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Em livro, psicanalista e palhaço propõem métodos para evitar o que eles chamam de “desescutação”.
Em fase de lançamento, com palestras em instituições de ensino, o livro “O Palhaço e o Psicanalista” promove um diálogo entre Cláudio Thebas e Christian Dunker. O que une ambos é a necessidade de escuta empática que lhes é exigida pelas atribuições do dia a dia.
“A obra nasce do encontro entre mim, o Thebas e a Ana Cristina, em função do que está acontecendo em relação às escolas e aos pais. Há uma nova relação em que eles e também outros públicos da comunidade escolar precisam ser escutados”, explica o professor titular do departamento de psicologia clínica do Instituto de Psicologia da Universidade de São Paulo (USP), Dunker.
A publicação traz uma análise sobre o processo de “desescutação” que a sociedade moderna promove e a proposta de que se aprimore a escuta para algo lúdico e empático, como possibilidade de melhorar ambientes, inclusive ligados à educação.
“Quanto mais toda a comunidade se reúne em torno de suas inquietações, mais se fortalece. Quanto menos certezas tiver, mais buscas acontecerão e a sala de aula tem de ser ambiente de dúvidas e perguntas. As certezas soterram o espaço para que a escuta aconteça”, esclarece o palhaço, escritor e educador Cláudio Thebas.
Os autores defendem que é cada vez mais difícil escutar a si mesmo e aos outros, mas buscam reflexões sobre a arte de se praticar a empatia mesmo em uma sociedade cada vez mais individualista e competitiva.
Além de Dunker e Thebas, o Instituto NET Claro Embratel ouve também, neste podcast, a diretora da escola Carandá Vivavida e coordenadora do centro de estudos Madalena Freire, Ana Cristina Dunker. Para ela, o projeto político pedagógico (PPP) das instituições de ensino deve ser feito por várias vozes.
“A gente tem de olhar pras pessoas todas e não reconhecer apenas a função que ela exerce (professor, porteiro, aluno etc.). Antes de mais nada, a gente se relaciona com pessoas e essas relações têm de ser mais horizontalizadas. Ninguém faz nada sozinho. Temos de reconhecer a importância de cada um”, defende ela.
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As músicas utilizadas na edição do áudio, por ordem de entrada, são: “Fala” (João Ricardo / Luli), com Secos e Molhados; “Lenha” (Zeca Baleiro), com Rita Benneditto; e “Mulher de Coronel” (Gilberto Gil), com Gilberto Gil e Margareth Menezes. A música de fundo é composta e executada por Reynaldo Bessa.
“Histórias de ninar para garotas rebeldes” é narrado por brasileiras vitoriosas em suas áreas.
“Histórias de ninar para garotas rebeldes” nasceu como livro. Idealizado por Elena Favilli e Francesca Cavallo, cofundadoras da Timbuktu Labs, nos Estados Unidos, a obra reúne exemplos de 100 mulheres que venceram barreiras e se destacaram em diferentes áreas para inspirar meninas do mundo todo a serem o que quiserem.
“Eu já era superfã, porque acho que o tamanho de nossas aspirações tem muito a ver com o nosso repertório. O jeito que as narrativas são contadas amplia nossa visão do que é ser uma mulher bem-sucedida”, revela a publicitária e uma das idealizadoras da adaptação das histórias em formato podcast no Brasil, Juliana Wallauer, ouvida pelo Instituto NET Claro Embratel.
Se na versão impressa, os contos são ilustrados por mulheres artistas do mundo inteiro, nos áudios em português, eles são narradas por personalidades do sexo feminino vitoriosas em suas áreas, como Daniela Mercury, Astrid Fontenelle, Sarah Oliveira, Jout Jout, entre outras.
De acordo com Wallauer, para a produção foram convidadas brasileiras marcantes que transformaram a história, quando possível, do mesmo campo da personagem que elas estão narrando. Ela cita o exemplo do episódio sobre Yursra Mardini, uma refugiada que salvou a própria família e uma série de pessoas, por saber nadar. “A gente convidou a Poliana Okimoto, que é a primeira nadadora brasileira medalhista em olimpíada, porque ela consegue entender a dimensão do desafio que essa menina enfrentou”.
No áudio, você acompanha ainda a participação de Paulo Sene. Pai, roteirista e contador de histórias, ele aponta as vantagens que existem em colocar os pequenos em contato com trajetórias inspiradoras desse tipo. “Uma criança que ouve histórias vai saber se colocar melhor diante de outras pessoas, diante de outras situações que a vida apresente pra ela. Isso estimula a criatividade, a memória e a curiosidade”, defende.
