Instituto Claro

Instituto Claro

By Instituto ClaroEducation
Download on the App Store

Instituto Claro episodes

  • Romance “Angústia”, de Graciliano Ramos, é ao mesmo tempo intimista e social

    Segundo especialista, livro exigido pela Fuvest traz domínio dos recursos de descrição, diálogo e análise

    “Angústia”, do alagoano Graciliano Ramos, foi publicado no ano de 1936, época em que o escritor estava preso pelo governo Vargas. Considerado um dos romances mais ricos da literatura brasileira, o livro passa a integrar a lista da Fuvest, no lugar de outro mais conhecido dele: “Vidas Secas”. Para tratar dos detalhes da narrativa, o Instituto NET Claro Embratel ouve o professor do Programa de Pós Graduação e Estudos Comparados de Literatura e de Língua Portuguesa, da FFLCH/USP, Thiago Mio Salla.

    Apesar de o personagem central, Luís Silva, ser apresentado em sua jornada existencial, na obra, o romance social também está presente de maneira importante. “Ela é lançada em um ambiente autoritário, repressor, no momento de ascensão do nazifascismo. Esse enquadramento de época é algo a ser levando em conta”, afirma o entrevistado.

    Nessas circunstâncias, Graciliano foi preso sem processo, em uma completa violação do estado democrático de direito. No ano seguinte, 1937, foi absolvido da mesma forma que havia sido detido: sem acusação formal. “Suspeitava-se que ele era comunista, porque havia promovido uma política de inserção das populações carentes no ensino como secretário de Educação”, ressalta Mio Salla, para demonstrar que Graciliano contrariava os interesses do então presidente da República, Getúlio Vargas.

    A saga de Luís Silva é fortemente influenciada por esse contexto histórico e traz os dramas da sociedade brasileira, sobretudo da região nordeste. “A narrativa é dotada de diversas simbologias que fazem referência à situação social, ao sistema político, e, ao mesmo tempo, discute a existência humana, as relações sociais, o psicológico.”

    A obra é considerada um estudo completo da frustração, nos apresentando abertamente o ser humano em seus piores defeitos. “Só que ele [Luís Silva] sofre um abalo muito grande depois do assassinato e o que a gente vai ler, que é o “Angústia”, é um livro escrito pós-assassinato. Depois de ter sofrido, ter padecido desse trauma, ele vai contar essa história”, destaca o professor.

    No áudio, Thiago Mio Salla faz uma análise da produção, traz uma sinopse da história e lê um trecho do livro em que Luís Silva está em uma viagem de bonde que, segundo o entrevistado, permite que se entenda como o autor trabalha com três planos que caminham em paralelo: “um olhar objetivo em relação ao mundo, ao mesmo tempo a infância, ou seja, a criança traumatizada que, por sua vez, repercute no modo como esse adulto recalcado enxerga o mundo”.

    Créditos:

    As músicas utilizadas na edição do áudio, por ordem de entrada, são: “Marina” (Daisy Sanz / Yasmil Marrufo), com Júpiter; “Jesus chorou” (Racionais MC’s); “Canção infantil” (César MC); e “Estou sozinho” (José Luis Peixoto e Reynaldo Bessa), com Reynaldo Bessa.

    Crédito da imagem: reprodução site Graciliano Ramos

    12 min
  • Homens acusados de cometer violência doméstica fazem curso para desconstruir estereótipo machista

    Objetivo do “Cá entre nós”, do TJSP, é fazer com que eles repensem suas atitudes

    “Cá entre nós” é um curso em que o homem acusado de cometer violência doméstica pode refletir sobre o modelo de sociedade patriarcal, o papel social dele nesse contexto e o machismo. A iniciativa do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP), que existe desde 2016, quando foram comemorados os 10 anos da Lei Maria da Penha (nº 11.340/06), é o tema deste podcast.

    “A gente vai ganhar as pessoas produzindo ciência e fazendo com que entendam que só o que a gente está querendo é que a mulher tenha efetivamente a possibilidade de ser cidadã”, defende a juíza da Vara de Violência Doméstica e Familiar Contra a Mulher do Foro Regional do Butantã, Rafaela Caldeira Gonçalves. Responsável pela iniciativa, ela é uma das entrevistadas ouvidas pelo Instituto NET Claro Embratel.

