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  • Vestibular: game gratuito prepara estudante para exames e pode ser usado por professor em sala de aula

    Aplicativo Ludo Simulado traz cerca de 10 mil questões de diversas disciplinas.


    O tradicional jogo de tabuleiro Ludo, em que participantes se empenham em cumprir um percurso, foi a inspiração para a criação do site Ludo Educativo, em 2005. “O Ludo Simulado foi o primeiro de quase uma centena de jogos que existem hoje. Ele foi pensado para que o jovem do ensino médio não ficasse tão aborrecido ao estudar as disciplinas”, afirma o diretor do Centro de Desenvolvimento de Materiais Funcionais (CDMF) da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), Elson Longo.


    Entrevistado neste podcast, o professor explica que a ideia do grupo, que cria jogos educacionais na instituição, veio a partir da percepção de que, à época, os jovens passavam muito tempo diante de telas de computadores. “Hoje em dia, eles ficam a maior parte do tempo no celular. Ao longo destes anos mudamos o caminho e começamos a fazer jogos que se adaptassem também a smartphones”.


    Para a professora coordenadora de núcleo pedagógico da área de ciências da natureza e física da diretoria de ensino de São Carlos, Marília Faustino da Silva, também ouvida nesta edição, uma vantagem do Ludo Simulado é a de ser digital e permitir que o aluno tenha as respostas no momento em que responde às questões. “Ele testa os conhecimentos com essa verificação em tempo real e tem no aplicativo mais um facilitador da aprendizagem”, justifica.


    O app é gratuito e reúne cerca de 10 mil questões das áreas de biologia, física, geografia, história, matemática, química, língua portuguesa e outras e pode ser baixado no sistema Android. Já a versão para iOS está em desenvolvimento. “Nossa ideia é que o jovem, em qualquer lugar que esteja, possa entrar na internet, acessar o game e melhorar no seu rendimento, como ser humano e também intelectualmente”, diz Longo.


    Além do game para o vestibular, o site Ludo Educativo traz quase uma centena de jogos educativos voltados a crianças e jovens. Felipe Valentim, de 14 anos, estudante do 1º ano do ensino médio na Escola Estadual Edésio Castanho (Itabé-SP), já utiliza os jogos do site há anos e concorda que eles tornam o processo de aprendizagem mais atraente. “Por ser pelo computador ou celular e não ficar só no livro e no caderno, estudar se torna mais divertido”, atesta.


    Créditos:


    As músicas utilizadas no áudio, por ordem de entrada, são: “BattleTheme B for RPG” (música tema do MenuOpenGameArt.org); “O Homem que sabia demais” (Samuel Rosa), com Skank; “Química” (Renato Russo), com Capital Inicial; “Trilha do jogo Patrulheiros da História” (Raphael Barros e Lucas Meneguette); “Coisas que eu sei”, Dani Carlos; “Essa Noite Eu Quero Ir Mais Além” (Ana Carolina / Edu Krieger), com Nila Branco; “Diversão” (Nando Reis e Sérgio Britto), com Titãs e “Marcha do vestibular”, Pinduca. 

    8 min
  • Metodologias ativas: especialista indica e analisa diferentes estratégias para educação

    Aluno precisa ir além do mero papel de receptor de informações, afirma João Mattar.

     

    Metodologias ativas de aprendizagem têm ganhado destaque no processo educacional. Pensadas para motivar os estudantes, elas buscam dar sentido à construção do conhecimento.


    “Sempre que conseguimos que o aluno faça um exercício mental e deixe a posição de simplesmente receber a informação, estamos trabalhando com metodologia ativa”, define o vice-presidente da Associação Brasileira de Tecnologia Educacional (ABT), João Mattar, ouvido pelo Instituto NET Claro Embratel.