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Confira a primeira temporada do podcast Histórias de Ninar para Garotas Rebeldes.
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As músicas utilizadas na edição do áudio, por ordem de entrada, são: “Desconstruindo Amélia”, com Pitty; e “Pagu”, com Rita Lee e Zelia Duncan. A música de fundo é criada e tocada por Reynaldo Bessa.
“O esporte é para todos independentemente de gênero, idade ou orientação”, defende Nayara Perone.
Motivado pelo período de mais uma Copa do Mundo de Futebol Feminino, o Sesc-SP promove atividades e debates relacionados ao tema. O Instituto NET Claro Embratel foi até a unidade da Pompeia, zona oeste da cidade de São Paulo (SP), para ouvir mulheres que buscam recuperar terreno quando o assunto é o esporte. “Ninguém sabe mais do que a própria pessoa o que ela gosta de fazer. Não importa que digam que não pode fazer, uma hora você vai lá e joga”, defende a fundadora do projeto, sem fins lucrativos, Joga Miga, Nayara Perone.
A opinião dela é compartilhada pela historiadora e pesquisadora do Museu do Futebol, Aira Bonfim; por uma das fundadoras da “Liga feminina de futebol amador”, Maria Amorim; e pela assistente técnica da gerência de desenvolvimento físico-esportivo do Sesc-SP, Ana Paula Feitosa.
Todas estão neste podcast e falam sobre as dificuldades que tiveram para jogar futebol na infância e como fizeram para driblar as barreiras do preconceito. “Em virtude de uma iniciativa que conheci, tenho jogado só com mulheres”, exemplifica Feitosa.
Um dos projetos que segue no sentido de se colocar a igualdade em campo é o Joga Miga, no qual Nayara Perone é uma das voluntárias. “Somos em 12 voluntários. Só rateamos os custos da quadra e dos profissionais, como o técnico do time”, explica.
Responsável por coordenar as atividades esportivas junto às unidades do Sesc, Ana Paula Feitosa explica que é diferente quando as equipes são exclusivamente femininas. “Há aceitação e identificação e ao fazer esforço físico igual, a gente tem desempenhos melhores.”
“Dentro do nosso trabalho, a ideia é trazer as pessoas mais pra perto do que tornar o ambiente competitivo, no sentido tóxico da palavra. Imagina um cenário em que você nunca teve chance e chega pra aprender alguma coisa e é rechaçada”, conclui Nayara Perone.
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Conheça o mapa do futebol feminino, do Joga Miga, que ajuda mulheres a encontrar locais para a prática do esporte em várias regiões do país.
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A música utilizada na edição do áudio é “Jogadeira” (Cacau e Gabriela Kivitz), interpretada pela seleção brasileira de futebol feminino. A versão instrumental é tocada por Daiana Oliveira. A música de fundo é criada e tocada por Reynaldo Bessa.
Crédito da imagem principal: Carolxribeiro
Homenageado na Flip 2019, autor de “Os Sertões” é discutido por curadora e especialistas.
A Festa Literária de Paraty homenageia, este ano, o jornalista, escritor, sociólogo e engenheiro Euclides da Cunha. De acordo com a curadora do evento, Fernanda Diamant, a obra dele foi escolhida por se alinhar ao foco desta 17ª Flip: a não-ficção. “Estamos em um momento no país em que as questões sociais, políticas e históricas estão em debate e esse gênero gera muito assunto”, defende a jornalista e editora.
Nesse sentido, ninguém melhor do que o autor de “Os Sertões” como destaque. O realismo de sua produção traça um panorama da formação do sertanejo e do povo brasileiro, a partir da “Revolta de Canudos”. Segundo o professor de literaturas brasileira e hispano-americana da Universidade da Califórnia, Leopoldo Bernucci, “o esforço de Euclides da Cunha é o de interpretar o Brasil, para além de Canudos. É uma leitura que, pela primeira vez, busca respostas sobre quem somos nós, sobre nossa brasilidade”.
A curadora e o professor são ouvidos pelo Instituto NET Claro Embratel neste podcast, que conta ainda com depoimento da professora Fabiana Corrêa, responsável por um projeto pedagógico que valoriza a obra do escritor, da educação infantil ao ensino médio, em Cantagalo (RJ), cidade natal de Cunha. “Ele foi um pensador versátil, um crítico da realidade brasileira e sua literatura é ligada com as ciências naturais, a história e a política”, aponta.