    Em 16 encontros, que acontecem quinzenalmente, os homens que participam do curso assistem a filmes que reproduzem comportamentos e discutem a imagem de masculinidade que foi passada a eles na infância, na escola, por meio da religião etc.

    Segundo o psicólogo Alexandre Shimura, que conduz os debates com as turmas e também foi entrevistado para este podcast, a proposta é desconstruir estereótipos, tendo a clareza de que as desigualdades das relações de gênero são reproduzidas por toda a sociedade.

    “A gente discute esses temas, reflete e mostra que isto é uma construção social. Isso vem da educação, vem das expectativas sociais”, explica Shimura.

    No áudio, você conhece os detalhes do curso “Cá entre nós”, ouve o relato de um participante sobre o que mudou na visão dele a respeito do machismo e acompanha ainda o depoimento emocionado da youtuber Dora Figueiredo, que recentemente teve o vídeo vídeo “Eu vivi um relacionamento abusivo” “viralizado”, em que conta como se deu conta de que havia vivido um relacionamento baseado em violência psicológica.

    “Nunca uma violência física está separada de uma violência psicológica, ou vem separada de uma violência patrimonial. Na verdade, o que a gente nota também é que, quando isso aparece, ou quando a vítima se dá conta, ela já sofreu por sete, oito anos”, diz a juíza Rafaela Gonçalves, para enfatizar a importância de se apoiar mulheres que passaram por este tipo de relação.

    Neste sentido, a iniciativa também promove reunião de mulheres que sofrem agressão. A juíza considera este um diferencial ao comparar o “Cá entre nós” a outros projetos que também têm o objetivo de combater a violência contra a mulher, espalhados por tribunais de Justiça de todo o país.

    Para nossa reportagem, Rafaela Gonçalves ainda antecipou uma terceira etapa: a partir deste mês de setembro, o curso vai ser oferecido também a grupos de filhos dos casais envolvidos em situação de violência doméstica. No início, serão convidados meninos e meninas, a partir de 12 anos. “A gente precisa fazer a nossa sociedade entender que não se refere só a essa mulher ou a essa menina desse relacionamento, mas a esses filhos que vivenciam essa dinâmica, de uma maneira ou de outra, e que vão assimilar essa forma de se relacionar e até de ‘expressar o afeto’ que não é saudável”, conclui.

    Créditos:

    As músicas utilizadas no podcast, por ordem de entrada, são: “Homem não chora” (Frejat) e “Super Homem, a canção” (Gilberto Gil), com Caetano Veloso. A trilha de fundo é composta e tocada por Reynaldo Bessa.

    Crédito da imagem principal: Milkos – iStock

    11 min
  • Acesso à biblioteca escolar é fundamental no processo educativo dos alunos do ensino básico

    Dado da pesquisa “Retratos da Leitura” revela impacto positivo maior nas escolas mais vulneráveis

    O Instituto Pró-Livro (IPL) apresenta, em 23 de setembro, os resultados de um estudo inédito que avalia o impacto da presença de bibliotecas escolares na aprendizagem dos alunos da educação básica. O evento acontece no Itaú Cultural, em São Paulo (SP).

    Neste podcast, a coordenadora dessa pesquisa, intitulada “Retratos da Leitura – Bibliotecas Escolares”, Zoara Failla, analisa com exclusividade alguns dados do levantamento para o Instituto NET Claro Embratel.

    Realizado em parceria com o Insper, o estudo tem como objetivo contribuir com a formulação de políticas públicas voltadas à instalação de bibliotecas nas escolas. Segundo Failla, “foram entrevistados três atores que tem uma melhor percepção e avaliação sobre o funcionamento da escola: o diretor, um professor de português e o responsável pela biblioteca”.

    A pesquisa deixa claro que esses espaços escolares são fundamentais no processo educativo dos alunos do ensino básico. “É interessante que, nas escolas com alunos que vêm de uma família – ou de um estrato socioeconômico – mais vulnerável, essas bibliotecas acabaram tendo um impacto muito mais positivo na avaliação desses alunos em Ideb e Saeb do que naquelas escolas menos vulneráveis”, atesta a entrevistada.

    Foram avaliadas quase 500 escolas, distribuídas em 17 estados e em todas as regiões brasileiras. Cerca de 60 questões fizeram parte das entrevistas pessoais feitas com gestores/diretores, bibliotecários, responsáveis pelas bibliotecas ou salas de leitura e professores de língua portuguesa.