     

    O professor explica que estas estratégias não são uma novidade e cita, como exemplo, Aristóteles. Para esse filósofo grego e discípulo de Platão, a verdade era obtida por meio de questionamentos. Já no Brasil, um modelo é o método Paulo Freire. “Ele convida o aluno a ter uma postura ativa, uma responsabilidade dialógica, a interagir com a aprendizagem”.


    Diante de uma série de ferramentas que estimulam métodos ativos de aprendizagem, o educador selecionou para este podcast algumas que podem ser aplicadas em diferentes contextos educacionais. No áudio, Mattar elenca e explica como funcionam conceitos como a sala de aula invertida, o estudo de caso, a aprendizagem baseada em projetos e a gamificação.


    Com as metodologias ativas, o professor conduz a aula em busca de maior interação com o aluno. Este, por sua vez, assume o protagonismo de sua própria aprendizagem, ao receber estímulos que o levam à reflexão e à solução de conflitos e desafios. No entanto, o especialista ressalta que o fato de se valorizar esses métodos não exclui aulas expositivas. “Se o orador é bom, gera reflexão e também produz uma ativação mental”, pondera.


    Créditos:

    As músicas utilizadas no áudio, por ordem de entrada, são: “8 anos” (Marcelo Machado Vieira), com Adriana Calcanhotto; “Todo mundo explica”, Raul Seixas; e “Vivendo e aprendendo”, Guilherme Arantes. A música de fundo é de autoria de Reynaldo Bessa. 

    9 min
  • Plantador de árvores ajuda a transformar área degradada em primeiro parque linear de São Paulo

    Hélio Silva começou a espalhar sementes em 2003. Hoje, já são quase 30 mil mudas.


    Um cidadão comum que decidiu mudar o bairro da Penha, espalhando sementes. E lá se foram mais de 15 anos, quase 30 mil árvores e muito amor. É assim que Hélio Silva apresenta a ideia que fez germinar o Parque Linear Tiquatira. “Hoje são mais de 20 parques lineares em São Paulo. Eles são criados ao redor de avenidas e córregos, em terreno plano”, explica “o plantador de árvores”, como é conhecido. 

     

    Nem todos que passam pela área arborizada na avenida Governador Carvalho Pinho têm ideia de que só neste ano de 2019, o morador já espalhou sementes de cerca de 400 espécies, muitas frutíferas. Silva considera cada árvore que planta como um filho ecológico. “Elas produzem um ar puro, frutos, flores e amenizam a temperatura. Além disso, quando chove, inibem enchentes, pois retêm 40% da chuva”, justifica.


    A ideia nasceu em 2003, quando começou a investir do próprio bolso no plantio de espécies nativas da mata atlântica. Atualmente, já são quase 30 mil mudas no parque.


    “O poder público não pode estar em vários lugares ao mesmo tempo. Então, nós temos que desenvolver o espírito de cidadania e cuidar do entorno. A Penha é meu bairro, São Paulo é minha cidade, Brasil é meu país. Alguém tem que fazer alguma coisa. Então, em vez de ficar reclamando da vida, a gente pode transformar alguns sonhos em ações e atitudes”, pondera.


    Para quem quer seguir o exemplo e plantar árvores, ele ressalta que não há nenhum impedimento para que isto aconteça, mas deve-se respeitar algumas regras, geralmente estipuladas pelas secretarias do meio ambiente de cada município. Em São Paulo, por exemplo, a prefeitura estimula o plantio em vias públicas ou áreas comuns e cada munícipe tem direito a até 5 mudas de espécies diversas, a partir da Campanha Permanente de Incentivo à Arborização Urbana.


    No áudio, além de saber mais sobre as motivações de Silva para plantar árvores, você ouve as opiniões de frequentadores do Parque Tiquatira, que testemunham as mudanças ocorridas no local, desde sua implantação.