Os entrevistados defendem que a linguagem apurada dos livros e, em especial de “Os Sertões”, não deve ser empecilho para um maior contato. “Por ser uma obra não tão fácil de se penetrar, ela oferece certos desafios. Eu acho que essa dificuldade deveria nos alentar a lê-la melhor, porque ela propicia discussões bem atuais”, estimula o euclidianista Leopoldo Bernucci.
Também no áudio, destacam-se outros aspectos da atualidade de Euclides da Cunha, após 110 anos de sua morte, como os ideais democráticos e os direitos humanos que defendia, além de uma consciência ecológica sem precedentes no início do século XX, quando a obra dele é publicada. Diamant ressalta ainda que a essas temáticas soma-se ainda uma literatura da mais alta qualidade em língua portuguesa.
Na escola:
Euclydes da Cunha em sala de aula: um desafio recompensador, texto assinado pela professora Fabiana Corrêa para o livro “Euclides, mestre-escola”, em que traz apontamentos sobre uma abordagem multidisciplinar da obra euclidiana desde o maternal até o ensino médio.
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Os trechos de músicas utilizados no áudio, por ordem de entrada, são: “Sobradinho”, com Sá, Rodrix e Guarabyra; “Os Sertões” (Edeor de Paula), com Fagner; “Funeral de um lavrador”, com Chico Buarque. Também há um trecho da peça “A Terra – Os Sertões”, do Teatro Oficina e do documentário “Onde começa a história”, produzido pelo grupo Jovens Euclidianos, do Colégio Euclides da Cunha. A música de fundo é de autoria e interpretação de Reynaldo Bessa.
Conteúdo é aberto a todos que querem ingressar ou expandir seus conhecimentos nessa área.
A Escola Pública de Robótica oferece gratuitamente cursos destinados a professores e alunos interessados em ingressar, aprender ou expandir conhecimentos nessa área. “As aulas derivam do Torneio Juvenil de Robótica (TJR), que surgiu em 2009 e veio atender à necessidade de difusão dessa temática, além de computação e tecnologias emergentes”, explica o professor Luis Rogério da Silva, entrevistado neste podcast.
Diretor da Comphaus na área de projetos de educação e tecnologia e coordenador da Escola Pública de Robótica, Luis explica que a didática foi pensada para dar suporte às atividades de quem participa do TJR, para que eles tivessem suas dúvidas esclarecidas rapidamente. No entanto, qualquer pessoa interessada tem acesso aos conteúdos. “Ao lidar com a robótica, foram introduzidos cursos de línguas e de computação mais complexa. Neste momento, centenas de jovens, professores e alunos em todos os lugares do Brasil e inclusive fora têm acesso aberto, gratuito a estes conteúdos”.
Há uma década, com a criação do torneio que abrange grupos do fundamental I ao ensino médio, o professor afirma que mudanças têm sido observadas na formação de crianças e jovens. “A área de robótica deixa de ser demonstrativa e é criada para ela uma estratégia própria de ação que exige do aluno que se constitua um resultado que busque a otimização para um desafio”, explica.
Os cursos da escola são pensados por um grupo de professores pesquisadores que supervisiona os conteúdos distribuídos no site. As aulas são gravadas em espaço que conta com um conjunto de laboratórios. Neles, os robôs podem ser demonstrados em diferentes cenários e situações.
Para Luis, a robótica promove o que chama de “educação cidadã”, ao preparar as pessoas para responder a soluções muito complexas que a inteligência artificial e outras tecnologias emergentes podem produzir. “O cenário será cada vez mais complexo e todos nós somos responsáveis pelo que essas máquinas são capazes de fazer”, conclui.
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Crédito da imagem principal: Jovanmandic – iStock
Obra da escritora vai além da literatura infantil, comumente usada em sala de aula.
Ana Maria Machado é considerada uma das mais versáteis e completas escritoras brasileiras contemporâneas, com mais de 100 livros publicados no Brasil e em outros 17 países, superando a marca dos 20 milhões de exemplares vendidos. Sua produção literária, muito utilizada em sala de aula por textos questionadores e com temas importantes de serem abordados com as crianças, vai além da literatura infantil.