    Para a análise dos dados e correlação com o desempenho dos alunos em português ou matemática no ensino fundamental I, segundo Ideb e Saeb, foram elaborados cinco indicadores que agregam os diferentes atributos das bibliotecas. São eles: espaço físico/instalações; recursos eletrônicos; atendimento e perfil dos profissionais; acervo; e serviços e atividades curriculares e extracurriculares de promoção da leitura e da pesquisa.

    Além da diferença considerável para a compreensão das aulas de português, as escolas que possuem bibliotecas com instalações adequadas e profissionais bem preparados também renderam melhora no desempenho dos alunos em matemática.

    “É uma prova de que, quando você pensa nessa disciplina, ela começa no enunciado dos problemas. Então aquele que tem essa compreensão leitora, aquele que tem esse hábito de leitura, de ler com frequência, ele tem uma capacidade analítica muito maior”, ressalta Failla.

    No áudio, a coordenadora da pesquisa destaca ainda o papel fundamental na formação de professores comprometidos com a prática leitora e sobre a necessidade de indicar livros que conquistem os alunos, a fim de que sejam encantados pela leitura e, mais tarde, busquem obras clássicas. Aliás, foi isso o que aconteceu, por exemplo, com o poeta Sérgio Vaz, de quem resgatamos um trecho de depoimento dado a este portal em 2013.

    Créditos:

    Os trechos de músicas e poesias utilizados na edição do podcast, por ordem de entrada, são “O poeta aprendiz”, (Toquinho / Vinicius de Moraes), com Adriana Calcanhotto; “A procura da poesia” (Carlos Drummond de Andrade), por Paulo Autran; “Teorema de Pitágoras” (Músicas de Matemática); e “Mensagem de amor” (Léo Jaime).

    Crédito da imagem: Chinnapong – iStock

    10 min
  • “Sagarana”, livro exigido pela Fuvest, mostra realidade do sertão

    Primeira publicação de Guimarães Rosa traz contos marcados pela lei do mais forte

    “Sagarana”foi publicado pela primeira vez em 1946. Na obra, João Guimarães Rosa já tratava de um sertão diferente daquele apresentado em boa parte das obras regionalistas.

    “Ele tem uma visão da região como o lugar dominado pelas armas, pela lei do mais forte, a traição e a busca da vingança. É um lugar onde a justiça não chegou, as instituições não chegaram”, afirma o professor do Departamento de Letras Clássicas e Vernáculas da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) da Universidade de São Paulo (USP), Luiz Dagobert de Aguirra Roncari, ouvido pelo Instituto NET Claro Embratel neste podcast.

    O especialista pesquisa a vida e obra do escritor mineiro há três décadas e tem alguns livros publicados sobre Rosa, que, de acordo com ele, explora as possibilidades literárias de diferentes tipos narrativos. Em cada um dos nove contos de “Sagarana”, o autor experimenta um estilo: das fábulas medievais à literatura mais moderna de seu tempo.

    No áudio, o professor afirma que Guimarães Rosa tinha a vivência da vida rústica, intelectual e espiritual do sertão, mas também curiosidade em relação à literatura e à cultura universal europeia, tanto clássica como moderna. “Ele juntava a experiência da região com o conhecimento erudito”, afirma.

    Ainda na entrevista, Roncari cita e analisa o conto “A Hora e vez de Augusto Matraga”, além de ler e comentar um trecho de “São Marcos”, em que três arquétipos do amor são representados como três árvores, que podem perder ou salvar o homem.

    Link:

    Podcast sobre a biografia de Guimarães Rosa, com o escritor Alaor Barbosa

    Créditos:

    Os trechos de músicas utilizados na edição do podcast, por ordem de entrada, são: “Lamento Sertanejo (Gilberto Gil), com Hamilton de Holanda e Mayra Andrade”;“Corisco” (Sérgio Ricardo/Glauber Rocha), com Sérgio Ricardo; e“Augusto” (Edson Penha, Sarah Abreu e Joel Teixeira), com o Grupo Nhambuzim. As trilhas de fundo são de Reynaldo Bessa.