    Link:

    Terceira edição do Manual de Arborização Urbana da Prefeitura de São Paulo, disponibilizado no site da SOS Mata Atlântica


    Créditos:

    As músicas utilizadas na edição do áudio, por ordem de entrada, são: “Ruas de Outono” (Ana Carolina); “De dentro pra flora” (Reynaldo Bessa); “Floresta faz a diferença” (Palavra Cantada), com Arnaldo Antunes, Carlinhos Brown e Marcelo Jeneci e “Tocando em Frente” (Renato Teixeira e Almir Sater), com Hebe Camargo.


    Crédito da imagem principal: arquivo pessoal

    9 min
  • Literatura infantil: curiosidade das crianças pelos livros ajuda formar um país de leitores mais críticos

    Importantes autores, como Pedro Bandeira, e especialistas fazem panorama do gênero.


    18 de abril é o Dia Nacional da Literatura Infantil, em homenagem ao nascimento de Monteiro Lobato (1882). Para tratar do tema, o Instituto NET Claro Embratel esteve no espaço “A Casa Tombada”, na zona oeste de São Paulo (SP), em uma noite exclusivamente dedicada ao gênero.


    Nossa equipe conversou com a coordenadora do curso de pós-graduação “O Livro para infância – processos de criação, circulação e mediação contemporâneos”, Cristiane Rogério e com importantes nomes do gênero, como o contador de histórias Giba Pedroza e os escritores Pedro Bandeira e Claudio Fragata.


    Ainda no áudio, o produtor cultural e pesquisador na área de literatura infantil, Edimir Perrotti, afirma que o século 20 marcou o reconhecimento mundial dos autores brasileiros, principalmente a partir do alcance da obra de Lobato. No entanto, o momento atual é visto por ele com apreensão. “O Estado que tinha uma importância em estimular e fortalecer esse mercado começa a ficar ausente. Isto num país em que grande parte da população não tem dinheiro para adquirir livros”, lamenta.


    Apesar da diminuição de políticas públicas de compras desse material, o que torna o acesso à literatura infantil mais restrito, há aspectos a serem celebrados. Entre eles, a professora Cristiane Rogério cita os avanços gráficos que dão novos contornos ao setor. “Hoje podemos fazer qualquer tipo de livro aqui no Brasil. Há desde um coletivo que faz as obras à mão até editoras preocupadas em tratar de assuntos diversos, como a situação dos refugiados, morte e perdas. O livro infantil se vale de texto, imagem e design que potencializam ainda mais as histórias contadas”, analisa.


    Essa preocupação em tratar de temas que se propõem a entender a alma do ser humano, é, na visão de Pedro Bandeira, uma busca que deve ser constante nas narrativas para crianças. Um dos mais premiados autores de livros infantojuvenis no Brasil, ele defende que este é um dos fatores que mantém uma obra viva, mesmo diante de outras tecnologias e mudanças na sociedade. “Não existe nada atual nem moderno, só existem coisas eternas. Minha preocupação é cada vez mais entender a alma do ser humano e, principalmente, o ser humano em formação. O ser humano em projeto, que é a pessoa desde o nascimento até a idade adulta”, argumenta.


    Créditos:

    As músicas e áudios utilizados na edição do podcast, por ordem de entrada, são: “Sítio do Picapau Amarelo” (Gilberto Gil) e “A Lenda do Preguiçoso”, contada por Giba Pedroza. A música instrumental de fundo na abertura e encerramento do podcast é composta e tocada por Reynaldo Bessa.


    Crédito da imagem: Wavebreakmedia – iStock

    10 min
  • Valorização da vida é caminho para prevenir pensamento suicida entre adolescentes

    Professor utiliza conversa e artes para atrair a atenção de jovens para o tema.


    Dados da Organização Mundial da Saúde de 2018 indicam que o Brasil ocupa o 8º lugar no ranking de mortes por suicídio no mundo. Ainda de acordo com a OMS, essa é a terceira causa de morte entre jovens de 15 a 19 anos, atrás apenas de violência e acidentes de trânsito.