Infância
O estímulo para se tornar escritora veio ainda na infância. “Para eu ser uma leitora voraz, vim de um ambiente muito leitor”, define na entrevista exclusiva concedida ao podcast do Instituto NET Claro Embratel. A mãe trabalhou na Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro, o pai foi jornalista. “Ele era chefe de redação e recebia todos os jornais em casa de manhã”, afirma, ao revelar que, com três anos de idade, já sabia diferenciar os periódicos.
Ana Maria Machado é a mais velha de nove irmãos e, além de crescer ouvindo histórias contadas pelos pais, também lia para os mais novos. O contato com a ficção continuava nas férias na casa de praia dos avós, em Manguinhos, no Espírito Santo. Ali, a família se reunia em torno de uma fogueira para compartilhar histórias.
Primeiras publicações
O começo da produção literária vem com o convite para escrever na Revista Recreio. Em 1969, a autora se une a Ruth Rocha, Joel Rufino e Sonia Robatto para planejarem o “número zero” da publicação que se tornaria conhecida entre crianças de todo o país.
“Quando eu comecei a escrever, meu filho Rodrigo estava com dois anos. A primeira história publicada em Recreio é de um patinho que não queria nadar. Surgiu de uma brincadeira que eu fazia com ele na hora do banho”, revela ela ao explicar que as primeiras narrativas estavam ligadas a experiências do dia a dia.
Jornalismo e literatura
Com atuação na mídia impressa e no rádio, a autora considera que estas experiências a ajudaram a observar, ouvir, perceber, pensar e analisar, ou, em resumo, “a prestar atenção no mundo”: qualidades que ajudam na escrita. Mas ressalta que a literatura deve se distanciar do caráter efêmero do jornalismo. “Ela tem uma transcendência de outro tipo. Tem de ser suficientemente ambígua, quer dizer, ter muitos significados e cada vez se renovar. Cada leitura nova significa uma coisa diferente.”
Formação de leitores
Sobre como estimular crianças a ler, a ocupante da Cadeira nº 1 da Academia Brasileira de Letras (desde 2003), acredita que o fundamental é o exemplo. “Se o pequeno vê um adulto lendo, ele tem vontade de ler. Não adianta mandar ler. Os mais novos querem comer com garfo e faca, porque veem o pai e a mãe fazerem isso. Então, como fazer uma criança ler? Pelo exemplo!”
Literatura para todas as idades
No áudio, você conhece mais detalhes da vida e obra da escritora e ouve detalhes sobre algumas das publicações dela voltadas ao público adulto, como “Infâmia” e “Tropical sol da liberdade”, além de saber um pouco mais sobre os próximos capítulos. Ainda neste ano de 2019, devem ser lançados dois títulos novos: um de poemas para crianças, “Brinco de listas”, e outro ainda sem nome, com poemas “mais filosóficos”, segundo a autora.
Ainda na conversa, ela comenta sobre o período em que foi detida e acabou se exilando, durante a ditadura, quando lecionava em escolas e faculdades.
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Longametragem retrata histórias de quem vive no maior campo de refugiados da guerra da Síria.
Entre 2011 e 2018, a guerra civil na Síria já matou mais de 500 mil pessoas e exilou 5 milhões. Destas, cerca de 80 mil estão refugiadas no acampamento Zaatari, na Jordânia. De acordo com os dados, essa é a pior crise de migração na história da humanidade, desde a Segunda Guerra.
Este cenário inspirou o diretor de “Zaatari – Memórias do labirinto”. “É um filme sobre o que se passa no exílio. O documentário traz um estado de suspenção e evidencia uma espera de pessoas que saíram pensando que iam ficar 15 dias fora de casa e estão lá há oito anos”, afirma Paschoal Samora, ouvido neste podcast.
Samora iniciou o processo de criação em 2016, ao lado dos roteiristas Ricardo Vargas e Ana Cláudia Streva. O ponto de partida foi um trabalho voluntário junto às Nações Unidas, que gerou o desafio de desenvolver o argumento para o longametragem.
“As pessoas perguntam como é um campo de refugiados, como as coisas funcionam? Estamos falando de verdadeiras cidades, várias crianças nasceram dentro de Zaatari e o único mundo que elas viram é o mundo do refugiado”, ressalta Vargas que, na época da produção, era diretor de projetos da Organização das Nações Unidas (ONU).