    10 min
  • Anne Magalhães usa música para incluir surdos e aumentar interesse pela língua de sinais

    Vídeos no Instagram trazem interpretação de hip-hop e pop em Libras


    Formada em artes visuais e intérprete de Libras, Anne Magalhães encontrou uma maneira inusitada de chamar a atenção para a inclusão de surdos e o respeito a este público, por meio das redes sociais. “Eu uso a música como um ponto de mediação, um ponto de encontro entre as pessoas e alguma consideração importante, bonita ou relevante de algum jeito”, afirma em entrevista para o podcast do Instituto NET Claro Embratel.


    No perfil aannemagalhaes, no Instagram, ela dança e, ao mesmo tempo, traduz as letras para Libras. O contato com essa língua veio ainda na adolescência, quando trabalhou em uma escola para surdos. Mas a ideia de criar os vídeos surgiu a partir da convivência com o educador de arte Bruno Ramos, de quem foi tradutora de Libras durante 5 anos.


    “Ele tem uma longa pesquisa sobre poesia visual, rima visual, música pra surdos. Então a gente começou a pesquisar sobre vibração e reverberação do som para esse ‘lugar físico e sensorial’ e várias pesquisas foram saindo daí”.


    Com as postagens, iniciadas sem grandes pretensões, Anne percebeu que os vídeos têm o poder de aproximar. “Eu uso a música como ferramenta pra essa aproximação e a minha intenção é mediar, é criar essa ponte entre pessoas surdas, ouvintes e os temas, e cruzar tudo isso. Acho que tem dado certo… tem dado mais certo do que eu imaginei”, revela.


    Entre os artistas que recebem a versão de suas músicas em dança e Libras estão Elza Soares, Rincon Sapiência, Emicida e Karol Conka.


    Créditos:

    As músicas utilizadas nesta edição do podcast, por ordem de entrada, são: “Meu Bloco”, Rincon Sapiência; “Tua”, Linkiker; “Bluesman”, Baco Exu do Blues; “AmarElo” (Felipe Vassão/DJ Duh/Emicida/Belchior), com Emicida, Pabllo Vittar e Majur; e “Jesus Chorou”, Racionais MC’s. A música de fundo é de Reynaldo Bessa.


    Crédito da imagem principal: arquivo pessoal.

    10 min
  • Projeto do Anima Mundi trabalha linguagem de animação nas escolas

    Objetivo é estimular habilidades de crianças e jovens, como criatividade e concentração.


    O Anima Escola chega à sua 17ª edição em 2019. A iniciativa utiliza desenhos animados como forma lúdica de ensino, abrindo novas perspectivas de atividades educativas. O projeto, criado pela equipe do Anima Mundi, leva a linguagem da animação para escolas, por meio de cursos e oficinas.


    “A gente tem mais de 400 filmes (…) Eu acho que o tema mais recorrente é eles falarem de si mesmos. Digamos assim, de crescimento, de adolescentes descobrindo a sexualidade, descobrindo os dramas cotidianos, do local onde está a escola, da comunidade onde eles moram, da cidade”, revela um dos fundadores do Anima Mundi e idealizador do Anima Escola, Marcos Magalhães, entrevistado neste podcast.


    A partir de parcerias com secretarias municipais de ensino, os alunos são desafiados a se tornarem produtores de conteúdo. Para isso, eles aprendem noções de tipos de animação, linguagens e desenvolvimento de ideias.


    “Em relação ao rendimento escolar, o que a gente percebe é que os alunos ficam mais atentos, percebem mais detalhes e aí eles desenvolvem essa habilidade, que pode ser utilizada em vários outros campos da vida mesmo, não só na atividade escolar”, atesta o professor José Leandro Cardoso, responsável pela mídia-educação da E.M. Benjamin Constant da Coordenadoria Regional de Educação (CRE – RJ), também ouvido pelo Instituto NET Claro Embratel.


    Com o projeto, os alunos produzem em sala de aula os seus próprios filmes de animação. Desde que começou, o Anima Escola já capacitou mais de 2.800 professores e multiplicadores, além de mais de 15 mil alunos no Rio de Janeiro e em diversas regiões do Brasil, como Volta Redonda (RJ), Macaé (RJ), Niterói (RJ), Angra dos Reis (RJ), Campinas (SP) e Suzano (SP).


    Os idealizadores do Anima Escola defendem que a linguagem da animação deve estar presente na instituição de ensino como fonte de conhecimento e não apenas como um recurso didático, possibilitando a professores e alunos novas maneiras de expressão e aprendizados que os ajudem a viver na sociedade contemporânea, fortemente marcada pela presença do audiovisual.