    Diante desse quadro, a escola se torna um ambiente que pode contribuir com a diminuição dos casos de suicídio, ao promover rodas de conversa sobre o tema, com alunos e responsáveis. “Há um conflito de gerações, principalmente por conta da tecnologia, onde nós (adultos) não entendemos o que está acontecendo, e eles já não entendem a gente, como deveria ser”, aponta o professor Raphael Norberto, criador da palestra “Morte, combustível da vida”.


    O professor acredita que a filosofia e a arte, por exemplo, permitem que se leve reflexão a esse público. Na conversa que preparou para o ambiente escolar, ele utiliza justamente a filosofia, com o apoio de músicas, filmes e séries, para atrair a atenção do adolescente para essa temática.


    Norberto compilou alguns dos principais pensamentos filosóficos para conversar sobre o tratamento dado à vida e à morte, desde a Antiguidade. Durante o papo, o professor estimula o diálogo e o encontro de gerações com a utilização de referências dos livros, mas também de artistas como Raul Seixas, Legião Urbana e Titãs. Com isso, consegue prender a atenção do público e trazer o assunto de forma mais leve, sem perder o propósito reflexivo. “Com a morte, eu não sei para onde vou e se vou para algum lugar. Por isso, ela é o combustível da vida”, justifica.


    Para falar com alunos a partir de 12 anos, ele também busca inspiração em Charles Chaplin. “Ele dizia uma frase que gosto muito: ‘Quantas vezes eu tentei dizer duras verdades em tom de brincadeira?’”, revela, ao indicar que o humor é um dos recursos que utiliza. Epicuro, Nietzsche e Aristóteles são alguns dos pensadores que embasam a conversa.


    Na opinião do entrevistado, Platão também sintetiza pensamentos importantes para essa fase da vida. O filósofo aponta que o amor é metafísico, ou seja, está além das nossas compreensões físicas, mas a dor provocada pelo sentimento é real. “Quando Platão cita a ideia de metafísica, ele abre espaço para entendermos que não somos somente corpo. Também somos alma. E precisamos ter esse equilíbrio físico e mental. Eles (adolescentes) precisam ser preparados para o sofrimento, para as derrotas, para a vitória também, mas precisam saber cair e levantar”, conclui.


    Créditos:


    As músicas utilizadas na edição do podcast, por ordem de entrada, são: “Então vale a pena” (Gilberto Gil), com Simone; “O mundo é um moinho” (Cartola), com Cazuza; “Canto para minha morte” (Paulo Coelho), com Raul Seixas; “Epitáfio” (Sergio Affonso / Eric Silver), com Titãs; “Pais e filhos” (Dado Villa Lobos, Renato Russo e Marcelo Bonfá), com Legião Urbana.


    Crédito da imagem: kieferpix – iStock

    9 min
  • PerifaCon: evento gratuito leva universo nerd e geek para a periferia

    Nomes da cultura pop, ouvidos no podcast, falam sobre importância de iniciativa inédita 

     

    No final de março de 2019, a Fábrica de Cultura do Capão Redondo, na periferia da zona sul de São Paulo, recebeu milhares de pessoas para a primeira edição da PerifaCon – feira que reuniu nomes da cultura nerd e geek na região. A iniciativa inédita surgiu a partir de uma conversa entre sete amantes de quadrinhos, livros, desenhos, games e todo esse universo pop, que cresceram nas periferias da cidade e – em sua maioria – nunca frequentaram algo do gênero. Mateus Ramos Martins é uma exceção. Frequentador da Comic Con, ele foi um dos idealizadores do projeto.


    “O Perifacon é um evento com recorte social, que tem por princípio trazer uma programação nerd gratuita. Toda nossa programação foi pensada para o público da periferia. Convidamos quadrinistas periféricos, de fora e mulheres, por exemplo. A gente não aceitou expositores que tinham conteúdo misógino em suas obras”, explica.

