavam interessadas em conhecer a história de 12 crianças refugiadas ou imigrantes que são contadas pela jornalista e escritora Maisa Zakzuk, mesma autora de “A Árvore da família”.

    Para sua sexta obra, Zakzuk fez uma ampla pesquisa com docentes e gestores escolares a fim de se aproximar dessas crianças que tiveram de deixar seus países de origem para começar uma nova vida no Brasil. “A escola é a porta de entrada e de acolhida e de recepção para ela gostar da nação em que está entrando”, defende.

    Das 12 crianças presentes no livro, 11 estão matriculadas em escolas públicas de São Paulo. Segundo a escritora, essas instituições de ensino são a principal fonte de acolhimento delas e, mesmo sem normas estabelecidas sobre como receber estrangeiros, coibir a xenofobia e o preconceito, as comunidades escolares têm demonstrado ter muita sensibilidade para lidar com a situação.

    Neste podcast, você ouve relatos de crianças e de educadores que deixam claro o quanto a presença de refugiados e imigrantes representam uma ampliação das culturas com as quais os alunos brasileiros convivem atualmente. “As escolas públicas estão recebendo estudantes do mundo inteiro e é uma oportunidade de troca muito boa, se for bem aproveitada”, resume Zakzuk.

    A percepção da escritora reflete também o que pensa a professora Dione Aparecida Evangelista, da Emei João Mendonça Falcão, que fica no bairro do Brás, região central de São Paulo. “Quando uma criança chega, os alunos começam a se questionar ‘o que a gente vai aprender com ela? Que língua a gente vai aprender, que música vai cantar? Então todo mundo que chega vai trazer algo de bom e vai nos ensinar.”

    Além da docente, o Instituto Claro ouviu também a coordenadora e a diretora da escola e os alunos David e Anthocell. Eles destacam a importância do Projeto “Culturas do mundo – a história de muitas vozes”, que faz parte do cotidiano dessa Emei há pouco mais de três anos.

    A instituição de ensino está localizada em uma região que, historicamente, convive com a questão da imigração, por ser um grande centro comercial da cidade de São Paulo. “Muitas vezes esses pais vêm também com a questão de procurar um melhor trabalho, melhores condições”, afirma a coordenadora pedagógica Marilene Sales de Melo.

    Por esta particularidade, a Emei João Mendonça Falcão conta atualmente com alunos de 13 nacionalidades. Para promover a integração e boa convivência entre todos, a cada nova criança de outro país que ingressa, a escola inclui a bandeira da nação de origem dela e conversa com seus familiares para aprender mais sobre brincadeiras e músicas típicas da região que eles vieram. Ela, então, é recepcionada por todos os estudantes, que cantam uma música tradicional de seu país.

    “Aí cantando pra ela, eu acho que ela se sente feliz. Ela se acha importante na vida dessas pessoas”, acredita Anthocell.

    Crédito:

    A música de fundo é composta por Reynaldo Bessa.

    Crédito da imagem: Dione Aparecida Evangelista/Emei João Mendonça Falcão

    11 min
  • Dia Mundial do Coração: campanha pretende estimular postagens e gerar reflexão sobre hábitos saudáveis

    Além das redes sociais, ação também envolve luta pela distribuição de medicamentos no SUS

    O Dia mundial do Coração é comemorado em 29 de setembro. A data visa alertar e conscientizar as pessoas sobre atitudes que preservem a saúde do órgão. A data foi criada pela Federação Mundial do Coração (World Heart Federation) no ano 2000. No Brasil, cerca de 300 mil casos de infarto agudo do miocárdio são registrados por ano, de acordo com a Organização Pan-Americana da Saúde (Opas/OMS).

    Motivada pela perda do pai, em função de um ataque cardíaco, a publicitária e professora Irene Knoth se uniu novamente a sua ex-aluna e cofundadora da empresa social “Colabore com o Futuro”, Carolina Cohen. Ambas foram responsáveis pela criação do “Movimento contra o Linfoma”, em 2015, e, agora, estão envolvidas na criação da  hashtag “D♥” para o GAC, Grupo de Advocacy em Cardiovascular, que reúne 4 associações de pacientes no Brasil.

    “Essa prática nada mais é do que lutar por uma causa, argumentar por uma causa. Tem algumas ONGs no Brasil que já falam de doenças cardiovasculares, mas, sozinhas, elas não têm tanta voz”, explica Cohen.

    A campanha vai ter início com um vídeo em que Knoth relata a experiência que teve com o pai. “Depois que ele teve o primeiro infarto, ele mudou tanto a vida dele: parou de fumar, começou a fazer atividades físicas de novo. Primeiro uma coisa mais simples, mais leve. Mas, depois, a gente já estava andando quilômetros de bicicleta. Ao mesmo tempo, isso me aproximou dele”, antecipa para nossa reportagem.

    “Se a gente trabalhar pra que essa consciência sobre as cardiopatias seja considerada na vida das pessoas como algo mais preventivo do que ter que tomar remédio depois, a nossa ideia é que o dia seja mais comemorado como um dia de amor, do que um dia de saudade. E essa é a frase [da campanha].”