    “A animação é a linguagem deste milênio. Eu acho que é o melhor jeito de comunicar, porque você não depende da realidade. Você vai direto do campo das ideias para as imagens. Isso é uma evolução irreversível, da gente, cada vez mais, usar as imagens para se comunicar”, defende Magalhães.


    No áudio, você conhece mais sobre o Anima Escola e também acompanha como esse projeto tem beneficiado alunos e professores.


    Links:

    Vídeos do Anima Escola


    Vídeos citados no podcast:

    Jasmin, a princesa da Maré

    Benjamin e sua história

    Do Rio Papa-Couves ao Toque do Pandeiro


    Crédito da imagem principal: divulgação

    10 min
  • Alfabetização oceânica: saiba como ajudar a preservar a “vida na água”

    Descarte incorreto de lixo é feito por falta de informação sobre o impacto no planeta.

     

    A ONU declarou o período que vai de 2021 a 2030 como a “Década dos Oceanos”. Uma das metas é que se cumpra a ODS 14, que busca promover a conservação e o uso sustentável dos oceanos, dos mares e dos recursos marinhos para o desenvolvimento. Uma das estratégias é a promoção da chamada “alfabetização oceânica”.


    “A gente tem um desafio gigantesco de levar à sociedade a temática dos oceanos, para que entendam a importância deles em todos os seus aspectos”, enfatiza o professor titular do Instituto Oceanográfico da Universidade de São Paulo (Iousp), Alexander Turra, ouvido pelo Instituto NET Claro Embratel neste podcast.


    O tema da alfabetização oceânica é importante não apenas no litoral, mas também em metrópoles e no interior. Muito da poluição que chega nos oceanos vem de rios de pequenas cidades, que captam seu lixo e poluição e os transportam para o mar. “A grande maioria do lixo no mar vem de atividades realizadas em terra, algumas relacionadas ao consumo não consciente, ao descarte inadequado, ao consumo exacerbado de materiais e também à maneira desordenada de ocupação dos territórios”, afirma o entrevistado.


    Esse descarte de lixo que vai parar nos rios, muitas vezes, decorre do fato de as pessoas ainda não entenderem o impacto de suas ações. “Muitas coisas são jogadas na pia e no vaso sanitário. Isto é evitado quando a pessoa tem mais informação e autonomia para tomar suas próprias decisões”, defende.


    No áudio, Turra dá dicas de como lidar com alguns vilões dos oceanos, como a bituca de cigarro; explica a importância do assunto ser tratado com mais frequência em músicas, vídeos no YouTube e outros meios de comunicação; e valoriza que a alfabetização oceânica seja um tema recorrente nas escolas.


    Créditos:

    Os trechos das músicas utilizadas no podcast, por ordem de entrada, são: “Planeta Água” (Guilherme Arantes), com Zé Ramalho; e “Luz do Sol” (Caetano Veloso), com Gal Costa. A campanha “Criaturas do Tietê” foi desenvolvida para a Rádio Estadão ESPN (atual Eldorado) e SOS Mata Atlântica. Os trechos de vídeos do YouTube são: “Como reciclar plástico em casa”, do Manual do Mundo; e “Aquecimento global: Oceanos”, do Canal do Pírula.


    Crédito da imagem: Damocean – iStock

    10 min
  • “A Relíquia”, de Eça de Queirós, usa ironia para criticar individualismo e falta de ética

    Com protagonista que vive de aparências, livro exigido pela Fuvest trata da construção de verdades.


    O romance “A Relíquia”, do português Eça de Queirós, traz uma série de situações e intempéries para promover um diálogo entre a verdade e a fantasia e mostrar como essa primeira pode ser construída. Para entender de que forma o autor surpreende, ao se dedicar a uma literatura realista e, ao mesmo tempo, repleta de situações inventadas, neste Livro Aberto, o Instituto NET Claro Embratel conversou com o professor do Departamento de Letras Clássicas e Vernáculas da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) da Universidade de São Paulo (USP), Helder Garmes.


    Na história, o protagonista Teodorico Raposo, apelidado de “Raposão”, faz de tudo, mesmo que contrariado, para agradar a tia –responsável por sua guarda após a perda de seus pais. Ele, por exemplo, finge ser religioso para mantê-la feliz e conquistar sua herança. “Essa ideia entre realidade e fantasia está na dinâmica da própria personagem, que se divide entre sua vida concreta e o jogo de aparências que ele vai fazer o tempo todo”, afirma Garmes.