Um vendedor ambulante, uma fotógrafa que ensina seu ofício para meninas, um diretor de teatro com deficiência física e um pai que planta junto com o filho um jardim no deserto são alguns dos personagens das histórias presentes no enredo. “Nós estamos falando de pessoas que estão tentando reerguer suas vidas, descobrir uma nova profissão, um novo hábito, um novo amor por alguma coisa. E esse foi o argumento: como construir uma história de esperança num ambiente tão traumatizado?”, continua o roteirista.
A resposta surge na publicação “O Artigo dos Vaga-lumes”, escrito em 1975 pelo cineasta, poeta e escritor italiano Paolo Pasolini, que serviu de inspiração a Paschoal Samora. “Para se saber dos vaga-lumes é preciso ver eles brilharem vivos no coração da noite. Quanto maior a escuridão, mais importante é o brilho dos vaga-lumes. O fundamental é esta resistência”.
Ainda no podcast, diretor e roteirista tratam do campo de refugiados como consequência de uma guerra, o que deve servir de alerta diante da incapacidade de se aceitar as diferenças. “A maior parte das guerras são fruto de intolerância por uma religião diferente, da repulsa por uma pessoa que tenha uma opção sexual diversa, que seja de outra raça ou enxergue e tenha um conjunto de valores divergentes”, conclui Vargas.
O filme foi lançado nos cinemas da Europa em abril de 2018 e, no Brasil, no Festival Internacional de Documentários “É tudo verdade”. Em cartaz no Rio e em São Paulo, “Zaatari – Memórias do labirinto” em breve será exibido no Canal Brasil e na GloboNews.
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A música utilizada na edição deste podcast é a trilha sonora original do filme, de autoria de Diogo Poças.
Iniciativa exibe fotos, vídeos e cartas de jovens adotandos do Rio Grande do Sul.
De acordo com o Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul, mais de 95% das crianças e jovens que aguardam uma família para adoção têm mais de 7 anos de idade, enquanto o perfil preferido pelos pretendentes é por crianças de até 6 anos. Este quadro relevante faz com que o estado seja o terceiro em número de adotandos no Brasil, atrás apenas de São Paulo e Minas Gerais, segundo o Conselho Nacional de Justiça (CNJ). Ainda no RS, mais de 600 crianças e adolescentes esperam por um lar e 6.200 candidatos desejam adotar.
Iniciativas que buscam reverter essa realidade têm sido propostas por tribunais de justiça de todo o país. Entre as ações do TJRS, uma delas é o desenvolvimento do aplicativo “Adoção”, em parceria com a Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUC-RS) e o Ministério Público local.
Neste podcast, o Instituto NET Claro Embratel conversa com a juíza corregedora, responsável pela coordenadoria da infância e juventude do Tribunal de Justiça gaúcho, Nara Saraiva. Para ela, esta adoção tardia ganha facilidade, principalmente, a partir do momento em que esses adotandos fora do perfil são tirados de uma condição de invisibilidade e trazido para uma realidade de inclusão pelo auxílio do programa.
“Os pretendentes que já estão habilitados pelo Cadastro Nacional de Adoção (CNA) podem visualizar fotos, vídeos e cartas das crianças e adolescentes”, ressalta ela. Já os interessados em adotar e que ainda não estão na base de dados do CNA, têm acesso a informações e orientações sobre o tema.
Além do aplicativo, outra atividade do TJRS diz respeito a uma campanha homônima e inspirada no Judiciário recifense (PE). “O ‘Adote um pequeno torcedor tchê’ leva vídeos a campos de futebol para que possíveis pretendentes visualizem essas crianças e adolescentes, o que deve flexibilizar o perfil esperado por eles”.
Segundo a juíza, em maio de 2019 – entre guardas, aproximação e adoção – o aplicativo viabilizou a possibilidade de acolhimento de adotandos desde o lançamento em agosto de 2018.
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Os trechos de músicas utilizados na edição deste podcast, por ordem de entrada, são: “Quando te vi”, Beto Guedes; “Ao que vai chegar”, Toquinho; “A Casa é sua” (Arnaldo Antunes e Ortinho), com Arnaldo Antunes; “Felicidade”, Chico César e Marcelo Jeneci; e “Dia Branco”, (Geraldo Azevedo), com Elba Ramalho. O áudio do depoimento de Luiz Cauã Moreira da Silva foi extraído de matéria da TV Justiça sobre o Projeto Adote um Pequeno Torcedor Tchê, no YouTube. A música de fundo é de Reynaldo Bessa.
Crédito da imagem principal: Motortion – iStock
Para Jorge Larrosa, esta prática é antidoto à aprendizagem moderna baseada em acúmulo de informações.