    Além de estimular que todos participem com histórias que façam as pessoas refletirem sobre a importância de mudanças de hábito que podem garantir a saúde do coração, a campanha também tem o objetivo de lutar para que haja disponibilidade de medicamentos para o tratamento de doenças cardiovasculares no Sistema Único de Saúde (SUS).

    “Nessa campanha, uma das ações será dentro da Alesp, que é a Assembleia Legislativa de São Paulo, pedindo para que os parlamentares também postem em suas redes sociais as histórias deles com a #D♥”, completa Cohen, que ressalta que esta é uma das maneiras de chamar a atenção dos governantes e mostrar a mobilização social em torno da melhoria no tratamento e prevenção de doenças do coração.

    Ainda no áudio, você ouve o depoimento de Valdemar Jorge, que há 15 anos descobriu que suas artérias estavam entupidas. “Passei a diminuir a gordura, a comer salada e frutas, e a andar mais. Nunca frequentei uma academia, mas passei a andar em praça, a descer do ônibus um ponto antes do ponto da minha casa para andar este trecho”, relata o diretor de vídeo, que, aos 69 anos, convive com dois stents – próteses que evitam uma nova obstrução dos vasos sanguíneos, e diz se sentir bem com os novos hábitos.

    Créditos:

    A notícia da morte de Paulo Autran foi extraída de áudio do programa “Primeira Hora”, da  Rádio Bandeirantes, de 12 de outubro de 2007; a entrevista de Chico Anysio fez parte do programa “3 a 1”, exibido pela TV Brasil em dezembro de 2008; o depoimento de José Paulo de Andrade é do programa “Pulo do Gato”, da Rádio Bandeirantes, do dia 29 de agosto deste ano. A música de fundo é composta e executada por Reynaldo Bessa.

    Crédito da imagem: Marcelo Abud

    11 min
  • Constituição na Escola: ONG ensina jovens sobre direitos e deveres

    Objetivo é expandir noção cívica dos estudantes para que compreendam importância de serem cidadãos conscientes

    O projeto “Constituição na Escola” foi criado por ex-alunos e professores da Faculdade de Direito da PUC-SP. Atualmente, ele conta com mais de 20 colaboradores e voluntários, formados também em outras faculdades de direito da região. Neste podcast, você acompanha uma entrevista com o fundador e presidente da ONG homônima, Felipe Costa Rodrigues Neves.

    “Eu estava no último ano da faculdade de direito e queria participar um pouquinho mais da nossa comunidade, queria ajudar os outros. E decidi tentar retribuir, para a sociedade, um pouco do que eu aprendi.”

    O objetivo da iniciativa é expandir a noção cívica dos estudantes, ensinando sobre direitos e deveres constitucionais, para que compreendam a importância de serem cidadãos conscientes. “A ideia é demonstrar para eles que a Constituição serve de base para todas as outras leis e ordenamentos que os estudantes deverão seguir ao longo de suas vidas, por isso ela deve ser compreendida”, explica Neves.

    O projeto tem despertado interesse cada vez maior de escolas públicas. Com isso, um protocolo de intenções entre o “Constituição na Escola” e as secretarias de Educação foi desenvolvido. Hoje, a ONG está habilitada para dar aula sobre Constituição em todas as escolas do estado de São Paulo.

    “Atualmente atendemos três regionais de ensino, que compreendem, mais ou menos, 120 escolas em São Paulo. Temos também uma filial em Salvador, na Bahia, que atende, mais ou menos, 3 mil alunos por semestre”, revela o advogado, que também dá aulas sobre a Constituição.

    No áudio, você ouve ainda a jovem Larissa Santos Nascimento das Neves, que, após as aulas, decidiu seu futuro. “Foi a partir do projeto que eu escolhi minha profissão: quero ser advogada. E iniciei o curso agora na Universidade Presbiteriana Mackenzie”, revela a jovem, de apenas 18 anos. No ano passado, ela participou da 2ª edição da Olimpíada Constitucional de São Paulo, no teatro da PUC (Tucarena). “Foi uma experiência única, que me ensinou muito sobre senso crítico”, afirma a estudante.

    Na reportagem, Neves explica mais sobre a iniciativa e como funciona a Olimpíada, que tem o objetivo de engajar os alunos e promover a transformação por meio da educação. “A gente premia os alunos com laptops, tablets, e, o mais importante, bolsas de estudo”, conclui.

    Créditos: Os trechos de músicas utilizados na edição do podcast, por ordem de entrada, são “Nova Geração” (Wander Taffo), com Rádio Táxi; “Consciência” (Raulnei Carvalho), com Cidade Negra; “Estudo Errado” (Gabriel, o Pensador). A música de fundo é composta por Reynaldo Bessa.

    Crédito da imagem: divulgação/Constituição na Escola

    10 min

About Instituto Claro

From the publisher's feed

Podcast do Instituto Claro tem como missão aliar as tecnologias da informação e da comunicação à educação e ao desenvolvimento social. A organização é o resultado da união realizada em setembro de…