    Em “A Relíquia”, Teodorico aceita ir a Jerusalém, para trazer uma relíquia para a tia. Sua intenção é viajar e ficar longe da cuidadora, que era muito rígida em relação à sua educação. Na volta, entrega o pacote errado a ela, contendo roupas íntimas de uma das amantes que conhecera durante a viagem. Acaba sendo deserdado e decide se casar por interesse. É a partir desse momento que narra sua saga cheia de fracassos e de falta de ética, mas a transforma em relatos de um vitorioso.


    Para o professor, essa ação reforça a epígrafe editada junto ao título do livro: “Sobre a nudez forte da verdade, o manto diáfano da fantasia”. De acordo com ele, é possível interpretar a frase como o princípio da própria literatura, que trabalha com a fantasia para falar da realidade do mundo.


    A questão é que Teodorico não tem senso crítico e, por meio dessa falha de caráter do protagonista, Eça de Queirós satiriza a sociedade portuguesa do século 19 e a mentalidade da burguesia daquela época. “Ela [a burguesia] é apresentada como totalmente individualista e não tem nada que interesse que não seja alcançar a riqueza, não importando como isto se dá.”


    A fantasia é o modo leve e agradável escolhido pelo autor para fazer a denúncia dessa falta de escrúpulos da sociedade burguesa. “A verdade é que esse sujeito não tem o menor senso de humanidade, decoro, ética. E acreditar no que ele está falando é muito perigoso.”


    Ainda no áudio, o entrevistado revela que um aspecto que mantém “A Relíquia”, de Eça de Queirós, atual é o fato de utilizar a fantasia para desnudar a construção de verdades.


    Para ele, o princípio das fake news está totalmente conectado com este livro. “Ele [Teodorico] está falando assim: ‘Esquece a realidade. Não tem realidade. Eu crio a realidade e eu digo pra você como vai ser o mundo, em meu benefício’”, conclui.


    Créditos:

    As músicas utilizadas na edição do podcast, por ordem de entrada, são: “Egotrip” (Evandro Mesquita, Antonio Pedro, Ricardo Barreto e Patrícia Travassos), com Blitz; “Sonata nº 37 em Mi Menor: Allegro”, Carlos Seixas e Marcelo Fagerlande; “Eu sou melhor que você” (Maurício Pacheco), com Moreno Veloso; “Burguesia”, Cazuza; e “Entre a cruz e o inferno”, Daniel Gonzaga. A música de fundo é criada e tocada por Reynaldo Bessa.


    Crédito da imagem: reprodução capa da obra “A Relíquia”.

    10 min
  • Acupuntura, meditação, homeopatia e outras práticas promovem saúde e qualidade de vida no SUS

    Práticas integrativas e complementares oferecem tratamentos voltados à prevenção.


    Acupuntura, meditação, tai chi chuan, artes marciais, fitoterapia, auriculoterapia, entre outras modalidades terapêuticas, são algumas das 29 práticas integrativas e complementares de saúde oferecidas pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Antes mesmo de fazerem parte da saúde pública, a Lei nº 8.080, de 1990, já tratava dessas “ações destinadas a garantir às pessoas e à coletividade condições de bem-estar físico, mental e social, como fatores determinantes e condicionantes da saúde”.


    “Estas práticas começaram a ser recomendadas no Brasil na 8ª Conferência Nacional de Saúde, em 1986. A lei saiu em 90 e, em maio de 2006, o Ministério da Saúde aprovou a Política Nacional de Práticas Integrativas e Complementares no SUS”, contextualiza o médico sanitarista e doutor em saúde pública pela USP, Emílio Telesi Júnior, durante entrevista concedida ao podcast do Instituto NET Claro Embratel. Hoje, ele responde pela coordenação da área técnica das práticas integrativas e complementares em saúde da atenção básica, na Secretaria Municipal de Saúde de São Paulo.


    Telesi afirma que, paulatinamente, essas terapias se tornaram uma realidade na rede de atenção à saúde pública em todo o país e defende que seu uso merece ser considerado em uma sociedade complexa que tem incorporado recursos tecnológicos cada vez mais sofisticados e dispendiosos. “Só nas farmácias da secretaria municipal de saúde de São Paulo, são distribuídos mais de 20 milhões de comprimidos por mês, somando ansiolíticos, antidepressivos e antinflamatórios. São quase 2 comprimidos por habitante, a cada mês, só na capital paulista”, reflete o médico.