     

    A equipe do Instituto NET Claro Embratel esteve do início ao fim da feira e conversou com participantes e visitantes, que ficaram satisfeitos com o que viram e com a expectativa de outras edições. “Quanto mais tivermos iniciativas assim, chegaremos a um momento em que já não exista mais uma diferença tão grande entre aquilo que é da periferia e aquilo que é do centro ou das zonas mais privilegiadas dessas cidades”, defende o diretor de TV, Zico Góes. Ele ocupou a sala de audiovisual e falou com os jovens sobre a série “Impuros”, do canal Fox.


    O DJ KL Jay corrobora com essa visão e defende que “evento assim tem que acontecer pelo menos a cada dois meses. Tem muita gente com sede de arte e de mostrar o valor que tem”. O integrante do grupo de rap Racionais MC’s participou da mesa “Arte e Resistência”, que teve como pano de fundo o chamado ativismo artístico.


    O debate sobre representatividade e questões de classe nas HQ’s foi um dos destaques da programação e contou com o premiado autor de “Cumbe” e “Angola Janga”, Marcelo D’Salete. O ilustrador e mestre em história da arte pela Universidade de São Paulo (USP) se surpreendeu com uma particularidade. “Visualmente, olhando pra plateia, foi um dos públicos mais negros que eu pude ter contato, ainda mais neste formato de Comic Com.”


    Cris Bartis, do canal de podcasts Mamilos, mediou o bate-papo “produção de podcast no Brasil e porque ninguém consegue parar de ouvir”. Nascida no que chamou de “Capão de Belo Horizonte”, emocionou-se com a troca de ideias que manteve com o público. “Eu vejo as pessoas hoje orgulhosas de quem são, de onde estão. E elas estão transformando esses lugares a partir do orgulho que têm deles. Eu já fui em eventos enormes, eles são muito legais e eu não vejo esse aqui perdendo em nada para eles.”


    Mateus Ramos deixa no ar o desejo da realização de novas edições da feira em outras regiões periféricas. “Nossa ideia é que a Perifacon vá cada vez mais longe, pra outras periferias”, pontua o jovem.


    Créditos:

    As músicas utilizadas na edição do áudio, por ordem de entrada, são: “Rap Instrumental”, creative commons; “Resiliência”, DJ KL Jay feat. Nathy MC; “Na atividade”, DJ KL Jay feat. Kamau, “Diferenças (Tabu Brasil)”, Criolo; e “Cabeça de nego”, Karol Conka e Sabotage.


    Veja também:

    Ativismo artístico utiliza diferentes linguagens e promove manifestações no espaço público
    Marcelo D’Salete usa HQ para expor condição do negro no Brasil

    10 min
  • Ativismo artístico utiliza diferentes linguagens e promove manifestações no espaço público

    Música, performance e lambes são algumas das produções usadas pelos movimentos sociais.

     

    A arte é uma importante ferramenta de engajamento político. Quando Pablo Picasso criou a pintura “Guernica”, em 1937, manifestou uma declaração de “guerra contra a guerra”, como dizia. Este é um caso de posicionamento político de um artista. “A capacidade da arte é medida pelo quanto pode mudar a nossa visão de mundo. O argentino Leon Ferrari, que foi considerado um artista plástico bastante engajado, dizia que ela é como uma lupa que você coloca na realidade e começa a vê-la de maneira aumentada”, cita o doutor em história social pela Universidade de São Paulo (USP), André Luiz Mesquita, ouvido pelo Instituto NET Claro Embratel.


    Tal realidade aumentada ganha um aspecto maior de mobilização quando envolve a criação de coletivos em torno de uma causa. Essa é uma das características do chamado ativismo artístico, que geralmente representa contestações de setores marginalizados de uma sociedade. “Muitas vezes, os movimentos sociais usam música, performance, cartografia e outras ferramentas artísticas como estratégias”, pondera.