O escritor e doutor em educação pela Universidade de Barcelona, Jorge Larrosa, acredita que o processo de ensino/aprendizagem alcança melhores resultados quando permite a experiência. Além de não se limitar às fórmulas tradicionais, que costumam dividir a educação entre “ciência/técnica” e “teoria/prática”.
“Na escola, temos que fazer coisas não porque tenham uma utilidade, mas porque valem a pena em si mesmas. Atividades como ler, amar, viajar não são instrumentos para outra coisa, senão para que tenham sentido”, aponta o professor.
Autor de obras publicadas no Brasil, voltadas ao tema, ele explica que na sociedade da informação em que o sujeito moderno se encontra “passam muitas coisas, mas quase nada nos passa”. Ou seja, somos pobres de experiências. De acordo com ele, essa velocidade torna a aprendizagem um mero processo de aquisição e processamento de informação.
“O que eu trato de fazer é pensar a educação como algo que tem a ver com a experiência. Portanto, o importante não é o tempo que se passa na escola, o fundamental é se ela dá tempo e espaço para que a experiência aconteça.”
Para Larrosa, a educação tem seguido a mesma lógica imediatista da sociedade moderna. “Essa velocidade e a obsessão por resultados não têm permitido tempo e espaço para a experiência Além disso, ela é imprevisível e, na escola moderna, tudo tem que estar previsto e planejado e, de alguma forma, antecipado”, argumenta.
Ao traduzir o significado de experiência em várias línguas, o entrevistado defende que ela é um território de passagem. E aquilo que passa, forma e transforma. “Eu creio que o valor da escola está justamente em colocar à disposição das crianças e dos jovens, em alguns momentos, atividades que não se medem, não se entendem como ferramentas ou instrumentos para outra coisa, senão como interessantes em si mesmas, pelo puro prazer de fazê-las”, conclui Larrosa.
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Vítimas contam com atuação voluntária de médicos e juristas.
O mais recente levantamento da segurança hospitalar feito pelo Instituto de Estudos da Saúde Suplementar (IESS), em parceria com a Faculdade de Ciências Médicas de Minas Gerais revelou que, em 2017, mais de 54 mil pessoas morreram por erros, falhas assistenciais, processuais ou com infecções em instituições de saúde no Brasil. Estima-se que mais da metade desses óbitos poderiam ter sido evitados com procedimentos corretos.
“Sabemos que existem profissionais excelentes no mercado. A nossa questão é basicamente informar a população e as autoridades que o erro médico é algo que existe e que cresce em assustadora escala”, afirma o voluntário e um dos fundadores da Associação Brasileira de Apoio às Vítimas de Erro Médico (Abravem), Fernando Polastro, ouvido pelo Instituto NET Claro Embratel neste podcast.
A entidade foi criada no início dos anos 2000 por profissionais liberais das áreas jurídica e médica para auxiliar vítimas ou seus familiares. Uma das motivações para fundá-la foi a percepção de que muitas das pessoas que passam por uma situação assim não chegam a fazer denúncia, por darem ouvidos a argumentos de que uma ação não vai trazer o ente querido de volta nem restaurar a felicidade.
“Nós chegamos à conclusão de que somente a justiça, nas mais variadas esferas, é capaz de restabelecer a dignidade e de reerguer estas pessoas, além de fazer com que elas compartilhem conceitos de justiça e de cidadania”, explica o entrevistado.
“Se ninguém se mobilizar na busca dos direitos desta questão do erro médico, a tendência é que as coisas fiquem cada vez piores”, afirma Fernando Polastro.
No áudio, Polastro aponta ainda quais os critérios que envolvem um erro médico, o que motiva este tipo de situação e os caminhos para se montar um processo jurídico de resultado mais efetivo.
De acordo com o entrevistado, atualmente, advogados não especializados na área obtêm êxito em 3 de cada 10 causas desse tipo. “Nossa associação consegue inverter este quadro, com sucesso em 70% a 80% nos processos. Isso porque conta com profissionais especializados neste quesito e suporte técnico da área médica em todas as etapas da ação”, justifica.
Em função da digitalização dos processos, a Abravem atende vítimas em todo o país. “Atualmente, temos casos em quase 20 estados da nação, desde o interior de Manaus até o Rio Grande do Sul”, finaliza.
Contatos com a associação podem ser feitos no site ou pelo e-mail [email protected].
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