    No podcast, além da análise sobre os benefícios da adoção das práticas integrativas e complementares de saúde, você acompanha depoimentos de um grupo que frequenta o Parque Jardim Felicidade, na zona noroeste de São Paulo, em busca de atividades como a dança circular e artes marciais. É o caso da vendedora aposentada Marlene Ribeiro, de 65 anos. “Indo no posto fazer vacinação das crianças, eu descobri a dança circular. Eu estava com um problema de coluna sério e condenada à cadeira de rodas. Há dez anos, comecei a praticar e hoje eu estou ativa”, celebra.


    “Além destas práticas serem altamente eficazes, fazem com que usemos muito menos medicação e procedimentos invasivos, já que se destinam à prevenção e promoção de saúde”, conclui Telesi.


    Créditos:

    “Renascer” (versão de Altay Velloso), com Zizi Possi; “Onde Deus possa me ouvir”, com Vander Lee; “Peixe vivo” (canção folclórica); “Leve e suave”, com Lenine; “El condor passa”, com Leo Rojas; e “Anima” (Zé Renato e Milton Nascimento), com Boca Livre. A música de fundo é composta e interpretada por Reynaldo Bessa. 

    10 min
  • Professor usa quadrinhos para explicar noções de física

    Ideia surgiu quando Farinaldo ensinava à mãe como é sua atividade profissional.


    Quando estava no primeiro ano do ensino médio, no Lyceu Paraibano, em João Pessoa (PB), Farinaldo Queiroz ficou encantado com a física, devido à forma como seu professor explicava a matéria. Foi assim que decidiu que seguiria o mesmo caminho.


    “Eu fiz vestibular para física, passei e não falei para os meus pais porque eu tinha medo do que eles iriam dizer. Sustentei esta mentira até depois que já tinha mais de um ano na universidade. Minha mãe pensava que eu cursava informática”, revela Farinaldo.


    Com pós-doutorado em física de partículas, o professor sempre estudou em escola pública e, hoje, desenvolve pesquisas no Instituto Internacional de Física da UFRN (Universidade Federal do Rio Grande do Norte).


    Diante da dificuldade de fazer os pais entenderem o trabalho dele, resolveu publicar tirinhas na internet, valorizando a matéria e, muitas vezes, utilizando os próprios familiares como personagens.


    “A proposta não é só que as pessoas entendam a física, mas que saibam a sua importância. Meu sonho é que uma pessoa da área de filosofia, de química, medicina, consiga entender que a física está presente e é importante na vida dela, mesmo que não saiba”, conta.


    No podcast, você conhece um pouco mais sobre a história de Farinaldo e o primeiro quadrinho que criou, para o projeto “Particuleiro Nordestino”.


    “Essa história foi toda para explicar como era o meu dia a dia e o de muitos físicos. No meu caso, eu costumava ouvir da minha mãe: ‘Que danado é isso?’, ‘Serve pra quê?’, ‘que muléstia’, ‘varei’, ‘cê tá doido’. Por anos e anos da minha vida, eu lidei com isso. A ideia da tirinha ‘Explicando pra mãe o que fazemos’ é contar o que é minha pesquisa, do que se trata a matéria escura, que tipo de tecnologia pode gerar. Tudo isso com um sotaque bem nordestino”.


     Links:

    – Acompanhe um vídeo em que o professor Farinaldo explica o que é “matéria escura”

    – Aqui você tem um dos quadrinhos criados por Farinaldo


    Créditos:

    As músicas utilizadas na edição do áudio, por ordem de entrada, são: “O que você vai ser quando crescer?” (Roger), com Laranja Freak; “Arraiada” (Reynaldo Bessa), “Quanta” (Gilberto Gil), com Gilberto Gil e Milton Nascimento. A música de fundo é criada e tocada por Reynaldo Bessa, que também interpreta Farinaldo na sonorização do trecho da tirinha “Explicando pra mãe o que fazemos”.

    9 min

About Instituto Claro

From the publisher's feed

Podcast do Instituto Claro tem como missão aliar as tecnologias da informação e da comunicação à educação e ao desenvolvimento social. A organização é o resultado da união realizada em setembro de…