     

    Também integrante do setor de mediação e programas públicos do Museu de Arte de São Paulo (Masp), Mesquita esteve envolvido, em 2017, na organização da exposição “Histórias Afro-atlânticas” em que o coletivo “Frente 3 de fevereiro” estendeu a tradicional faixa com a pergunta “Onde estão os negros?”, que costuma espalhar pela cidade. “Os artistas formam esse coletivo pra repensar a questão de que o Brasil vive uma democracia racial. Contestam essa ideia e começam a analisar notícias da mídia, a partir de 2004, quando acontece a morte do dentista Flávio Sant’ana, confundido com ladrão e morto por policiais militares”, explica.


    O ativismo artístico costuma sofrer influência do local em que um determinado coletivo surge e está engajado. Mesquita alerta que é importante que a sociedade esteja atenta à cena artística que vem das periferias. “A produção musical, de poesia e de teatro que ocorre nesse lugar é muito importante. Se a gente está pensando em mudança social pros próximos anos, esta luta virá das periferias, onde encontramos a força de comunidade, o engajamento e a solidariedade que resultam em uma luta inspiradora”, conclui.


    Link:

    “Insurgências poéticas – arte ativista e ação coletiva (1990-2000)”, dissertação de mestrado de André Mesquita


    Créditos:

    As músicas utilizadas no áudio, por ordem de entrada, são: “Calamatraca”, com Baiana System; “Você vai entender”, com Coletivo 1K; “Quem policia a polícia”, com o coletivo Frente 3 de Fevereiro; e “Negro Drama” (Edi Rock e Mano Brown), com Racionais MC’s. A poesia declamada (slam) é do coletivo Família de Rua. A trilha de fundo é composta e tocada por Reynaldo Bessa.


    Crédito da imagem: reprodução Facebook Daniel Lima/Invisíveis Produções

    10 min
  • Educação midiática busca promover olhar crítico no consumo e produção de conteúdos

    Professor traz práticas simples que abrangem da educação infantil à universidade.


    A comparação e a análise de notícias de diferentes fontes não é exatamente uma novidade no ambiente escolar, sobretudo quando pensamos em aulas de língua portuguesa. No entanto, diante de uma infinidade de canais e da possibilidade de muitos produzirem conteúdos utilizando as redes sociais e outros recursos da internet, a educação midiática se torna ainda mais relevante. Para o professor de práticas de leitura e produção de texto do curso de pedagogia do Instituto Vera Cruz, João Carlos de Souza, conteúdos ligados ao tema podem estar em todas as disciplinas do currículo escolar, da educação infantil ao ensino superior.


    Entrevistado nesta edição do podcast do Instituto NET Claro Embratel, ele parafraseia o educador Paulo Freire para reforçar que docentes não são capazes de ensinar o que não sabem. “Se eu não consigo atuar de uma forma amadurecida dentro do espaço digital, a chance de poder ajudar e orientar os estudantes nesta prática é muito pequena”, comenta.


    Na visão do professor, os cursos de pedagogia devem incluir essa linguagem digital em todas as disciplinas, a fim de aculturar os futuros educadores sobre o tema. Ao compartilharem informações e diálogos sobre o que está acontecendo em sala de aula, fazendo uso de uma determinada rede social, por exemplo, percebem que aspectos devem ser melhores observados por eles próprios no momento em que consomem ou produzem esses conteúdos.


    “Quando a gente começa a estimular a cultura digital, uma parte dessa prática que está lá fora, se desenvolvendo de forma um tanto selvagem, emerge. É uma ótima oportunidade pra que a gente se veja nessas situações e estabeleça um olhar problematizador para entender o que está em jogo”, esclarece.

     

    Após vivenciarem a leitura crítica da informação, docentes conseguem estimular em suas aulas essa prática em diferentes tipos de mídia. Eles também se tornam capazes de mediar o consumo e produção de conteúdos por parte dos alunos, proporcionando a eles autonomia para se situar diante de posicionamentos diversos.


    No áudio, José Carlos de Souza traz alguns exemplos de práticas simples de serem adotadas no ambiente escolar, voltadas para todas as faixas de idade. “Se há um planejamento e uma reflexão na escola sobre a educação midiática, é possível fazer uma progressão dos desafios que estão sendo colocados e do grau de exigência que cada desafio novo coloca. O importante é agregar critérios de valores que envolvam questões como respeito, responsabilidade e cuidado com a linguagem”, defende. 


    Links:

    Ebook “Alfabetização midiática e informacional”, produzido pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco)
    Coluna A hora e a vez da educação midiática?, do especialista Richard Romancini


    Créditos:

    As músicas utilizadas na edição do áudio, por ordem de entrada, são: “Preciso aprender a ser só” (Gilberto Gil); Dueto (Chico Buarque), com participação de Clara Buarque; “Não é sério” (Alexandre Abrão / Carlos Duarte / Liliane Carvalho / Renato Peres), com Charlie Brown Jr. e Negra Li. A fala da criança no WhatsApp é de Nuno, de 8 anos, e a música instrumental de fundo é criada e tocada por Reynaldo Bessa.

    9 min
  • “Sobrevivendo no Inferno” é destaque na lista da Unicamp e ganha versão em livro

    Para estudioso, obra desperta sensações, sentimentos e reflexão sobre vida na periferia.


    O disco “Sobrevivendo no Inferno”, lançado em 1997 pelo grupo Racionais MC’s, integra a lista de leitura para o vestibular da Unicamp. Junto com a novidade, a obra está sendo lançada em livro, em que cada letra de música ganha o patamar de um capítulo. “O álbum é uma aula de história, política, racismo e luta por direitos”, afirma o DJ KL Jay, um dos integrantes, em depoimento para o Instituto NET Claro Embratel.


    Essa ideia é corroborada pelo professor de música do Instituto de Estudos Brasileiros (IEB) da USP, Walter Garcia da Silveira Junior, ouvido neste podcast. Para ele, o material representa um “momento de alta elaboração estética da experiência de se viver numa periferia de São Paulo ao final do século 20.”


    O pesquisador afirma ser muito importante estudar essa obra, porque ela recria como já era o convívio com a violência estrutural da sociedade brasileira, principalmente nas grandes cidades. “Não se trata de uma tese de sociologia. É arte. E, enquanto tal, desperta sensações e sentimentos, mas reflexão também. Por isso, Racionais MC’s é um nome muito adequado ao grupo”.


    Edi Rock, outro integrante da banda, respondeu por e-mail sobre a importância que tem a escolha do disco como leitura obrigatória de um dos vestibulares mais importantes do país: “O Racionais sempre falou em seus discursos sobre informação e revolução das mentes, informação e diversão por meio da música. Se há algo mais que revolucionário é estar vivo pra ver essa mudança acontecer e, além disso, fazer parte realmente do que era um sonho como o de Martin Luther King.”


    “A luta continua, é uma luta diária contra as covardias e atrocidades que ainda oprimem os negros e a sociedade brasileira. Fazer parte da história não quer dizer que vencemos, mas sim que a música pode também ser referência para aquele que ainda não encontrou o rumo a ser caminhado em meio à selva de pedra e suas violações impunes contra a vida”, acrescenta ele.


    O pano de fundo das letras, para o professor, são as consequências de um pensamento neoliberal que impera no início dos anos 1990, no Brasil, e traz efeitos sobretudo para a população negra e em situação de vulnerabilidade social. “Essas pessoas conviviam com o desemprego, a precarização do trabalho e com uma sensação geral de que as chacinas e a violência se multiplicavam em São Paulo.”


    No áudio, além de citar a importância da obra, Garcia faz uma análise dos recursos de linguagem utilizados para reforçar aspectos das letras, como, por exemplo, a escolha do estilo épico de narrativa. “Você tem um narrador que constrói suas histórias, seus relatos na intersecção entre sua própria experiência, que é a experiência do rapper, e a experiência da sua coletividade. Não custa dizer que Mano Brown nunca foi preso e teve autoridade pra cantar ‘Diário de um detento’ justamente por essa intersecção”, conclui.


    Link:

    Confira uma playlist com todas as faixas de “Sobrevivendo no Inferno”, no canal do grupo no Youtube.


    Créditos:

    Os trechos de músicas utilizados na edição do podcast são extraídos do disco “Sobrevivendo no Inferno”, dos Racionais MC’s.


    Veja também:

    Plano de aula Sobrevivendo no Inferno (1997) – Racionais MC’s


    Crédito da imagem: Klaus Mitteldorf/livro “Sobrevivendo no Inferno”

    10 min
  • Ecologia doméstica usa atitudes simples no combate ao desequilíbrio ambiental

    Para professor, é preciso que cada cidadão faça sua parte para reduzir geração de lixo.

     

    No livro “Dicas de ecologia doméstica”, que pode ser baixado gratuitamente, o jornalista, consultor ambiental e professor universitário Maurício Waldman reúne doze textos, em linguagem direta, originalmente publicados por ele no biênio 2009-2010 para a coluna “Ecologia doméstica”, na Revista Ambiente Urbano. Segundo o autor, ouvido pelo Instituto NET Claro Embratel, “o lar é o espaço de resistência frente a um universo de valores que endossa o desequilíbrio enquanto regra”.


    Neste sentido, mudanças de hábito são fundamentais para um comportamento que colabore com a proteção do meio ambiente. São atitudes que resguardam os recursos naturais, estimulam a reutilização dos rejeitos, reduzem os volumes dos descartáveis, fixam usos responsáveis da água e resultam em economia de energia. Não é a toa que as palavras ecologia e economia têm a mesma raiz. “Economia vem do grego, ‘oikos nomos’, que quer dizer ordem da casa. ‘Oikos logos’ (ecologia) também vem do grego e significa estudo da casa. Uma economia pra ser economia de verdade tem de ser ecológica e a ecologia tem de ser econômica também”, explica o professor.


    No podcast, Waldman destaca uma particularidade negativa, especificamente sobre o Brasil. Para ele, é espantoso que a economia do país esteja estagnada e ainda assim o volume de lixo continue crescendo. “Nós tivemos uma retração profunda a partir de 2014, mas, surpreendentemente, enquanto a população cresceu 0,8%, o volume de lixo foi acrescido em 1,7%. Isso quebra a lógica de que quanto mais rico for um país, mais lixo ele produz.”


    Ele ainda fala da importância na redução do consumo de energia e água, com dicas que envolvem o banho e a lavagem de roupa, por exemplo. Também traz um panorama do que chama de “embalamento”, um excesso no uso de plásticos e outros materiais em feiras e no comércio em geral. “Na ecologia doméstica, o cidadão é como se fosse um pé de um banquinho sustentado em três pernas. Os outros são o Estado e a sociedade. Não adianta só o cidadão fazer a parte dele, mas é importante que faça, mesmo se os outros dois não fizerem o que lhes cabem”, conclui.


    Para agir:

    Outras atitudes também podem ser importantes para colaborar com a proteção do meio ambiente. Confira o material sobre a prática da compostagem doméstica produzido por Maurício Waldman.


    Créditos:

    As músicas utilizadas na edição do podcast, por ordem de entrada, são: “São Paulo, São Paulo” (Premê); “Semente” (Armandinho, Esdras Frederico Rodrigues Costa e Regis Antonio Leal), com Armandinho; e “Nova Geração” (Rádio Táxi). A música de fundo é de Reynaldo Bessa.


    Crédito da imagem principal: artisteer – iStock

    9 min

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